terça-feira, 4 de dezembro de 2012

LEVE SEU SUBCONSCIENTE AO CINEMA

Existem 47 maneiras de se fazer cinema, mas Hollywood nos dá a entender que só existe uma. Ainda bem que de vez em quando alguém fura o cerco e surge com um filme que não se parece com nada. "Holy Motors" é um desses casos raros. O primeiro longa do diretor francês Léos Carax em 13 anos tem momentos que me fizeram lembrar de Fellini ou Buñuel. Mas a verdade é que, a exemplo desses mestres, Carax também construiu um universo próprio. Não há trama no sentido clássico: um milionário embarca de manhã em sua limusine, dirigida por uma mulher idosa com cara de quem foi top model na juventude, rumo aos nove encontros que terá durante o dia. Dentro do carro ele se maquia, veste perucas e se transforma em outras pessoas. O resultado é tão bom que o filme já está cotado para o Oscar de melhor maquiagem; aliás, a troca de identidades parece ser um dos temas subjacentes. Há uma cena em que um dos muitos personagens de Denis Lavant, o ator-fetiche de Carax, dá uma bronca em sua filha dizendo que o castigo dela será ser sempre ela mesma. Outro leit-motiv pode ser a morte: há uma incrível sequência no cemitério parisiense de Pére-Lachaise, com uma Eva Mendes translumbrante que entra muda e sai calada de cena. Ela e Lavant protagonizam um tableau vivant que envolve uma burka e um pau duro (sim, você leu direito) que é uma das imagens mais lindas e desconcertantes que eu já vi no cinema. Depois ainda há assassinatos, suicídios, um doente moribundo e Kylie Minogue cantando (leu direito de novo). Voltei para casa tentando decifrar os muitos símbolos, mas sem angústia por não conseguir racionalizar. "Holy Motors" usa a linguagem dos sonhos, e falou diretamente com meu subconsciente.

9 comentários:

  1. Misericórdia! É Milagre! Tony gostou de um filme!

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  2. AMO qdo vejo filmes não convencionais, geralmente são boas surpresas!

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  3. Parece ser uma continuacao com o mesmo personagem de Tokyo! - filme de 2008 do Carax.

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  4. Cena da Eva é uma Pietá com pau tortão e pequeno.

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  5. Se for pra vivenciar uma experiência onírica eu fico em casa, na minha cama, dormindo. Pra sonhar eu não pago ingresso, obrigado.

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  6. VI Y ME GUSTO. CREO QUE TOCA EL TEMA DEL TIEMPO COMO ENIGMA METAFISICO.
    EL TIEMPO ES UNA OBSESION DE CARAX., Y LOS SUEÑOS COMO DECIA BORGES, QUIZA SEA LA UNICA FORMA DE VENCERLO.
    BARTOLOME MITRE. BUENOS AIRES.

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  7. Para variar não está em cartaz aqui em Gay Harbor.

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  8. Tô precisando de uns filmes assim pra sair dessa realidade...RsrsRS

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