segunda-feira, 18 de março de 2013

AQUARELA MÓRBIDA

Diogo Vilela está se especializando em musicais biográficos sobre grandes vultos da música brasileira. Muitos anos atrás, ele encarnou Nélson Gonçalves em "Metralha", que eu não assisti. Depois deu um show em "Cauby, Cauby", numa das interpretações mais impressionantes que eu vi em toda a minha vida. Agora ele investe em Ary Barroso, talvez nosso maior compositor popular dos tempos pré-bossa nova. E investe com tudo: além de atuar, Diogo também escreveu o texto e dirigiu o espetáculo em cartaz no Rio de Janeiro. É aí que a coisa pega. O libreto de "Ary Barroso - do Princípio ao Fim" é confuso e mórbido. A peça começa justamente no último dia de vida do criador de "Aquarela do Brasil", 9 de fevereiro de 1964. Preso a uma cama de hospital, Barroso assiste pela TV ao desfile da escola de samba Império Serrano, que o homenageia. Aí entra numa espécie de delírio, recebe a visita imaginária de componentes da escola e começa a recordar momentos importantes de sua trajetória. Até aí tudo bem: o flashback no leito de morte é um recurso pouco original, mas consagrado. O problema é que a tal da cama praticamente não sai de cena durante quase todo o espetáculo, e o protagonista raramente tira o pijama. É uma longa e lenta agonia, piorada pelo caixão de Carmen Miranda - que entra em cena em dois momentos diferentes! Sem nenhum fio condutor, episódios da vida de Ary Barroso são mostrados a esmo, e quem conhecia pouco sobre o cara vai continuar não conhecendo. Salvam-se as músicas, todas divinas, o elenco excepcional (como estamos bem de atores para musicais, caralho) e os momentos de humor, principalmente quando é recriado o programa de calouros que Ary Barroso comandava no rádio. Mas ele ainda merece uma recriação suntuosa como seus sambas-exaltação.

Um comentário:

  1. Deve ser excelente, gostaria ver, pena que não moro no RJ, o Diogo é completo, fabuloso, e sim Tony, os grandes centros possuem excelentes atores para os musicais, é algo que precisa ser bem explorado e dar oportunidade para muita gente aí aguardando uma chance.

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