segunda-feira, 30 de abril de 2012

REPAGINADA

André Fischer e Marcelo Cia me perguntaram o que eu achei da primeira edição da revista "H", e eu fui sincerinho: respondi que o conteúdo estava incrível, mas a forma nem tanto. Em português mais claro, disse que o número de estreia estava simplesmente feio. O que é um pecado imperdoável para uma publicação dirigida aos gays com mais de 30, supostamente o público mais descolado e exigente do planeta. Mais gente deve ter dito a mesma coisa, porque a "H" que chega às bancas de todo o Brasil ao longo desta semana (em SP já tem) está muito mais bonita que a da estreia. Parece outro projeto gráfico: mais arejado, mais colorido, mais elegante. Claro que ainda não está pronto nem nunca vai estar, porque revista, como diz o André em seu editorial, é um "work in progress" permanente. E as matérias, que já estavam boas da primeira vez, estão ainda melhores e mais picantes. Tem reportagens sobre práticas sexuais pouco ortodoxas como gouinage e shibari, perfil do ator pornô Rogê Ferro, entrevista com Luís Miranda e muito mais. Inclusive a minha coluna, agora enfeitada por uma nova foto by Moyses Pazzianotto onde reluzo belíssimo sob make-up HD. Adquira!

THE BULLSHIT IN THE BIBLE

O colunista americano Dan Savage justificou mais uma vez porque é meu ídolo. Durante uma conferência para estudantes jornalistas em Seattle, ele atacouo argumento número 1 usado para justificar o bullying contra os gays: "está na Bíblia". Sim, de fato há passagens bíblicas que condenam a homossexualidade, assim como há trechos que proíbem o consumo de camarões e lagostas ou justificam que uma mulher seja apedrejada se não se casar virgem. Sem falar nos inúmeros versículos que defendem a escravidão. Se a Beiblia falhou nesta questão moral - segundo Savage, a mais fácil de toda a história da humanidade - porque não falharia num assunto tão complexo quanto a sexualidade? mas alguns estudantes carolas não quiseram nem saber. Começaram a sair do auditório assim que Savage citou as Escrituras, porque sabem que se a hipocrisia contida no livro for desnudada para seus ouvidos eles cairão fulminados no chão, sem um pilar que suporte sua intolerância. Reagiram como maricas, disse o colunista. E é bom que se acostumem: tem cada vez menos gays dispostos a escutar calados as ofensas que os fundamentalistas religiosos nos dirigem. Porque podem nos chamar de pervertidos e endemoniados, e nós não podemos apontar a quantidade de bullshit que existe nessas crenças?

domingo, 29 de abril de 2012

O INFERNO SOMOS NÓS MESMOS

Estou contente por ter conseguido ver "Hell" faltando apenas uma semana para a peça encerrar sua segunda temporada paulistana. Marquei a maior touca durante os quase dois anos em que ela esteve em cartaz entre São Paulo e Rio, mas finalmente botei no currículo. Bárbara Paz está fenomenal como a personagem-título, uma jovem francesa de família rica que só pensa em festas, roupas, sexo e drogas. A diferença entre ela e o resto de nós que também só pensamos nestas coisas é o reconhecimento do vazio, de saber que aquilo só tende a piorar - e como piora. A elegante direção de Hector Babenco pontua com a luz o cenário minimalista para sugerir a imensa boate Queen, que foi a melhor de Paris durante os anos 90 e hoje é pouco mais do que um salão para as festas de formatura da garotada do banlieu. O texto, adaptado do romance autobiográfico de Lolita Pille, é cruel e desesperado, mas com humor suficiente para a gente não cortar os pulsos. Quem não viu ainda tem um fim de semana para não perder. E o resto da vida para se emendar.

BOLO DE NOIVA

Estou explodindo de orgulho pelo Alberto Pereira Jr., colunista do jornal Agora SP e coleguinha meu lá no F5. Acaba de cair na rede o trailer de seu documentário "Eu Vos Declaro", sobre quatro casais gays de São Paulo. Alberto está inscrevendo este filme de 40 minutos em festivais e negociando a exibição com alguns canais de TV; também deve acontecer em breve uma sessão numa sala de cinema. Dá para saber mais detalhes aqui, no blog "Eu Vos Declaro".

sábado, 28 de abril de 2012

ET CIRCENSES

Passei incólume pelos livros do Haryy Potter. Até tentei ler um, mas achei mal escrito. Preferi ver a história no cinema. "Crepúsculo", então, nem me passou pela cabeça: acho tudo o que tem a ver com a "saga" uma merda absoluta. Mas "Jogos Vorazes" me pegou de jeito, ou me flechou. Gostei tanto do filme que corri para comprar os livros no inglês original. O primeiro estava esgotado, então tive que começar por "Catching Fire" ("Em Chamas", na versão brasileira). O que não é de todo ruim, já que eu sei o que acontece antes. O estilo da autora Suzanne Collins é límpido e direto, e ela consegue terminar cada capítulo com um momento de suspense. Ainda há muita violência, mas o que realmente me conquistou foi a ficção política. O estado totalitário de Panem, estabelecido sobre o que sobrou da América do Norte depois de uma catástrofe futura não especificada, me parece um resultado perfeitamente plausível se algum dia os teocratas à la Rick Santorum chegarem ao poder nos Estados Unidos. Panem é uma sátira do nosso tempo e, ao mesmo tempo, um alerta irônico: olha só o que pode acontecer se vocês continuarem votando em políticos que se fazem de santos, mas querem controlar o pensamento, as crenças e a vida sexual das pessoas.

A PRINCESA E O PLEBEU

Estava com o pé meio atrás para ver Michelle Williams fazendo Marilyn Monroe. Não porque ela não seja exatamente parecida com a atriz mais famosa de toda a história do cinema, porque ninguém é. Nem porque Marilyn já tenha sido feita milhares de vezes - inclusive na série "Smash", atualmente meu programa favorito. Mas pura e simplesmente porque impliquei com a caralhada de prêmios que Michelle levou no final do ano, em detrimento da minha amada Glenn Close (e a Meryl acabou ganhando o Oscar). Também porque um único crítico americano disse que ela não estava assim tão bem, e que jamais teria sido escalada para qualquer papel que a verdadeira tivesse feito. Mas no final fui ver "Sete Dias com Marilyn", e gostei bastante. Inclusive da performance de Michelle Williams, que consegue capturar com precisão a mistura de mulher e criança que se tornou icônica. Mas o que mais me encantou foi o mesmo que me atrai em "Smash": a visão dos bastidores, neste caso os do filme "O Príncipe a Corista". É fascinante o choque do "método" e do Stanislawski que Marilyn tentava desesperadamente aplicar com o treino clássico de Laurence Olivier. Um diálogo do próprio filme define bem o embate: ela era uma estrela de cinema que queria ser uma grande atriz, e ele um grande ator que queria ser um astro de cinema. Este aspecto de "Sete Dias..." é mais interessante do que o "fling" entre a diva e o terceiro assistente de direção, que acabou escrevendo o livro que serviu de base ao roteiro. Mas também contribui para formar o quebra-cabeça dessa personalidade complexa, ao mesmo tempo tão carente e tão segura de seus poderes de sedução. O elenco e os valores de produção são chiques no úrtimo, e "Sete Dias com Marilyn" é um filmezinho simpático. Ajuda a entender porque, há mais de meio século, somos todos plebeus diante desta loura falsa que se forçava a falar feito um bebê.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

DARLA DIRLADADA


Adieu Monsieur tout est fini
Quitte moi et refais ta vie
Je préférais la fleur des champs
Toi le soleil de ses vingt ans

(...)
Adieu l'enfant, adieu mari
Laissez-moi donc vivre ma vie
Il est temps de couper le seigle
Je crois que je vous ai tout dit
Je n'ai qu'une enfant, c'est ma terre
Je n'ai qu'une amie, la rivière
Elle fait dirla dirladada
Court le furet file la vague
Je vivrai dans un monde d'algues
Qui fait dirla dirladada...


