sexta-feira, 20 de setembro de 2013

AO REDOR DO OSCAR

Alguém sabe me dizer por que "Flores Raras" não estava nem entre os 14 candidatos à indicação brasileira ao Oscar? Desconfio que seja porque o filme de Bruno Barreto seja uns 70% falado em inglês - afinal, o prêmio é para obras em língua estrangeira. Teoricamente, até os Estados Unidos poderiam concorrer (a Inglaterra já inscreveu obras em galês e hindi). Verdade que as regras se flexibilizaram de uns anos para cá: o idioma não precisa mais ser o do país que inscreveu o filme (o que permitiu a vitória da produção austríaca "Amour", falada em francês). De qualquer modo, é uma pena. "The Art of Losing" (título do "Flores" em inglês) tinha boas chances, por ser a história de Elizabeth Bishop e também pelo prestígio dos Barreto em Hollywood. "O Som ao Redor", o escolhido pelo Brasil, teve críticas maravilhosas nos EUA (o "New York Times" incluiu-o em sua lista dos 10 melhores de 2012), e de vez em quando dá a lôca na Academia e ela indica umas esquisitices. Eu já não gosto muito, e aposto que os velhinhos que votam também vão estranhar. Acho que, mais uma vez, vamos passar batidos pelo Oscar.

12 comentários:

  1. Tony, Flores Raras não entrou na disputa justamente pelo motivo que suspeita. Mas seus produtores apostam que ele consigam indicações em outros categorias. Fiquemos na torcida pelo filme de Kleber.
    abs

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  2. Fico feliz que coisas "estranhas" e que desafiam os limites do convencional encontrem eco de vez em quando. Arte é isso. Pra mim, O Som ao Redor é superior a Flores Raras, e não apenas por ser menos tradicional.

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  3. Flores é quase que todo falado em inglês, razão pela qual nào pode concorrer a categoria de língua estrangeira, mas nada impede de tantar em outras categorias.
    Quanto ao Som ao Redor, o filme é extraordinário.
    Acho que um filme brasileiro nunca teve tanta participação em festivais internacionais.
    Nada menos que 40 festiviais internacionais.

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  4. A razão de "Flores" não ter sido sequer indicado, talvez resida no fato de que é de uma ruindade atroz. "O Som ao Redor" não é uma obre fácil e nem convencional mas é muito bom. E acho estranha a receptividade positiva da crítica internacional. É um filme pouco universal e que dialoga melhor com quem é nordestino e remediado/pobre (e arrisco ser essa a razão de você não se dar com ele, Tony)

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  5. O som ao redor é tecnicamente muito bem feito e com conteúdo regionalista. Chega quase a ser previsível para que é nordestino, mas o desenrolar foi feito bem suficiente para ser entendido por todos. Nesse quesito o filme mostra efetividade. Vale lembrar que Central do Brasil e Quatrilho tb dialogavam com realidades bem brasileiras e receberam a nominacao ao Oscar.

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    1. Central e Quatrilho sim são dois filmes memoráveis, que textos, que produção e que elenco, vale lembrar que Gloria estava ótima horrores no Quatrilho de 1995 e apenas fez lição de casa e falou inglês direitinho no Flores Raras.

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  6. Flores Raras é um filme ruim que conta a história de duas sapatas chatas e depressivas, como a maioria das sapatas é. Depois desse filme ficou impossível ler qualquer coisa da Bishop (a atriz acabou com ela).

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    1. Mas todo e qualquer drama sobre protagonistas do mesmo sexo não é de certa forma 'depressivo'? Veja que nunca é um amor fácil... Que tristeza ver aquela coisa linda do Brokeback Mountain e saber que vai tudo acabar em tragédia c/ a morte de um deles.... Flores tem sequencias bonitas e ótima direção de fotografia, deixa as sapas serem mostradas tb, ai ai ai.

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  7. Talvez as mudanças nas regras da categoria de filme estrangeiro ajudem O SOM AO REDOR. Agora todos votam, sem precisar provar que viu todos os filmes. Se o lobby do filme for bom...

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  8. Tony, o título de "Flores Raras" em inglês é "Reaching for the Moon".

    Uma pena não ter ficado entre os 14, mas faz sentido...

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  9. Bem nem todo mundo gosta desse filme que foi indicado, mas dá para dizer que não é inovador? Isso ele é. E acaba valendo mais para quem consegue entrar nessa história-não-história, sentindo o humor sutil e até corrosivo de cenas aparentemente banais.

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  10. Li há pouco sua crítica sobre O som ao redor, e confesso também me sentir burro... Não foi um filme que me despertou grandes sensações, ao contrário do ânimo gerado em outros. Também acredito que Flores raras seria uma indicação mais certeira, mas paciência! Como disse alguém lá em cima, o jeito é ficarmos na torcida pela película pernambucana.

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