sexta-feira, 17 de maio de 2013

É HOJE O DIA

Hoje é o Dia Internacional de Combate à Homofobia. É uma data importante, porque nunca se falou tanto no assunto. Aqui no Brasil, temos muito a comemorar: a decisão do CNJ que obriga cartórios de todo o Brasil a não recusarem casamentos entre pessoas do mesmo sexo é um marco histórico, ainda que frágil. Muitos deputados já prometem lutar contra a medida, o que mostra que a luta ainda não acabou. Mas não se assustem: ela já está vencida, e por nós. Foi o que eu disse numa entrevista que gravei ontem para a MTV, que deve ir ao ar esta noite, durante a mesa-redonda que a emissora transmite a partir das 20 horas. Só os tapados e os de má fé não percebem que o avanço dos direitos igualitários é impressionante e inexorável, por todo o mundo ocidental. Basta abrir um mapa para ver o número crescente de lugares onde os homossexuais conquistaram a cidadania plena. Claro que resta muito a ser feito, ainda mais nesse país maluco onde vivemos. Não seria maravilhoso se a Dilma se pronunciasse? Mas a covardona nem vai tocar no assunto, aposto. Enquanto isto, embaixadas como as do Holanda, da Grã-Bretanha, da Suécia e da Bélgica irão hastear a bandeira do arco-íris em Brasília. O Banco do Brasil também fez anúncio na internet. E você, o que vai fazer? Ir na boate para comemorar? Ótimo, mas não se esqueça de sair do armário antes. Sei que é difícil para muita gente, mas nada assegura mais o avanço da causa LGBT do que a visibilidade. É só convivendo com homossexuais assumidos, na escola ou no trabalho, que muitas pessoas percebem que somos tão normais como qualquer um. Exponha-se!

12 comentários:

  1. Contei para papai anteontem, no dia que saiu o anúncio do CNJ. Papai, surpreendentemente, disse que respeita meu sentimento e que não importa se sou passivo ou ativo (juro!). Bem melhor que mamãe, que ainda se ressente até hoje. Quem sabe os dois conversam e se ajudam. It gets better.

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    1. Ai, anonimo, torço pra que sua mãe supere melhor que a minha. Faz mais ou menos dois anos que não toca no assunto de jeito nenhum. O meu pai também foi igualmente fofo. Me perguntou na época se eu gostava de algum garoto do bairro. HAHAHA Vê se eu ia falar verdade? Ele me ajudou e ainda o faz mto, um ser humano admirável. *--*

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    2. Surpreendente essa questão da aceitação dos pais, pois sempre se coloca a questão do afeto(detesto a palavra aceitação)familiar sob a perspectiva da mãe, e a partir dela de todo o restante núcleo familiar.

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    3. Minha mãe, que era evangélica, faleceu 3 anos depois que eu saí do armário. Adivinha em quem seus "irmãos" da igreja - entre eles familiares - colocaram a culpa??? Hoje os Pastores da igreja a qual ela pertencia estão sendo processados por roubo, coação e outras coisas desagradáveis (e olha que "Não roubarás" é um dos mandamentos, né?). Com meu pai foi barra pesada também, mas hoje estamos muito bem, inclusive conhece e gosta do meu companheiro.

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  2. Acho que vocês, que vivem em locais onde casar é possível (já que no Rio, mesmo com a decisão do CNJ, os cartórios ainda encaminham os pedidos de habilitação para o juiz homofóbico, que ontem mesmo negou o casamento de homossexuais), deveriam se casar.

    Casamento é algo civil. Não precisa vir acompanhado de uma festança.

    Aliás, festança é algo que deriva da visão religiosa do casamento. Sim, é bacana, mas as pessoas têm de encarar o casamento como algo cível a ser realizado logo.

    Tony, case-se, já que não podemos fazer o mesmo aqui no Rio. Bjs

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  3. Quando sai do armário, meu pai fez cara de choro e perguntou se eu queria dar a bunda, rs!

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  4. Tony, tenho vinte e oito anos de idade, ainda estou no armário, mas para mim isso é só uma questão de tempo. Pois tenho ainda que ajustar algumas coisas na minha vida pessoal para poder vivê-la plenamente.
    Não sou do tipo de gay "que parece gay", sabe como é? Meus gostos e características são de um hétero com a diferença que gosto homens. Mas de alguma forma acho que algumas pessoas percebem. É o caso de um cara que mora perto da minha casa (um bandido perigoso diga-se de passagem). Até a uns dez anos eu gelava só de encontrar com ele na rua, pois sempre ele gritava algo desagradável para mim seguido de uma ameaça. Além do medo das ameaças vinha a vergonha dos outros na rua. Hoje curiosamente encontrei com ele em uma feira de rua à noite, ele chegou para comprar exatamente na minha banca e ficou bem do meu lado. Minha primeira reação foi de medo de ele fazer algo ou dizer algo, mas em segundos o medo se tranformou em confiança e já não me importei com qualquer coisa que ele pudesse dizer. Hoje, diferente de antigamente, não me importo mais se as pessoas vão achar que sou gay. Acho que isso é a certeza que os tempos e o mundo estão mudando e pra melhor. Ainda não está 100%, mas vai ficar!

    Pedro.

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  5. Morar em Nárnia ainda em 2013? Queimação de filme,somente.

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  6. Fácil dizer " exponha-se". Assumir-se não é tão simples na prática como na teoria, ainda mais quando se vem de uma família grande, problemática, e reprimida/repressora. Sem falar que o fator financeiro é uma trava considerável.

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    1. Você leu o post inteiro? Eu disse "sei que é difícil para muita gente". Não precisa me explicar. Eu senti na carne: também não foi fácil para mim.

      Só que não tem outro jeito. Se todo mundo ficar no armário, direitos iguais para quê?

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