quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

DO CÂNONE AMERICANO


Viemos a Nova York basicamente para ver musicais, mas a verdade é que o cardápio de peças "normais" em cartaz está bem mais atraente. Sim, continuam em cartaz medalhões como "The Lion King", "Mamma Mia" e "Wicked", mas as novidades não são lá essas coisas. Não fiquei com a menor vontade de assistir a "Once", que ganhou o Tony deste ano, porque vi o filme anos atrás e achei a história do irlandês que se apaixona por uma tcheca casada muito da chinfrim. Em compensação, entre as peças sérias estão alguns textos básicos do cânone americano, como "Who's Afraid of Virginia Woolf?". Nunca vi o filme com Elizabeth Taylor e Richard Burton, e no palco sofri durante uma adaptação de João Falcão com Marieta Severo e Marco Nanini onde o importante era o cenário que se abria, não os diálogos fabulosos de Edward Albee. Pois na Broadway entrou em cartaz uma montagem ortodoxa do texto: cenário realista, direção sem firulas e elenco sem estrelas. Deu para prestar atenção em cada vírgula durante as mais de três horas de espetáculo, e saímos absolutamente exaustos. Teatro quando é bom é melhor do que qualquer coisa.


Mas claro que não resistimos a também ver famosos em ação. Na sala ao lado está ninguém menos que Al Pacino, numa remontagem de outro clássico moderno: "Glengarry Glen Ross", de David Mamet, que já virou filme com o próprio Pacino. É a história de uma imobiliária semi-falida, onde os corretores são forçados a vender terrenos num pântano para compradores incautos. Pacino agora faz o papel que foi de Jack Lemmon no cinema, e em seu lugar está o ultralicioso Bobby Cannavale, que acabou de aparecer na terceira temporada de "Boardwalk Empire" na HBO. O texto de Mamet é uma metralhadora, cheio de palavrões e expressões que me deixaram boiando, mas que privilégio que é ver esses caras ao vivo. Voltamos acabados para o hotel, porque ver duas peças como essas no mesmo dia não é para os fracos. Phew.

Tanta coisa para ver e tão poucos dias em NYC que deixei muita coisa de lado. Comprei os ingressos com antecedência antes pela internet e desprezei, por exemplo, uma remontagem de "The Heiress", apesar de estrelada pelos oscarizáveis Jessica Chastain e David Strathairn. Aí passei na porta do teatro e vi numa foto quem é o tal do Dan Stevens que também está no elenco...


É o Matthew Crawley de "Downton Abbey". Agora dá licença que eu vou bater minha cabeça na parede até sangrar.

8 comentários:

  1. Dan Stevens: um dos poucos caras que consegue ficar mais gostoso fora da fantasia de época. Que olhos, não?

    ResponderExcluir
  2. Antes do DA, o Dan Steves fez uma minissérie que acho q vc vai gostar muito: The line of beauty; vale a pena procurar. Até comentaram que o DA estava com problemas pra renovar para a temporada 3, pq alguns atores não estavam querendo mais fazer, inclusive ele q tá querendo ir pra hollywood. O filme com a Taylor é ótimo e nos até temos um amigo em comum que é meio obsessivo (repetivo nas piadas, rs) que passou anos imitando a Taylor q imitava a Davis na famosa frase: "what a dump!!!" e ele sempre achava graça.

    ResponderExcluir
  3. Que boca feia a do carinha. Mas os olhos... Lei da compensação divina.

    ResponderExcluir
  4. Convenhamos, o Dan Stevens é o ator mais fraco do elenco todo de Downton Abbey. Deixar de pagar US$ 100 [ou US$ 200] para ve-lo Broadway é sinal de bom senso.

    ResponderExcluir
  5. eu li "the line of beauty". é excelente! tá emprestado, inclusive.

    tirando o livro dos mórmons, não perca tempo na broadway. o lincoln center reformado tem os melhores espetáculos na cidade.

    ResponderExcluir
  6. tony falo ingles, mas nao consigo acompanhar as falas dos atores! triste para mim...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Baixe a Downton Abbey na internet, acrescente legendas em inglês e, usando de preferência headphones de boa qualidade, assista esse colosso de 23 episódios com prazer e atenção plena à imagem, ao som e às legendas.
      Você verá que lá pelo décimo episódio já estará diferenciando o falar nobre da família, o middle class de seu ramo burguês assim como os sotaques cockney de alguns empregados e o irlandês do motorista Branson.
      Repita com séries americanas e muitos filmes de seu agrado.
      É uma forma agradável, eficiente e econômica de treinar os ouvidos.

      Excluir