...le 3 mai!

NUM CINEMA PERTO DE VOCÊ

Vai ver que estou mesmo ficando velho, ou então é o cinema que de fato está uma merda. O fato é que não há nenhum filme no horizonte que me deixe desesperado de vontade de ver. Pelo menos não vindo de Hollywood, onde o verão se aproxima com uma enxurrada de super-heróis que não me interessam a mínima (só o Batman, e só por causa do diretor Christopher Nolan). Mas acabam de cair na rede dois trailers que me deixaram animadinho. O daí de cima na verdade são os primeiros minutos de "O Ditador", que Sacha Baron Cohen vem promovendo desde o ano passado. O filme obviamente já estava sendo feito quando Gaddafi caiu (ou melhor, foi linchado no meio da rua), mas ainda assim há o indisfarçável aroma de chute em cachorro morto. Por mim tudo bem, hehehe. O outro trailer é o de "Hope Springs", uma comédia romântica da meia-idade estrelada por Meryl Streep e Tommy Lee Jones. De vez em quando é bom ver Meryl interpretando uma pessoa comum, sem muita maquiagem nem sotaques esquisitos. Mas seus filmes "normais" costumam passar meio batido, como "Simplesmente Complicado" ou "Terapia do Amor" (alguém ainda lembra deste?). E fala sério: esse cabelo lambido não a deixou com mais cara de velhinha do que quando caracterizada como Margaret Thatcher?

quinta-feira, 26 de abril de 2012

DIZ, GRACE

Porque insanidade pouca é bobagem.

PERGUNTE-ME COMO

Quer perder peso? Então assista a este comercial da Pizza Hut do Oriente Médio e nunca mais sinta vontade de comer o que quer que seja.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

REBELA, NOVIÇA

Sua Majestade Satânica, o papa Adolf I, completou recentemente 85 anos, a mesma idade que tinha seu predecessor quando foi recebido por São Pedro. Mas, apesar dele ter começado a andar de bengala e ter admitido que está na reta final, sua fúria inquisidora vem crescendo nos últimos tempos - ou talvez por isto mesmo. As vítimas desta semana são a vanguarda da Igreja e o que ela tem de melhor e mais moderno: as freiras. Enquanto muitos padres molestam crianças ou se enveredam pela politicagem, de suas paróquias à Cúria Romana, a maioria das freiras está lá no mano a mano com os fiéis, cuidando de pobres e doentes. Pois bem: Adolf I acha que é pouco. Ele acaba de colocar sob intervenção direta da Congregação pela Doutrina da Fé (antigamente conhecida como Santa Inquisição) o Leadership Conference for Religious Women, a maior organização de religiosas católicas dos Estados Unidos. A alegação é que estas bravas mulheres estão gastando tempo demais cuidando dos pobres e doentes, e de menos defendendo o celibato ou atacando o aborto, o casamento gay e a ordenação feminina. Vem cá: querer que as próprias freiras defendam que só homens tenham o direito de ministrar os sacramentos é um pouco meio muito, né não? Mas o papa não está nem aí, cioso de sua missão de voltar o calendário ao século 12. Por outro lado, vai ver até que é bom as mulheres não poderem ser ordenadas sacerdotes. Assim ficam mais distantes das intrigas e escândalos que infestam o Vaticano.

terça-feira, 24 de abril de 2012

J'ATTENDRAI...


J'attendrai le jour et la nuit
J'attendrai toujours ton retour
J'attendrai car l'oiseau qui s'enfuit
vient chercher l'oubli dans son nid
Le temps passait court en battant tristement
dans mon coeur si lourd
Et pourtant j'attendrai ton retour

J'attendrai...
le 3 mai.

VOCÊ DARÍN?

Alguém aí já vai dizer: "Porra, mas não tem um filme argentino que não seja estrelado pelo Ricardo Darín? E ele está sempre fazendo o papel de Ricardo Darín!" Papel de Ricardo Darín: o sujeito amargurado, solitário, sambado pela vida, que esconde um grande segredo e há vinte anos morre de amores pela mesma mulher, que também o ama mas tem medo de se machucar novamente. Bom, este quesito é verdade em "A Dançarina e o Ladrão". Darín está mais Darín do que nunca e mais bonito do que de costume, com o cabelo mais comprido. Mas o filme não é argentino, é espanhol - chegou a representar a Espanha no Oscar de filme estrangeiro de dois anos atrás, sem conseguir a indicação. E a história se passa toda no Chile, em Santiago e arredores. Darín faz um sujeito amargurado, etc. que sai da cadeia e começa a ser "stalked" por um aprendiz de bandido, que quer aprender novas técnicas com o maestro para cobrir de ouro sua namorada, uma bailarina muda. O pibe é feito pelo ator argentino Abel Ayala, que é bonitinho mas extraordinariamente irritante. Seu ladrãozinho de bom coração vive sorrindo e esfregando as mãozinhas de contentamento; há uma cena em que ele saboreia uma melancia com tanto prazer que me deu vontade de entrar na tela e aplicar-lhe uns tabefes. O roteiro é metido a poético e tem buracos do tamanho do Aconcágua, mas o diretor Fernando Trueba (o mesmo do desenho animado "Chico & Rita", de que eu falei semana passada) até que consegue algumas cenas memoráveis. Também é simpática a participação de Marcia Haydée, que foi a maior bailarina brasileira dos anos 70 e 80 e que há muito tempo está radicada em Santiago, dirigindo o Ballet Nacional do Chile. "A Dançarina e o Ladrão" tinha pretensões de ser um filmão à moda antiga, mas ficou no quase. Pelo menos o Darín continua Darín.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

BACK, SACK AND CRACK

Não conheço mais nenhum gay que não faça algum tipo de "manscaping" - ou seja, que não use a lâmina só para fazer a barba. O fenômeno vai muito além da metrossexualidade e já está se espalhando pela população masculina ao largo, como captura o diretor Morgan Spurlock (o mesmo de "A Dieta do Palhaço") em seu novo documentário, "Mansome". Gostei especialmente do momento em que o ator Paul Rudd diz que prefere usar como pós-barba algo com "carne e osso" como a antiga Aqua Velva, azul e ardida. Eu também: tenho horror dessas loçõezinhas cremosas, acho tudo uma meleca. E você, quais são seus cuidados rotineiros de beleza? Ou ainda está preso na era do homem-abacaxi?



