sábado, 2 de março de 2013

HOLD THE COCK

De vez em quando os críticos de cinema pegam um filme para Cristo. A bola da vez é "Hitchcock", que tem sido muito malhado pela inacuidade histórica. Apesar do título, não é uma cinebiografia: apenas um episódio da vida do diretor está retratado, as filmagens de "Psicose". Ele aparece aqui muito mais simpático do que o encarnado por Toby Jones no telefilme "The Girl", recém-exibido pela HBO - lá o velho Hitch era praticamente um tarado, que aterrorizava suas atrizes com lances de crueldade e grossura. Aqui ele é muito mais agradável e divertido, apesar de Anthony Hopkins não ter ficado extraordinariamente parecido com o original. "Just Hitch, hold the cock", apresenta-se ele às atrizes louras que são seu fetiche. Hoje "Psicose" é um clássico absoluto, mas é interessante ver como foi complicado seu processo de produção. Mais interessante ainda é conhecer a intensa parceria entre Alfred e sua esposa Alma, que corrigia os roteiros, remontava os filmes e tolerava as paixonites platônicas do marido - ao mesmo tempo em que se via tentada a ter um caso extraconjugal (o que não corresponde à realidade, garantem os especialistas). "Hitchcock" não é grandioso, mas tem uma cena antológica: na pré-estreia de sua obra-prima, o maestro do suspense literalmente rege, do saguão do cinema, os gritos da plateia durante a famosa sequência do chuveiro. Outra invencionice, gritam os chatos, mas quem mais se importa?

6 comentários:

  1. Sempre que me lembro de 'Psycho', fico pensando em Anthony Perkins (tão bonito e misterioso, ao mesmo tempo) e me dá um aperto no peito. Sinto uma tristeza constante em seu olhar. Me dá pena o fato dele nunca ter se assumido, preferindo se casar e ter filhos. Acabou morrendo precocemente, vitmado pela AIDS. Em termos artísticos acabou se tornando refém de Norman Bates e das desnecessárias sequências de 'Psycho'.

    Em suma, teve uma vida em grande parte perdida.

    Vladmir

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  2. The Girl, apesar da grife HBO, é um filminho bem vagabundo.

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  3. Não sinta pena, Vladimir. Tony Perkins foi um dos primeiros a assumir sua homossexualidade dentro da comunidade cinematográfica - mesmo não divulgando suas preferências para o grande público, não se furtava a desfilar com os namorados entre seus pares. Tanto que seu casamento com a fotógrafa Barry Berenson foi um espanto geral para os mais chegados. Cheguei a entrevistá-lo nos anos 80 e ele falava abertamente sobre sua primeira experiência sexual com uma mulher, aos trinta e muitos - a atriz Victoria Principal - e que, depois disso, optou pela vida em família. O casamento durou até ele morrer, mas em seus últimos Perkins levava uma vida assumidamente gay. Em suma, não foi uma existência perdida nas sombras da repressão e da culpa. Fiquei tranquilo.

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    1. Que bom tê-lo conhecido pessoalmente. Lendo o que se publicou por muitos anos, incluindo a relação difícl dele com a mãe, tive a impressão descrita acima. Fico não apenas tranquilo, mas também me alegro com seu relato.

      Vladmir

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  4. O episódio The Girl sobre a cocaína e heroína é demais...

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    1. ER, acho que você está confundindo o telefilme "The Girl", sobre a relação de Hitchcock com Tippi Hedren, com a série "Girls", da Lena Dunham. Compreensível: são ambos da HBO.

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