quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

MOON RIVER, WIDER THAN A MILE

"Fifht Avenue, 5 A.M." é o tipo de livro ideal para se ler nas férias. O escritor americano Sam Wasson conta toda a concepção e a filmagem de um dos filmes mais icônicos de todos os tempos, "Bonequinha de Luxo" - que daqui para a frente será chamado por seu título original, "Breakfast at Tiffany's", e não pelo nome idiota inventado pelo exibidor brasileiro, que vai contra o espírito da história. O livro é curto (pouco mais de 200 páginas), com oito curtos capítulos divididos em tópicos tão curtos que poderiam ser posts num blog. "Tão divertido que deveria vir com sua própria pipoca", disse um crítico, e é verdade. Mas disseca a criação da imagem de sofisticação absoluta de Audrey Hepburn, que perdura até hoje. Na vida real, a protótipo da gamine era um poço de insegurança, com talentos limitados como atriz e cantora. O que não a impediu de ganhar um Oscar logo por seu filme de estreia, "A Princesa e o Plebeu", e a até sapatear em "Cinderela em Paris", simplesmente meu filme favorito de todos os tempos. Mas a Audrey que entrou para a história é a de pretinho básico (se bem que Givenchy), piteira numa mão e gato na outra: a versão cinematográfica da Holly Golightly, muito mais comportada e romântica na tela do que na novela de Truman Capote. "Fifth Avenue, 5 A.M." também traz um manancial de detalhes sobre a produção (Marilyn Monroe quase foi escalada para o papel, que tal?) e chega a dizer que a protagonista do filme foi uma das pioneiras da mulher moderna, independente sexual e financeiramente. Quem nunca viu "Breakfast at Tiffany's" não sabe o que está perdendo: além de uma das festas mais divertidas de toda a história do cinema, o filme de Blake Edwards também vaza glamour por todos os poros, e ainda tem a canção "Moon River", que se tornaria clássica. Acima de tudo, tem Audrey Hepburn em seu apogeu: matéria obrigatória no currículo de qualquer bicha que se pretenda fina.

24 comentários:

  1. Apesar de adorar o filme, a Audrey e a musica, acho o conto é mais bacana. Tem uma pegada gay.

    ResponderExcluir
  2. li ontem em duas horas esse livro. fofo. gostar desse filme é tipo gostar do flamengo pros héteros,

    ResponderExcluir
  3. tony vc bem que podia listar o que na sua opiniao todos os itens classicos de uma bicha fina seria um trabalho humanitario que iria garantir sua entrada nos ceus dos gays que entarda de maos dadas com santa Cher e tudo

    mero

    ResponderExcluir
  4. Olhando essa mulher deslumbrante, só tenho uma coisa a dizer/ escrever: ai, ai, ah, se eu fosse homem.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Se você fosse homem, provavelmente ia preferir uma menos elegante e mais gostosa.

      Excluir
    2. COncordo com o raciocínio do Giovanni, mas não com os termos: desde quando gay não é homem?

      Excluir
    3. Desculpa, Tony. Só usei na minha resposta a mesma palavra usada pelo anônimo, com uma ponta de ironia...

      Excluir
  5. A primeira das mais de 50 vezes que assisti Breakfast at Tiffany's eu tinha apenas 12 anos, na época eu não tinha noção do que era preciso para ser fina, tão pouco sabia que era uma bicha.

    Hoje, 25 anos depois, tenho convicção que ser bicha e/ou fina, são características que vem do berço, não se adquire. rsrs

    A propósito, Funny Face também é o meu filme favorito de todos os tempos!

    S2

    ResponderExcluir
  6. Eu tenho em casa mas é um filme bem cor de rosa, desde quando garota de programa veste givenchy? Independência financeira? Mas ela quase abandona o escritor pobretão e gigolô para se casar com um brasileiro ricaço! Definitivamente é uma visão romanceada e deliciosa da vida. E eu sempre achei desse, um dos poucos títulos em português que tinha a ver com o filme, afinal a Audrey é uma acompanhante que vende delicadeza e beleza, artigos raros em um mundo grotesco.

