quinta-feira, 16 de maio de 2013

SALDÃO ELETRO-ELETRÔNICO

Chegamos ao um ponto em que o termo "música eletrônica" não faz mais muito sentido, já que praticamente todo o pop atual é eletrônico. Até na Turquia os samplers e beats entraram di cum força, como eu pude constatar nos 40 CDs que comprei por lá (sim, 40. Meta-se com a sua vida). Tenho ouvido tantos turcos que só agora estou dando atenção a alguns lançamentos importantes do lado ocidental do planeta, alguns deles já "velhos" de meses. Um dos melhores é "Bankrupt", o primeiro CD da banda francesa Phoenix depois de estourar nos EUA e faturar um Grammy. O som deles está cada vez mais difícil de classificar: adolescente e adulto ao mesmo tempo, cantado em inglês mas com climão européen. Porém é facílimo de escutar, com faixas ensolaradas e otimistas, que eu assobiaria se soubesse assobiar.
O Daniel Cassús vai me odiar por causa disto, mas eu não pirei o cabeção com os últimos discos do Depeche Mode. Talvez porque, ao contrário dele, eu já era nascido quando a banda surgiu. Acompanhei a garotada desde os tempos em que Vince Clarke ainda estava entre eles, e ainda prefiro os singles dessa fase, como os clássicos "Just Can't Enough" ou "Everything Counts". Depois eles foram ficando cada vez mais dark e menos melódicos, e eu fui me desinteressando. Mesmo assim, costumo adquirir todos os novos trabalhos for old times' sake, e dessa vez gostei mais do que esperava. Não, "Delta Machine" não é um retorno aos saltitantes anos 80. As letras ainda falam em morte e desespero, e quase todas as faixas têm pegada meio lenta. Mas as melodias estão de volta, os arranjos mais variados (tem até cordas, de verdade) e Dave Gahan está cantando como nunca. Ele, que não era um grande vocalista quando jovem, agora está em pleno domínio da própria garganta, temperada por anos de problemas pessoais. Um CD para se mergulhar.

O nome Toro y Moi sugere uma dupla, mas na verdade é uma pessoa só: Chazwick Bradley Bundick, um americano que é filho de mãe filipina e pai negro e um dos pioneiros da chamada "chill wave". O rapaz já veio tocar no Brasil e lançou três discos em menos de três anos. Comprei o novo, "Anything in Return", e não me conformo com as faixas escolhidas para single. Nem "So Many Details", do vídeo acima, nem "Say That", são tão "catchy" quanto "Rose Quartz". Mas vai ver que a ideia é essa mesmo.

Termino esse giro eletrônico aqui no Brasil, onde uma das sensações do momento é a Gang do Eletro, de Belém do Pará. Confesso que muitas vezes fico furioso com a ascensão da famosa "nova classe C" e o emporcalhamento cultural que ela impinge ao país. Tenho especial horor ao sertanejo universitário. Mas de vez em quando surgem coisas que me enlouquecem, como o tecnobrega. A Gang do Eletro chega ao sul na esteira de Gaby Amarantos (com quem gravaram a frenética "Galera do Laje"), e não é fácil ouvir seu disco de estreia numa tacada só. Mas não resisto à versão brasileira da batida do reggaetón, nem a letras tipicamente amazônicas como "vou de barco".

Já sei, já sei: está faltando o disco mais importante de todos os tempos desta semana, o "Random Access Memories" do Daft Punk. Acontece que o ancião aqui até tentou, mas não conseguiu baixar o álbum, vazado há poucos dias, de lugar nenhum. Vou ter que esperar pela semana que vem, quando ele chega às boas lojas do ramo, e aí farei um post a respeito. #honesto #velho #ultrapassado

8 comentários:

  1. Odiar por quê? Eu tb achei o Sounds of the Universe bem marromenos. Aliás, até o dono da gravadora deles achou e falou na cara dura numa entrevista recente.
    O Delta Machine mostra a banda bem mais desperta e acordada.
    E pra gostar da era "depressed mode" da banda, realmente, requer-se um estado de espírito específico. hoje eles acham graça e fazem piada quando dizem que as músicas deles são tristes. O resultado taí no Delta Machine.

    E concordo sobre o "eletrônico". É igual a chamar qualquer música com guitarra de "rock". Eletrônico hoje é só mais um elemento. não um estilo.

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  2. Em tempo, o RAM tá aqui
    não precisa agradecer
    http://uploaded.net/file/9j8jm6t3/www.NewAlbumReleases.net_Daft%20Punk%20-%20Random%20Access%20Memories%20%282013%29.rar

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  3. Ihhhh, Daniella fazendo a sensata! Amo!!! hahahhahaha

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  4. Essa bixa é loka pelo Daniel, FATO.

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  5. É chato ser gostoso.

    O Depeche Mode cancelou o show de hoje em Istambul.
    http://www.haberturk.com/gundem/haber/845219-beklenen-konser-ertelendi
    Insira sua piada com •Salve Jorge• aqui.

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  6. Eu não entendo o porquê de muita gente achar que a música eletrônica, ou o pop com batida eletrônica (conhecido como "eletropop") são classificados, principalmente por muitos jovens, como uma "farofa" e só sendo barulho, sem conteúdo ou digno de prêmios. Até parece que as únicas músicas interessantes e "cultas" são as baladinhas românticas, as outras de estilo mais calma, MPB, etc. Claro que com a maior popularização do eletrônico, muita canção pode ser "descartável", mas muitas são ótimas, com mensagens boas e de grande qualidade. Por isso, eu gosto das músicas mais agitadas, que dão um ar mais animado na vida e balançam as estruturas kkkkkkk, as calminhas tem seus momentos para serem ouvidas, mas não são minhas preferidas.

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    1. O problma não é ser dançante ou não. Mas dsclp, dubstep é música de gente retardada. Idem pra hits de jovem pan e afins

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