sexta-feira, 29 de março de 2013

JOGA PEDRA NA GENI

"Depois de Lúcia" é um dos filmes mais desagradáveis do ano. Há cenas de bullying tão incômodas que dá vontade de pegar o controle remoto e apertar o FF. A direção lacônica do mexicano Michel Franco tampouco abre concessões: há longos planos com a câmera parada, e muita coisa importante acontece fora de cena. O filme foi o escolhido pelo México para representá-lo no último Oscar e trata de um assunto super atual. Uma garota proviniciana se muda para a capital, entra para um colégio de elite e logo se enturma. Viaja com os novos amigos e dá uns pegas num deles no banheiro. O moleque filma tudo e posta na internet. O colégio inteiro vê a cena e se volta contra a moça, que aguenta as piores humilhações sem reclamar - talvez por não querer chatear o pai, ainda estressado por ter estado no acidente de carro que matou a mãe (a tal da Lúcia do título, jamais citada nominalmente). A atitude estóica da garota lembra a do protagonista de "A Caça", que é acusado injustamente de pedofilia. (quem quiser sofrer bastante no cinema, pode fazer um programa duplo e ver ambos no mesmo dia). Essa passividade torna difícil nos simpatizarmos com ela, mas também conduz a um grande mal-entendido que desemboca no chocante final, de um pessimismo absoluto. Moral da história: ser humano não presta. "Depois de Lúcia" é para quem estômago e cabeça.

2 comentários:

  1. Bem-vindo à Casa de Bonecas mexicano?

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  2. "Welcome to the Dollhouse" é fofo perto desse, que é uma porrada atrás da outra.

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