domingo, 14 de julho de 2013

NÃO É UM "S"

Os filmes de super-herói estão se aproximando daquilo que os quadrinhos - perdão, graphic novels - do gênero já são há muito tempo: versões alternativas de um mito central, que não têm prosseguimento nem maiores consequências. Quantas vezes o Batman já não morreu nas páginas impressas, só para ressurgir vivinho da silva no próximo número? Quantos universos alternativos um personagem consegue habitar ao mesmo tempo? A voracidade da indústria cinematográfica, com tão poucas franquias certeiras à disposição, gerou esse fenômeno irritante: apenas dez anos depois de Sam Raimi levar o Homem-Aranha às telas com brilho e duas continuações, eis que surge um remake contando DE NOVO a origem do mascarado, de forma ligeiramente diferente e absolutamente desnecessária. O Super-Homem - perdão, Superman, como agora exige a DC Comics - era uma dessas properties cujo relançamento não deu muito certo em 2006. O filme de Bryan Singer não fez o sucesso estrondoso que se esperava; portanto, meros sete anos depois, somos submetidos a uma nova concepção do über-herói. A cargo de Christopher Nolan, que recriou o Batman, Super-Homem ressurge mais atormentado do que nunca. Justo ele, o mais desencucado dos heróis, criado a aveia Quaker no meio-oeste americano. Agora ele é quase um autista que sofre "bullying" no colégio por não conseguir esconder direito seus super-poderes - o que é bastante interessanete dramaticamente, admito. E chega a ser engraçada a contorção para explicar que o "S" de seu logotipo não é um "S", mas o símbolo kryptoniano da esperança (ahã). Mas o prólogo em Krypton é longo demais e, ouso dizer, cafona. Os figurinos lembram o "Flash Gordon" de 1980, sem o humor daquele filme. E há tantos furos na lógica que o espectador simplesmente não se importa mais. Como que os condenados à Zona Fantasma sobrevivem? Porque só Jor-El reaparece como um fantasma? Porque gastei tanto dinheiro num ingresso para uma sala 4Dx? A última hora, então, é literalmente um desastre: uma luta interminável e sem sentido, sem o menor impacto emocional. Que, felizmente, aparece no desenlace: aqui o Super-Homem quebra sua regra mais sagrada, no lance mais ousado concebido pelos roteiristas. Que provavelmente será esquecido quando refizerem essa história daqui a dois anos.

18 comentários:

  1. E o Henry Cavill aparece sem camisa? se aparece já vale o ingresso...

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    1. Aparece MUITO sem camisa, principalmente no começo do filme. E de um jeito que nunca vimos o Super-Homem: peludo, suado, barbudo.

      Aliás, fica aqui a pergunta: se o Super-Homem é invulnerável, como é que ele consegue fazer a barba?

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    2. Essa pergunta aflige os fãs dos HQs desde sempre.

      Olha, pode parecer saudosismo, mas fico com os 2 primeiros filmes da franquia com o Christopher Reeves. Com direito a Marlon Brando e voltar no tempo girando no sentido contrário da Terra e tudo!

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  2. Tony, na verdade o Zod explica no filme que eles não ficam presos na zona fantasma por causa da explosão de Krypton; já o Jor-El não é exatamente um fantasma, é uma espécie de consciência eletrônica ou algo assim (tecnologia avançada kryptoniana), em todos os filmes e séries houve algum tipo de comunicação entre pai e filho, de alguma forma. Outro ponto: a ideia é fazer uma nova franquia, então o que começou aqui segue uma nova história, o que aconteceu, aconteceu, portanto o próximo filme mostrará a evolução do Super a partir daí. Quanto à barba, um espelho e a visão de raio-x resolvem o problema, tem um gibi nos anos 80 que mostra isso. Gostei do filme, não é o melhor de heróis já feito, mas curti.

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  3. eu confesso, eu fui pra ver a mala do hopeman. dizem q photoshop apagou as melhores cenas. em outras cenas ele bota a mao na frente, ou o enquadramento da camera n deixa. mas q ele tá lindo, musculoso, e tesudo tá. valeu o ingresso.

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    1. ah sim! finalmente um super sincero!

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  4. Ele faz a barba com a visao de calor refletida num espelho. Nao a de raio-x...

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  5. Tony, tu entende demais de roteiros e coisas afins para ser levado a serio! bjos!

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  6. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas a tevê americana está bem mais interessante e ousada que o cinema.

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  7. Eu também já imaginava que o filme seria "mais do mesmo" ou até pior do que os anteriores. Por isso mesmo resolvi ainda não assistir no cinema. Ainda estou pensando se vou ou não, mas é provável que não. Principalmente agora que li sua crítica e confirmei algumas suspeitas.

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    1. A função da crítica não é fazer você não ir ao cinema, ela serve para um contraponto, daí você pode tirar as suas próprias conclusões, tendo personalidade e não sendo Maria vai com as outras.

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  8. O mio babbino caro
    (Era meia-noite. Olhei ao meu redor e vi a sombra do vulto de Zarathustra passando. Zarathustra,
    a ponte para o Super-Homem. Sim, mas nós não queremos
    este Super-Homem. Nós queremos apenas o humano.
    O demasiadamente humano, mergulhando até as lamas da condição humana)JM

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  9. Isso mesmo! Acabaram tb com o Batman em sucessivas reinvenções, ele já foi feio e nanico com Michael Keaton, insosso e loirinho com Val Kilmer, galã com George Clooney, chato e depressivo com Christian Bale... A cada etapa inventam novas xaropadas de armas e mudanças na roupa. Homem-Aranha foi um porre mesmo, os aborrecentes fizeram a bilheteria da trilogia e ainda tentaram uma sobrevida neste quarto e entediante filme. Cansei de super-alguma-coisa na tela, que venham os dramas humanos.

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  10. Parece até que nem vimos o mesmo filme. Achei bem bom.

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  11. Olha Tony, concordo com a Patricia, porque achei mega legal que o S nao seja de SUper man, coisa que sempre achei tosca, e achei mais legal o prologo en krypton, para ver como era o tao falado planeta dele. Eu gostei, e vi 2 vezes ainda por cima, e conste que a versao de 2006 que nao deu nada, eu nem fui ver, mesmo havendo coemntarios sobre o dote do rapaz a sua epoca! rs

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  12. Relutei em ver, pelas críticas e por ter odiado (e dormido durante) o último filme. Talvez até pelas baixas expectativas, não achei tão ruim. O ado foi mais longe, gostou. Pelo menos é muito, muito melhor que o de 2006.

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