Aqua Velva.

LE PETIT NICHOLAS

Há uma única razão que me deixa triste com a iminente derrota de Nicholas Sarkozy no segundo turno das eleições francesas, daqui a duas semanas: Carla Bruni não será mais a primeira-dama do país. De resto, já vai tarde: o realmente pequeno Sarkô já declarou mais de uma vez ser contra o casamento igualitário, fomentou a xenofobia latente entre grande parte da população para aumentar suas chances e fez um governo descaradamente voltado para os ricos. A verdade é que, não importa qual fosse sua inclinação política, dificilmente sobreviveria às urnas, como nenhum outro líder europeu conseguiu desde que a crise se instaurou para valer. Agora os pobres cartunistas terão que se virar com François Hollande, que tem traços tão marcantes quando um petit gateau que se espatifou no chão.

domingo, 22 de abril de 2012

A NEFERTITI BRASILEIRA

Faz tempo que eu acho que a Camila Pitanga é uma atriz bastante boa, além de ser também a mulher mais bonita do Brasil. Mas seu papel em "Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios" a coloca num outro patamar. Camila faz uma prostituta que deixa de ser oca ao se casar com um pastor evangélico, mas acaba traindo-o com um outro homem. Aparece em cena drogada, enloquecida, surtada, tranquila e nua, muito nua, algo até raro hoje em dia para uma estrela de sua magnitude. Mas as cenas de nudez não são gratuitas, e tem uma em que ela e o gostoso do Gustavo Machado se pintam um ao outro com guache que é um tesão absoluto. Zécarlos Machado também está incrível como o tal do pastor, mas é uma pena que o filme que os atores estavam fazendo seja muito mais interessante do que o que de fato se vê na tela. O argumento é melhor que o roteiro, que é melhor que a direção: Beto Brant e Renato Ciasca perdem o foco da história a toda hora, interrompendo a ação com uma pajé branca ou um índio fazendo um discurso sobre a posse da terra (grande parte do filme se passa em Santarém, no Pará). "Eu Receberia..." é irregular e meio confuso, mas o elenco se salva com louvor. E Camila Pitanga já pode ser comparada a Penélope Cruz: linda, destemida, uma atrizaça. Quando é que vão convidá-la para fazer no cinema o papel de sua sósia, a rainha Nefertiti do Egito?

sábado, 21 de abril de 2012

ATÉ PARA OS MÓRMONS MELHORA

Estou começando a achar que a campanha "It Gets Better", lançada pelo meu ídolo o colunista Dan Savage, é uma das coisas mais subversivas dos tempos atuais. Já há quase dois anos que não param de surgir vídeos inspirados nela (inclusive o "Não Gosto dos Meninos", do qual tive a honra), e os reacionários finalmente estão se incomodando - o que é um sinal de que a campanha está funcionando. Soube do padre português que defendeu o bullying outro dia? Maior cara de pau, ainda mais quando a Igreja acoberta os sacerdotes pedófilos. Também a Igreja dos Santos Últimos Dias (a/k/a mórmons) anda injuriada, principalmente por causa do filminho acima. Estes estudantes são todos da Brigham Young University, a maior entidade de ensino ligada ao mormonismo, também tida como um dos piores ambientes acadêmicos para jovens LGTB. O vídeo causou um estrago porque mostra que gays e lésbicas são pessoas perfeitamente normais, que vêm de famílias normais e levam vidas normais - tudo o que soa heresia para nossos inimigos. O melhor é que muitas destas famílias estão começando a aceitar seus filhos homossexuais: inclusive já existe um vídeo só com pais e mães mórmons garantindo que vai melhorar (aqui, no site Vozes Mórmons). Vamos ver se este post vai atrair a ira dos mesmos radicais que me infernizam há quase quatro anos por causa deste outro post aqui. Peo menos escrevam seus comentários num português razoável, seus trolls fanáticos. Já basta o baixo nível das ideias de vocês.

(dica do Pablo, um leitor paranense casado com um mórmon que teve a pachorra de legendar "It Gets Better at BYU" em português - se as legendas não aparecerem, aperte o botão "cc" na barra inferior da tela do vídeo)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

HAJA VISTO

Ano passado perdi duas viagens a trabalho para os Estados Unidos porque eu estava sem visto. O que eu tinha foi roubado junto com passaporte, carro e mais um monte de coisas em julho de 2010, no Rio de Janeiro. Não tirei um novo até agora porque estou esperando que a necessidade de visto caia a qualquer momento. Mas pelo jeito não vai ser tão cedo: os EUA vão reabrir seus consulados em Belo Horizonte e Porto Alegre, e instalar novos postos de coleta de documentos em mais dois pontos de São Paulo. Há uma enorme burocracia envolvida na emissão dos vistos, e acabar com ela significa deixar milhares de pessoas desempregadas. Mas acredito que a razão principal para os americanos fazerem os brasileiros passarem por esta merda toda seja o bom e velho preconceito. Mesmo tendo apenas 4% das solicitações negadas, ainda não entrou na cabeça dos gringos que não queremos mais morar lá, um país onde não há emprego e sobram problemas para os imigrantes. Aliás, os EUA têm uma enorme dificuldade em perceber que o Brasil cresceu de importância e que é um parceiro ideal no hemisfério (e nós estamos sempre achando que seremos impiedosamente explorados por eles). Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Enquanto isto, ainda temos que aguentar algumas horas de fila e uns quilos de papelada para conseguir gastar fortunas na Disney.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

FALA NO MIKE

O diretor Steven Sodebergh descansa carregando pedra. Seu penúltimo filme, "Contágio", estreou em outubro passado. O mais recente, "À Toda Prova", ainda está em cartaz no Brasil. E em junho "Magic Mike" já chega aos cinemas americanos, ambientado no fascinante mundo dos strippers masculinos. Aqui a profissão já esteve em alta mas hoje virou tudo go-go boy, daqueles que posam para "G Magazine" dizendo que não se importam com as cantadas do público gay e que o banheiro da rodoviária foi o lugar mais estranho onde já fizeram amor. "Magic Mike" tem um elenco recheado de boys magia, inclusive o lobisomem Joe Manganiello. Espero que a história não atrapalhe muito.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

GAROTO IDO SELVAGEM

Vergonha alheia ou admiração pela desfaçatez? Ou tudo ao mesmo tempo now?

