segunda-feira, 31 de outubro de 2011

RAZÕES PARA ODIÁ-LA

Implico com a Hillary Swank desde que ela roubou o Oscar de Annette Bening pela segunda vez, em 2005 (na primeira eu perdoei). Um mundo onde essa broaca tem dois prêmios da Academia e La Bening nenhum não é onde eu quero viver. Pouco depois, Hillary declarou à revista "Vanity Fair" que havia se separado do marido - o mesmo a quem ela esqueceu de agradecer no dia de sua primeira vitória - por causa do problema dele com drogas, enterrando definitivamente a carreira do rapaz como ator. Agora tenho mais um motivo para furar sua foto com dardos: Hillary foi a mestre-de-cerimônias da festa de aniversário do ditador da Chechênia. Parece que ela nunca ouviu falar em YouTube e achou que ninguém jamais descobriria, mas o fato é que só se arrependeu depois de ONGs que lutam pelos direitos humanos terem lhe passado um pito. Mesmo com tantas razões objetivas, meu ódio por ela continua irracional. Tanto que não o estendi a Seal, Vanessa Mae e Jean-Claude Van Damme, que também foram abrilhantar o festim checheno.

NUMA FOLHA QUALQUER EU DESENHO UM SOL AMARELO

Não, não vou ser baixo a ponto de dizer que o tumor na garganta de Lula surgiu por causa de tanta merda que o ex-presidente falou durante anos a fio. Nem ficar conjecturando sobre o que isto significa para a eleição de 2014. Só fico pasmo, mais uma vez, com a quantidade de famosos que o Big C já pegou este ano. Ah, mas sou maldito o suficiente para ficar intrigado com o presente de aniversário que Dilma mandou para Lula: como assim, dois livros?

CROCANTE E AMANTEIGADO

"Toast" é o filme mais gostoso dessa Mostra. E não é só porque trata da juventude de Nigel Slater, um dos chefs de cozinha mais badalados da Inglaterra. Fui assistir ao filme com fome e quase mordi o assento da cadeira ao ver o desfile de iguarias que passou pela tela. Mas o que faz de "Toast" um biscoito realmente fino é a maneira como a história é contada: alguns tons acima do realismo, resvalando na caricatura (a direção de arte realmente lembra "Amélie", como me apontou um leitor). Talvez só assim dê para engolir a história do menino que perde cedo a mãe, péssima cozinheira, só para ver o pai tirânico se casar com a mais vulgar das faxineiras. Helena Bonham-Carter faz uma vilã tão simpática que é até difícil entender porque o garoto implica tanto com ela. Mais complicado é mesmo o frio e distante pai, que também faz o que pode para inibir a homossexualidade do filho (a ação se passa nos anos 60). Sim, "Toast" também é uma narrativa de saída do armário. Tem até cena de beijo gay - um primeiro beijo como todos deveriam ser. Quebrei o galho de todo mundo e incluí esta cena aí embaixo, mas quem puder ver o filme todo não vai se arrepender. Além do mais porque o Nigel adolescente é feito por Freddie Highmore, que era criancinha nos tempos de "Em Busca da Terra do Nunca" mas agora deu uma bela espichada. Também me deu muita vontade de morder.

domingo, 30 de outubro de 2011

TONY GOES UNPLUGGED

Bilhetinho para o eu do futuro: "na próxima mudança, não se esqueça de onde você enfiou os carregadores de celular". Porque não basta ainda não terem ligado o telefone, a internet e a TV a cabo no apartamento novo: o descompromissado aqui ainda teve que deixar todos os celulares morrerem, para dar aquela sensação gostosa de estar na ilha de "Lost" em plena região da Av. Paulista. E quando finalmente consegui recarregá-los, aí não conseguia postar nada aqui no blog: não sei se é a porra da nova interface do Blogger, não sei se é o 3G (de várias operadoras diferentes) que não dá conta. Por isto estou roubando no jogo e publicando na segunda de manhã com data de domingo - só para parecer que eu não faltei nenhum dia. Para piorar, o fim de semana foi repleto de bons assuntos, da Mostra de SP ao câncer do Lula. Vou repescá-los ao longo da semana. E agora com licença que ainda faltam umas 700 caixas para desencaixotar.

sábado, 29 de outubro de 2011

SE FICAR O BICHO PEGA

Os filmes sobre epidemias são todo um sub-gênero do cinema. Geralmente seguem um esquema pré-determinado: um vírs misterioso aparece de repente, mata um monte de gente, cientistas descobrem a cura, final feliz. "Contágio" se diferencia da manada por duas razões. Para começar, o diretor Steve Sodebergh pediu ajuda aos universitários para desenhar uma praga biologicamente plausível, sem recorrer a meteoritos caídos do espaço. Além disto, aqui não importa tanto como o problema é resolvido, mas as consequências que ele acarreta. O mundo praticamente acaba: cidades revertem para o caos, explode a violência, governos tremem. A sensação de imprevisibilidade aumenta com a aprição de atores famosos que morrem fulminados pela doença após apenas alguns minutos. "Contágio" não chega a emocionar com os dramas individuais de seus personagens e às vezes fica chato como um mau documentário, mas em outras é um exercício divertido de "o que aconteceria se..." Fora que, depois de saber que o ser humano toca o próprio rosto de duas a três mil vezes por dia, a gente fica totalmente self-conscious com as mãozinhas. Ah, e experimente tossir na saída do cinema.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

ABÓBORAS SELVAGENS

É difícil acreditar que Ray Villafane esculpe não em barro, mas em abóboras de verdade. Difícil também decidir qual é a mais incrível: confira aqui uma galeria de arrepiar os cabelos. E aumenta que isto aí é Halloween.

NAMORADAS, NÃO

Será que o Marco Nanini está puto? Ele deu uma entrevista à revista "Bravo" onde fala de muitas coisas, e lá pelas tantas solta a seguinte frase; "Às vezes, pintam umas namoradas, uns namorados... namoradas, não. Namorados... mas, se não pintam, sem problemas. Já vivi o que necessitava viver nessa seara". Foi o que bastou para acender a piriquita de sites e blogs por todo o Brasil, inclusive yours truly. Mas o cara não é ingênuo e não pode ter achado que tal declaração passaria tão casualmente como foi dita. Nanini é nada menos que o Lineu da "Grande Família", talvez o pai mais emblemático do Brasil. Por outro lado, acho que nem a velhinha de Taubaté deve ter se espantado muito. Há anos que o ator vive no famoso "armário de vidro", sem se assumir publicamente mas também sem esconder muita coisa. De qualquer forma, bravo para ele. Agora nos falta que um galãzinho em começo de carreira saia do closet, mas aí talvez seja pedir demais.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

I'M BURNING THROUGH THE SKIES

Two hundred degrees, that's why they call me Mr. Fahrenheit.

