sábado, 9 de março de 2013

O INVELHECÍVEL

Já contei aqui no blog, mas lá vou outra vez: o primeiro show a que assisti na vida foi do Secos & Molhados, no final de 1973. Eu tinha acabado de completar 13 anos e adorava os sucessos do trio que tocavam no rádio sem parar, "O Vira" e "Sangue Latino". Fiquei impressionadíssimo com o começo do espetáculo: as luzes do minúsculo Teatro do Bixiga se apagaram de repente, uma estrobo começou a piscar, a música deslanchou, e de repente lá estava Ney Matogrosso rebolando in full regalia. Desde então, acho muito mané artista que simplesmente entra no palco. Bom mesmo é quando ele se materializa à sua frente.

Quase quarenta anos depois, eu sou um senhor de 52 anos e estou sentado na plateia do HSBC Brasil. É a estreia de "Atento aos Sinais", o novo show do Ney. E adivinha como ele surge em cena? De repente, quando um foco de luz o revela. Ele já estava lá, o danado. Com figurinos e maquiagem diferentes do tempo dos Secos & Molhados, mas com a mesma atitude transgressora, a mesma presença cênica impressionante, o mesmo bom gosto musical. O mesmo? Talvez melhor.

Como é que a ciência não está estudando o fenômeno Ney Matogrosso? O cara está com 71 anos de idade (72 em agosto), mas o corpo continua sequinho e musculoso como esteve a vida inteira. Só nas fotos em close é que dá para perceber que o rosto não é mais de moleque, mas ele passaria muito bem por um cinquentão enxutaço. E o visual acaba sendo o de menos: ainda mais impressionante é a potência e o controle da voz, o vigor para dançar e hipnotizar o público, o tesão que aflora feito seiva de seringueira. Fica nítido que Ney ainda tem uma vida sexual sensacional. Deve trepar mais e melhor que todo mundo.

Depois do tom intimista e do repertório de clássicos de "Beijo Bandido", seu disco e show anteriores, dessa vez Ney Matogrosso retorna aos compositores novos e aos looks arrojados. As músicas são quase todas inéditas, mas isto não chega a ser um problema: são todas ótimas, com letras inteligentes que obrigam o espectador a prestar atenção. Sei que tem coisas de Criolo, Dan Nakagawa e Alzira Espíndola, mas não sei qual é qual. O disco ainda nem foi gravado, mas já dá para apostar que será um dos melhores do ano. Nessa época horrorosa em que "tchutchatchá" e "lelelê" dominam as trilhas de novela, Ney prova que a boa música brasileira ainda está viva. Sua importância cresce ainda mais quando lembramos a avalanche brego-conservadora que ameaça nos enlamear. É um puta artista, sério, consequente, provocante, debochado, divertidíssimo. E não dá para escapar da dura realidade: no esplendor de seus 71 anos de idade, Ney Matogrosso é muito mais gostoso e sacudido do que você era aos 20.

15 comentários:

  1. O mio babbino caro
    Será que não estávamos lado a lado lá no Teatro do Bixiga, ainda tenho a carteirinha do colégio com o autógrafo.

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  2. ME ACUERDO CUANDO NEY SE PRESENTABA EN EL COLISEO DE BUENOS AIRES, EN PLENO HORROR DE LA DICTADURA HOMICIDA, CON EL TETRO LLENO, DE TANGA Y BAJANDO LAS ESCALERAS COMO O UNA VEDETTE, NOSOTROS IBAMOS A LA LOCURA.ERA UNA TALENTO Y ENFRENTABA A LOS MILITARES DE TURNO. DULCE VENGANZA. GRANDE NEY!!!!
    BARI MITRE

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  3. Q inveja... Meu pai tinha o vinil dos Secos e Molhados, aquele das cabeças nas bandejas... Fez da minha infância e juventude

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  4. Nunca me esqueço do primeiro show da minha vida, ao qual meus pais me levaram com 11 anos: Ney. Fiquei fascinada.

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  5. Ney é FENOMENAL!!!! E para quem não sabe ele trabalhou no Hospital de Base em Brasília, hospital público, no início de Brasília, era ajudante.
    Merece todo o sucesso que tem hoje!!!!!!!

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  6. O Ney continua tesudo,como sempre foi e ainda é um grande interprete......

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  7. O segredo da longetividade é ser um demônio apenas nos palcos.

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  8. OK....MAS ELE MERECIA UMA FOTO MELHOR!...

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  9. Que o Ney continua com o físico sensacional, eu já sabia. O que me surpreendeu e fascinou foi mesmo o lado musical do show, excelente e sem concessões: ele não canta nenhum hit seu, são canções novas (ou pouco conhecidas) em sua maioria e ele consegue a proeza de conquistar a plateia de cara, pela qualidade. Que arranjos são aqueles do Sacha Amback?! Brilhantes. Belos momentos como "A ilusão da casa" e "Astronauta Lírico", ambas de Vitor Ramil. Deslumbrante a interpretação de Ney para "Noite Torta" de Itamar Assumpção", sem contar o sensacional número de abertura com "Rua da Passagem". E aquelas delícias de "Lábios de Imã" e "Pronomes"?! Cara, enfim, o show é tão bom e musicalmente tão forte e contundente... E aquela voz perfeita e potente de Ney! Um dos poucos de sua geração cuja voz não perdeu em nada, pelo contrário, parece que o tempo só o privilegiou.

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  10. O próximo show dele eu vou, não me permito mais perder essa oportunidade. Nem que tenha de ir absolutamente sozinho.

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  11. Assisti a um show dele alguns anos atrás, em que ele usava um figurino do Ocimar Versolato (inclusive uma tanguinha furta cor que era um desbunde) e fiquei muito impressionado. Já fazer alguns anos, mas ele já era sessentão e com fôlego de menino. Sem contar que ele estava também abusadíssimo no show. Enfim, todos precisamos de mais Ney para sopesar essa mega onda conservadora que nos assola. Se ele já fazia isso nos anos 70/80 e muita gente adorava, qual o problema de fazê-lo agora?

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  12. ele é demais... foi o primeiro show que você assistiu, e foi o primeiro disco que eu pedi para o meu pai, quando eu tinha 6 anos _ ouvi a exaustão!!!!

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  13. Tony vc faria ele???

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    1. Siiiiiim, com dois ovos estrelados em cima.

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  14. Se ele tivesse nascido nos USA, seria MEGASTAR.
    Feliz por eu ter visto todos os shows dele ou dirigidos por ele, atuações, etc.
    Ele é sensacional.
    Dos melhores shows nacionais, todos do NEY.
    Merece mais...
    BRAVO, Ney.

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