terça-feira, 23 de julho de 2013

SHARKNADO!

Desde 1992, quando começaram os registros oficiais, 23 pessoas morreram por causa de ataques de tubarão na praia de Boa Viagem, no Recife. VINTE E TRÊS. Mais de uma por ano. A menina que morreu ontem foi a segunda vítima de 2013. Testemunhas dizem que ela foi alertada várias vezes para não entrar na água, mas em vão. Mesmo assim, acho impressionante como os tubarões não são levados a sério no Brasil. Desconheço se existe por aqui um sistema de bandeiras como o da África do Sul, onde o bicho é tão respeitado que há até uma proposta de incluí-lo entre os animais-símbolo do país - leão, elefante, rincoeronte, leopardo e búfalo (os famosos "Big Five", que assim se tornariam Six). E desconfio que a pouca ênfase dada ao problema tem causas políticas e econômicas, como no "Tubarão" de Spielberg. Boa Viagem é a Ipanema do Recife. Uma ameaça mortal numa das praias mais frequentadas do Nordeste é ruim para os negócios, não é mesmo? Tem que ver isso aí.

(O título deste post é roubado de um filme assumidamente trash exibido há poudos dias pelo canal SyFy nos EUA. Já tem uma continuação a caminho)

18 comentários:

  1. Então, estou aqui na cidade de Recife, próximo da praia de Boa Viagem e ontem mesmo quase entrei em uma das áreas de risco. Na verdade, aqui não faltam avisos. No raio de 34 km existem dezenas de sinalizações alertando sobre o perigo. O problema é que achamos o tubarão um um tipo de bicho papão, agente morre de medo, mas pensa que nunca vai ter um arrancando a nossa perna na beira de uma praia. Acho que mudei de opinião agora.

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  2. ÉÉÉ, mas 23 pessoas, uma por ano, é expressivo? Eu não acho.

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  3. Tony, na boa (sem ironia). de que maneira se pode perceber que se dá "pouca ênfase ao problema"? Como morador de Boa Viagem, conto com sua ajuda para apurar meu senso crítico (sem ironia, juro - devo estar deixando algo escapar, porque acredito que você tenha encontrado razões para fazer essa afirmação.

    Considerando as maneiras que eu me lembro de se subestimar ou minimizar um perigo real, não encontro entrave à divulgação (toda a imprensa tem divulgado, desde sempre, e as estatísticas sobre Boa Viagem podem ser encontradas em sites especializados em várias línguas e em vários países); desinteresse por se localizarem as causas (cada ataque é pesquisado por especialistas das universidades locais, que identificaram as espécies mais frequentemente responsáveis pelos ataques) e a causa do aumento da incidência.

    Há também um sistema de monitoramento da orla por equipes de salva-vidas em jetskis (a acompanhante da vítima, porque antes do ataque ambas pediram socorro por terem sido levadas pelas correntes da baixa-mar, relata que os salva-vidas levaram menos de cinco minutos para chegarem até elas). Outra medida é o confisco de pranchas de surf ou body-board pelos bombeiros, comum no início recente do problema, mas hoje não tenho mais visto, porque ninguém tem se arriscado.

    Quanto às bandeiras, como o perigo de ataque é real e permanente, placas fixas informam, ao longo de toda a orla, para as pessoas não entrarem na água nos trechos de mar aberto, mas somente nas áreas em que se formam piscinas naturais, cercadas pelos arrecifes - orientando para que não se tome banho além deles.

    Claro que a alternativa não será pôr cerca para as pessoas não entrarem na água. De certa maneira, elas existem: são os arrecifes. Ainda assim, não é raro ver banhistas mergulhando além deles, com os salva-vidas gritando para que voltem para o outro lado dos muros de pedra. E o povo voltando aos mergulhos assim que os caras se afastam. Me parece um espírito semelhante ao de quem atravessa uma BR embaixo de uma passarela e prefere pular uma mureta a subir uma rampa.

    Ignoro se os hotéis enfatizam o risco. Mas também ignoro se estes o negligenciam, então não tenho como avaliar como a coisa está entre eles.

    Enfim, olhando de um modo geral (divulgação, pesquisa, compra de equipamentos, treinamento de pessoal, sinalização) existe uma série de medidas. Exceto cercar a água, pode não ser possível impedir que uma ou outra pessoa se arrisque.

    Uma coisa que é pouco mencionada - e isso, sim, me parece bem importante, é o que acontece depois de um ataque. O Recife é hoje não somente o líder mundial em número de ataques de tubarão, mas precisamente em número de ataques que resultam em morte. É bom ter em mente que o ataque, ainda que possa mutilar e desfigurar de maneira grave uma pessoa, resulta bem mais da hemorragia decorrente do que das mutilações per se (que poderiam gerar infecções etc).

    A meu ver, portanto, o gancho está menos em falha de dimensionamento do fenômeno pelos órgãos públicos e mais na inexistência de um protocolo de ação caso ocorra um ataque.

    A moça que morreu, morreu de hemorragia. Há um hospital, da Aeronáutica, praticamente à beira-mar, que não foi transformado, ainda, em local de referência para atendimentos desse tipo. A moça atacada foi levada a uma unidade de emergência do SUS, bem mais longe (uma UPA). O treinamento do pessoal com autorização e treinamento para puncionar uma veia e infundir soluções salinas nos casos, procedimento mínimo e quase banal para se compensar uma perda aguda de sangue poderia salvar muitas vidas. Enfim, se há descaso do poder público, a meu ver, não é na prevenção e divulgação dos ataques, mas sim em como e o que fazer quando esses ocorram. Nossa estatística de mortes após um ataque de tubarão é obscena e nvariavelmente superior ao número absoluto de ataques em países com um melhor nível de seus equipamentos de suporte e pessoal treinado, após uma ocorrência.

