sábado, 13 de julho de 2013

GEOGRAFIA É DESTINO

Aqui no Brasil conhecemos bem a dor e a delícia de quase não termos vizinhos. Claro, fazemos fronteira com nada menos do que dez países. Mas estamos afastados de muitas delas pela floresta amazônica, e não corremos o risco de uma grande invasão militar nem mesmo pelo sul. Esse privilégio - que os EUA têm em dobro, com acesso a dois oceanos e localização no hemisfério norte - é desconhecido de quase todos os países da Europa, Ásia e África. O que não é necessariamente ruim: no livro "A Vingança da Geografia", que eu estou lendo em inglês, Robert D. Kaplan diz que tanto a civilização europeia como a chinesa devem muito de seu desenvolvimento à cosntrução de barreiras aos bárbaros vindos da Ásia Central. O cara foi consultor de diversos governos republicanos, mas sua visão está longe de ser "neocon". Kaplan esteve em quase todos os países, entende muito de história e política, e diz que, pela primeira vez, os avanços tecnológicos estão conseguindo "eliminar" os acidentes geográficos. Mas eles continuam aí, e isto explica muita coisa. A Índia, por exemplo, nunca constituiu um único estado antes da colonização britânica porque seus rios correm no sentido leste-oeste, dificultando a comunicação entre o norte e o sul. E por aí vai: é um livro interessantérrimo, desses que ajudam a entender o mundo um tequinho melhor. Afinal, ideologias duram menos que montanhas.

4 comentários:

  1. Há um outro livro, do mesmo autor, "Inverno Mediterrâneo", que é excelente, embora menos político, mais travelogue recheado de história...Já vou encomendar esse na Amazon...

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  2. Só dica boa, seja em livros, filmes, séries...muito bom. Sou fã do seu blog. Parabéns, cara!

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  3. O mio babbino caro
    Yes and how many years can a mountain exist
    Before it's washed to the seas (sea)
    Para além da natureza do espaço, a julgar pelo histórico do autor, estou propenso a achar que geografia é poder.
    Balkan Ghosts :Aqui é o fim do mundo
    Aqui o terceiro mundo
    Pede a benção e vai dormir
    Entre cascatas, palmeiras
    Araçás e bananeiras
    Ao canto da juriti (que já não há)
    Ou então cada paisano
    E cada capataz
    Com sua burrice fará
    Jorrar sangue demais
    Nos pantanais, nas cidades
    Caatingas e nos gerais

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  4. desculpe, mas esse "que estou lendo em inglês" ficou muito parecido com a célebre "que está no Canadá". Não era sua intenção, mas ficou ótimo kkkkk! :)

    ivan

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