HOJE EU ACORDEI TÃÃÃO GAY

O Zuzu da série "Macho Man" leva uma bota de drag na cabeça e vira hétero. Ridículo, não é mesmo? Mas o fato é que a ciência registra alguns casos de pessoas que mudaram de orientação sexual da noite para o dia, algumas delas por causa de pancadas recebidas. Será que foram atingidas num circuito crucial do cérebro, ou o trauma simplesmente fez despertar o que já estava ali dormente? Esta é a pergunta que faz o documentário "I Woke Up Gay" da BBC inglesa. O programa acompanha o caso de Chris Birch, que há sete anos machucou o pescoço durante um treino de rúgbi e de repente passou a gostar de homem. Hoje ele se chama Kris, trabalha como cabeleireiro e veste seu cachorro com roupinhas transadas - ou seja, é biba registrada em cartório. Mas será que ele sempre foi assim? A ex-namorada acha que sim, e a mãe simplesmente se recusa a dar entrevistas. De qualquer forma, a desculpa é sensacional: "ai, levei uma tijolada e fiquei com vontade de torcer pelo São Paulo!" (O trailer do documentário está lá em cima e a versão completa, logo aí abaixo)

terça-feira, 17 de abril de 2012

SÓ VAI PIORAR

Fico lôca do edy quando algum babaca que não faz a mais puta ideia do que seja democracia chama os ativistas gays de fascistas, que "não respeitam a opinião alheia" nem a "liberdade de expressão". Opinião de homofóbico merece tanto respeito quanto a de escravocrata ou chauvinista, ou seja: lixo. Por isto tenho um frisson cada vez que sai um vídeo novo da ONG americana pró-igualdade FCKH8 ("fuck hate"). Os caras não têm o menor prurido em falar palavrões e mandar todos os reacionários tomarem no centro de seus cus, no mau sentido e com areia. Dessa vez o assunto são as seguidas derrotas que nossos inimigos vêm sofrendo nos Estados Unidos, do fim do "Don't Ask, Don't Tell" à crescente aprovação que o casamento igualitário tem entre a juventude. "Legalize Love", o novo grito de guerra, é de fato ótimo, e nunca é pouco lembrar que os gays querem adotar crianças que foram abandonadas pelos héteros. Nossa vitória é só questão de tempo, claro, mas nem a certeza dela vai nos furtar o prazer de bitch slap essa cambada e de tripudiar sobre seus túmulos.

O TEMPO PASSOU NA JANELA

Lembra da "Janela Indiscreta" do Hitchcok? Um sujeito com muito tempo livre fez o vídeo acima usando apenas imagens originais para reconstruir a visão total que James Stewart tinha de sua janela e construir um "timelapse" da ação, ao som de uma versão easy listening da "Dança Húngara no. 5" de Brahms. Mas para saber quem é o assassino tem que ver o filme na velocidade normal.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

JAZZ HANDS!


Li certa vez que o jazz é música para gente meio velha, meio sofisticada e meio chata. Como eu me encaixo nos três quesitos, talvez esteja na hora de ouvir menos Britney e ouvir mais jazz. Foi com este espírito de act your age que adquiri dois CDs jazzísticos neste final de semana. Um deles é a trilha do filme "Chico & Rita", o primeiro espanhol a ser indicado para o Oscar de longa em animação (e também um raríssimo desenho animado para adultos, com direito até a cenas de sexo). A música é tão deslumbrante quanto as imagens: o lendário pianista cubano Bebo Valdés e mais toda uma galera chévere misturam temas originais com clássicos do mambo e até um pouquinho de Gershwin e Cole Porter. Não há rigorosamente nada de inovador em nenhuma das interpretações, mas o disco inteiro é uma delícia e serve de aperitivo para este filme do diretor Fernando Trueba que não tem nem data para estrear no Brasil.

Já do "Radio Music Society" de Esperanza Spalding eu não gostei tanto. A moça arrancou o Grammy de revelação do ano em 2011 das mãos de Justin Bieber como quem tira um doce de uma criança e é saudada por toda parte como a grande esperança de sobrevida do jazz. De fato ela é talentosíssima: canta maravilhosamente bem, toca um contrabaixo do enorme caralho e provavelmente sabe fazer umas caipirinhas que parecem caídas do céu, mas a mim não me comoveu. Meus ouvidos toscos ainda não são suficientemente treinados para embarcar naqueles improvisos meio atonais. Vou escutar o CD mais algumas vezes e tentar me acostumar, para sair da minha zona de conforto. Mas por enquanto, em termos de jazz, continuo gostando mesmo só das hands.

YOU'RE HERE, THERE'S NOTHING I FEAR

Se algum dia o shopping JK ficar pronto, São Paulo deve ganhar sua primeira sala em 4D: as cadeiras vão tremer, água e fumaça serão jogadas na plateia e mãos robóticas farão cócegas na sua barriga quando uma comédia for sem graça. Enquanto isto não acontece (as obras estão embargadas), podemos ter uma palhinha do que nos aguarda com este trailer paródico do "Titanic" em versão Super 3D. Assisti à versão não-super ontem à tarde e me debulhei em lágrimas. E isto apesar de já ter visto o filme antes, como quase toda a população do planeta. As razões do meu chororô estão aqui, na minha coluna de hoje no F5. E não, não foi por causa da musiquinha insuportável da céline Dion.

domingo, 15 de abril de 2012

TIROS NO PÉ

Sempe gostei da casa real espanhola, mas estou mudando de ideia. Este é o problema da monarquia: se o rei e sua família se comportam bem, beleza, o país ganha embaixadores glamurosos e fatura alto com turismo e lembrancinhas. Mas basta um deslize para fomentar as ideias republicanas. Quando soube que o rei Juan Carlos fraturou a bacia durante uma caçada a elefantes em Botswana e precisou ser operado, não torci por seu pronto reestabelecimento. Torço para que tenha doído muito e que ele fique com sequelas. Não me entra na cabeça como alguém é capaz de pagar até 20 mil euros para matar um animal tão majestoso como um elefante. Caçar é uma coisa que não está no meu DNA e, sob o risco de soar xiita ou evangélico, gostaria que não estivesse mais no DNA de toda a humanidade. A travessura real pegou super mal na Espanha, que tem a taxa de desemprego mais alta da Europa. Também aconteceu no momento em que um neto real, Froilán "El Travieso", convalesce de um tiro que deu no próprio pé. Não é metáfora: o rapaz de fato disparou contra o próprio metatarso enquanto treinava com uma arma. Armas e realeza espanhola deviam andar separados: em 1956, o então príncipe Juan Carlos, exilado no Estoril, deu um tiro na testa do irmão mais novo, que evidentemente morreu na hora. Juancito já tinha 18 anos e teve que jurar sobre a bandeira da Espanha que havia sido acidente, mas parece que se carcome de culpa até hoje. Não é bom para país nenhum ter no trono uma dinastia gilipolla que atire tanto contra si mesma, metaforicamente ou para valer.

