domingo, 12 de maio de 2013

SEUS MALES ESPANTA

Agora é moda fazer musicais sobre temas espinhosos. Depois de ver "As Mulheres de Grey Gardens", semana passada, ontem fui assistir a "Quase Normal", sobre uma paciente bipolar. Nada de números de sapateado ou coreografias elaboradas: o que há é praticamente uma peça cantada, na verdade um drama bem pesado. Vanessa Gerbelli está fantástica no papel principal: não é só é uma puta atriz, como canta fantasticamente bem. O resto do elenco não compromete, mas houve um fator que me impediu de mergulhar completamente no espetáculo: a música. Ou melhor, as versões em português de canções escritas com fraseado musical tipicamente americano, para serem cantadas em inglês. Mesmo quando as rimas funcionam, sobra uma sensação de aritficialidade. Ou talvez seja porque eu não tenha nenhum caso de tarja preta na família imediata (na ampliada, sim de todos os lados). Como no filme "O Lado Bom da Vida", eu não me identifico com aquela história. Mas outros, sim: tinha muita gente chorando no teatro, e iso é sempre um bom sinal.

5 comentários:

  1. infelizmente tenho caso na familia e tive que abandonar a peça no intervalo. Tendo sido convidado, desconhecia o tema e foi um choque ver coisas muito semelhantes a que ocorreram em minha familia sendo tratada na peça. Tenho mãe esquizofrenica que até hj conversa com meu irmão morto ha mais de 20 anos e que sofreu horrores com internações e eletochoques. Não estava preparado psicologicamente para remexer com esse tematao doloroso , tendo saido de casa imaginando uma noite divertida

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  2. Gostei bastante de Quase Normal, mas de fato foge muito ao musical tradicional que nos acostumamos a curtir [vi antes de saber de Grey Gardens]. Nada daquela maravilhosa fantasia escapista ou drama arrebatador, mas uma "tarja preta" que só deveria acontecer longe de nós.
    E, considerando que a versão das canções de musicais sempre gera razoável desconforto para os velhos aficionados do gênero, mesmo quando bem feita, até achei bastante satisfatória. Deve-se destacar que o canto surge sempre em diálogos de momentos dramáticos da história, nunca para relaxar o clima ou dar um tchan.

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  3. Vi Vanessa Gerbelli em umas das montagens de Hair, acho que foi a do Jorge Fernando. Sim, ela canta bacarai. Não, não quero ver a peça, tem tarja preta demais na minha família, não quero meter a mão nesse vespeiro. :(

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  4. tive oportunidade de conhece-la pessoalmente, nao é linda, mas é bonita e tem uma virtude que a maioria das atrizes nao tem, é super pé no chao, simples e educada.

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  5. Tive um namorado que era bipolar, mas tinha um padrão de surto psicótico. Surtou 3x, por 3 anos seguidos, sempre na mesma época. Foi internado, amarrado com camisa de força. Os surtos misturavam questões intelectuais, religiosas e familiares numa viagem surrealista. Tenho uma leve cicatriz na orelha, resultado de uma mordida que levei em um dos surtos. Esse cara era um manipulador, acabou com minhas estima, criou confusão com todos que eram próximos de mim, como uma forma de me isolar e me dominar. Isso foi há 10 anos atrás, já ouvi notícias que ele está muito bem, recuperado, deu a volta por cima profissionalmente; já tentou se reaproximar de mim, mas é uma pessoa que não tenho a mínima vontade de estar próximo. Assistir peças ou filmes dessas temática não me afetam de modo algum, eu até quis ver esse musical aqui no Rio, fui protelando e acabei perdendo. Como é um historinha pesada, hj vou assinar anonimo, apesar da gente se conhecer, :).

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