    ResponderExcluir
  7. Trata-se de um filme heteronormativo e, portanto, merece um boicote. Ouvi dizer tb que é o filme favorito do papa Bento XVI.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. agora é a ditadura da bichice? se nao for gay é ruim e deve ser boicotado? é isso mesmo q eu li? Arre, por isso certas beichas tao onde ta: na merdanormativa.

      Excluir
    2. Não entendi sua última frase. A heteronormatividade existe...qual é o problema em alguém achar que ela se manifestou?

      Excluir
    3. n é essa a questão, se existe isso ou aquilo. TUDO EXISTE desde que o mundo é mundo. O q nao aceito é a ditadura do gaysismo (Pra ser bom, fino, cool, tem que ser gay) Sair de uma ditadura pra entrar numa ditamole e passiva? Pelamor do guarda.

      Excluir
    4. Pode me informar por que um filme que encerra essa bichice toda é heteronormativo?

      Excluir
    5. As bicha acredita kkkkkkkkkkk

      Excluir
    6. Oi? E você é o que? "Macho discreto casado"? É isso? haha

      Ai, gente, realmente...Tony, acho que você não deveria aceitar comentário de quem fala em "gayzismo"...essa é uma das bandeiras do eixo Olavo de Carvalho-Universal do Reino de Deus.

      Bjs!

      Excluir
  8. Um pouco de cultura camp inútil: Capote detestou a escolha de Hepburn para o papel principal...A Holly imaginada por ele era loira e tinha um twist de vulgaridade, enfim, Marilyn quoi hehe Abraço, bom 2013!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A própria Marilyn recusou o papel. Achou que estava ficando estreotipada neste tipo de personagem.

      Excluir
  9. E o escritor galã do filme no conto original era gay, personagem baseado em um amigo gay de socialite amiga do Capote, amigo com quem ela se trancava regularmente em um quarto de hotel - no Plaza, é claro - para não sei o quê.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, o filme saiu muito diferente do livro. A Holly de Capote era mais assumidamente puta, e seu vizinho não era um gigolô - era um gay, o que impedia a possibilidade de um final feliz entre os pombinhos.

      Excluir
    2. Filme heteronormativo!

      Excluir
  10. Com talentos limitados? Que audácia, cara pálida.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Audrey Hepburn foi melhorando como atriz ao longo dos anos. Sus primeirs performances no cinema devem muito ao talento dos montadores, que combinavam os melhores momentos de takes diferentes. Ela mesma se dizia mais bailarina do que atriz. Como cantora, era afinadinha, mas sua voz só ia a uma oitava e meia. Mesmo assim, foi indicada cinco vezes ao Oscar (ganhou logo na primeira) e se tornou uma lenda do cinema, por sua presença magnética e sua elegiancia ímpar.

      Excluir
    2. Coitadinha, foi parar em Hollywood por ter l'éternelle Collette cismado que só ela faria sua 'Gigi' na Broadway e lá a Paramount a abduziu. Foi indicada ao Oscar apenas cinco vezes e ganhou tão somente um, tardiamente em seu primeiro filme e já entrada nos vinte e poucos anos de vida. E, como não bastasse, ganhou só um Tony [nada a ver com um tal Luiz Antonio], um Saga Awards e míseros três Baftas. É de matar de pena tanta falta de talento .
      E eu que achava que seu rosto refletia uma excessiva sensibilidade, consequência talvez do sofrimento de ter vivido boa parte de sua adolescência na Holanda sob ocupação nazista e abandonada pelo pai mau caráter e nazistão, a menina de nobre extirpe que passou fome durante a guerra e levava mensagens para membros da resistência dentro de suas sapatilhas de balé.

      Excluir