(gracias ao AliKerouak por mais uma dica de la putisima madre)

sábado, 14 de abril de 2012

THE BITCH IS BACK

Imagine o terror que deve ser deixar de ser jovem mas jamais chegar à idade adulta. Céus, não faço a menor ideia do que seja isto. Será que existe alguém assim? Pelo menos no cinema, sim: Charlize Theron está sensacional como a protagonista de "Jovens Adultos". Os "s" que o título ganhou em português traem o significado original, que é uma ironia em cima da categoria literária que os americanos chamam de "jovem adulto", antigamente conhecido como adolescente (ou "teen', como a imprensa brasileira adora). Mavis Gary é uma autora mais ou menos bem-sucedida do gênero, que chega do lado de lá dos 30 sem marido, sem filho e sem rumo. Resolve então voltar para sua cidade natal e tomar de volta um ex-namorado, ainda que ele seja feliz no casamento e pai de um recém-nascido. As cenas de vergonha alheia são muitas, mas o roteiro da ótima Diablo Cody (que também escreveu "Juno", igualmente dirigido por Jason Reitman) não resvala para a pieguice nem para a lição de moral. O ritmo cai perto do final e "Jovens Adultos" não vai entrar para a história. Mas a bitch vivida por Charlize Theron no auge da beleza e do controle do próprio talento, é um personagem emblemático dos dias de hoje: tinha tudo para dar super certo, mas não deu. Ou pelo menos acha que não deu.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

SEM MANOLOS

"Sex and the City" embalava o fracasso amoroso numa aura de sucesso. "Girls", uma nova série que estreia na HBO americana este domingo, embala o fracasso amoroso numa aura de fracasso. A definição é do "New York Times" e me deixou curioso. "Girls" também é focado em quatro amigas solteiras vivendo em Nova York, mas as diferenças acabam por aí. Enquanto que Carrie e companhia se consolavam com cosmopolitans e Manolo Blahniks, as novas garotas sofrem com a recessão econômica e não tem onde cair mortas. Deprimente? Espere até ver a cara de Lena Dunham, a criadora e atriz principal do programa.

NO DESERTO

Sempre falei maravilhas de Maria Bethânia aqui no blog, mas dessa vez não vai dar. Seu novo disco, "Oásis de Bethânia", é beeem chatinho. Não acrescenta nada à obra da cantora. E olha que estou fazendo força para não repetir a crítica mais frequente que fazem a ela, que é justamente não se renovar. Bethânia meio que não precisa disto, pois criou uma persona artística fortíssima e lançou trabalhos muito bons nos últimos anos. Muitos deles eram temáticos: em dupla com Omara Portuondo, ou dedicado a Vinícius de Moraes, ou cantando rios e mares, e por aí vai. "Oásis" não tem tema, e se ressente disto. Além do mais, me canso rapidamente quando Bethânia se embrenha no meio do mato e parte em busca das raízes: prefiro sua cara mais urbana. Depois de ouvir o "Recanto" futurista de Gal Costa, este "Oásis" me parece um enorme passo atrás, um retorno a um lugar para onde eu não queria mais voltar. Admito: até uma deusa viva como Maria Bethânia precisa dar uma reciclada de vez em quando.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

FAZENDO A SOCIAL

Sou mega suspeito para falar da Mara Mourão. Somos amigos há 20 anos e fui eu quem assinou a versão final do roteiro de seu filme "Avassaladoras". Então é claro que vou elogiar o documentário dela que estreia nesta sexta, "Quem se Importa". O assunto é o empreendedorismo social, mas não se assuste. Fui à pre-estreia no começo da semana e aprendi um monte de coisas que eu não sabia: desde o monge budista belga que treina ratos para farejarem minas na Tanzânia até... não consigo me lembrar de mais nada. Os ratos da Tanzânia ofuscaram todo o resto. Enfim, o filme foi obviamente inspirado pelo marido da Mara: Wellington Nogueira é o criador dos Doutores da Alegria, uma das ONGs mais bem sucedidas deste país. "Quem se Importa" tem uma trilha maravilhosa de Alexandre Guerra mas pouco apelo comercial, e é um teco longo demais. Dá para perceber que diretora estava apegada aos quilômetros de material bruto que rodou durante anos. Mas é bom de se ver, porque passa uma visão otimista do mundo. E dá aquela cutucada sempre necessária: será que estou fazendo tudo o que eu poderia fazer?

É PAU, É PEDRA

Um garoto gay caiu nas mãos de uma gangue de selvagens e foi torturado até a morte. No Brasil, o assassinato de Alexandre Ivo em 2010 sequer ganhou as manchetes dos jornais, apesar dele ter levado pauladas, pedradas e sido enforcado com a própria camisa. No Chile, pelo menos o suplício de Daniel Zamudio serviu para alguma coisa: a Câmara de Deputados de lá aprovou em tempo recorde uma lei bastante semelhante à nossa PLC-122. Alguns fatores ajudaram: o crime chileno foi ainda mais bárbaro. Zamudio padeceu seis horas em poder de quatro neonazistas (que provavelmente não fazem a puta ideia do que é de fato o nazismo), mas não morreu na hora. Sua agonia prosseguiu por três semanas num hospital e comoveu o país. Também contribuiu o fato de que quase nada acontece no pacato Chile, em comparação com esse frenesi que é o Brasil. Em Santiago, até acidente de carro sem feridos aparece na TV. Também não vigora por lá a matança de travestis que acontece por aqui e que há muito tempo não comove ninguém (afinal, eles se expõem ao perigo, como diz o asqueroso Reinaldo Azevedo). Os chilenos ainda não se anestesiaram como nós e ficaram chocados com o caso Zamudio. E, mesmo sendo o país da América do Sul onde a Igreja Católica tem maior influência, criminalizaram a homofobia. Por aqui, nem o recrudescimento da violência contra gays nos últimos anos serviu para comover a bancada evangélica, que ainda nos acusa de termos uma "estratégia" para dominar o mundo. Antes tivéssemos: os homossexuais brasileiros seguem desorganizados, mais preocupados em criticar uns aos outros do que em se unir pela causa comum. Então aguentem o tranco, porque vem mais paulada por aí.

(Leia aqui, em espanhol, o excelente artigo que o escritor peruano Mario Vargas Llosa publicou no jornal "El País" semana passada sobre a perseguição aos gays na América Latina. Muito didático e esclarecedor. E aqui tem o post que o Marcelo Cia publicou no MixBrasil.)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A CHAVE DO TAMANHO

Quer pirar o cabeção? Então visite o site Scale of Things, que dá a medida de todas as coisas. Todas mesmo: do planck ao universo. A viagem começa no homem, e basta deslizar uma barra para irmos para o maior ou o menor. O curioso é que não estamos no centro dessa barra, e sim mais para a direita - o que quer dizer que, proporcionalmente, estamos muito mais perto do tamanho do universo inteiro do que do tal do planck. Pirei.

FLUSHING SANTORUM

Sabe por que Rick Santorum desistiu da corrida pela candidatura republicana à presidência dos Estados Unidos? Não tem nada a ver com a saúde de uma de suas filhas: é só porque ele ia perder as primárias de seu estado natal, a Pennsylvannia. O sujeito já havia sido derrotado pela margem impressionante de 16 pontos quando tentou se reeleger senador em 2006 , e um novo vexame nas urnas seria fatal para seu futuro político. Que não deve ser muito brilhante de qualquer jeito. Este ciclo eleitoral serviu para mostrar que Santorum não é só inimigo dos gays, mas dos héteros também. Em pleno século 21, o cara teve o desplante de dizer que é contra a pornografia (o que mexe com os homens) e contra todas as formas de contracepção que não são abençoadas pela Igreja (o que mexe com as mulheres). Por um lado, é uma pena que ele não seja o adversário de Obama em novembro: ia ser uma barbada para os democratas. Por outro, ainda bem que ele deu a descarga em si mesmo. Santorum, como bem diz o colunista Dan Savage, is disgusting.

