sexta-feira, 12 de julho de 2013

A PERVERSIDADE DO BRILHO

Conhecia muito pouco sobre Hannah Arendt antes de ver o filme que leva seu nome (não que as duas horas no cinema tenham me dado muita profundidade, mas vá lá). Sabia que ela havia cunhado o conceito da "banalidade do mal" depois de assistir ao julgamento do nazista Adolf Eichmann, e pouca coisa mais. Desconhecia completamente a polêmica que seus artigos sobre o assunto provocaram, 50 anos trás. Arendt desmontou o mito de que todos os nazistas eram monstros e todos os judeus uns santos: são todos humanos, e, para ser cruel, ninguém precisa ser especial. É uma tese complexa para ser entendida de cara por mentes habituadas a narrativas lineares, com heróis e vilões bem definidos, e ela sofreu muito com a repercussão negativa de seus textos. Nem por isto perdoava o holocausto: teve que repetir inúmeras vezes que Eichmann mereceu ser enforcado, e também criou a expressão "crime contra a humanidade". Hoje sua memória é reverenciada, mas sua arrogância lhe trouxe muitos inimigos. O filme de Margarethe Von Trotta foca neste período da vida da filósofa, tocando muito de leve em sua complicada relação com Heidegger, de quem foi aluna (e talvez amante). Não é especialmente divertido, apesar de mostrar uma Nova York fervilhante de ideias e debates. Um bom antídoto para as perseguições e correrias que invadem as telas nessa época do ano.

16 comentários:

  1. Mais um post pra ficar às moscas...

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    1. "Mais um post pra ficar às moscas..." - Caralho, tudo isso é inveja? Complexo de inferioridade? Despeito? Burrice? Ou um mix de tudo isso junto?

      Não sei como o Tony aguenta certos anônimos.

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  2. Que bom! Eu mesmo não sou partidário desse maniqueísmo que dominou o mundo. Ninguém é totalmente bom, nem mau. Acho egoísmo muito mais humano do que qualquer outra coisa. E disso, todo mundo tem um pouco. Quando a gente aceitar que o ser humano é assim, vamos poder repensar alguns conceitos que parecem escritos na pedra.
    Análise faz a gente enxergar o mundo com outros olhos.

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  3. Fiz meu curso universitário na Católica. Meu professor de Filosofia Contemporânea era um marxista-comunista que tinha pavor da Hannah. O de Teoria das Idéias Políticas era um reaça que também odiava a mulher. Ou sejEEEEEE, é a mal-amada do curso de Filosofia - de todos os lados!

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    1. ele conhece a autora de origens do totalitarismo, meu livro preferido! e eu pensando que ele era só mais um cafajeste gostoso qualquer. ai ai ai

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    2. hahahah Não sou apenas mais um cafajeste no mundo, não! UAHUAHUAHAH :p

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    3. Sai do anonimato e vamos bater um papo sobre a Hanninhah? ;)

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  4. É insuportável para as pessoas admitir a idéia de que são tão capazes de fazer o mal quanto fazer o bem; preferem viver naquela idiota ilusão de Rousseau de que "todo homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe" - pensamento que é de um narcisismo boçal, a doce ilusão de que cada um de nós é sempre um bom sujeito (e, claro, o mal está sempre na conta dos "outros").

    Só por ter teorizado sobre isso, já foi uma filósofa magnífica. Assistirei com certeza.

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  5. Arendt e genial. Li nos primeiros anos da facul. Achava aquilo denso demais. Voltei a ler para a monografia. As coisas já estavam mais claras. Ano passado reli origens do totalitarismo e batia palmas a cada página!

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  6. filmes que nao falam bem de judeos nao ganham premios em hollywood...

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  7. Judeus...é assim que se escreve...

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  8. O mio babbino caro
    Não estou preparado para engolir sua ideia da banalidade do mal. Para mim trata-se de uma ideia errônea.Os nazistas não eram "banais". Eichmann acreditou profundamente no que fazia; isto estava, ele o reconheceu, entranhado em seu ser. (IB)

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  9. "Anyone with a passing interest in 20th-century social theory will benefit from seeing this film, but no one should expect to receive from it an education in either philosophy or Holocaust history. It succeeds best as a sociology of intellectuals who were grappling with one of the fundamental cataclysms of the 20th century that they themselves had barely escaped — genocide on an industrial scale".

    A diretora é feminista, de esquerda, basta ler sobre os seus outros filmes. Seria prudente ter reservas com a mensagem deste filme

    http://forward.com/articles/177134/hannah-arendt-biopic-offers-rare-onscreen-view-of/?p=all

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  10. Hanna foi sim amante de Heidegger.Leia a biografia(ótima) de Rüdiger Safranski.E trocaram também cartas maravilhosas.Mas de certa form,ela nunca aceitou que Heidegger tivesse se filiado(ainda que por pouco tempo) ao Partido Nazista.

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  11. E o post "as moscas" rendeu 14 comentários (15 com este). To no Estação Rio pra ver o filme. Sessão esgotada. Ainda encontrei meu professor de alemão e seu amg, Zeca Camargo.

    Tem anônimo que prefere post sobre The Week

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  12. Assisti hoje e adorei, estou pensando nele até agora. Em um mundo atual em que tudo se resume ao certo/errado, branco/preto, direita/esquerda, bom/mau, é bom perceber que tudo é cinza e que o bem ou o mal não têm cara.

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