sexta-feira, 10 de maio de 2013

ARÁBIA MALDITA

Imagina se eu ia resistir a um filme da Arábia Saudita. Ainda mais o primeiro filme rodado inteiramente no país, que não tem salas de cinema, e, como se não bastasse, dirigido por uma mulher. Só isto já qualifica "O Sonho de Wadjda" como um pequeno milagre. Mas além do mais é um filme político, que protesta contra a maneira absurda como as mulheres sauditas são tratadas. Wadjda é uma menina inteligente que quer comprar uma bicicleta; sua família de classe média até tem o dinheiro, mas acha que não fica bem ela sair pedalando pelas feias ruas de Riad. A própria produção teve toques surrealistas: a diretora Haifaa al-Mansour precisou trabalhar de dentro de uma van, comandando sua equipe por walkie-talkie, já que não podia ser vista em público falando diretamente com homens. Seu filme mostra como muitas mulheres acabam se tornando cúmplices do sistema que as oprime, sem a chatice do cinema iraniano e terminando numa nota otimista. A vida imita a arte: a Arábia Saudita acaba de permitir que mulheres andem de bicicleta, CONTANTO que não estejam indo a lugar nenhum - podem pedalar em círculos, num parque, por exemplo. Mais um descalabro da amaldiçoada cultura wahhabi, que nos brindou, entre outras coisas, com os atentados de 11 de setembro.

4 comentários:

  1. Eu me recuso a usar o termo "saudita" para chamar os árabes. É o único país com o nome da família real no nome do país!
    Mas enquanto for conveniente para os EUA, nada vai mudar por lá.

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    1. Os árabes devem estar chatiados. Cientista político ZN

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    2. Quem bom. Nem comecei meu mestrado em Berlim e já sou famoso. E você continua anônimo...

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