quarta-feira, 7 de novembro de 2012

CIUDAD DE DIÓS

Ao longo da última década, muitos espectadores brasileiros se encantaram com o cinema argentino. Os filmes de lá teriam roteiros mais inteligentes que os nossos, sobre problemas cotidianos (i.e., da classe média), enquanto que o cinema tupiniquim só se preocuparia em mostrar miséria e violência. Claro que isto não é totalmente verdade. O cineasta Pablo Trapero sempre filmou o lado mais sórdido do país vizinho, como nos recentes "Leonera" (sobre um presídio feminino) ou "Abutres" (advogados que caçam clientes em acidentes rodoviários). Agora ele chega com sua obra mais contundente, e também um dos maiores sucessos de bilheteria deste ano do lado de lá da fronteira. "Elefante Branco" mostra o trabalho de dois padres numa imensa favela de Buenos Aires. Pois é: lá também tem favelas, conhecidas localmente como villas miseria. A do filme cresceu ao redor das ruínas de um gigantesco hospital inacabado e tem muito em comum com suas similares brasileiras. A maior diferença está na cor da pele dos moradores (quase todos de ascendência indígena e/ou vindos do Paraguai, Bolívia e Peru) e na música (cumbia em vez de funk, mas tão animada quanto). "Elefante Branco" não é fácil de se ver, mas tem ótimas interpretações do obrigatório Ricardo Darín e, principalmente, do ator belga Jéremie Renier, que ahazou há pouco tempo como o cantor Claude François em "My Way". Mas o filme não chega a ser um "Cidade de Deus" portenho, porque o roteiro é meio mal resolvido. Começa como uma meditação sobre o papel da Igreja e a maneira certa de fazer o bem num ambiente hostil, mas termina de maneira abrupta, como uma reles notícia de jornal.

7 comentários:

  1. Só eu vi aquele favelão atrás da estação de trem? Aliás, Argentina com uma fragata penhorada por uma dívida de 20 milhões de dólares. Não tá fácil pra ninguém.

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  2. "pero lo que más me gusta son las cosas que no se tocan"
    Assisti em agosto em BCN, achei excelente; e agora há pouco esse apagão em BsAs pelo "consumo recorde" de energia pelo forte calor, aff

    Klaus

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  3. Não vi "Leonera" e gostei demais de "Abutres", por isso quero muito assistir a "Elefante Branco".

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  4. Eu sou suspeito em ter achado este filme ótimo, porque sou apreciador e perseguidor de filmes argentinos... E se ainda tiver Ricardo Darin, então a perseguição é completa...
    Eu gostei muito deste filme. Preciso entender porque os filmes argentinos são para mim os melhores... seguidos pelos espanhóis... Irei procurar Leonera.. pois adorei Abutres mesmo sendo um filme super violento...

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  5. Santa Diana Vreeland, definitivamente pobreza de boutique entrou na moda.

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  6. Talvez seja necesario um conhecimento maior de historia argentina para compreender o filme. O personagem do Darin possue como inspiracao o Padre Mujica, que foi morto na epoca de ditadura militar. Atualizam uma questao para os dias "atuais" aonde estes fatores sao resumidos a uma notica de jornal! A Igreja Catolica brasileira eh uma santa comparada a da Argentina...

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  7. Existe algum filme argentino que NÃO tenha o Ricardo Darín??

    Eu achava que Deus era Onipresente, mas ele ganha!!

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