GENTE SEM CABEÇA

Incrível como no Brasil tem gente que acha que ser favorável ao aborto significa tornar o aborto obrigatório. É por isto que alguns jornalistas vêm adotando o termo “favorável à liberalização do aborto”: para evitar maiores confusões. Que mesmo assim está acontecendo hoje nas portas do STF, onde um casal levou a filha que sofre de acrania para pressionar o tribunal a não mexer na legislação vigente. Claro que é admirável que eles não tenham abortado a garota e que ela tenha sobrevivido tanto tempo, mas querer impor a escolha pessoal para o resto da população não dá. Nenhuma mulher pode ser obrigada a prosseguir com uma gravidez indesejada, além do mais se o bebê vai nascer anencéfalo. Acho que o Supremo vai dar vitória à razão, mas esta guerra ainda está longe de acabar. É só lembrar dos casos das professoras que obrigam suas classes a rezar em escolas públicas para constatar como o conceito de estado laico é exótico por aqui.

terça-feira, 10 de abril de 2012

I'LL TUMBLR 4 YA

Sugeri à minha sobrinha adolescente que fizesse um blog e ela me olhou como a criatura antediluviana que eu de fato sou. Soou tão démodé quanto um CD-Rom, porque ela e todas as amigas só querem saber do Tumblr. E é claro que essas nativas digitais têm razão, porque há quanto tempo que não surge um blog realmente bacana? Mas Tumblr só nesta semana já foram dois, ou pelo menos foram os que o desconectado aqui detectou. Um deles é o brasileiro Como Eu Me Sinto Quando..., que só posta gifs preciosos e ganhou seis páginas de ontem para hoje. O outro está virando manchete no mundo inteiro: é o americano Texts from Hillary, que rendeu até convite da própria para os autores visitarem-na no Departamento de Estado. Adorei ambos, mas sinto este avanço como um tapa na cara da blogosfera: tome isto, beyotch.

FOMOS DESCOBERTOS

Estamos perdidos. Não contávamos com a astúcia dos pastores evangélicos. Eles descobriram nossos planos mais secretos - aqueles de dominação planetária, implantação da ditadura gay e perseguição implacável ao povo de Deus. O reverendo americano Louis P. Sheldon acaba de lançar no Brasil seu best-seller "A Estratégia", que narra com volúpia de detalhes o nosso projeto de impor o homossexualismo satânico como religião obrigatória. O livro já está à venda no site do pastor Silas Malafaia, aquele que não gosta de ser chamado de homofóbico nem de intolerante. Fomos sumariamente desmascarados, mas também não tomamos o devido cuidado: afinal, estamos lidando com gênios de incrível perspicácia. Os mesmos que perceberam na hora a empulhação que é a Teoria da Evolução. Os mesmos que sacaram que são falsos todos os fósseis e todos os indícios de que a Terra tem mais de seis mil anos de idade. É quase impossível enganar a esses sacerdotes, e mais difícil ainda enganar seus seguidores. Precisamos bolar uma outra estratégia.

(glória, 3x glória ao André Faria Gonçalves pela dica ungida)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

NAN NO MAM

Terminou ontem no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro a exposição "Heartbeat" da fotógrafa americana Nan Goldin, aquela que provocou uma pequena polêmica no final do ano passado ao ser recusada pelo espaço Oi Futuro. Consegui visitar a mostra em seu último dia, e é claro que não me choquei com absolutamente nada. Sim, há algumas cenas de sexo explícito e outras de consumo de heroína. Mas bastava o Oi Futuro ter feito o mesmo que o MAM fez: na entrada das salas onde estão expostas as imagens mais pesadas, há um aviso desaconselhando a visita para menores de 18 anos. Simples assim. Só que a Oi quis dar uma de moderna sem de moderna não ter nada, e se fudeu. Continuou bancando a conta (cerca de 340 mil reais), mas não cedeu seu espaço e pediu para que seu logo fosse retirado de todos os materiais. É uma atitude controversa, porque o que sobrou para mim foi só publicidade negativa. Há também um problema de curadoria, ou pelo menos de comunicação interna: como foi que a empresa só descobriu na última hora o conteúdo da exposição que pretendia trazer? O incidente serviu para reacender o debate sobre marketing cultural no Brasil, que evidentemente está muito mais interessado no marketing do que na cultura. As corporações só estão dispostas a patrocinar arte chapa-branca, que sirva para decorar seus comerciais e a agradar o maior número de consumidores. Acontece que isto não é arte. Enfim, as fotos de Nan Goldin são belíssimas e transpiram humanidade. A apresentação de slides "The Ballad of Sex and Dependency" é um dos carros-chefes da fotógrafa, retratando basicamente a cena underground de Nova York de 30 anos atrás. Mas o mais emocionante é mesmo "Heartbeat", que dá nome à coisa toda e mostra casais homo e hétero na intimidade. São pessoas de carne e osso, imperfeitas, longe dos modelos das revistas de moda e fazendo sexo com naturalidade. Tem gente que se chocou com a presença de crianças ao lado de alguns dos casais. Tem gente que realmente está precisando trepar mais.

É LENTO

Heleno de Freitas foi um dos primeiros grandes astros do futebol brasileiro, e provavelmente o primeiro jogador-problema. Faltava nos treinos, brigava com os técnicos, hostilizava a torcida. Acabou viciado em éter e com uma sífilis que se recusou a tratar, com medo de ficar broxa. Morreu com 39 anos. Essa história serve de aviso para toda uma nova geração de craques (como se eles estivessem se lixando) e daria um grande filme, mas não deu. "Heleno", de José Henrique Fonseca, tem linda fotografia em preto-e-branco e a melhor performance até agora de Rodrigo Santoro, que vem se revelando um ator de nível excepcional. Mas faz o que pode para recriar o Rio de Janeiro dos anos 40 com pouco dinheiro, e comete pelo menos dois erros. O primeiro foi escalar duas atrizes parecidas para disputar o coração do protagonista: apesar de uma ser loura e a outra morena, tem horas em que é difícil distinguir Alinne Moraes da colombiana Angie Cepeda. O segundo é mais grave: porque, ó raios, optar por uma edição não-linear? Para ser "artístico"? O resultado é que o filme anda em círculos e não explica nada. Não vemos o começo da carreira de Heleno, e sua glória dura pouco. Por outro lado, a doença e o vício acabam ocupando muito mais tempo do que mereciam, e o ritmo é devagar-quase-parando - algo imperdoável para uma história que se passa no mundo do esporte. Talvez o filme devesse ter se chamado "Helento".

