sábado, 23 de fevereiro de 2013

AMERICAN FAVELA

Ninguém está acostumado a ver a miséria norte-americana nas telas. Talvez por isto "Indomável Sonhadora" tenha ganho tantos prêmios: o filme revela uma realidade quase inédita, que no entanto existe. Realidade é modo de dizer. Como o canhestro título em português já entrega, boa parte da história se passa na imaginação da protagonista. O difícil é determinar quanto. As tais "feras do sul selvagem" são obviamente fictícias, mas toda a segunda metade do filme não é lá muito verossímil. Uma explicação possível é que, apesar da narração com voz de criança, estamos assistindo às lembranças da personagem já adulta - e a maneira como ela se lembra não corresponde exatamente ao que se passou, como todas as memórias infantis. O diretor Behn Zeitlin (que tem pai brasileiro e já veio para cá algumas vezes) fez uma estreia extremamente original, que no entanto perde um pouco do impacto para nós - afinal, estamos anestesiados pela pobreza absoluta nas portas das nossas casas. E a menina Quvenzhané Wallis é sem dúvida uma gracinha, mas ser indicada ao Oscar de melhor atriz? Por uma atuação aos seis anos de idade? No lugar da Marion Cotillard? Estamos todos sonhando?

5 comentários:

  1. E aquele negócio que vc faz todo ano, de quem vai ganhar o Oscar, não vai ter essea ano não?

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  2. Eu assisti o filme duas vezes, gostei, achei interessante, mostra uma realidade dos EUA desconhecida ou não do mundo!!!! Se esta menina ganhar mereceu o Oscar.

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  3. Não é um filme sobre a pobreza, é um filme sobre sobre psicanálise e como amadurecemos ao encararmos nossos monstros - sobretudo aqueles que envolvem os desvios de personalidade e a finitude de nossos pais.

    É um filme lindo, porém inacessível para muitos que não conseguem enxergá-lo - como aconteceu igualmente com Árvore da Vida.

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