ESPÍRITO ESPORTIVO

Apesar de inúmeras figuras importantes da cultura brasileira terem se declarado comunistas em algum momento de suas vidas, o velho Partidão jamais fincou raízes muito profundas no eleitorado. Dizer que os comunas "comiam criancinhas" era um exagero, claro, mas também um reflexo da imagem ruim que eles sempre tiveram. Por isto achei o maior graça no comercial que o PCdoB andou veiculando esta semana, que lista Niemeyer, Portinari e Pagu como ilustres comunistas. Nenhum deles jamais foi filiado a este partideco, a dissidência stalinista que se viu obrigada a apoiar a ridícula Albânia de Enver Hxha nos anos 70. Mas qualquer esforço é válido para tirar da cabeça do público que o PCdoB, ou pelo menos sua cúpula, é um covil de ladrões em nada difeente de muitas agremiações que sustentam o governo. Orlando Silva caiu, mas será que isto muda alguma coisa? O Ministério do Esporte continua nas mãos do partido. E nada menos que seis ministros já foram afastados por suspeitas de corrupção. Continuo simpático à presidente Dilma. mas duvido que ela esteja enfrentando esta faxina de livre e espontânea vontade. O espírito do lulo-petismo, aferrado ao poder há quase 10 anos, é jogar para a arquibancada.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

FELIZ DIWALI

Hoje é o dia mais sagrado do calendário hinduísta: o Diwali, ou Deepavali, o festival das luzes. Hindus do mundo inteiro estão acendendo velas, comendo doces e estreando roupas novas, em comemoração à derrota do demônio Narakasura. É feriado em muitos países, da Índia ao Suriname, e sempre celebrado no primeiro dia de lua nova entre meados de outubro e meados de novembro. Também é um dia alvissareiro para iniciar novos projetos: sem nos darmos conta da data, marcamos o início da mudança para a casa nova para amanhã. Até sábado estaremos instalados num novo apartamento em São Paulo, no mesmo bairro do antigo e mais ou menos do mesmo tamanho. Mudar é um perrengue, mas de vez em quando é preciso. Que muitas luzes se acendam, para nós e para todo mundo. Namaste!

SESSÃO ESPÍRITA

"Se todo mundo for gay, acabam a sociedade e o Estado". Quase cuspi longe meu café da manhã quando li esta sandice proferida por Ives Gandra Martins. Ele é um dos advogados mais respeitados do Brasil e um inimigo declarado do casamento igualitário. A "Folha de São Paulo" pediu sua opinião a respeito da decisão do STJ que autorizou o casamento civil de duas lésbicas no Rio Grande do Sul, e o cara se saiu com esta. Parecia um morto falando do além. Quer dizer então que o mundo inteiro só não é gay porque é "proibido"? Dá até para desconfiar que ele é que não teve culhão de se assumir. O doutor Ives confirmaria então aquele clichê: os piores homofóbicos são as bichas enrustidas. Uma estupidez destas só perde para a ignorância bolsonazista de que homossexualidade e pedofilia são a mesma coisa. Nossos inimigos percebem que a batalha está perdida e começam a apelar para argumentos furadíssimos; Gandra Martins ainda disse que gays não podem constituir família porque não procriam, um tapa na cara de todos os casais hétero que adotam crianças ou recorrem a técnicas de fertilização. Ainda bem que ele é velho e não deve durar muito tempo. Suas ideias já faleceram, e precisam ser enterradas rápido: fedem mais que o cadáver do Gaddafi. (leia também o post no "Muque de Peão" sobre esta figura lastimável)

TWO AND A HALF GAYS


Enquanto aqui no Brasil os autores de novela ainda se contorcem dizendo que "o público" é que "não quer" ver o beijo gay nas novelas, nos Estados Unidos até as séries mais família já mostram dois homens se beijando. Como se "o público" algum dia "quis" alguma coisa (bocejo).

terça-feira, 25 de outubro de 2011

VOU ME VINGAR DE VOCÊ

E não é que de repente a música brasileira voltou a ficar interessante? Ou é o cágado aqui que finalmente caiu de boca no electrobrega? Primeiro me rendi ao furacão Gaby Amarantos, que varreu da face da Terra as coitadinhas da Nina Becker, Tulipa Ruiz e todas as outras cantorazinhas afinadinhas pentelhinhas. Hoje me dei conta de que a Banda UÓ é exatamente o contrário do que diz seu nome: fantástica. Vi um pocket-show há pouco mais de um mês no The Society, em São Paulo e achei tipo assim, incrível, mas foi só depois deles ahazarem no VMB semana passada que comecei a pensar em largar tudo e me juntar a eles. Tem como não amar um trio formado por duas bibas e uma trans? Tem, se o som deles não fosse bom. Mas é: moderno, divertido, despudorado. O grande sucesso "Shake de Amor" é uma versão de "Whip My Hair" da Willow Smith, cujo refrão rancoroso virou meme faz tempo. O resto do EP "Me Emoldurei de Presente para te Ter" pode ser baixado de graça e dentro da lei a partir do site da banda. De Goiânia para o mundo, e além.

DÊ VOLTAS PARA O FUTURO

Vai ver que eu não estou escolhendo os filmes certos, mas acho improvável. Essa Mostra está se saindo exatamente como eu temia: chaaata... Tudo bem que eu desperdicei dois ingressos para um dos títulos mais badalados, "Era Uma Vez na Anatólia". Mas depois de ver duas lenga-lengas no sábado simplesmente não tive forças para encarar duas horas e meia de um policial minimalista turco no domingo. Já vi outras coisas do diretor Nuri Bilge Ceylan, que é premiado toda vez que concorre em Cannes, e tudo me pareceu lindíssimo - e sim, você adivinhou, chaaato. Preferi me poupar para o "Artigas - La Redota" de César Charlone, que foi indicado ao Oscar de melhor fotografia por "Cidade de Deus" e dirigiu o excelente "O Banheiro do Papa" há alguns anos. E aí, adivinha... Eu esperava um épico histórico sobre a independência do Uruguai, mas o que vi foi quase um tratado existencialista sobre um não-herói, com direito a muitas vísceras de boi cobertas de moscas. Ontem, finalmente, as coisas melhoraram um pouco. Só um pouco. "O Futuro", de Miranda July, tem todos os cacoetes do cinema independente americano. Alguns funcionam lindamente: adorei a narração em off de um gato, de cortar o coração, além de uma lua que fala e outros toques surreais. O tema não podia ser mais pertinente: aquela sensação de estarmos desperdiçando nossas próprias vidas, sem nunca fazermos nada que preste. O final é meio para baixo, mas hoje até que o entendo melhor. O futuro chega de qualquer jeito, estejamos ou não preparados. O filme já está legendado em português e deve entrar em cartaz em breve. Fica a sugestão para quem gosta de arriscar.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

DE VOLTA AO CLOSET

Meio mundo comemorando a saída do armário do Zachary Quinto, e eis que um outro ator fez o caminho inverso. O britânico Luke Evans se assumiu gay numa entrevista à revista "The Advocate" em 2002, quando ainda iniciava sua carreira no cinema depois de ter participado de muitos musicais no teatro (inclusive "Taboo", a biografia de Boy George). Nada como um dia depois do outro: hoje o cara está cotadíssimo como o próximo action hero, e já circulam notícias de que ele está saindo com uma mulher. Não duvido que tudo isto não passe de armação do empresário de Luke, que está em cartaz em "Os Três Mosqueteiros" e provavelmente estourará no ano que vem, quando estrear "O Hobbit", o prequel de "O Senhor dos Anéis". Mas também não dá para apagar o que já saiu. Quando confrontado, agora ele se sai com um "não comento a minha vida pessoal". OK, se ele quiser assim, zuzo bem. Só espero que não saia por aí dizendo que é a favor do casamento tradicional ou que Jesus o reconduziu ao bom caminho.

