domingo, 25 de novembro de 2012

FOI MAL AÊ

No meu primeiro post sobre o assunto, eu falei que não ia dar muita bola para a infame matéria de J. R. Guzzo na "Veja" de duas semanas atrás. E cá estou eu no quarto post, porque o caso cresceu e repercutiu de maneira inesperada - principalmente para a própria revista. Duvido que a venda tenha caído, mas é fato que ninguém pode se dar ao luxo de ser crucificado nas redes sociais todos os dias. Imagino também o forrobodó que deve acontecer dentro da redação, com a molecada se opondo à velha guarda. Só imagino: não tenho informantes lá dentro, e tudo pode não passar de "wishful thinking" da minha cabeça. Mas um indício de que a "Veja" quer consertar sua reputação é uma reportagem publicada no número desta semana, que tem como título nada menos que "Casais homossexuais brasileiros tendem a ter filhos". A matéria em si não traz nenhuma grande novidade: há cada vez mais famílias chefiadas por gays e lésbicas, e grande parte da soicedade já as encara com naturalidade. Mas o tom do texto parece um pedido de desculpas da revista, como se ela estivesse dizendo que, de homofóbico, só tem o Guzzo por lá. Um desdobramento interessante, que só confirma que o golpe foi mesmo sentido. Mas então quer dizer que eu vou voltar a comprar a "Veja"? Nem a pau.

11 comentários:

  1. Será mesmo, Tony? E por que os casais das fotos são de mulheres? Por que não há casais com dois homens? Ou melhor, é citado um casal formado por dois homens, mas só um deles aparece. Por que será?

    A própria escolha das fotos demonstra que a revista é preconceituosa. Alguns círculos conservadores são favoráveis à adoção por mulheres, porque os pais homens tentariam comer os filhos. Mulher não tem falo, então não corre esse risco. Logo, cumpriria-se o papel social da adoção sem "maiores problemas".

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    1. Concordo, João. E não esqueçamos que no Brasil por machismo ou tradição católica(sinônimos?) se acredita que toda mulher tem um lado maternal, mesmo as lésbicas.

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  2. A Veja, assim como UOL e Folha de SP sempre tenta disfarçar o caráter político corporativo por trás de suas publicações. Até cola, entre os que tem motivos para se fazerem de desentendidos. O mais degradante é que esse povo (inclusive algumas gays que a gente conhece bem) tenta desqualificar quem enxerga o óbvio e emite sua opinião.

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  3. Eu sei que a Veja tenha uma visão tradicional/capitalista/conservadora/imparcial em vários assuntos relacionado ao governo. Mas no caso dos gays, acho que talvez foi um equivoca que aconteceu, sei lá, pois uma coisa que me ajudou a ser um gay mais livre foi um especial da revista que li quando nem tinha idéia de sexualidade (poderia dizer que foi influência rs.), e também tem uma sobre os gays de classe média que faz pouco tempo que foi publicada (capa), tem uma sobre as celebridades gays.

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  4. PQP!!! É um tácito pedido de desculpas, ou seja, o barulho surtiu efeito. A matéria nega tudo que aquele canalha escreveu no artigo dele.

    E vc anda lendo a revista escondido, né, seu malandro? Tá por dentro de tudo que é publicado! hahahaha

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    1. Li não, juro! Um amigo me mandou o link.

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  5. Oi Tony, muito bom topar com vc ontem, depois de tantos anos lendo o seu blog!! Vc é tão simpático quanto eu imaginava, só que mais alto! hehehee..... abraços, desculpe o mau jeito, estava correndo atrasado para um jantar....

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  6. Isso aí é o conto do vigário, como diz aqui na minha terra.


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  7. Caro Tony. Eu conheço a repórter que escreveu a matéria. A coincidência pode ter sido infeliz, mas a verdade é que essa reportagem estava sendo feita MUITO antes da coluna do Guzzo ser publicada. Se a VEJA quisesse ter se retratado, teria feito isso na resposta aos leitores publicada na edição seguinte ao artigo "Gays, espinafre e cabras" -- algo que não fez. A resposta deles nas cartas dos leitores foi claramente irônica.

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  8. Ótimo que a Veja "tenta" melhorar sua imagem com uma matéria dessa. Mas não deixa de ser uma visão incompleta da aceitação que a comunidade homossexual brasileira quer. Nós não queremos ser respeitados porque também podemos procriar. A gente quer respeito porque é gente também. Alguém tem que avisar a Veja que botar filho no mundo não é medida de valor.

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