sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

EM SENSURROUND

Devo ser muito mais burro do que eu fantasio ser, porque não gostei muito de "O Som ao Redor". Minha opinião vai contra a de todos os meus amigos intelectuais no Facebook, todos os críticos do Brasil e até mesmo a do "New York Times", que incluiu o filme em sua lista dos dez melhores de 2012. Achei que o pernambucano Kléber Mendonça Filho cometeu o erro fatal do diretor que também assina o roteiro, ainda mais no longa de estreia: colocou lá todas as ideias que teve na vida, e não conseguiu cortar nenhuma delas na sala de montagem. O resultado é que "O Som ao Redor" é longo demais (quase duas horas e meia) e cheio de cenas desnecessárias em tempo real. Mas é verdade que também há momentos interessantes, como uma reunião de condomínio que parece verdadeira de tão tacanha, ou os muitos sustos espalhados ao longo do filme. A tensão é permanente: o espectador passa o tempo todo esperando algo horrível acontecer. Não há um "plot" central, mas uma coleção de situações em torno do conflito de classes. Patrões e empregados numa rua de classe média em Recife convivem em diferentes graus de harmonia, e as coisas parecem que vão explodir quando dois sujeitos batem de porta em porta oferecendo serviços de "segurança". Os atores, quase todos desconhecidos (a exceção é Irandhir Santos, de "Tropa de Elite 2"), são absolutamente convincentes, e o sensacional desenho de som cumpre o que o título do filme promete: há sempre um barulho ameaçador e misterioso vindo de algum lugar da vizinhança. Mas eu não consegui me envolver emocionalmente com nenhuma das muitas tramas, nem me divertir muito. Devo ser mesmo burro.

11 comentários:

  1. Irandhir Santos será sempre o imigrante brasleiro de "Olhos Azuis" para mim.

    ResponderExcluir
  2. Tony, leio diariamente o seu blog por vários motivos, mas já é tempo de vc perceber que seu gosto para filmes é atroz (o que obviamente não lhe tira o direito de expressá-lo). Para mim, por exemplo, suas resenhas funcionam exatamente ao contrário: sempre que eu vejo vc elogiando um filme aqui eu sei que não preciso assisti-lo e, por outro lado, quando vc diz que é "longo demais" ou coisa do gênero, então eu sei que é um filme que eu vou curtir. Simples assim. Mas ainda gosto das suas discussões em outros temas. :)

    ResponderExcluir
  3. A crítica elogiosa do New York Times foi seguida por cartas de leitores, americanos com certeza, que acharam o filme um tremendo pé no saco e lamentaram a perda de tempo que tiveram com o filme.

    ResponderExcluir
  4. Meu Deus.. isso é do Kléber Meendonça Filho esse Filme????? EU NÃO SABIA!!!!!!!! Ele era o crítico do cinemascópio, coisa que era fãzasso, nos correspondíamos, viramos brother, trocentos tempos que eu não falo com ele.... gente, tô emocionado!!!!!!!!!

    ResponderExcluir
  5. Tenho certeza que sou mais burra do que fantasio ser, já que nunca consegui gostar de pelo menos dois filmes premiados em Cannes: "Flores Partidas" e "Sexo, Mentiras e Videotape". Se não me engano, o primeiro levou a Palma de Ouro no mesmo ano em que foi lançado Brokeback Mountain, este sim, um filmaço. Não dá pra levar tão a sério os critérios dessa gente que se diz entendida em cinema.

    ResponderExcluir
  6. Aê Tony! Já dá pra pleitear vaga de crítico de cinema em algum segundo caderno, hein! Já tem até leitor que faz o contrário do que você recomenda!! Huahuhauhauhauahuah

    ResponderExcluir
  7. Tony, você não é tão burro. È que o filme não é fácil mesmo. Mas eu adorei, justamente pela tensão e pelo uso do som como ameaça.

    ResponderExcluir
  8. Uma bosta o filme. A companhia salvou. O filme é vazio e tosco, no qual não se ligam Lé com Cré. Todavia, tem gente que gosta de chuva dourada e coisas do gênero.

    ResponderExcluir
  9. Ninguém é burro por não gostar de um filme endeusado pela crítica.

    ResponderExcluir