quinta-feira, 28 de março de 2013

CANÇÃO DO EXÍLIO

Domingo passado, à noite, eu postei no Facebook a tal da foto do Lucas Kubitschek pelado. Aquela, em que ele cobre com as mãos as partes pudendas: se você ainda não viu, ela ilustra um post aí embaixo. Na segunda de manhã, tentei me conectar e recebi um aviso de que não só meu "conteúdo" havia sido removido como eu estava bloqueado por três dias, por não ter respeitado as regras de boa conduta da rede. Regras estas que são incoerentes e confusas: páginas que incitam o racismo e a homofobia continuam no ar mesmo depois de denunciadas, enquanto que uma charge da revista "New Yorker" foi excluída porque mostrava Eva de mamilos de fora (na verdade, dois pontinhos pretos). Até essa norma pró-moral e bons costumes é furada: postei uma fotdo daquela atriz de "Girls" com os peitos cobertos de porra e não aconteceu absolutamente nada. Hoje, passados três dias do meu exílio, tentei me conectar novamente - e descobri que não posso postar nada na minha linha do tempo POR MAIS TRÊS DIAS. Pelo menos posso ler o que as pessoas estão escrevendo, e também receber e responder mensagens. Mas não é um pouco demais? O Facebook aplica no mundo inteiro aquele dúbio padrão americano: total liberdade de expressão, mas restrições a imagens do mais leve cunho erótico. Há uma página do braço da al-Qaeda na Somália que postou semana passada as fotos de um adolescente gay apedrejado: ainda está lá, sem maiores problemas. Há centenas de fanpages do Infeliciano, do Bolsonazi, do Malafaia, todas destilando ódio e todas alegremente no ar. O Facebook tem um gay assumido entre seus sócios e faz campanha aberta pelo casamento igualitário nos EUA; no entanto, acha lindo que grupos que pregam o preconceito e a violência continuem usando-o à vontade. Já uma foto de um pau murcho, no escuro e coberto por duas mãos, não pode... Ao invés de reformular o lay-out a cada dois meses, o FB tinha mais é que revisar seus parâmetros. Claro que eles não podem ser adequados à cultura de cada país, mas os lugares mais melindrosos - como Cuba, China ou Irã - já censuram a rede por contra própria. Enquanto isto, até o próximo domingo eu não poderei dar um mísero "like" nas fotos dos novos penteados dos amigos, nem mandar parabéns em línguas exóticas para pessoas que nem conheço.

9 comentários:

  1. Eu no seu lugar mandaria o facebook tomar no cu e excluiria o perfil. A gente precisa é de água e comida para viver, não de uma rede social virtual.

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  2. Uma amiga trans foi excluída porque usava o nome social. Ex-clu-í-da. Duas vezes.

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    1. Nesse caso, acho que caberia uma ação, Lucas. Seria até bem interessante ver a reação do judiciário, o qual já vem reconhecendo a mudança de nome no registro civil há tempos. Aliás, sua amiga já fez?

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  3. O Facebook não tem como controlar tudo que é postado em seus servidores. Eles só verificam as imagens que são reportadas como impróprias pelos usuários. Ou seja, alguém que teve acesso a essa foto na sua linha do tempo resolveu marcar a foto como imprópria.
    É difícil prever a reação das pessoas com o que postamos, mas um jeito de minimizar isso é restringir o acesso de suas postagens somente aos seus amigos no facebook, que imagino serem mais tolerantes.
    Por exemplo, um amigo meu postou uma foto de sexo explícito em sua linha do tempo, e essa foto ainda está no ar, exatamente porque a vista está restrita aos amigos dele, e nenhum deles reclamou.

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  4. Pra que Facebook? Vivo muito bem sem ele ha dois anos e nao faz a menor falta, nem sinto curiosidade por nada que aconteça por la!

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  5. so uso pra postar comentarios em alguns sites. nada mais

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  6. minha mae leandra, e meu tio ja falecido joao, sao bastardos do irmao do pedro ludovico teixeira, sera que vou participar de algum concurso e vou ser desclassificado, alias uma pertgunta ele e gay?

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  7. Adoro seus parabéns em línguas exóticas!!

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  8. Pra aqueles que dizem que vivemos em repleta liberdade, a resposta está aí.
    Por isso que larguei mão dessas redes sociais como o fakebook.

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