domingo, 10 de março de 2013

TRIVIAL VARIADO

Passou a temporada do Oscar e o cinema retoma seu ritmo habitual. Filmes pequenos, que chegam embalados de prestígio mas sem prêmios da Academia, entram em cartaz sem grande alarde. Um deles até que tentou receber indicações: conseguiu apenas uma, de atriz para Maggie Smith, e apenas nos Globos de Ouro. É "O Quarteto", a estreia na direção de Dustin Hoffman. O roteiro parece baseado num documentário que eu vi na Mostra muito anos atrás chamado "O Beijo de Tosca", sobre um retiro para cantores de ópera aposentados nos arredores de Milão. Aqui o tal do asilo foi transferido para o countryside inglês, e fica pouco a dever em luxo e conforto àquela outra casa de Maggie Smith, uma tal de Downton Abbey. A veterana atriz faz uma diva que precisa ser convencida pelos colegas a participar de um concerto beneficente, apesar de nenhum deles ter mais a mesma voz da juventude. Apesar dos toques de melancolia, aqui os velhinhos reaparecem espevitados e atrevidos do jeitinho que as plateias adoram, bem longe da decadência física de "Amor". E o resultado é agradável, mas esquecível.

Bem mais contundente é "César Deve Morrer", dirigido por dois anciãos do vida real: os lendários irmãos Paolo e Vittorio Taviani. O filme venceu o festival de Berlim do ano passado, faturou vários troféus David di Donatello (o Oscar italiano) e ainda respresentou a Itália no último Oscar (não foi indicado). É uma espécie de "docudrama". Um grupo de prisioneiros na cadeia de Rebibbia, nos arredores de Roma, encena "Júlio César" de Shakespeare. A câmera os identifica pelo nome e pelo crime que cometeram. Muitos estão condeandos a pena fine mai - prisão perpértua, a pena sem fim. E no entanto parecem todos pessoas educadas, interessadas, se não na arte, pelo menos em algo que quebre o tédio. Alguns se revelam atores realmente bons, e um deles seguiu carreira artística depois que foi solto. Legal, mas não saí de quatro do cinema.

A melhor razão para se ver "Atrás da Porta", do badalado diretor húngaro István Szábo, é mais uma atuação estupenda de Helen Mirren. Aqui ela faz Emerenc, uma empregada doméstica na Budapeste dos anos 60 que comeu não só o pão mas todo um banquete preparado pelo diabo durante a 2a. Guerra. Sofreu tanto e perdeu tanto que não tem medo de mais nada: fala sempre a verdade, e parece não estar mais aí para ninguém. Mas desenvolve uma relação peculiar com a nova patroa, uma escritora mais jovem. Apesar da trama se desenrolar em plena ditadura comunista, ela pouco tem de política. E seu set-up é melhor que o desenlace: uma personagem tão forte merecia mais.

2 comentários:

  1. pois é, a helen mirren é ótima, mas acho q o diretor errou na mão. o marido da escritora é péssimo, e parece q foi dublado. a ppria escritora é molenga demais. faux pas da hm ter aceito o papel.

    ResponderExcluir
  2. Muito estranho!
    Cesare foi considerado pelos intelectuais e críticos europeus como uma obra-prima do cinema atual. Cinema puro!
    Se vc saiu do cinema andando em pe, sinal de que fez bem pra vc!

    ResponderExcluir