domingo, 24 de março de 2013

ACUSADO UM, DOIS, TRÊS

O que você faria se fosse acusado injustamente de alguma coisa? Eu espernearia, contrataria um advogado e não descansaria até que todos aqueles que duvidaram da minha inocência fosse condenados às galés. Não é o que faz o protagonista de "A Caça": ele reage com superioridade moral, como se devesse ser óbvio para todos que ele não tem culpa de nada. E olha que o crime do qual o camarada é suspeito é nada menos que pedofilia, o grande bicho papão dos tempos modernos. O filme não se encaixa exatamente no minimalista formato "Dogma" que consagrou o diretor dinamarquês Thomas Vinterberg, mas a ausência quase total de música e o ritmo lacônico mantêm a tensão até o útlimo fotograma. O roteiro é um estudo de um dos lados mais feios da humanidade: mesmo numa sociedade aparentemente sem tensões (a história se passa numa cidadezinha onde todo mundo se conehce desde sempre), muita gente só está esperando que alguém seja apontado como judas para lhe atirar todas as pedras que têm vontade. A postura semi-estóica do réu vivido por Mads Mikkelsen pode ser uma escolha moral ou um traço da psiquê escandianava, mas o final ambíguo revela que o diretor não concorda necessariamente com ela. "A Caça" é um filme árduo e interessante, desses para gerar discussão à saída do cinema.

Um comentário:

  1. "desses para gerar discussão à saída do cinema" Tenho tesão em quem sabe usar crase!

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