A VIÚVA ALEGRE

Ainda bem que eu não nasci argentino. Caso contrário, ontem eu teria embatucado num dilema: votar ou não em Cristina Kirchner. A mulher é uma bandida. Ela e o falecido marido multiplicaram o patrimônio várias vezes desde que ele chegou à Presidência em 2003. Cristina não tem o menor pudor de apelar para a demagogia e se inspira em Hugo Chávez no trato com a imprensa. Mas, por outro lado, foi a única líder latino-americana que peitou a causa do casamento igualitário. Cristina enfrentou a Igreja Católica - que na Argentina costuma ser muito mais conservadora do que no Brasil - e todos os setores retrógrados da sociedade. E acabou provando que o tema na verdade é um non-issue: foi reeleita por larga margem de votos, pois o que realmente importa para o povo é que a economia parece estar indo bem. Só parece: os índices de inflação são maquiados e o parque industrial continua sucateado, sem a menor condição de competir com o nosso. Mas a estratégia de ostentar o luto pela morte de Néstor por quase um ano deu certo. Aqui no Brasil costumamos dizer que o Tesouro pertence "à viúva"; lá, numa comparação assustadora, a viúva se aferrou ao poder.

domingo, 23 de outubro de 2011

VIVI A ILUSÃO DE QUE SER HOMEM BASTARIA

A Mostra de Cinema de São Paulo começou mal para mim. Os dois filmes que eu vi ontem, ambos sobre homens em crise, me decepcionaram: um era fraquinho, o outro simplesmente uma das piores joças de todos os tempos amém. O primeiro, "Porque Está Chorando?", pelo menos é estrelado pelo meu noivo secreto, o cantor francês Benjamin Biolay. Desde junho, quando foi lançado na França, que eu estava doente para assistir. Naquela época encomendei o CD com a trilha pela Amazon e desde então ouço sem parar. Infelizmente, quase nenhuma das lindas canções chegou à tela. E o argumento até que é bom, mas foi mal desenvolvido pelo roteiro. Biolay faz um cara que está de casamento marcado e resolve ter dúvidas justo na última semana. Numa despedida de solteiro com os amigos, vai a uma boate e conhece uma moça mais interessante que sua noiva. Enquanto isto, sua mãe, sua irmã e toda a barulhenta família árabe da futura esposa lhe atazanam a vida. Podia ser muito engraçado, mas muitas cenas se perdem em diálogos sem fim (francês adora falar e falar e falar). Pelo menos ele continua épatant, e agora confirmei que também é bom ator.

O filme seguinte não teve qualidades redentoras. "Um Mundo Misterioso" me seduziu pela sinopse publicada nos jornais: homem leva o pé da namorada e flana por Buenos Aires, onde tem uma série de pequenos encontros. Não é bem assim. A câmera adora ficar parada sobre lençóis desfeitos, por exempo, sem que ninguém apareça em cena ou fale algo fora dela. Há tantos tempos mortos que parecem ser estes o verdadeiro tema do filme. O protagonista é um bundão, totalmente passivo (no mau sentido) e feio como a necessidade. Tem aquele cabelo desgrenhado que parece regulamentado por decreto-lei na Argentina e uma boca permanentemente semi-aberta. Lá pelas tantas vai a uma festa que poderia ser cômica, de tão ruim que é. Mas qualquer ameaça de humor logo se esvai, e em seu lugar surgem sequências intermináveis como a em que o pelotudo vai buscar seu carro no mecânico na noite de ano novo. O maior mistério aqui é por que alguém se dispôs a filmar tanta chatice.

sábado, 22 de outubro de 2011

ENERGIA BARATA

Eis aí uma maneira de carregar a bateria do celular totalmente limpa e renovável. Achou maldade? Então pense em quantos bichinhos inocentes morrerão no deflorestamento que Belo Monte fatalmente provocará.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

COPACABANA, BÉLGICA

Mãe maluca, filha careta. Esse fenômeno dos nossos tempos já gerou coisas boas como a série inglesa "Absolutely Fabulous" e agora esse filme franco-belga do diretor Marc Fitoussi, "Copacabana". A sublime Isabelle Huppert faz Babou, uma ex-hippie que tenta sobreviver nesses tempos de capitalismo selvagem. Sua filha (vivida pela pimpolha de Isabelle na vida real, Lolita Chammah) se ressente da criação cigana que recebeu e tem tanta vergonha do jeito aloprado da mãe que não quer que esta vá ao seu casamento. Parece pesado, mas não é: o tom irônico se mantém do começo ao fim e nunca faz a plateia sofrer mais do que o necessário. Para ganhar uns trocados e reconquistar o respeito da filha ingrata, Babou topa vender apartamentos de veraneio na gélida cidade belga de Oostende, em pleno inverno. E é obcecada pelo Brasil, daí o título do filme. A personagem me lembra pessoas que conheço em carne e osso, e eu embarquei na história de um jeito que não esperava. A trilha sonora é recheada de clássicos do sambão-jóia, engraçadamente inapropriados para a paisagem inóspita do Mar do Norte. E ainda tem La Huppert tentando dizer no pé... "Copacabana" é um estado de espírito.

UNTATOO YOU

Rick Genest, mais conhecido como Zombie Boy, é a estrela do novo hit da internet: este longo comercial de "concealer" Dermablend Professional. Uma boa notícia para marias-chuteria que tatuaram o nome do ex- na barriga e depois se arrependeram. Para mim também. Ainda não achei nada que cubra direito as olheiras que ganhei desde que comecei a usar colírio contra o glaucoma.

NOITE DE DIVAS

Este aniversário foi diferente dos outros. Não tive vontade de chamar os amigos para beberem às minhas custas. Preferi aproveitar o convite de outro amigo e assistir à Sade de graça. Foi simplesmente um dos melhores shows da minha vida: produção luxuosa, telão HD de cair o queixo, direção afiada. Um espetáculo onde cada número foi pensado em minúcias. E ela, claro, ainda mais divina do que eu imaginava. Um relato mais completo está aqui, na minha coluna de hoje no F5. Claro que ter ido ao Ginásio do Ibirapuera implicou em abrir mão do VMB. Mas como eu sou brasileiro e não desisto nunca, me mandei para a festa da MTV depois que o show acabou. E percebi que fiz a escolha certa: amigos que tentaram assistir ao vivo à premiação contaram que foi impossível, dado o formato de performances simultâneas espalhadas por vários estúdios (ainda não vi pela TV, deixei gravando). Mas a festa em si estava divertida e cheia de gente que eu não via há anos. E lá no meio estava ela, Gaby Amarantos, minha nova "ídala". Cheguei a sacar o celular para pedir para tirar uma foto, mas na hora medrei. Bateu vergonhinha. Que tonto, não? Quanto mais velho, mais bobo.

