sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

SÍNDROME DE STENDHAL

Taquicardia. Enjoo. Desmaios. Confusão mental. Alucinações. Não, não cheguei a tanto. Mas a overdose de arte foi tão grande que eu quase passei tão mal quanto o escritor francês Stendhal em sua visita a Florença em 1817. Cercado por maravilhas, o cara teve um piripaque que, quase 200 anos depois e identificado em milhares de outras pessoas, foi batizado com seu nome. As vítmaas meio que se dão conta da própria mortalidade e de que não conseguirão absorver tanta beleza. No meu caso específico, mal tive tempo de ir ao MoMA, aqui em Nova York, para ver de perto "O Grito" de Edvard Munch e outras exibições temporárias, como a incrível "Tokyo 1955-1970 - A New Avant Garde". De resto, só dei rápidos adeuzinhos para "Les Demoiselles d'Avignon" e as centenas de outras obras-primas que se concentram no quinto andar do museu.

De lá ainda fomos para o Metropolitan, onde um excesso de mostras temporárias desafiou meu cansaço e o relógio. Consegui ver "Buddhis Along the Silk Road", com exemplos preciosos de arte helenística da Ásia Central e "Regarding Warhol: Sixty Artists, Fifty Years", um olhar assombroso sobre a influência duradoura do papa da pop art. Também vale a pena a divertida "Faking It: Manipulated Photography Before Photoshop", onde não podiam faltar as fotografias onde Stálin ia eliminando aos poucos seus desafetos (e pensar que o Niemeyer morreu stalinista...). Mas o ponto alto foi mesmo a retrospectiva de George Bellows, um artista americano do começo do século passado que morreu jovem mas deixou uma obra imensa e variada. Seus quadros mais famosos retratam lutas de boxe com incrível precisão, mas o cara pintava de plácidas paisagens a cenas de guerra e denúncia social. Quem vier a Nova York até 18 de fevereiro não pode perder. Mas que vá preparado: basta caminhar nas galerias do Met, repletas de arte de todos os tempos, para o coração bater descompassado.

3 comentários:

  1. Nunca ouvi falar dessa síndrome, fui até pesquisar. Adorei!

    Síndrome de Stendhal
    Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
    Síndrome de Stendhal, síndrome da sobredose de beleza. É uma doença psicossomática bastante rara, caracterizada por aceleração do ritmo cardíaco, vertigens, falta de ar e mesmo alucinações, decorrentes do excesso de exposição do indivíduo a obras de arte, sobretudo em espaços fechados.[1]
    O nome da síndrome se deve ao escritor francês Stendhal (pseudônimo de Marie-Henri Beyle) que, tendo sido acometido dessa perturbação em 1817, fez a primeira descrição detalhada dos seus sintomas, posteriormente publicada no livro Nápoles e Florença: uma viagem de Milão a Reggio. Após observar por muito tempo alguns afrescos, descreveu sua experiência como: "Absorto na contemplação de tão sublime beleza, atingi o ponto no qual me deparei com sensações celestiais. Tive palpitações, minha vida parecia estar sendo drenada…".

    ResponderExcluir
  2. Tony, vai ver a Yoko cantando Fireworks. http://www.youtube.com/watch?v=lrJz9Dh5MsM

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Uau! É tão horrível que nem é engraçado. Pronto, passou minha síndrome de Stendhal. Obrigado.

      Excluir