sábado, 9 de fevereiro de 2013

BLONDE ADDICTION

"Deixe as Luzes Aceas" foi o filme de temática gay mais premiado de 2012. Faturou o troféu Teddy Bear do Festival de Berlim, fez sucesso em Sundance e ganhou ótimas críticas no mundo inteiro (inclusive esta aqui, assinada pelo meu chapa Raul Juste Lores no caderno "Ilustríssima" da Folha de São Paulo). Estreou em SP neste carnaval meio de sopetão, sem propaganda nem pré-estreia. Está em cartaz numa única sala e em só dois horários. Mas merece ser visto, pela crueza de sua história. Que é familiar para muitas bibas das grandes cidades: garoto conhece garoto no telefone da pegação, garoto come garoto, garoto se apaixona por garoto. Que é o próprio príncipe encantado - bonito, bem-sucedido, bem vestido - não fosse por um pequeno detalhe. É viciado em crack. E daí para frente o filme fala do vício desses dois louros, um pela droga e o outro pelo namorado. Nenhum consegue largar. O diretor Ira Sachs filmou um episódio de sua própria vida: o cineasta vivido pelo desinibido ator dinamarquês Thure Lindthard (que é hétero na vida real) é uma versão dele mesmo. Já o roteiro, co-assinado pelo brasileiro Mauricio Zacharias, é adaptado do livro do namorado junkie. Um amigo que leu disse que a barra pesa muito mais nas páginas do que na tela. De fato, o drogadicto do filme fuma crack durante quase dez anos e não perde um quilo, além de continuar com a pele macia e o cabelo sedoso. Isto me incomodou muito mais do que as barriguinhas da trama, mas nem por isto "Deixe as Luzes Acesas" deixa de ser um bom programa para quem não tiver disposição para encarar um bloco na chuva.

14 comentários:

  1. Oi! O filme tem o ponto de vista do cineasta e o livro do agente literário viciado em crack. Junkie total. O livro é bem pesado, mas muito bom.

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    1. Isso, bem legal... vamos piratear o filme. Pra que pagar pra ver...

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    2. Baixando. Obrigado pela dica.

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  3. Pois é, erraram feio no quesito de quem usa droga no caso o crack e ainda fica lindo!!! É destruição completa do organismo bem visível por quem usa, assunto visto e revisto pelos telejornais.

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    1. É o glamour necessário do cinema. Acho que o cineasta quis fazer um filme para todos, não só gays. Imagina um filme que além de tratar de uma relação gay, O ator principal ainda tivesse que interpretar como o Christian Bale? Afinal, trata de relação humana sim, mas o casal é gay! Ningém iria assistir.

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    2. Na verdade, acho que foi por uma questão de orçamento. As filmagens teriam que ser interrompidas durante meses para que o ator conseguisse emagrecer (ele começa saudável e vai se deteriorando ao longo dos anos). O cinema independente simplesmente não "budget" para esse tipo de coisa.

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  4. peguei esse filme dois meses atras, comecei a ver, mas ficou com aquela cara de chato, sabe filme intediante, igual
    mas e legal sim, beeem feito, e daquela mesma produtora do filme weekend

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  5. Adoro filmes de temática gay e também histórias de "amor louco", obsessivo, do tipo que manda à merda a segurança e as certezas. Já quanto às drogas, sei não... A maioria dos filmes costuma romantizar o vício, botar atores lindos - tipo Ewan McGregor e Jared Leto - no papel dos junkies, usar e abusar de trilhas sonoras incríveis, como se a dependência química fosse, sei lá, um estilo de vida. Pelas críticas que li, "Keep the lights on" tem uma abordagem mais crua e isso é bom, ajuda a prevenir que mais pessoas embarquem nessa canoa furada. Uma dica para quem quer se manter longe desse troço é o livro "Eu, Christiane F.", onde são narrados (sem qualquer glamour) a prostituição de meninos(as) de treze, quatorze anos em banheiros infectos, os gritos de dor durante os breves períodos de abstinência da heroína e o sono desses jovens mortos-vivos em tapetes fedendo a mijo e sangue podre. Uma lição de horror.

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  6. Que tal uma entrevista com o Bráulio Mantovani agora que, depois de concorrer ao Oscar, ele tá escrevendo o seriado 'A teia' pra Globo?

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  7. Tony, tem certeza que o Thure é straight? Pergunto porque quando o vi pela primeira vez numa pinta como policial em "Anjos e Demônios" com o Tom Hanks (ele era o eye candy e única coisa tilerável na fita) googlei o moço e vietam vários resultados de seu namomoro com um dançarino dinamarqued

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  8. pena q os protagonistas são feinhos. esse eu passo.

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  9. Chateeeeeeeenhoooo toda vida....

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