TOMARA QUE TENHA DOÍDO

Sou uma pessoa horrível. Vibrei com a morte do Gaddafi. Pior: espero que tenha doído bastante. Pensei até em postar uma foto do cadáver, mas me controlei a tempo. Ainda não começou a chorumela de que ele merecia um julgamento justo e blábláblá, mas o que aconteceu em Sirte foi um ato de guerra. Claro que as potências ocidentais se excederam no empurrãozinho que deram no ex-ditador, e que teria sido muito mais legal se os líbios tivessem se livrado sozinhos de seu algoz. O Ocidente agiu feito namorado ressentido: fez as pazes depois de uma briga feia mas guardou mágoa, e aproveitou a primeira oportunidade para se vingar. Mas o que importa é que Gaddafi está morto e seu clã esfacelado. Acho fascinante o fato dele não ter dado no pé como seu colega da Tunísia. Assim como Saddam Hussein, ele achou que tinha apoio popular e preferiu ficar na moita, em sua cidade natal - obviamente, o primeiro lugar onde foi procurado. Agora a questão é o que vai acontecer com a Líbia. Estou razoavelmente otimista. O povo de lá é muito mais homogêneo que o do Iraque ou o da Síria, e duvido que role uma guerra civil de inspiração étnica ou religiosa. Pelo menos parece que todo mundo já mudou de lado: adorei ver os funcionários da embaixada em Brasília queimando as fotos do falecido.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

GOOD TRIP

Pedi para o Oscar comprar a histórica "Trip" de outubro, e adivinha qual capa ele pegou? A verde, da direita! Mas não faz mal, também é linda e ousada. Melhor ainda está o conteúdo do revista. Por enquanto só dei uma folheada, mas absolutamente todas as matérias merecem ser lidas. O mais legal é que a "Trip" é uma revista basicamente para héteros - quase todo mês tem muié na capa - mas este número consegue ser didático sem cair no paternalismo e atrevido sem apelar para gracinhas. Dirija-se à banca mais próxima e adquira já a sua.

"ÂNCIA" DE INVENTAR

Hoje um caminhão da Panco parou bem ao lado do meu carro num sinal. Quase caí desacordado sobre a direção quando li o que estava escrito no splash sobre as embalagens de macarrão instantâneo: "fator picância". Acuma? Sou redator de propaganda e há anos tenho que tourear clientes que insistem em enfiar nos textos palavras inexistentes como "crocância" ou "refrescância", mas esse neologismo picante era novidade para mim. Sim, você leu certo: apesar de onipresentes na publicidade, nenhum desses termos em "ância" estão registrados nos dicionários. Foram inventados pelos meus colegas de profissão. Até hoje me doem no ouvido, mas fazer o quê? O português que falamos no Brasil é meio pobrinho, e volta e meia nos falta a palavra exata para expressar alguma coisa. Quer dizer, muitas vezes ela até existe, mas não soa coloquial, ou então ganhou um significado pejorativo. É o caso de "frescura", muito usada em Portugal para anunciar frutas e verduras. E seu sinônimo "frescor", tão pedante... O que faz então o pobre redator? Cria! Afinal, ele não é um profissional de criação? Fora que a língua é um organismo vivo e está em perene mutação e etc. Um dia essas palavrinhas farão parte da norma culta. Até lá, só me dão "ância".

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A MOSTRA DA TRANSIÇÃO

Saiu a programação da Mostra de SP, que abre nesta sexta para o público. Passei uma vista d'olhos e me decepcionei. A edição deste ano será mais compacta, com "apenas" 250 filmes (em 2010 tinha o dobro). E muitos desses títulos fazem parte de retrospectivas. Mas este não é o maior problema. O que me incomodou foi o fato da Mostra querer somente estreias nacionais - ou seja, nenhum dos filmes exibidos no Festival do Rio passará em SP. Verdade que muita coisa que é vista lá entra em cartaz logo depois, mas obras importantes como o mexicano "Miss Bala", o argentino "El Estudiante" ou o italiano "Terraferma" não farão a ponte-aérea. Não entendi bem a razão desta escolha. Não sei se Leon Cakoff não estava com forças para entrar em disputas ou se não queria se curvar às exigências das distribuidoras. Só sei que o espectador paulista não lucra nada com este purismo. De qualquer forma, esta será uma Mostra atípica, a primeira sem a presença de seu mentor. O grande teste acontecerá ano que vem: como substituir um cara que personalizava tão fortemente o evento que criou?

A MODA PEGA

video platformvideo managementvideo solutionsvideo playerFormidável a maneira como esse apresentador de telejornal saiu do armário. Comentando o caso de Zachary Quinto, ele simplesmente acrescentou “vou quebrar minha regra de não sair com atores”, assim como se nada. Sem precisar de declarações dramáticas, só confirmado en passant o que provavelmente todo mundo já desconfiava. Tudo bem que eram três horas da manhã, mas o vídeo virou viral. E acho que também serve de exemplo para quem pensa em dar este passo. Jodie Foster fez coisa parecida outro dia: ao aceitar um prêmio, ela agradeceu à sua mulher Cydney, apesar de nunca ter anunciado oficialmente seu casamento. E aproveito a deixa para comentar um pequeno debate que rolou nos comentários do post “Com o Quinto de Fora”. Acho que me expressei mal quando disse que toda celebridade gay “deve” se assumir. Provoquei um anônimo a me chamar de hipócrita, olha só quanta ironia. Tenho amigos famosos que não querem e talvez nem possam fazê-lo, e não sou eu quem irá “denunciá-los”. É um bom debate, aliás: onde termina a responsabilidade pública e começa o foro estritamente particular? Quem se expõe está sendo burro, corajoso ou ambos? E o tal do “teto de vidro” – que está sobre pessoas que o mundo inteiro sabe que são, mas que não trombeteiam sua sexualidade aos quatro ventos – merece ser quebrado a pedradas? Eu acho que não. Mas é claro que estou adorando ver essa moda pegar, com cada vez mais bibas vindo a público numa boa.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

CONJUNTÃO PESADÃO

Bem curioso o percurso que minhas expectativas fizeram em relação ao SuperHeavy. Quando soube que Mick Jagger tinha montado um super-grupo ao lado de Joss Stone, Dave Stewart (ex-Eurythmics), Damian Marley (filho do Bob) e A.R. Rahman, o Mozart de Bollywood, pensei na hora: vai dar merda. Tanta gente boa assim junta, impossível não decepcionarem. Mas aí fui ouvir o disco, e acredita que é bem legal? Tá certo, não é a última bolacha do pacote, mas também não é o desastre épico que a ótima reputação dos envolvidos me fez temer (deu para entender?). Mick Jagger continua o mesmo, com seus inconfundíveis maneirismos vocais, mas o som que ele faz aqui está a léguas dos Stones - apesar da nítida pegada de blues e reggae em algumas faixas, também presentes em sua outra banda. E, apesar de ser o centro das atenções, ele deixa todo mundo aparecer bastante. Até demais: algumas músicas soariam mais orgânicas se tivessem um único vocalista, e não a obrigação de deixar cada um dar sua canjinha. Mas o resultado geral é bastante bom, e às vezes até excepcional - como em "Satyameva Jayathe", um tandoori-burger sonoro que consegue misturar todos os ingredientes do SuperHeavy sem pesar na mão.

