domingo, 25 de agosto de 2013

A MINISTRA DA COSTURA

Marta Suplicy está coberta de razão quando diz que a moda é um ingrediente essencial no "soft power" que o Brasil quer projetar no exterior. Mesmo assim, os milhões em renúncia fiscal anunciados semana passada pelo Ministério da Cultura, em prol de alguns desfiles a serem realizados na Europa, arrepiaram a plumagem de muita gente que se sentiu preterida. Teve até nego dizendo que era um despautério gastar tanto dinheiro em eventos para um público de apenas 300 pessoas - nego que certamente nunca ouviu falar em câmeras fotográficas ou de vídeo. Mais producente é discutir se a moda deve realmente ser tratada como parte da cultura, assim como o teatro, a literatura ou o artesanato nhambiquara, ou se o governo faria melhor se a incluísse entre  indústrias como a de parafusos ou a de polímeros. A resposta certa, a meu entender, é todas as alternativas anteriores: moda é cultura e indústria ao mesmo tempo, ainda mais que o cinema (até porque emprega muito mais gente e tem um alcance ainda maior). Mas este debate fundamental se perde nas acusações de "perua" que são feitas à ministra, como se o gosto dos poderosos pela elegância tivesse sido guilhotinado junto com Maria Antonieta. Marta sempre gostou de moda e sempre buscou se vestir bem (embora nem sempre acerte, como todos nós), mesmo quando ia visitar as quebradas mais barronas da perifa. Era até esperado que ela trouxesse esse interesse para o MinC. A "ministra da Costura", como foi apeliada pelo José Simão, também é conhecida pela determinação com que defende suas ideias, chegando às vezes às raias da arrogância. Isso acaba engrossando o caldo de ressentimento que permeia a política brasileira, e no final todo mundo sai perdendo.

(E por falar em moda, Eloá Paranhos faz hoje sua estreia retumbante no papel impresso ao assinar a coluna "Roupa Íntima" da revista "Serafina", que circula hoje com a "Folha de São Paulo". Quem quiser pode ler a matéria aqui)

21 comentários:

  1. Também concordo, mas detesto esta mulher, ficou mega hiper arrogante depois que subiu ao poder, inclusive não faz tanto tempo ela e o marido atual foram praticamente expulsos de um voo SP Paris, pois ela se recusou a passar pelo inspeção como outros passageiros, o piloto estrangeiro exigiu que ela se retirasse e fosse passar a revista como os outros, ela achava que não precisava como autoridade, bem feito, mulher arrogante, e outra no Brasil a quantidade de impostos é enorme ainda mais no ramo de moda,e em outros seguimentos, como vai gerar emprego assim desta forma? Difícil mesmo para o micro empresário e o grande empresário.

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  2. não há nada de ilegal, mas o que causa espanto é a ministra tratorar uma recomendação da Cnic que negou o apoio. a renúncia fiscal prevê como contrapartida direta uma democratização da obra de arte que se propõe a se beneficiar desse incentivo. sem nenhum demérito do Pedro Lourenço, resta saber como exatamente essa democratização no acesso ao desfile irá se dar. não vamos fechar os olhos ao fato de que a moda brasileira - e mundial - é um dos maiores campos de exclusão.

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  3. Tony,
    Moda é cultura? Senhorita Chanel dizia que moda não é arte, correto? E concordo com ela, moda acompanha os movimentos sociais e culturais, mas não os cria. A biografia que li do YSL bate na mesma tecla.
    Cadê o MM?

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  4. Queridas, vcs perderam o melhor que é o link para a coluna da folha.
    Rolando de tanto rir.

    bjs.

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  5. Moda pode ser arte, cultura ou indústria, mesmo assim financiar um desfile de uma marca particular para 300 pessoas em Paris com dinheiro público (quase 3 milhões de reais) é um tapa na nossa cara. A Lei Rouanet não foi criada com esse objetivo, mas para difundir a cultura entre os brasileiros. Isso que está sendo promovido seria o mesmo que produzir uma peça de teatro que seria apresentada apenas para o público europeu. Com ainda um agravante, a peça de teatro não teria como o objetivo o lucro de uma empresa ou alavancar uma marca particular, ao contrário do que acontecerá com esse desfile. Qual o benefício que isso trará aos contribuintes brasileiros que estão pagando por essa merda toda? Acho que o excesso de botóx afetou os miolos da Lady Suplício.

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    1. O brasileiro não quer financiar desfile em Paris. É simples assim.
      Soft Power é o .....