domingo, 8 de abril de 2012

WIE EINST EMILI-MARLENE

Responda depressa: você é marlenista ou emilinista? Esta questão remete à fissura mais profunda da cultura brasileira, e o lado em que você está determina a sua visão de mundo. Quem gosta de Emilinha Borba é dionisíaco, popular, meigo e intuitivo. Já quem prefere Marlene é apolíneo, intelectualizado, contundente e analítico. Não sei se eu sou essas coisas todas, mas sei que sou marlenista. Sempre fui, mas minha opção foi confirmada anteontem. Ou talvez seja melhor dizer minha orientação: afinal, qualquer dia desses a ciência pode confirmar que se nasce marlenista, que não é uma escolha consciente. Enfim, estou mais Favorita da Aeronáutica do que nunca depois de assistir “Emilinha e Marlene – as Rainhas do Rádio”. Este musical voltou ao cartaz no Rio de Janeiro e conta a rivalidade entre as duas cantoras mais populares dos anos 50. Uma rivalidade que tinha muito de marketing, porque nos bastidores as duas eram mais ou menos amigas. A peça traz várias das músicas que ambas tornaram famosas, e eu me surpreendi por saber as letras de tantas. Stella Maria Rodrigues está muito bem como a brejeira Emilinha, mas Solange Badim é uma revelação como a sofisticada Marlene. Os figurinos também são esplendorosos, mas faltaram cenários para que o espetáculo se tornasse realmente sensacional. De qualquer forma, é um pedaço fundamental da história da MPB que se conta no palco. Emilinha não evoluiu musicalmente e acabou perdendo a voz, mas conseguiu retomar a carreira no final da vida. Marlene foi em frente: gravou bossa nova e tropicália, tornou-se uma atriz fenomenal (eu a vi na primeira versão da “Ópera do Malandro”) e está aí até hoje. Adoro Emilinha – os verdadeiros marlenistas respeitam a rival, e não partem para a ignorância como o fã-clube da falecida – mas não posso me calar: Marlene é a maior.

sábado, 7 de abril de 2012

TORTA SEM MAÇÃ

"Espelho, Espelho Meu" está sendo vendido como uma versão moderninha da história de Branca de Neve, mas na verdade seu personagem principal não é a princesa e nem sequer a rainha má. São os cenários e figurinos: delirantes, coloridíssimos e assumidamente aritificiais. Tive a sensação de que, se alguém tropeçasse, as árvores da floresta cairiam juntas com o pano em que estão pintadas (e não, não estão pintadas, mas tive esta sensação). Julia Roberts faz uma bitch simpaticísima pela qual é difícil não torcer, enquanto que Lily Collins (filha do Phil, de quem ainda não herdou a careca) tem sobrancelhas tão grossas que parecem dois bigodões mexicanos. Quase todas as boas piadas já estavam no trailer, mas o filme cumpre o que se propõe: é uma tiração de sarro do conto de fadas original, sem trair a sua essência. Só faltou o papel desempenhado pela maçã envenenada, pois o sono profundo em que cai a heroína simboliza a passagem da infância à idade adulta (sim, eu li Bruno Bettelhein). E não saia antes dos créditos finais, porque o diretor indiano Tarsem Singh deu um jeito de encaixar um número musical à la Bollywood. Dentro de alguns meses estreia outra versão da história, com a insuportável Kristen Stewart fazendo uma espécie de Joana d'Arc e os Sete Anões. Mas eu queria mesmo era ver a continuação: o que acontece quando Branca de Neve entra na menopausa e de repente não é mais a mais bela do reino? Hein? Hein?

sexta-feira, 6 de abril de 2012

ZING!

Passei anos indo ao Rio semana sim, semana não, mas hoje em dia viajar para a Maravilhosa virou um big deal para mim. Faz quase três meses que estive lá, e felizmente este jejum está prestes a acabar: embarco logo mais para três dias de muchachos, siesta e fiesta, como canta o apavorante Heino ("o Wando da Alemanha") neste programa de 1972. Ai, ai, ai, ai. Olé.

(danke schön ao Ali Kerouak pela dica wunderbar)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

LUTEROS MODERNOS

Hoje é Quinta-Feira Santa e - eu não sabia - o dia em que os padres católicos renovam os votos que fizeram ao ser ordenados. Por isto o papa Adolf I aproveitou a missa que rezou no Vaticano para condenar a Pfarrer Initiative, um grupo de sacerdotes austríacos que prega nada menos que a rebelião. Aproximadamente 15% dos padres daquele país subscreveram o Apelo à Desobediência (aqui, em inglês), que conclama, entre outras coisas, a Igreja a ordenar mulheres e a acabar com o celibato. Tudo muito razoável e algo que muitas denominações protestantes já fazem há séculos sem que o mundo acabasse, mas claro que Sua Majestade Satânica reagiu mal. Disse que a Igreja "não recebeu mandato de Deus" para nada disto e que regras são regras e não seguem impulsos pessoais e foda-se. Claro que o tal do Apelo lembra as 95 Teses de Lutero, e não seria nada mau que Roma tivesse que enfrentar uma segunda Reforma. Mas não vou me empolgar muito: faz tempo que não me considero mais católico.

A ELOQUÊNCIA DE UM DEMÓSTENES

Era assim que os bacharéis do século 19 começavam seus discursos pedantes: "Neste momente solene, quisera ter a eloquência de um Demóstenes..." Pois bem. Já que a violência propriamente dita nos é proibida, quisera neste momento ter uma barra de ferro metafísica para dar com ela na alma do futuro ex-senador Demóstenes Torres. Ia bater até sair sangue, o sangue preto e viscoso da hipocrisia. O cara não percebeu até agora que morreu politicamente desde que veio à tona sua amizade fraterna com o magnata de jogos de azar Carlinhos Cachoeira, que o presenteou com eletrodomésticos americanos por ocasião de suas núpcias. Aquela velha máxima cunhada por Júlio César - "não basta que a mulher de César seja honesta; ela tem que parecer honesta" - jamais cruzou a cabecinha dos políticos brasileiros. Eles não se importam de parecer bandidos, contanto que consigam suspender por tecnicalidades as provas que lhes incriminam. É o que Demóstenes Torres está tentando fazer agora, alegando que as gravações de seus telefonemas pela PF são ilegais. Podem até ser, mas a voz é dele e todo mundo já ouviu. Agora não dá mais para desouvir. Vai tomar no cu, seu filho da puta. Vai se fazer de santo em outro terreiro, porque aqui já vimos que você é um bosta. E por falar em bosta, tenho ainda mais nojo do Stepan Nercessian. Porque o sujeito se elegeu com os votos dos supostos descolados cariocas, que achavam estar mandando "um dos nossos" para a Câmara. Stepan merece o dobro das pauladas morais que vou dar em Demóstenes, porque posou de moderno e renovador quando no fundo é tão ruim quanto a maioria. Sangrem, seus merdas, morram de vergonha, desapareçam nos bueiros. Pena que ainda existam tantos outros por aí, e pelo jeito entre aqueles de quem a gente menos desconfia.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

FALA, PERSEGUIDA

"Os Monólogos da Vagina" já está se tornando um clássico. A peça nasceu em 1996 com a própria autora, Eve Ensler, interpretando a mais de uma dezena de textos (o número varia de uma versão para a outra, e todo ano ela tira ou acrescenta um novo). Depois os monólogos passaram a ser ditos por três atrizes que se revezavam em cena, e ganharam montagens no mundo inteiro. Chegaram ao Brasil em 2000, com direção e adaptação de Miguel Fallabella, e de lá para cá praticamente a peça nunca mais saiu de cartaz no país, com um monte de atrizes fazendo as honras. Uma nova versão acaba de estrear em São Paulo, com Fafy Siqueira, Chris Couto e Adriana Lessa, e posso garantir que é legal para - com o perdão da palavra - caralho. Eu já tinha visto os "Monólogos" no Rio numa de suas encarnações originais, com Zezé Polessa, Vera Setta e Betina Vianny, e, apesar de ter adorado, gostei ainda mais do que vi ontem. A direção é a mesma, mas o texto está cheio de cacos novos, com referências ao Facebook e as inevitáveis e deliciosas imitações de Fafy (quem já a viu fazendo o Golias passa a acreditar em reencarnação). O ritmo também está mais ágil, e mesmo as passagens mais pesadas - há textos que falam em estupro e mutilações - não desanimam a empolgação do público. Quem nunca se aventurou pelas "Vaginas" não pode perder esta chance. Quem já viu, vai gostar do reencontro - hehehe.

