segunda-feira, 8 de julho de 2013

A DIREITA, DIREITINHO

Luiz Felipe Pondé é, de longe, o colunista mais polêmico da "Folha de São Paulo" hoje em dia. Não há uma única coluna sua que não receba queixas estridentes de leitores que se sentiram ofendidos. Eu também discordo de muita coisa que ele escreve, mas nem por isto deixo de lê-lo. E sua matéria no jornal de hoje vai surpreender muita gente. Pondé se assume de direita, o que já é de uma desfaçatez ímpar no Brasil. Mas também se diz a favor do casamento gay e não-representado pelo Infeliciano, o suficiente para dar um nó na cabeça dos mais simplórios. Aqueles que automaticamente associam a direita a ladravazes como Paulo Maluf, ao coronelismo nordestino ou aos fundamentalistas religiosos. Direita não é bem isto, mas nossa indigência política é tamanha que sonhamos com o dia em que ela será extinta. Ora, ora, ora: democracia para valer tem que comportar todas as tendências, se não inexiste o debate e instala-se a ditadura da opinião única. Por isto, antes de se declarar automaticamente "de esquerda" porque é desse lado que estão todos os justos e bons, sugiro que pelo menos que se leia o artigo do Pondé. Ah, e antes que me perguntem: eu estou mais para centro-esquerda.

34 comentários:

  1. Acho que hoje em dia está mais dificil definir o que é esquerda e direita no Brasil. O próprio governo do PT, em vários momentos, parece um governo tipicamente direitista, enquanto alguns partidários de direita defendem direitos humanos e minorias, que é uma bandeira típica de esquerda. Eu fico com o Buda, a sabedoria do caminho do meio.

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    1. "O próprio governo do PT, em vários momentos, parece um governo tipicamente direitista, enquanto alguns partidários de direita defendem direitos humanos e minorias(?), que é uma bandeira típica de esquerda."

      Você disse que o GOVERNO parece seguir à direita, enquanto ALGUNS PARTIDÁRIOS de direita defendem direitos humanos, esta, uma pauta da esquerda. Comparação que não vinga. São poucos, pra dizer o mínimo, parlamentares de direita que verdadeiramente se importam com direitos humanos.

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  2. Centro-esquerda????? MEU MUNDO CAIU!!!!!!!!!!

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  3. Deleuze (que era de esquerda rs) dizia que não existe um governo de esquerda. Pelo simples fato que “ser de esquerda” é sempre um “devir”, uma percepção. Se puder, veja esse vídeo.

    https://www.youtube.com/watch?v=_Wer1VGBZi8

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  4. A direita são muitas direitas, Tony.

    Existe aquela direita panfletária da Veja, adorada pelo leitor Nelson, que me chamou de panfletário tão-somente por eu criticar a publicação.

    Existe a direita libertária, ou seja, a que acredita que o Estado deve ser o mínimo do mínimo e que crê numa desregulamentação quase total, inclusive sendo favorável à legalização das drogas e do aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, etc.

    Enfim são várias direitas.

    Acho que o Pondé pode ser polêmico, mas pelo menos algumas coisas que ele escreve não são baixo nível, como Reinaldo Azevedo e afins. Acho muito interessante a crítica dele ao politicamente correto, representado pela "galera da bicicleta" que acha que quem faz qualquer crítica ao movimento e/ou não quer, simplesmente, andar de bicicleta para ir ao trabalho, é necessariamente do mal, numa coisa meio hipócrita tipo "sou foda, porque ando de bicicleta todo dia". Enfim...

    Still, I'm a left guy :)

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    1. Sim, as direitas são muitas, e esta que o Pondé descreve é apenas uma delas. Existe também a direita religiosa, a conservadora social, a que prega um estado mínimo e o cada-um-por-si, e muitas, muitas outras.

      O problema é que no Brasil costuma-se jogar todas no mesmo saco e dispensá-las como "forças do mal". Nossa própria direita não ajuda: quase não existem políticos honestos de direita.

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    2. O Brasil não tem representatividade em nível partidário. Nesses países que tomamos como exemplo, são poucos partidos, então a coisa fica mais definida. Na Alemanha tem o partido liberal, o partido conservador, o partido social-democrata, o partido verde, etc. Aqui são trocentos partidos e quase todos são fisiológicos; topam qualquer parada.

      Por outro lado, existe uma ignorância ideológica surreal. Tomei como exemplo o Nelson, porque pra ele, ser contra a Veja significa ser do PSTU/PSOL. Da mesma forma, muita gente acha que só por eu ser a favor de PPPs em alguns setores, bem como a favor da concessão de certos serviços públicos, sou de "direita". Nada a ver, sabe?

