quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

MUITO SANGUE, POUCO MEL

Angelina Jolie é uma figura inverossímil. É uma mulher deslumbrante, uma ótima atriz, casada com um dos homens mais bonitos do mundo, mãe de uma extensa prole de filhos biológicos e adotados, embaixadora da Unicef. Foi esta última função que despertou uma outra, mais uma, no já quilométrico currículo da moça. Durante uma viagem à Bósnia-Herzegovina, a senhora Pitt teve a inspiração para "Na Terra de Amor e Ódio", um romance improvável que tem como pano de fundo a guerra que fragmentou a Iugoslávia no começo dos anos 90. O roteiro, também escrito por ela, mostra um pouco das razões dos lados envolvidos, mas assume uma postura inequivocamente a favor dos muçulmanos e contra os bósnios de origem sérvia, que tentaram fazer a famigerada "limpeza étnica" e cometeram crueldades de arrepiar. A primeira parte do filme é muito boa, apesar da gente tapar os olhos em muitos momentos por causa da violência exibida. Mas o implausível caso de amor entre um comandante sérvio e sua prisioneira muçulmana ralenta a segunda parte, apesar do final surpreendente. O título em inglês falava em sangue e mel, mas há abundância do primeiro na tela e quase nada do segundo. Não é um programa levinho, mas serve para levantar questões atuais: o mundo vai deixar que a Síria se autodestrua, como quase fez como os países dos Bálcãs? Não há respostas fáceis. Veja se tiver estômago.

Nenhum comentário:

Postar um comentário