segunda-feira, 6 de maio de 2013

A FELICIANA DA ITÁLIA

Menos de 24 horas. Foi o quanto Micaela Biancofiore durou no cargo de sub-ministra das Igualdades, um posto no governo italiano que tem algumas semelhanças com o de presidente da Comissão de Direitos Humanos da nossa Câmara de Deputados. Tudo porque a bonitona disse que os gays "se isolam em guetos por si sós", e olha que ela só estava criticando a indiferença dos líderes LGBT locais às causas feministas. A gritaria foi tanta que o recém-empossado primeiro-ministro Enrico Letta transferiu-a para o Ministério da Administração Pública e Simplificação. Micaela é do partido Forza Italia, de centro-direita e fundado por Silvio Berlusconi - não exatamente um paladino dos direitos igualitários. Já tinha dado declarações polêmicas antes, mas nada que se aproxime das boutades fundamentalistas do nosso Infeliciano. Mesmo assim, não ficou nem um dia num cargo-chave para a causa gay na Itália. Sim, na Itália: o mais atrasado país da Europa Ocidental nesse quesito, onde a Igreja faz e desfaz e o machismo está impregnado na cultura como o molho de tomate no macarrão. Moral da história: o novo governo italiano precisa estar bem com os gays se quiser sobreviver. O daqui não precisa.

11 comentários:

  1. Acho a comparação um pouco complicada. Isso porque o primeiro ministro ocupa um cargo parecido com o de nosso presidente, e o presidente, no Brasil, não poderia retirar alguém da presidência de uma comissão do Congresso. Seria uma invasão de um poder em outro. Comparação semelhante serviria, por exemplo, se o Feliciano ocupasse o cargo da Maria do Rosário: aí, sim, a escolha é feita diretamente pelo presidente.

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    1. Você acredita que, se o governo Dilma realmente estivesse assim, não teria conseguido tirar Feliciano da CDH? Não digo pela força bruta, mas pela negociação. Acontece que Feliciano ameaçou tirar o apoio dos evangélicos ao governo, que enfiou o rabo entre as pernas.

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    2. Começa que o Feliciano só está lá por descaso do PT.

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    3. Tony, até acho que ela realmente não está ligando muito para isso. Mas, na forma como funciona nossa separação de poderes (ou deveria funcionar), acho que ela deve ficar quietinha mesmo. O ideal é que os próprios parlamentares reconhecessem o absurdo que é ter tal pessoa à frente de uma Comissão de Direitos Humanos e Minorias e o retirassem de lá. Não dá para reclamar do "rolo compressor" do Executivo no Congresso em outros pontos, sei lá, como essa questão da criação dos novos partidos, e achar legal que ele intervenha na presidência das comissões. Ou imagine a situação inversa: o Feliciano começar a reclamar da Maria do Rosário na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência e pedir que o Henrique Alves ou o Renan intervenham para tirá-la de lá. A Maria do Rosário, aliás, como secretária do Executivo sobre o assunto, já disse o que pensa a respeito, e é isso que cabe a ela fazer.

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  2. Tony, você realmente acredita que a Dilma, que não consegue aprovar nem o Orçamento, consegue tirar qualquer um de qualquer comissão, ainda mais um neopentecostal que tem apoio de todo o resto da bancada evangélica? Parabém.

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    1. Cássio, você acha que Dilma e Lula estão sinceramente preocupados com os gays?

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    2. Sabe qual é o meu odio é nao encontrar os petistas gays que batiam no peito e quase na cara da gente alegando que a gatinha do congresso ( dilma) ia defender as minorias, gays e blablabla...cada esse bando de fdp!!!

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    3. Oi só li hoje. Tony, francamente, eu penso que políticos só estão preocupados de ganharem a próxima eleição. É mais ou menos como se fosse um gay que só pensa na próxima foda ou no próximo sábado na balada. E, francamente? Meu rabo com fritas para Lula e Dilma.

      Estou vendo uma importância insuspeita nos Felicianos e Bolsonaros. Eles servem como catalisadores de tudo o que há de retrógrado, machista e misógino, mas eles também são o preconceito que mostra a cara. Eles provam que existe sim discriminação, que não estamos delirando, e que eles farão o que quiserem para nos prejudicar. E o melhor de tudo - a mobilização pelos nosso direitos civis e garantias vai vir da gente, e não de um presidente ou deputado. Assim, nossa conquista, com apoio da sociedade, se legitima. Abraços.

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  3. Tony, assim como dos demais, acho um erro essa comparação.

    Certo que o governo Dilma não se importa muito com a causa, ao contrário do Lula, mas comparar com o caso italiano é forçar a barra.

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    1. A opinião pública de lá teve força suficiente para derrubar uma homofóbica em menos de 24 horas. A daqui não teve.

      O chefe do governo de lá está preocupado com os homossexuais. A daqui não está.

      Simples assim.

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    2. O governo do PT já mostou que é bunda mole, não está comprometido com os direitos humanos e ainda morre de medo de perder o apoio dos evangélicos.

      Mas além disso, porque o governo estaria preocupado com os gays, se os evangélicos representam força muito maior e elegem 73 deputados? E os gays, quantos deputados elegeram? Quando vão acordar e perceber que a vida vai além da The Week e vão começar a votar em candidatos ligados a causa LGTB? Os evangélicos são 20% da população e nós somos 10%, então não é por falta de gente...

      Enquanto não canalizarmos forças e nos unirmos, da forma como os evangélicos já fazem (e muito bem), não vamos impor respeito nem ter influência suficiente para meter medo nesse e qualquer outro governo...

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