quarta-feira, 22 de maio de 2013

SURUBA PORTENHO

"Dois Mais Dois" foi a maior bilheteria do ano passado na Argentina. No começo, tive a sensação de que poderia repetir o mesmo sucesso por aqui. Tem muitos elementos comuns às "globochanchadas", como já são conhecidas comédias como "De Pernas pro Ar" ou "Até que a Sorte nos Separe" - inclusive o tom debochadamente moralista, que a classe média adora ver no cinema antes de ir comer uma pizza (coisa, aliás, que os próprios personagens fazem na tela). Um cirurgião de sucesso é meio que desafiado pelo sócio e melhor amigo a aderir à troca de casais; sua mulher fica toda assanhada, e lá vai ele arrastado a um suruba povoado por figuras meio repelentes. Situação mais do que previsível, mas prenhe de possibilidades cômicas. Só que lá pelas tantas o filme revela seu DNA argentino. Os protagonistas entram em crise e todos começam a discutir a relação, antes do final conservador para tranquilizar a classe média. Com um pouco mais de pimenta e um pouco menos de encucação, "Dois Mais Dois" poderia ter se tornado uma "sex comedy" realmente memorável, do nível das italianas dos anos 60. Saiu borrachudo como uma pizza de antontem.

Um comentário:

  1. kk...Achei ótimo essa parte do DNA argentino.Vi o filme quando estava em Buenos Aires. Eu, uma amiga brasileira, dois colombianos, um chileno e um argentino. Saímos descendo a lenha no filme e dizendo que eram bom no começo pq o resto deixava a desejar e ficou mt cliche. E o argentino? A dizer que não tínhamos entendido o drama e blah blah zzzz. Nem adiantou o colombiano dizer que nem sempre o drama eh necessário...Sorte que vi no cinema perto do congresso pagando 8 pesos...rs

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