segunda-feira, 8 de julho de 2013

JACARÉ NO SECO ANDA

Foi um fim de semana de cinema de arte. Depois do magnífico "Blancanieves" na sexta-feira, meu marido Oscar e eu encaramos "Tabu" no sábado. O filme nem estava na minha lista: achei chatíssimo "Aquele Querido Mês de Agosto", a badalada  estreia do diretor português Miguel Gomes. Mas vários amigos insisitram que se tratava de uma obra-prima, e lá fomos nós. Não deu outra: "Tabu" também é chatíssimo. É recitado, afetado e pretensioso, defeitos frequentes do cinema lusitano. O filme é dividido em duas partes. Na primeira, uma senhora meio gagá é cuidada por sua empregada de origem africana na Lisboa contemporânea. Na segunda - um longo flashback passado numa antiga colônia lusa "em África" - descobrimos que ela viveu um caso folhetinesco envolvendo adultério e assassinato. E não é que eu gostei mais da primeira? Achei mais interessante a relação entre patroa e criada do que o romance proibido do passado. Mas não muito. Miguel Gomes não me pega mais.

No domingo foi a vez de "A Espuma dos Dias". Nunca li o romance surrealista de Boris Vian, então não sei o quanto que o diretor Michel Gondry acrescentou à história - provavelmente muito. A primeira hora é nada menos que sublime. Uma trama absolutamente banal de rapaz-conhece-moça se desenrola numa Paris retrô repleta de absurdos visuais. Gondry repete alguns truques que já havia experimentado em seus famosos videoclipes, com a ajuda de alguns dos melhores atores do atual cinema francês. Mas alguma coisa desanda depois que uma flor de lótus se instala num dos pulmões da mocinha, fazendo-a adoecer gravemente. O roteiro também se descola da realidade, até o ponto em que não nos importamos mais com os personagens. Mas o final se redime com uma conclusão belíssima, que justifica o título poético da obra: tudo se dissolve algum dia, tudo não passa de espuma.

Um comentário:

  1. Mas nem a moninha cinéfila "to louco pra ver" comentou?

    ResponderExcluir