DANDO UM PERDIDO

Um amigo me pediu para "seguir minha localização" através do Find My Friends, um novo aplicativo do iPhone que mostra num mapa, com riqueza de detalhes, onde estão os trouxas que aceitaram ser seguidos. Estou pensando numa maneira bem-educada de recusar: quem sabe um NEM FODENDO gritado por megafone? Imagine se eu, que jamais me interessei pelo FourSquare, vou querer ser monitorado à distância como um avião inimigo localizado pelo radar. O Find My Friends mal saiu e já contabiliza um casamento desfeito: a mulher disse que estava num lugar e o marido descobriu na hora que ela estava em outro, hehehe. Acho que ninguém precisa saber onde a gente está o tempo todo, nem mesmo a mamãe (ou principalmente ela). Então nem me convidem para o FMF, porque eu vou dar um perdido.

domingo, 16 de outubro de 2011

COM O QUINTO DE FORA

O grande assunto de hoje é mesmo o Zachary Quinto, que se assumiu gay numa entrevista à revista "New York". Foi um ato corajoso, e não foi provocado por nenhum paparazzo chantagista. Quinto explica em seu blog que o catalisador para sua saída do armário foi o suicídio de Jamie Rodemeyer ( o garoto chegou a gravar um vídeo para a campanha "It Gets Better" ano passado, mas não suportou mais o bullying que sofria no colégio e acabou se enforcando). Zach também fez um vídeo parecido e volta e meia tinha sua sexualidade questionada pela imprensa. Cansado de desconversar, ele fez a coisa certa: uma figura pública deve se assumir, para mostrar aos adolescentes que tudo melhora mesmo. Claro que esta é uma decisão dificílima para um ator, e ainda não existem galãs oficialmente fora do armário. Não deve ser este o destino de Quinto: apesar dos looks apropriados, ele está se especializando em papéis assexuados (como o sr. Spock de "Jornada nas Estrelas") ou de gays mesmo, como na peça "Angels in America" ou na recém-estreada série "American Horror Story", onde fará um decorador. Todo o poder para ele, e mais coragem para os que ainda estão trancados no escuro.

LIXO RECICLADO

Chega desse papo de que a Björk é ultra-criativa. Ela faz o mesmo disco há mais de dez anos. E pior: este disco não é muito bom. Ele acaba de ser relançado com o nome de "Biophilia". Dizem que ela até inventou novos instrumentos musicais para este trabalho, olha só que louca. E que cada uma das canções terá seu próprio aplicativo no iPad, meu Deus, quanta modernidade junta. E aí, com as expectativa nas alturas, quando a gente ouve o troço... tudo soa como mais do mesmo. Björk continua não-compondo: tenho a sensação de que ela começa a cantar sem saber para onde ir, improvisa qualquer coisa e chega a lugar nenhum. Ela foi uma das vozes mais importantes dos anos 90 e seus três primeiros CDs são pequenas obras-primas. Influenciou com seu estilo teatral quase todas as cantoras que vieram depois, de Roísin Murphy a Lady Gaga. Mas está na hora de deixar de ser tratada como um gênio.

sábado, 15 de outubro de 2011

ASSISTIR ENTRISTECE

Nunca vi um filme com tamanha carência de serotonina. Acho que não há um único sorriso em "Trabalhar casna". Todos os personagens entram em cena desanimados, em passos lentos, mesmo que seja só para acender o fogão. E olha que não acontece nenhuma grande tragédia: só as mazelas do dia-a-dia. Uma mulher abre um supermercado e enfrenta toda sorte de problemas, mas nada de muito inesperado. Encanamento entupido, funcionário que rouba mercadoria, movimento fraco. Enquanto isto, o marido recém-demitido vai caindo em apatia pois não consegue arrumar emprego. E aí surge a primeira pergunta que não quer calar: por que ele não vai logo trabalhar com ela? Outras virão, e uma delas é até maior do que "por que ninguém sorri nunca?". Quando a empresária diletante finalmente derruba uma parede mofada no fundo da loja, ela encontra ali... Não, não vou contar, mas garanto que não estragaria prazer algum. "Trabalhar Cansa" foi o único longa brasileiro exibido no último festival de Cannes (na mostra paralela "Un Certain Regard") e gerou muita curiosidade por seu tema inusitado. Não é exatamente um filme ruim, mas quem vai ao cinema para se distrair pode ir escolhendo outra coisa para ver.

A BEYONCÉ DO PARÁ

Como é que o Brasil pode ser tão grande? Eu nunca tinha ouvido falar em Gaby Amarantos até ontem à noite, quando o Nélson Motta fez uma matéria sobre o tecnobrega paraense em sua coluna no "Jornal da Globo". Ou vai ver que eu é que sou tapado, porque a mulher já foi várias vezes ao programa do Faustão e fez show até no Studio SP, o templo da modernidade paulistana. Moderna ela é, além de absolutamente sensacional. A voz é ótima e a atitude divalicious melhor ainda. Gaby ganhou o justíssimo apelido de "Beyoncé do Pará" depois que gravou "Tô Solteira", uma versão tecnomelody (o termo que a "cena" prefere) de "Single Ladies". E agora se aproximou ainda mais da Beionça, que tem um alter ego chamado Sasha Fierce: o clipe "Xirley Xarque" lança uma personagem que distribui DVDs pirata e adora uma jóia bem faiscante, em total contraste com a mensagem ungida do final. Apesar dos anos de estrada, miss Amarantos só agora estreia com um disco solo, "Treme". Nome apropriado, pois é isto o que vai acontecer com o Brasil.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

LEON DE OURO

A Mostra de Cinema de São Paulo começa em menos de uma semana, e eu custo a acreditar que não teremos mais a presença física de Leon Cakoff. O criador da Mostra era figurinha fácil em seu próprio evento: eu cruzava com ele quase todo dia, não importava a sala ou o horário. Ele tinha o dom da onipresença, pois parecia estar em todas as sessões. Ia apresentar o diretor, conversar com o público, entregar um prêmio. Era A cara da Mostra, de um jeito que nem Gilles Jacob consegue ser do Festival de Cannes. Espectador mimado que sou, muitas vezes impliquei com suas escolhas. Por que tantos filmes servo-croatas com legendas em swahili, em preto-e-amarelo, com seis horas de duração? Cadê os sucessos de Bollywood? Que ingrato que eu sou, desdenhando do trabalho monumental de um sujeito que lutou contra a má-vontade do poder público e da falta de patrocínio durante décadas a fio, só para tirar a maior cidade do hemisfério sul do provincianismo cinematográfico. Sua morte me pegou de surpresa: nem lembrava que ele estava doente. Aliás, tenho a sensação de que o câncer já esgotou sua cota deste e dos próximos cinco anos, mas isto é assunto para outro post. Hoje só quero mandar beijos e aplausos para um cara que ajudou a formar meu gosto.

PEIXE PODRE

Quase tive engulhos ao ser bombardeado ontem, durante os intervalos da novela, com os novos comerciais do Partido Social Cristão. Procurei no YouTube e até no site do partido, mas não encontrei nenhum para postar aqui. Para quem não viu, eles começam com uma animaçãozinha e uma locução: "Um homem + uma mulher = amor. Isto é família." Que meigo, não? Esta singela equação deve ter excluído cerca de metade dos lares brasileiros. Inclusive, como reparou o Toni Reis, o da presidente Dilma Rousseff. Na sequência surgem deputados semi-anônimos falando platitudes do gênero "se a família vai bem, você vai bem"; pelo menos não tiveram culhão de atacar os gays diretamente. Também não tiveram para mostrar as verdadeiras estrelas do partido, como o ex-governador Joaquim Roriz do DF e o ex-senador Mão Santa do Piauí. Pode-se dizer que este partideco de direita pelo menos achou uma bandeira para levantar, por mais esfarrapada que seja. Não se pode dizer o mesmo do PMDB reloaded, vulgo PSD. Mas nem tudo está perdido: esta semana tivemos a grata surpresa de ver o Tiririca contar tranquilamente na TV que tem um filho gay e que isto acontece em todas as famílias. O palhaço está se revelando menos podre do que muito pseudo-cristão por aí.