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    1. Flávio, obrigado pela riqueza de informações. Na boa.

      Não vou ao Recife há muitos anos e realmente não sabia que há tantas placas avisando do perigo dos tubarões nas praias.

      Estive há um ano e meio na África do Sul e fiquei realmente impressionado como eles falam em tubarão (e olha que não fui a nenhuma praia).

      Talvez o problema seja cultural. Aqui no Brasil não ligamos para esses perigos. Achamos que temos alguma proteção divina e que estamos livres de cataclismas naturais.

      Mas me chama a anteção do problema "tubaronístico" ser tão reincidente justo na Boa Viagem, cartão-postal do Recife. Se você me diz que há prevenção aos ataques, eu acredito. E torço para que este episódio terrível sirva de alerta e salve vidas no futuro.

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    2. concordo principalmente com o ultimo paragrafo. as equipes de salvamento e dos hospitais n tao treinadas pra esse tipo de ataque, apesar de tantos e frequentes. apesr da vitima ter dado causa em alguma parte, tá mais que claro o descaso publico da saude e segurança. Falar em segurança (ou falta dela), o que é q foi aquilo com o papa, hem?

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    3. Quando viajamos à cidade de Recife, do aeroporto ao hotel na praia Boa Viagem, fomos avisados para não entrar no oceano (poluído) ou não passar dos arrecifes (ataque dos tubarões) dentro do ônibus de turismo e no hotel em julho 2004. Quando fomos à praia, a mesma estava totalmente sinalizada. Eu já sabia dos ataques pela imprensa. Banhamos nas cidades vizinhas. Em Fernando de Noronha nadamos com os tubarões, pois no paraíso tem comida em abundância e os tubarões não atacam. Desiquilíbrio da natureza. Sabe aquele dizer, QUANDO BEBER, NÃO DIRIGIR, pois é, QUANDO ESTIVER NA PRAIA DA BOA VIAGEM, NÃO ENTRAR NA ÁGUA. Simples.

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  4. moro em recife, e acho q o bombeiro falhou. ficou com medo do sangueiro q tava, tem sinalização mas virou ponto cego.

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  5. Lembrando que os humanos matam muito mais tubarões do que vice-versa.
    Também faz 17 anos que estive em Recife. Ouvi uma explicação que dizia que os tubarões eram atraídos por sobras de peixes que os pescadores devolviam ao mar. E como a praia TEM recifes naturais (daí o nome da cidade), os tubarões ficam rondando mais próximos ao litoral.

    O ser humano não é uma presa natural do tubarão (muito pelo contrário). Ele só ataca um ser humano quando está muito acuado e confuso.

    E tubarões não nadam para trás.

    (Acho que andei vendo muita semana do tubarão no Discovery)

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    1. Né. O tubarão ta cagando pra gente, tá lá de boa, fora que as rachas foram avisadas inúmeras vezes pra não entrar na água. É muita vontade de salgar a periquita.

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  6. Posso dar meu testemunho de como se pode voltar machucado de umas férias na praia de Boa Viagem. Recentemente visitei o Recife e de tanto que eu dei o rabo, precisei tomar um anti-inflamatório pra poder me sentar quando voltei pra casa, parece piada mas é a mais pura verdade! Posso dizer, no entanto, que valeu muito a pena aqueles dias no Recife, cada neca odara, aff

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    1. Ser comido assim tá liberado! O importante é ser feliz.

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  7. Parece q a história dos tubarões no recife tem a ver com a construção de um porto nos arredores e a consequente alteração no ecosistema local, alguém sabe esclarecer se é isso mesmo?

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    1. Sim. Pesquisa da Universidade Federal Rural de Pernambuco aponta o Porto de Suape como causa dos ataques, por alterações ambientais: um canal profundo que acompanha o contorno do litoral facilita o deslocamento dos animais próximo às praias.

      Vou a Recife pelo menos uma vez por ano há mais de 10 anos e posso confirmar que há INÚMERAS placas ao longo de TODA A PRAIA DE BOA VIAGEM avisando pra não entrar na água e que há risco de ataques por tubarões.

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    2. Ontem lendo os comentários na GB.com que, só para variar, fica aquela zona uns perguntando se Deus existe pq não salvou a garota, outros dizendo que devia ter sido a irmã de num-sei-quem, aparece um comentário falando da construção do porto e do impacto ambiental. e ninguém deu bola......não teve UMA resposta. Não sou biólogo mas acho que deva existir algum tipo de trabalho para contornar issaê. mas parece que todo mundo prefere o fuzuê.
      E quanto à garota, há um descaso geral com o mar(seja lá ou em qualquer praia), as pessoas entram achando que é piscininha, só que não é.

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  8. Mesmo que tenham morrido 23 pessoas em todos estes anos, isto não é muita coisa pelo que os humanos fazem em troca. Além disso, falta de aviso não foi, afinal uma vez vi no Fantástico uma reportagem sobre ataques nas praias e lá em Recife tem sim placas de alerta aonde há maior probabilidade dessas ocorrências. O grande problema é o contrário: o ataque humano aos tubarões, são mais de 280 MIL deles que deixam de viver por ano por inúmeros motivos, até mesmo por pura diversão dos seus caçadores imbecis. Lembrem-se não somos melhores nem piores que os demais seres vivos deste planeta, somos apenas mais um deles.

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  9. O mio babbino caro
    Sharknado!Tubarões voadores
    No coração do prudente
    Descansa a sabedoria.(AB)

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