sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A GRAÇA ALCANÇADA

O "Na Moral" de ontem tocou num dos assuntos que mais me interessam no momento: os limites do humor. Mas a conversa não foi muito longe, talvez pela ausência de alguém como Rafinha Bastos. A presença de Renato Aragão acabou dando a tônica do programa. Os demais convidados só faltaram se prostar aos pés do líder dos Trapalhões, dos quais foram exibidos alguns esquetes politicamente incorretíssimos aos olhos de hoje. O único momento mais quente foi quando o eterno Didi, depois de ver o clipe "Deus" do Porta dos Fundos, disse que jamais faria piada com a crença de ninguém. Gregório Duvivier discordou, criou-se um ligeiro impasse e o programa acabou. Claro que minha opinião coincide com a deste último. Acho que, em última instância, o limite do humor é ele mesmo: se houver graça, tá valendo. E religião é um assunto grande demais para permanecer, aham, sagrado. A rigor, o Porta nem tira tanto sarro das fés individuais, mas sim da maneira como alguns tentam impor sua fé a quem não compartilha dela. O vídeo "Cura", desta semana, é um exemplo disto. Sim, Jesus é retratado quase como um mágico de circo, mas o foco da piada é o preconceito dos fundamentalistas (e também o de quem assiste,  hehe). Mesmo assim, acho lícito tirar sarro de qualquer religião. Queria só ver o bafafá se um musical como "The Book of Mormon" fosse montado no Brasil: lá os mórmons são riculzarizados da primeira à última cena. E sabe qual foi a reação deles? Não, não rolou processo nem censura. A maioria riu muito.

14 comentários:

  1. É aquilo que eu digo. 90% da ofensa está na auto-estima do ofendido.

    ResponderExcluir
  2. peguei o programa justamente no final com didi dando uma lição de religiao pro Gregório, logo dpois Gregorio argumentando que religiao nao era minoria, era rica, tinha poder e bancada política, por isso faziam piada sobre. bom, posso dizer que virei um pouco mais fã do portadosfundos.

    ResponderExcluir
  3. O fato é.. Tudo hoje é banalizado, tabu. Não se pode fazer piada nem com o Papa, por que se não daqui a pouco estaremos vendo 'protestos' Brasil afora, dos católicos fanáticos, padres, beatas (os), etc. O humor no Brasil deixou de existir, infelizmente.

    ResponderExcluir
  4. Ai, é um assunto que me divide bastante. Eu tendo a ver de uma forma pró-liberdade de expressão. Agora, quando alguém ESPECÍFICO é zoado, como foi naquele caso do Rafinha Bastos, aí acho que cabe uma indenização pesada, sim. Agora, controle prévio, jamais.

    ResponderExcluir
  5. Só não gosto muito quando confundem humor com humilhação(não é o caso do Portas) mas tem uns aí que apelam muito.

    ResponderExcluir
  6. Ainda assim, queria ver coragem para fazer sarro com Maomé e o Islamismo... Ah, curiosa coincidência, esse aí nunca é assunto para "humor"... só vou acreditar em independência humorística quando esse tabu for quebrado.

    ResponderExcluir

  7. o limite do humor é o bom gosto. O público deve decidir o que é bom ou não.

    tendo dito isso, outro dia fiquei sem palavras com aquela personagem (mulher, negra e desdentada) de Zorra Total. Não entendo como uma coisa assim possa ser veiculada em 2013.

    ivan

    ResponderExcluir
  8. Imagina se Globosta ia chamar Rafa Bastos - que além de polemico é meu numero e I WOULD em sonhos de consumo selvagens e libertinos - fica sempre naquela coisa, telespectadores já sabendo +ou- o que vão ouvir e a certeza d que ao final terá uma reflexão caetanal saindo da boca do Bial.... Rafinha esteve duas semanas atrás no Agora é Tarde do Gentili e deu (ui! Delícia) uma das melhores entrevistas que já assisti c/ ele, Tony, vale a pena dar um buscada no YT, lá ele dissertou justamente sobre esse conservadorismo velado do brasileiro que escracha mandando um 'viado' como coisa pejorativa e ninguém fala nada pró-LGBTs mas se a coisa pega de raspão no sagrado-religioso aí pronto, já era, o humorista tá crucificado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Rafinha Bastos é o que se pode chamar de "vulgar sem ser sequer engraçado", esbarra não apenas na falta de graça, mas no extremo mal gosto em seu humor a qualquer custo. E ainda foi humilhado naquele episódio com a Rede Mercure. Muto gostosão, mas como humorista é lamentável.

      Excluir
  9. Pois é, eu fico estupefato com a cretinisse de Didi. Eles abusavam do humor misógino, racista, homofóbico, de péssimo gosto. Eu só achava graca pq era crianca. O humor dos portas dos fundos é muito mais sofisticado e sincronizado com temas quentes. É simplesmente outro nível.

    ResponderExcluir
  10. renato aragao é uma fraude, tenho um amigo que trabalhou com os trabalhoes e disse que mussum e zacarias eram infinitamente melhores ( isso todo mundo via) e que renato tinha um ciume monumental de mussun e pedia para cortarem as falas do colega ja que o programa era dele.

    ResponderExcluir
  11. Muito bom o ator que faz o rapaz ansioso em "A cura"!

    ResponderExcluir
  12. Realmente, custava alguma coisa o DeeDeee dizer que NÁ ÉPOCA, aquiele humor era aceitável? Isso colocaria tudo em perspectiva e pouparia a imagem dele.
    Não dá para julgar os fatos de ontem com os valores de hoje, FATO!!!!

    ResponderExcluir
  13. O que o Porta dos Fundos faz perto do South Park é fichinha. O modo como os criadores do cartoon americano destilam sua ironia sobre os religiosos é de uma fineza impagável! Até quando zombaram dos ateus em dois episódios - dupla ironia! - o resultado foi fantástico. Nós ainda estamos engatinhando no Brasil... O que eu posso dizer? Fuck you Jesus! :o

    ResponderExcluir