OS ELEITOS

E já temos os dois vencedores do grande concurso cultural "Maria Angélica por um Dia". O Celso Dossi revisou com carinho todas as sugestões de crimes hediondos enviadas pelos leitores deste blog e escolheu quem vai receber de graça, inteiramente grátis e sem pagar um tostão por isto, um exemplar autografado do romance "Maria Angélica - a Saga de uma Terrorista Brasileira". São eles:

Filipe disse...
Todos os homens gostosos que tem coragem de ficar com o Sérgio BBB. São corajosos, reconheço, mas é um erro imperdoável...



flavio disse...
1- Biscate que depois de cair no ostracismo, converte-se a qualquer religão e prega contra o "homossexualimsmo".(Mara, Myrian Rios e afins)

2 - Preconceituoso pego em flagrante que justifica a agressão com: "tenho amigos gays, tenho amigos negros, tenho amigos nordestinos.

3 - Pessoas que dizem: posso comer de tudo q não engordo!

4 - Quem não gosta de brigadeiro. rs


Não sabemos o nome completo nem o endereço de nenhum dos agraciados. Peço que eles entrem em contato comigo pelo e-mail tonygoesarrobauol.com.br até segunda. Caso contrário, já temos um terceiro colocado para substituir qualquer um deles. Obrigado a todos os participantes: nada como arrebentar com as coisas que nos incomodam, mesmo que só na imaginação.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

FALTA PEDRADA

A pedido do Papai Urso do Interior, um dos comentaristas mais populares da blogaysfera, faço agora este post sobre os protestos contra a corrupção que têm se espalhado pelo Brasil. E aproveito para protestar também: estou achando tudo muito morno, feito aquelas passeatas pela paz em que as pessoas se vestiam de branco e cruzavam os braços sobre o peito, crentes que iam sensibilizar os bandidos. Talvez seja por isto que eu ainda não tenha me animado a sair de casa e me juntar aos manifestantes (sou veterano da campanha das Diretas Já). Acho que esse foco muito difuso de agora é contra-producente. Passeata tem que incomodar, tem que ter gente contra. Mas quem é que vai dizer que é contra a honestidade? Ao invés de gritar palavras de ordens genéricas, a galera tem mais é que jogar pedra e dar nome aos bois. Xingar o Palocci, insultar o Sarney, humilhar o Renan. Fazer o recém-nascido PSD passar por um bullying pré-eleitoral. Chamar a Dilma na chincha. Sem apontar o dedo para ninguém, sem exigir medidas concretas, não se sai do bom-mocismo. Muito se tem falado da capacidade de mobilização das redes sociais e da ausência dos partidos e sindicatos desses protestos. De fato, é quase chocante dar pela falta do arroz de festa que é a bandeira do PSTU. Mas, sem maior agressividade, esse arremedo de primavera tupiniquim vai ser tão contundente quanto o "churrascão da gente diferenciada" de uns meses atrás.

MENINA EU SOU É HOMEM

Os sites que fazem previsões para o Oscar já não garantem mais que Glenn Close será uma barbada na categoria de melhor atriz. E não é só pela concorrência de Meryl Streep em "The Iron Lady", cujo poster é um dos mais bonitos dos últimos tempos. O filme de Glenn, "Albert Nobbs", foi exibido no fetival de Toronto e só arrancou aplausos polidos da plateia. De fato, acho que ela não convence muito como homem; talvez tenha passado da idade para recriar na tela um papel que fez no palco 30 anos atrás, e ainda mais para dar em cima de uma meninota como a Mia Wasikowska. Mesmo assim, continuo liderando a torcida para que ela fature a estatueta. Devia ter ganho faz tempo, por "Ligações Perigosas". Mas até entendo porque ela foi tantas vezes esnobada: Glenn Close não só é feia, como é pouco cativante. Não tem um jeitinho encantador que faça com que a gente se apaixone por ela. Mesmo assim, é minha atriz favorita em qualquer língua. Vou usar uma expressão que eu acho über-cafona e acender velas aos deuses do teatro (e do cinema), para que não esqueçam dela quando chegar fevereiro.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

TODO DIA É DIA DAS CRIANÇAS

Sabia que o Dia das Crianças só existe no Brasil? É uma invenção do nosso comércio para vender brinquedos fora do Natal. No resto do mundo, quando a garotada pergunta porque existe Dia dos Pais e Dia das Mães mas não um dia só para elas, ouve a frase que dá título a este post. Que não tem nada "haver", como diria o assessor da Mulher-Maçã, com os vídeos abaixo.

Florence + the Machine lança disco novo, "Ceremonials", no final de outubro. O "Machine" não existe, ou melhor, é o estúdio, o sistema, o mundo, tudo que não é a cantora Florence Welch. Ela já foi chamada de Lady Gaga dos bem-pensantes, mas até que está bem discreta no clipe de "Shake it Out". Gosto muito da voz da Flo e do clima teatral de suas performances. Gosto mais ainda do fato dela parecer uma drag que não terminou de se montar.

Tome isto, Rebecca Black: aprenda com Lance Bass, o único membro assumidamente gay da finada N'Sync, como se faz uma música para adolescentes realmente horrível. "Facebook Official" é o primeiro single de uma nova "boyband" produzida por Bass chamada Heart2Heart e é tão patético que tem muita gente se perguntando se tudo não passa de uma grande piada. Eu espero que sim: caso contrário, como lhe dar com o bronzeado falso de um dos rapazes, que chega só até o pescoço?

Todo mundo fica falando de como a Björk é louca e ousada, mas Kate Bush já fazia esquisitices desde o tempo em que a Islândia ainda não tinha explodido do fundo do mar. O novo single da moça, "Wild Man", é das coisas menos para-tocar-no-rádio dos últimos tempos; o resto do CD "50 Names for Snow", que sai em dezembro, deve ser feito de gritos de focas se acasalando. A letra fala do abominável homem das neves e veio bem a calhar. Esta semana, cientistas russos anunciaram ter encontrado "provas irrefutáveis" da existência do monstro nos arredores de uma aldeia da Sibéria.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

TEM PRA HOMEM

Homem tem vergonha de tomar refrigerante dietético? Nos Estados Unidos, parece que sim. Os dois gigantes da indústria lançaram versões menos calóricas de seus produtos mais conhecidos sem usar “diet” no nome – Coca Zero e Pepsi Max – em parte para seduzir o público masculino. Agora a marca Dr. Pepper, que corre por fora, está fazendo uma campanha cheia de testosterona para o Dr. Pepper 10. A bebida em si tem bem mais calorias do que as zero-a-três da concorrência, mas muito menos que as 150 de um refri normal. E o comercial acima até que é engraçadinho, mas não me convenceu. Na minha tela mental, homem bebe cerveja mesmo. Ou cachaça.

MARIA ANGÉLICA POR UM DIA

Atenção, Grande São Paulo: nesta quinta, dia 13, Celso Dossi estará autografando seu romance "Maria Angélica - a Saga de uma Terrorista Brasileira" na Livraria da Vila da alameda Lorena (no. 1731, entre Haddock Lobo e Bela Cintra). Será a partir das 19 horas e sim, haverá bebida de graça. Também sairão inteiramente grátis os dois prêmios do concurso cultural "Maria Angélica por um Dia". Como já comentei aqui no blog, a protagonista dossiana é uma moça de fino trato que resolve fazer justiça com as próprias mãos. Ela contrata um exército de descontentes que sai matando todas as pessoas que fazem coisas irritantes, tipo não dar seta na hora de dobrar à esquerda. No post onde falo do livro eu cito quem eu eliminaria se tivesse o poder e a grana de Maria Angélica. Agora é a sua vez: mande para os comentários as suas sugestões. Quem você varreria da face da Terra a tiros de bazuca? Evite alvos óbvios, tipo "a fome e a corrupção" ou "a família Sarney". O Celso irá escolher as duas respostas mais originais, e os autores felizardos receberão um livro autografado no conforto de seus lares. Valendo!

