sexta-feira, 8 de março de 2013

SEM FUNDOS, COM PORTA

Será que a TV convencional já era? Será que iremos todos ver nossos programas favoritos exclusivamente online? E nem estou falando da prática bastante recriminável de baixar episódios de graça - ainda mais agora, que eu pretendo tirar parte do meu sustento escrevendo roteiros. Falo de um fenômeno muito maior: a produção de séries exclusivas para a internet. O Netflix acabou de disponibilizar para seus assinantes a primeira temporada do drama político "House of Cards", estrelado por Kevin Spacey (vi o piloto e não me empolguei). Aqui no Brasil também temos alguns exemplos: o "Porta dos Fundos" é só mais famoso deles. O curioso é que alguns desses programas nem pensam em migrar para a TV, pois sabem que perderiam muito de sua liberdade. A web também é o habitat ideal para séries de temática gay. Nos Estados Unidos elas estão se multiplicando feito coelhos, e com qualidade cada vez melhor. Os episódios costumam ser curtos: os de "The Outs" têm 12 minutos (já tinha falado dela no ano passado), outras não chegam a três - ideais para serem vistas num intervalo do trabalho. A mais high profile neste momento é "Husbands", sobre um jogador de beisebol que se assume gay. Graças aos contatos de sua criadora e ao sistema de "crowdfunding", até atores famosos dão suas palhinhas na história. Mas tem também "Where the Bears Are", sobre uma turma de ursos (que pode ser vista inteirinha em seu site) e "Hunting Season", que é pura pegação (e que NÃO pode ser vista em seu site no Brasil, droga), além de outras que ficam na geladeira. Por aqui tivemos algumas experiências num nível bem mais amador, mas o próprio "Porta dos Fundos" tem se revelado cada vez mais gay. Já viram este episódio? E este? E este? Quem que eles pensam que enganam?

8 comentários:

  1. Sem dúvidas a TV convencional já era. TV e internet vão virar uma coisa só - aliás, já estão virando. É tão inevitável quanto o fim do jornal impresso.

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  2. Bom, acho que o Porta dos Fundos no início fez umas piadas um pouco homofóbicas, batidas, e agora está tentando sair da mesmice e partir para uma coisa mais contemporânea.

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  3. Pratica recrimina el? Credo, as emissoras americanas põem os episódios no dia seguinte, quando não no mesmo dia, online pra quem quiser ver. Eles já contabilizam essa audiência que vc condena para decidir se a serie é cancelada ou não. Os tempos mudaram, dear.

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    1. Quando a própria emissora disponibiliza em seu site (geralmente com anúncios), todo mundo recebe direitinho.

      Quando neguinho baixa da internet por conta própria, ninguém recebe um tostão.

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    2. A pirataria é cultural. Pouca gente consegue (ou quer) enxergar que se trata de um furto como o de qualquer bem físico. Escuto direto "mas se o preço fosse menor, todo mundo compraria" como se fosse justificativa para o delito. Um iPhone é caro e nem por isso as pessoas entram na loja e o levam sem pagar. Enfim, acho que a realidade está mudando com a chegada de serviços como Netflix e Telecine Play.

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  4. Não me parece nem de longe que o "Porta dos Fundos" esteja se aproximando de uma temática gay em qualquer sentido positivo do termo. Trata-se apenas de um programa humoristico tosco fazendo piadas no estilo "neo homofóbico" sobre gays. É uma versão diluída e ligeiramente menos ofensiva da homofobia do Zorra Total e afins, para pessoas que já perceberam que não é legal serem vistas como os homofóbicos que são, enquanto continuam rindo das mesmas piadas homofóbicas de sempre. Um programa com temática gay seria algo que fala sobre como os gays vivem, seja de forma séria ou satírizada, e que justamente por isso ajuda a melhorar o entendimento do público em geral sobre o assunto. Pense em Will and Grace. Era bobinho, mas jamais foi homofóbico. O mesmo não se pode dizer de "Porta dos fundos". A começar pelo nome, é algo que trabalha apenas a ideia de que ser gay é ridículo, e com isso continua promovendo a homofobia.

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  5. Já eu confesso que essa liberdade é deliciosa, faz tempo que não tenho tempo para sentar em frente a tv com hora certa para assistir os meus programas favoritos, algumas séries que fazia um bom tempo que eu queria ter visto, agora tenho acesso quando e onde eu quero. Definitivamente esse é um modelo que veio para ficar.

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  6. Tony, dê uma chance a "House of Cards". É fantástico. E é Fincher, então sempre merece ser visto.

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