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    2. É isso aí: a Lei Rouanet prevê favorecimento para realizações culturais destinadas ao povo brasileiro. Moda até é muito ligada à cultura, mas é uma atividade de indústria e comércio. O Louvre abriga desfiles de moda em área que é alugada para eventos empresariais - um puta centro de convenções - e o objetivo desses eventos de moda não é entrar para o acervo do museu, mas reunir imprensa e compradores para vender suas criações para o mundo todo.
      O Metropolitan Museum tem um setor de Vestuário, não de moda, e faz exposições de registro histórico da moda. Quando tem desfile de moda é aluguel de espaço ou evento beneficiente.

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  6. Perda de dinheiro, pois nenhum estilista brasileiro vai conseguir emplacar sua marca lá fora, o que conseguem é emprego numa grife estrangeira, ou (e isso sim deve ser o objetivo) ficar bem na fita aqui, os brazucas tudo indo comprar roupas deles falando "são finos, desfilaram lá fora, arrasaram com os gringos". Ah hã!

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  7. Até gosto de Marta, mas o deslumbre às vezes parece que afeta seu bom senso. E a arrogância com que ela nega esse tipo de mancada irrita. Não é ilegal, mas certamente soa imoral que um país de desdentados financie um desfile de moda em Paris. São até R$ 2,8 milhões de reais, é muito dinheiro. E a postura do Pedro Lourenço em suas entrevistas a respeito do assunto não ajudam.

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    1. Nossa, que panfletário...


      ...mas concordo que foi uma mancada.

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  8. A Lei Rouanet não foi criada com esse objetivo, como bem disse o anônimo. Faltou contrapartida. O desfile beneficiou quem? Palhaçada isso. Como se o Pedrinho precisasse de dinheiro PÚBLICO. Faça-me o favor.

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  9. Não acho que moda não se inclua no conceito (bem) amplo de cultura. A questão é: estamos financiando/renunciando tributos de marcas que têm cacife para se bancar?
    Confesso que sei quase nada sobre o assunto para opinar, mas a pergunta é pertinente.

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  10. Colocar coleções periódicas e todo o staff dos desfiles (leia-se deslocamento, pagto. de passagens aéreas, modelos, coordenadores de produção) p/ francês ver custa caro e contribuinte acharia tudo isso ótimo se os serviços básicos de saúde e educação já estivessem num grau de excelência tal que pudéssemos nos dar a esse luxo de ver moda como arte financiada pelo Estado, quando até filmes como O Diabo veste Prada AFIRMA categoricamente que moda é SIM indústria, mercado e movimentação de capital... Ah essa Marta vive numa bolha, perua é termo bonitinho p/ela, tinha de ser criado uma coisa pior para designá-la, bom ela é petista isso resume toda a bagunça da situação apresentada, um povo que não vai p/ cadeia nem quando mensalão grita há quase dez anos... Já deu!! Moda custeada por impostos, OMG, vivi p/ ver isso... Só falta a coleção se chamar o Poder da Pizza ou Na Terra dos Palhaços, já vejo inúmeros figurinos com estampas de pizzas e palhaços, seria perfeito p/ nossa realidade.

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  11. A Marta adora moda, mas certamente não a moda tupiniquim. Sapatos Ferragamo para ir à favela, vestido e chapéu franceses para casar no sítio - dignos de Zorra Total - e por aí vai.

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  12. Eu não entendo muito de moda, mas até onde eu sei, os estilistas envolvidos nesse imbróglio tem capital pra se bancar. O que seria interessante e teria contrapartida social, seria investir em bibliotecas nas escolas. Com essa grana poderia se fazer muito nesse aspecto.

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  13. Se moda for arte, é um tipo de arte bem frágil pois precisa de estar o tempo todo sendo atualizada se ñ perde a graça. A idéia de alguém te dizer o q é legal vestir já é estranho. Ainda mais que esse "legal" só dura até a semana q vem, pois aí já ñ é mais tão "legal".

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    1. Nossa, é exatamente assim que eu penso!

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  14. Tony, como eu conheci de perto quando na prefeitura, tudo que envolve Marta Suplicy é lixo.

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  15. EU GOSTO DA MARTA SUPLICY, NAO DEVEMOS ESQUECER QUE ELA, MESMO COM TODOS OS DEFEITOS E DERROTAS, FOI UMA DAS PRIMEIRAS A FALAR EM DIREITOS GAYS E AFINS. PEDRADAS E PAULADAS EM 9,8, 7 .....

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