domingo, 17 de fevereiro de 2013

CHUPA, AI WEI WEI

A primeira parte da exposição é quase banal. Fotos em preto-e-branco tiradas em Nova York entre os anos 80 e 90, muitas naquele estilo "olha como meus amigos são transados". São boas, claro, mas qualquer visita ao Instagram traz imagens mais bonitas. Para piorar, a péssima iluminação do Museu da Imagem e do Som projeta a sombra dos visitantes sobre as fotos. Mas aos poucos elas vão ficando mais interessantes e consequentes, registrando protestos e acidentes. Vistas individualmente, nenhuma é grande coisa, mas em conjunto a coisa muda. Esta talvez seja a chave para começar a entender o trabalho de Ai Wei Wei, talvez o mais badalado artista contemporâneo. Ele não tem "uma" obra que possa ser pendurada na parede, não traz uma inovação estética nem encanta pelo vurtuosismo. Mas sua atitude é o que interessa: tudo  remete a algo mais, tudo é político, tudo está conectado. Por isto o nome "Interlacing" é perfeito para a mostra. Ai Wei Wei é designer, fotógrafo, arquiteto e ex-blogueiro (o governo chinês tirou sua página do ar) e essa facilidade com que flui de uma mídia para a outra também o faz ser totalmente da hora. Bobo alegre que eu sou, não resisti a produzir a piadinha visual que ilustra este post, mas que fique bem claro: chupa, Ai Wei Wei, mas no bom sentido.

Um comentário:

  1. Seus leitores não estão interessados em arte. Apenas nas grandes questões da humanidade. Como a coluna da Fabíola Reipert.

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