      Espero que isso mude algum dia! Não aguento mais levar pedrada!

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    3. Ai, será a Joaninha D'arc ?

      Zzzzzzzzzroinc !

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    4. João, com aquele anorak vermelho você era absolutamente socialista, mas com esse disco-voador ficou exotérico por demais.
      Tony, é ranço esquerdista dizer que não há político de direita honesto, em especial depois do abominável festival de falcatruas as mais variadas, inusitadas [Lulinha gênio empresarial], originais [dólares na cueca], capitalísticas [affair Valério] protagonizadas pelas esquerdas genuínas.

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    5. Giovanni, via de regra é boceta e essa coisa de direitista ser moralmente anacrônico, mas esquerdista moralmente condizente é deformação que estraçalha nossa inteligentzia e permitiu que a esquerda, chegando ao poder, se locupletasse do néctar da corrupção, de matar de inveja um Malluf ou um Collor, pois a esquerda é pura sempre.

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    6. Nunca fui socialista.

      Sempre fui social-democrata nos moldes germânicos.

      Beijos para vocês e muito amor

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  5. A noção de esquerda-direita, no Brasil, pra mim não existe mais. Existem interesses que os políticos se agarram e nem querem saber se estão dentro dos seus padrões de conduta político. Enfim, é uma ZONA.

    Quando ao careca, eu tenho uma certa versão a ele. Não é pq ele tá a favor das bichas que isso vai mudar. Ele é o Lobão do Jornalismo: adora um estardalhaço! E só!

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  6. Shirley Love - Petista Convicta8 de julho de 2013 18:05

    Como diz nossa queridíssima Presidenta Dilma, "prefiro o barulho da democracia do que o silêncio da ditadura".

    Pondé, n gosto de Vc, mas Vc tem espaço nesse Brasil brasileiro do nosso querido PT.

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    1. Tem espaço porque o PT permite, né Shirley? Até a página 20. Tosca.

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  7. Direito a dignidade como dinheiro para comer (ou bolsas esmolas, como dizem por aí) também é direitos humanos. Logo, ser de direita defendendo o casamento igualitário e o aborto, mas ser contra bolsa-família é uma contradição.

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  8. O mio babbino caro
    Não vai ser tão fácil assim preencher o vazio deixado por Paulo Francis...Qualquer dia esse cara estará no Chacrinha, digo, no Esquenta...Farsa.

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  9. Só eu que sempre achei esse Ponde uma bichona enrustida? Esse papo de a favor de casamento gay vindo da enrustida pegou estranho. So faltava ser contra.

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    1. Ele até lembra o Marcelo Tas, Gerald Thomas neles,suruba subliminar David Hume (sua moral), Adam Smith, Edmund Burke, Alexis de Tocqueville, Friedrich Hayek, T.S. Eliot, Michael Oakeshott, Isaiah Berlin, Russell Kirk, Theodore Dalrymple, John Gray, Gertrude Himmelfarb, Thomas Sowell, Phyllis Schafler, Roger Scruton, entre outros. Tem certeza?

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  10. realmente n sei o que é direita hj em dia. antigamente os ricos eram os ricos e os de esquerda eram os pobres q queriam o poder. conseguiram. se fartaram de poder e de dinheiro. agora só tem joio. n tem trigo nessa estória.

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  11. Pelo que li antes, não duvido que Pondé já tenha escrito muitas bobagens. Mas achei esse texto irretocável.

    Quando se discute direita x esquerda, costuma-se misturar pontos de vista morais e econômicos, o que é péssimo. Via de regra, o "direitista" padrão é moralmente anacrônico, mas defende uma economia moderna e funcional. Já o "esquerdista" padrão tem pontos de vista morais condizentes com a nossa época, mas defende uma economia estatal, engessada e ineficiente.

    A direita que Pondé descreve no artigo promete o melhor dos mundos: economia saudável e liberdade individual. Grosso modo, é a receita de sucesso de muitas nações bem sucedidas.

    Mas, como ele também reconhece, não existe no Brasil um partido que represente dignamente esse ponto de vista. Sequer existe debate político de qualidade por aqui - em parte graças à imensa capacidade intelectual do eleitorado, do qual nossa colega Shirley Love é um espécime muito representativo.

    O único quase partido que eu conheço que tenta encampar ideias semelhantes é o Libertários, que infelizmente não passa de um grupo de quixotes viajando deliciosamente na maionese. Talvez o PSDB também compartilhe dessa agenda, mas, diante das circunstâncias no Brasil, prefere o conforto e segurança do armário. Ficamos então na companhia de várias legendas esquerdistas ou fisiologistas, que acreditam piamente que precisamos de mais Estado e mais leis atrapalhando o andamento das coisas.