LOST IN JURASSIC PARK

Todo mês de setembro, quando estreia a nova temporada da TV americana, quase todas as redes tentam emplacar um grande sucesso de ficção-científica. O objetivo é conquistar o público nerd, que nem é tão numeroso assim - mas é fanático e, o melhor de tudo, disposto a torrar uma grana em bonequinhos, fantasias e convenções. Mas, nos últimos 20 anos, acho que só duas séries alcançaram o status de culto entre esse povo: "X-Files" e "Lost". Nunca gostei muito da primeira, mas a outra me deixou paralisado na poltrona quando vi os primeiros episódios. Mais do que o enigma da ilha onde os personagens estavam presos, me interessavam suas histórias antes do acidente de avião. A primeira temporada de "Lost" ainda é uma das coisas mais eletrizantes que vi na TV em toda a minha vida. Depois ficou óbvio que os roteiristas não tinham a mais puta ideia de como resolver os inúmeros paradoxos que jogaram no ar, e aos poucos fui me juntando à legião de especatdores que perderam o interesse no programa. Desde então, foram muitas as tentativas de criar um fenômeno parecido, como "Heroes" e "Vanished". Nenhuma foi muito bem sucedida. A próxima vítima deve ser a caríssima "Terra Nova", que estreou ontem na Fox. A premissa da série é déjà vu ao quadrado: um grupo de pessoas escapa de um futuro mega-poluído através de uma brecha no tempo e tenta recriar a civilização em pleno período Cretáceo. Para aumentar as semelhanças com "Lost", há um grupo de humanos inimigos, que quer destruir porque sim o núcleo dos bonzinhos. E para tentar se afastar de "Parque dos Dinossauros", uma equipe de paleontólogos desenhou espécies imaginárias de monstrengos pré-históricos. Não deu certo: o único frisson que "Terra Nova" oferece é saber se os personagens serão ou não comidos pelos bichos, o que perde a novidade antes do segundo bloco. Cancelamento à vista.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

ALOKA DO MEU IRMÃO


O que é que o seu irmão hétero tem feito pela causa LGBT? O meu está dedicando 10 horas da MTV nesta quarta, dia 12, a programas de temática gay (para quem ainda não sabe: sou irmão do Zico Goes, diretor de programação da MTV Brasil). É o "MTV, Aloka!", que vai encher de bibas e sapatas atrações como o "Furo MTV" (hmmm... a calabresa da Dani...) e o "Acesso Especial". Os pontos altos prometem ser o "Hora Extra" às 3 da tarde, com um debate ao vivo sobre homossexualidade, e um especial do "Luv MTV", cuja chamada está aí em cima. Os tempos de fato mudaram: lembro muito bem da gritaria quando o "Fica Comigo", também um programa de namoro da MTV, levou ao ar sua primeira edição gay, quase 10 anos atrás. Hoje as igrejas evangélicas e os deputados reacionários estão muito mais vocais do que naquela época, mas o público em geral parece ter evoluído bastante. Em 2002 meu irmão recebeu até ameaças de morte - inclusive de militantes gays que o acusavam de querer "explorar" os homossexuais, antes mesmo do programa ir ao ar. Hoje não vejo ninguém reclamando do "Aloka", pelo menos nos lugares selecionados onde eu circulo. Ninguém é mais low profile do que o Ziquinho, mas um dia ele será reconhecido como um dos pioneiros da luta pelos direitos igualitários na TV brasileira.

domingo, 9 de outubro de 2011

ENGUIÇO DO TEMPO

Eu estava de viagem marcada para o Rio neste final de semana. Ia comemorar os 200 anos de casado e aproveitar para ver umas coisinhas no Festival do Rio. Já tinha até comprado alguns ingressos. Mas precisei cancelar tudo para ficar em São Paulo trabalhando. E assim nossa celebração foi modesta: fomos ao cinema e depois pedimos uma pizza em casa. Pelo menos o filme era bem legal. "Contra o Tempo" vai agradar a quem gostou de "A Origem", pois dá ainda mais voltas na lógica. É uma produção bem mais modesta, mas o diretor Dunca Jones - que é filho de David Bowie e trocou seu nome de batismo, Zowie, por algo mais corriqueiro - sabe exatamente onde colocar a câmera, e não deixa a peteca cair nenhum segundo. A trama é uma variante de ação do clássico "Feitiço do Tempo", onde Bill Murray dormia e acordava sempre no mesmo dia. Jake Gyllenhaal (que faz muita gente babar, mas não a mim) é um soldado americano que lutava no Afeganistão e de repente acorda num trem rumo a Chicago. O tal do trem explodirá em 8 minutos: sua missão não é impedir a tragédia e sim descobrir quem está por trás, para evitar um segundo atentado ainda maior. E ele fica voltando sempre ao mesmo momento, feito um toca-discos enguiçado. Entendeu? Nem eu. Mas quem ficar contando os buracos do roteiro não irá se divertir, porque "Contra o Tempo" tem o mesmo código-fonte de "A Origem": uma bobagem colossal disfarçada de meditação sobre o sentido da vida. Vai muito bem com pipoca na manteiga.

sábado, 8 de outubro de 2011

AVERE TRA LE BRACCIA TANTA FELICITÀ

Há uma cena em “Meu País” onde o personagem do Rodrigo Santoro liga para a esposa italiana, que está dentro de um avião prestes a decolar. Ele diz alguma banalidade amorosa, desprezando o fato de que há uma única declaração possível de ser feita em italiano para alguém que vai voar. É claro que estou falando do final de um dos clássicos do cinema mais cafonas de todos os tempos, o impagável “Dio Come Ti Amo”. Repare na interpretação magistral de Gigliola Cinquetti, feinha como a jovem Fernanda Montenegro. Sua protagonista conseguiu parar na pista o avião onde está o namorado com quem acabou de brigar – algo que, pelo jeito, ainda era possível em 1966. E aí, quando lhe oferecem o microfone, ela embatuca… Sim, é só a deixa para começar o maior hit do festival de San Remo, originalmente lançado por Domenico Modugno.