(tem mais teatro aqui, na minha coluna no F5: o assunto de hoje é Thiago Abravanel e o musical "Tim Maia - Vale Tudo")

CAUXI

Depois de mais de dois anos sem gato, eis-me novamente com uma presença felina dentro de casa. Cauxi tem pouco mais de dois anos de idade e morou este tempo todo em Tefé, no Amazonas, onde saía de casa à vontade para pescar tucunarés e caçar preguiças. Está estranhando loucamente viver num apartamento no décimo andar: não podemos abrir a porta que ele corre para o hall, só para dar de cara com outras portas misteriosas, num autêntico labirinto de Escher. Fora que as janelas agora ficam sempre fechadas, para seu maior desespero. Ainda estou traumatizado com a morte da Sofia, que despencou do quinto andar apesar de habituadíssima com nosso antigo apê carioca. Cauxi pertence à minha enteada e deve ficar conosco até meados do segundo semestre, quando ela finalmente escolher em qual estado da federação vai morar. Ele tem o nome de uma esponja microscópica que flutua em alguns rios amazônicos e que causa uma coceira insana em que se banha neles. Ainda estamos nos conhecendo: Cauxi é bem grande e desconfiado, mas bastante carinhoso para um gato que veio da selva. Mesmo assim, acho que ele e meu cachorro Pisco se encaixam perfeitamente nos diários animais que a Marta Matui postou em seu blog.

terça-feira, 3 de abril de 2012

WOODY PENÉLOPE ROMA

Ou talvez seja "Meia-Noite em Roma"? Woody Allen continua seu périplo pela Europa, e mais uma vez os produtores querem que isto fique bem claro desde o título de seu novo filme. "To Rome with Love" quase se chamou "Nero Fiddled" ou "Bop Decameron", mas por que mexer em time que está ganhando Oscar? A maior parte do elenco já havia trabalhado antes com o diretor, e nem é a primeira vez em que Penélope Cruz aparece falando italiano (ela até ganhou prêmios quando fez "Non Ti Muovere", alguns anos atrás). E Woody finalmente encarou seu doppelgänger peninsular, o semi-insuportável Roberto Benigni. O trailer não dá a menor pista do que seja a história, mas quem se importa? Não vejo a hora.

GALHOS SIMPSONS

Quem conseguiu fazer isto? Como? Por acaso existe um apicativo que gera imagens animadas dos Simpsons? Quanto custa?

segunda-feira, 2 de abril de 2012

LADO B

Capa ruim de disco é um assunto inesgotável. De vez em quando desencavam novos tesouros, e eu não resisto a imaginar o que os artistas estavam pensando na hora da foto...





"Cunnilingus!"



"Oiê! Quer ser meu amigo? Eu já tentei me matar."

"Não basta o estampado do meu vestido contrastar com o da cadeira. Não basta o meu penteado ser da hora. Preciso fazer algo realmente transgressor, que mostre para esse pessoal do Ocidente como nós somos modernos aqui do outro lado da Cortina de Ferro. Epa, já sei."

"Se eu estiver com mau hálito você me avisa? Jura?"

"Delicious, delicious, this way you're gonna kill me. Oh, if I catch you, oh, oh, if I catch you".

"Roubei estas flores do jardim do sanatório especialmente para você. E se você não gostar delas, vou te matar e comer a sua carne. Assim ficaremos juntos para sempre."



(tem mais aqui, inclusive a de um compacto simples que eu gravei em Porto Rico)

DOIS TRIÂNGULOS

Aberta a discussão: Keira Knightley está sublime ou canastrérrima em "Um Método Perigoso"? Há tempos que eu acho que ela trocou qualquer habilidade dramática pelo simples carão, mas gostei de sua intensidade como a histérica Sabina S, uma das primeiras pacientes da história da psicanálise. Já meu marido Oscar detestou e disse que ela está ridícula e careteira. Aliás, ele não gostou de ninguém do elenco do filme, e olha que o Jung é feito pelo Michael Fassbender - infelizmente, de roupa o tempo todo. "Um Método Perigoso" nasceu como uma peça de teatro de Christopher Hampton, o mesmo autor que adaptou "Ligações Perigosas" para o teatro e o cinema. Agora virou um filme de David Cronenberg, e quem não souber muita coisa sobre as escolas freudiana e jungiana da psiquiatria vai continuar não sabendo. Porque o roteiro está muito mais interessado no triângulo amoroso entre Jung, sua esposa e Sabina, que acaba se tornando amante do médico, do que no triângulo intelectual entre Jung, Freud e a mesma Sabina, que se tratou com ambos. Adoraria saber mais sobre o assunto, porque deste embate surgiu um dos pilares da moderna cultura ocidental. Que estes gigantes do pensamento também sofressem de paixões e rivalidades é fascinante, mas "Um Método Perigoso" os trata exatamente da maneira oposta: seres passionais que se deixavam dominar pela emoção, e que por acaso também escreveram uns livrinhos aí.

domingo, 1 de abril de 2012

PIUÍÍÍ

Moro em São Paulo há mais de 40 anos e, até semana passada, só havia pego um trem metropolitano uma única vez. Foi em meados dos anos 80, quando fui com uma galera passar o dia em Paranapiacaba, uma cidadezinha fantasmagórica nos areredores da capital. O sistema da CPTM mlehorou muito nesse tempo todo, mas probelmas sérios continuam acontecendo. Semana passada houve queda de energia em algumas linhas e o resultado foram algumas estações depredadas, o tipo de notícia que parece estar todo dia no jornal. Foi então que o caderno "Cotidiano" da "Folha de São Paulo" me convidou para mais um artigo: queriam as impressões de um passageiro de primeira viagem. Tomei o trem na estação Vila Olímpia, fiz duas baldeações e uma hora e meia depois estava em Francisco Morato, epicentro da confusão de quinta passada. A verdade é que a viagem foi melhor do que eu esperava e serviu para derrubar meu preconceito. Semana que vem vou experimentar ir sobre os trilhos para o trabalho, combinando trem e metrô. O texto pode ser lido aqui, para assinantes da "Folha" ou do UOL.