    Uma leitura que fiz há pouco tempo e recomendo fortemente é "Privatize Já", de Rodrigo Constantino. Depois desse livro, os discursos ingênuos ou mal intencionados de 95% dos políticos (ou mesmo do MPL) nunca mais serão os mesmos.

    P. S.: Segundo o site http://www.diagramadenolan.com.br, também sou centro-esquerda. Mas não tenho preconceito contra ideias diferentes, procuro reconhecer quando elas são melhores e não acho que a palavra "direitista" seja um insulto...

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    1. Foi o Diagrama de Nolan que disse que eu sou de centro-esquerda. Antes eu me achava de extremo-centro.

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    2. O comentário sobre a Shirley Love foi sublime.

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    3. gente, eu sou estatista! que horror! está errado!

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    4. Com Dep. João Campos e apoio de Malafaias em suas fileiras, fica dificil essa agenda ser compartilhada pelo PSDB.

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  12. O colunista Luis Paulo Horta comentou, no Globo de ontem, a reação do Lula quando das primeiras manifestações e, sem saber o que dizer, bradou algo como 'é ação típica da direita', como se a indignação tivesse de ser atrelada obrigatoriamente a um desses lados.
    E contou do político francês que, a esse respeito, declarou:
    _A minha bunda eu sei que tem um lado esquerdo e um lado direito.

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  13. Não leio a coluna do Pondé há anos. Uma das ultimas que li falava mal do kit anti-homofobia, parecia algo escrito pelo Bolsonaro ou qualquer mula do tipo. É um intelectual presunçoso, sabe o que faz e continua por má fé. Diferente do Azevedo, ele se mascara. "Posso ser de direita e bonzinho". Não é o que vemos.

    P.S.: Por que o texto saiu só agora? Falta de assunto? Da última vez atacou o feminismo, inventando uma personagem fictícia que se autointitulava a pioneira do movimento no Brasil e que conclamava às mulheres a não aceitarem fazer sexo de quatro, entre outras bobagens.

    Foi desmascarado, a personagem nunca existiu. Deu uma desculpa qualquer. A ombudsman prontamente aceitou e, como todos, já cansados de deslizes propositados, disse: "então tá". Talvez seja esta uma forma de se desculpa aos mais moderninhos que o leem.

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  14. O cenário político brasileiro mudou muito nos últimos anos, com a chegada do PT ao Poder, até então considerado o maior símbolo nacional da esquerda. Com a necessidade de manter a governabilidade, Lula se aliou a tudo e a todos, como o PP (Maluf), PMDB (Renan e Sarney) e PRB (Igreja Universal) que passaram a integrar a base aliada. Além da coligação com esses partidos sangue sugas, tivemos escândalos de corrupção e socorro à banqueiros e grandes empresários. Nada mais distante do ideal esquerdista. Acredito que atualmente, apenas os dissidentes do PT que criaram o PSOL e o PSTU mantém uma coerência com o seu propósito ideológico da esquerda. Aliás gostaria muito que o PSOL tivesse um bom candidato para 2014, pois me recuso a votar em Dilma, Lula, Aécio ou Marina Silva. Nenhum deles tem um verdadeiro propósito em melhorar as condições de vida da população. O Brasil precisa de uma verdadeira esquerda no Poder, para acabar com a desigualdade social, que é uma vergonha nacional! Centro esquerda hoje é a Rede de Marina Silva, viu Tony. E extremo-centro é PSDB de Aécio Neves (piada em sua própria cidade). Eu, tô fora!!!!

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  15. Como podemos falar em direita e esquerda num país com 33 partidos políticos????? Deveríamos lutar para reduzir esse número para 5 partidos, reduzindo também o número de parlamentares. Assim todos seriam devidamente assumidos, sem essa de esquerda que se alia com fundamentalista religioso e nem direita que se alia com Partido da Causa Operária. Cinco partidos: Partido dos Empresários e da Livre Iniciativa, Partido dos Sindicatos, Partido dos Empresários Sustentáveis e ambientalistas, Partido dos Movimentos Sociais e Partido dos Religiosos. Cada um no seu quadrado. Sem coligações e sem firulas. Ficaria tudo mais claro, transparente e menos oneroso para o nosso bolso.

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  16. Arnaldo Jabor e seus pupilos.

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  17. Comentando com muito atraso, mas não poderia deixar de dizer - não gosto do que ele escreve, mas sinto um tesão enorme e inexplicável nele. Cara de safado com aqueles textos mais virulentos, acho... fico doidinho...

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