quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A MARAVILHA DO OCIDENTE

Terrence Malick deve estar tomando muito Red Bull. Ele costumava levar anos, até décadas, entre um filme e outro. Não mais. Depois de "A Árvore da Vida" vencer o festival de Cannes de 2011 e ainda faturar algumas indicações ao Oscar, ei-lo de volta aos cinemas com "Amor Pleno", praticamente uma continuação do filme anterior. No sentido do tema, não dos personagens; praticamente não há personagens nos títulos de Malick, só figuras como "o pai", "a mulher", "a outra mulher". Dessa vez eles sequer têm nome. Ben Affleck faz um americano que se casa com uma francesa, depois com uma conterrânea - ou será que a ordem das esposas é inversa? Não importa. O que importa é o prazer do amor carnal e a dificuldade em trasncender essa paixão para outro plano, mais profundo e duradouro. Na paralela, há o padre interpretado por Javier Bardem, que não encontra Deus mas sente que ele está lá. Há imagens belíssimas, mensagens belíssimas e quase zero de envolvimento emocional por parte do espectador. Os planos perfeitos e a montagem lânguida fazem com que o filme aconteça mais no cérebro do que no coração, um resultado curioso para um diretor que queria falar de amor. Aliás, essa comparação entre amor e Deus é exclusiva do cristianismo e permeia toda a cultura ocidental. Vai ver que não foi por acaso que um dos cenários de "To the Wonder" (o título original) seja o monte Saint-Michel, la Merveille d'Occident.

(Luiz Felipe Pondé explicou o filme direitinho em sua coluna desta semana)

6 comentários:

  1. Tudo que esse diretor faz é um porre de doer. Passo.

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  2. Não posso ouvir falar "A Árvore da Vida" que a cabeça começa a doer. hahah :(

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  3. Deu no Gente Boa que o Luis Carlos Barreto saiu no meio, espumando de raiva e D. Lucy ficou até o fim e gostou.

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  4. "A Árvore da Vida" é o filme mais doido que eu já vi. Um amontoado de imagens sem sentido que só o diretor mesmo pra entender...

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  5. Nao devo ser cult mesmo, porque eu achei o filme mais chato do ano.
    30% das pessoas que estava na minha sessao sairam no meio. E com certeza outros 40% dormiram.

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  6. Não consegui segurar o choro vendo A Árvore da Vida (o que só aconteceu com outros 2 ou 3 filmes). Pelos comentários acima, devo ter sido o único no mundo. Hahaha.

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