Tudo isto para dizer que hoje completo 21 anos de casado. Minha relação com Oscar está longe de ser um dramalhão napolitano, o que não me impede de me identificar totalmente com esta letra:

Nel cielo passano le nuvole
che vanno verso il mare
sembrano fazzoletti bianchi
che salutano il nostro amore

Dio, come ti amo
non è possibile
avere tra le braccia
tanta felicità

Baciare le tue labbra
che odorano di vento
noi due innamorati
come nessuno al mondo

Dio, come ti amo
mi vien da piangere
in tutta la mia vita
non ho provato mai

Un bene così caro
un bene così vero
chi può fermare il fiume
che corre verso il mare

Le rondini nel cielo
che vanno verso il sole
chi può cambiar l'amore
l'amore mio per te

Dio, come ti amo

Un bene così caro
un bene così vero
chi può fermare il fiume
che corre verso il mare

Le rondini nel cielo
che vanno verso il sole
chi può cambiar l'amore
l'amore mio per te

Dio, come ti amo
Dio, come ti amo

HOMEM CHUVA

Está virando um hábito: sexta-feira é dia de ver filme nacional ruim. Semana passada sofri com "Elvis e Madona"; ontem foi a vez de "Meu País", cujo trailer sedutor me enganou direitinho. Elenco sólido, fotografia "esfriada", boa trilha, muitos elementos me levaram a acreditar que se tratava de um drama existencial interessante. Mas não é: é só uma variação mal-sucedida de "Rain Man", o filme de 88 que deu a Dustin Hoffman seu segundo Oscar de melhor ator. O ponto de partida é idêntico: jovem empresário descobre, depois da morte do pai milionário, que tem um irmão deficiente mental internado numa instituição. "Meu País" mudou o sexo desse irmão e acrescentou outro, viciado em jogo e totalmente irresponsável. As cenas rodadas em Roma servem para criar um clima sofisticado e Rodrigo Santoro manda bem em italiano, a língua natal de seus pais. Mas em nenhum momento convence como irmão de Cauã Reymond, que tem um biotipo completamente diferente. E eu, que já implico com a Débora Fallabella, me irritei com seu esforço evidente para compor uma mulher com a idade mental de uma garotinha. O ritmo é devagar-quase-parando e pouquíssima coisa acontece nos 90 minutos que parecem 150. O diretor André Ristum usa clichês da publicidade moderninha de 15 anos atrás e meio que não chega a lugar algum. Aproveitei o tédio para pensar num outro filme estrelado pelos atores principais. Rodrigo Santoro faria um gay engavetado, que pela criação tradicional se vê casado com uma chata de galochas (Débora Fallabella, hehe) e com dois filhos pequenos. Durante uma viagem de negócios, ele resolve se arriscar e contrata um garoto de programa (Cauã Reymond) para visitá-lo em seu hotel. E aí... bora desenvolver esse argumento.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

PRIMAVERA EM WALL STREET

Quer dizer então que a primavera árabe chegou aos Estados Unidos? Já é outono por lá, mas não dá para não lembrar dos manifestantes na praça Tahrir, no Cairo, quando vejo o pessoal do "Occupy Wall Street". Só que, enquanto o objetivo dos egípcios era bem claro - a derrubada do governo Mubarak - as reivindicações americanas são mais difusas. Vão de mais regulamentação no mercado financeiro e mais impostos para os ricos até a liberação da maconha e a paz no mundo. Apesar do grande número de malucos new age, esta é uma manifestação surpreendente da esquerda americana. Com tanto Tea Party e candidato da extrema direita dominando os telejornais, é fácil de esquecer que existe muita gente do outro lado do espectro político. Principalmente nas grandes cidades da Costa Leste, por onde o movimento está se espalhando pouco a pouco. Talvez não dê em nada, como na Espanha há alguns meses; mas os descontentes têm que se fazer ouvir. E, como diz o colunista Paul Krugman do "New York Times" (que ganhou em 2008 nada menos do que o prêmio Nobel de economia), eles estão atacando os alvos certos: os banqueiros, os milionários, os patrocinadores dos maus políticos. Ou seja, os verdadeiros responsáveis pela crise.

TOO SEXY FOR MY SHIRT

Tive meu dia de Gisele. Esta semana fiz novas fotos para minha coluna "Pergunte ao Amigo Gay", na revista "Women's Health". Da outra vez eu não gostei do resultado: o maquiador lambuzou minha boca de gloss, e eu fiquei muito aviadado. Então caí num paradoxo: reclamo que saí gay demais, quando já tem "gay" no nome da coluna? Além do mais, aquela sessão foi coletiva, com uma fila de funcionários da revista esperando a vez de serem clicados para a edição de aniversário. Nem tive tempo de channel my inner muse. Mas agora foi diferente. Passei quase duas horas no estúdio do Ivan Berger, que faz todas as capas da "Women's" e da "Men's". Com uma equipe inteira focada só em mim: fotógrafo, assistente, maquiador, diretor de arte. Levei uma mala de calças e camisas, e passei por cinco trocas de roupa. E meus óculos de leitura fizeram sua estreia triunfal em frente às câmeras. Disseram que eles proporcionaram algumas das melhores fotos, porque me "dão poder" - na verdade, me dão algo o que fazer com as mãos. Olha, nunca mais vou rir quando uma maneca reclamar de seu trabalho estafante. Segurar uma pose é difícil pacas; inventar novas, quase impossível. O repertório gestual se esgota nos primeiros cinco minutos, e a sensação de estar pagando um King Kong é avassaladora. Eu sairia da disputa do "Brazil's Next Top Model" já na primeira rodada. O resultado aparecerá na revista do mês que vem, e o d.a. prometeu que me mandaria umas provas para eu usar no Facebook. Espero não imprimir muito gordo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O FRUTO PERMITIDO

Steve Jobs passou anos brigando com o que sobrou dos Beatles por causa do nome "Apple". Era este o nome da gravadora dos Fab 4, e por causa disto os advogados da banda não deixavam que nenhuma canção fosse vendida no iTunes (adivinha quem saiu perdendo). Nunca entendi direito porque uma empresa de alta tecnologia quis adotar o nome de um vegetal. Uma teoria dizia que Jobs queria homenagear Alan Turing, um dos pioneiros da informática e que se suicidou comendo uma maçã envenenada. Mas ontem, vendo um dos muitos programas dedicados a um dos grandes popstars do nosso tempo - o que de fato ele era - fiquei sabendo que o nome e o logotipo (com a maçã mordida) são nada menos que uma referência ao fruto da Árvore do Conhecimento, aquele que Eva ofereceu a Adão no Jardim do Éden. A Bíblia nunca explicitou qual era esse fruto, e a maçã acabou se tornando o símbolo universal da tentação sexual. Mas Deus nunca disse para Adão e Eva não transarem; Ele só os alertou para não provar desse fruto, caso contrário seriam expulsos do Paraíso. A minha interpretação do Genesis é a de que, antes do Conhecimento, homens e animais eram idênticos, sem noções de certo ou errado, sem o Bem ou o Mal. Só instinto e medo. Provar dessa árvore realmente muda tudo, e nos arranca da despreocupação moral em que vivem os bichos. Saber que Jobs escolheu este signo riquíssimo para sua companhia, com um leve toque de rebeldia religiosa, só aumenta a minha admiração pelo cara.

SARAH-KIRI

A morte de Steve Jobs teve um efeito colateral benéfico e inesperado: afastou das manchetes americanas a "renúncia" de Sarah Palin à candidatura pelo partido republicano à presidência do país. Palin gosta de dizer que serve "a Deus, à família e ao país, nesta ordem", mas ontem ficou óbvio que Deus não serve a ela. O Todo-Poderoso podia ter levado o fundador da Apple no dia em que quisesse, mas escolheu justo aquele em que Palin anunciou sua desistência - modalidade na qual, aliás, ela está se especializando, depois de largar pela metade seu mandato como governadora do Alaska. E é de rolar de rir a desculpa que ela deu, "proteger sua família". Isto vindo de uma mulher que mandou a própria filha competir no "Dancing with the Stars", usou o filho deficiente mental como arma de marketing e obrigou o pai idoso a fazer bungee jumping em seu reality show. Sarah Palin é uma das piores coisas jamais surgidas na política dos Estados Unidos, e seu sucesso meteórico abriu caminho para figuras ainda mais repugnantes, como Rick Perry ou Michelle Bachmann. Mas suas chances de chegar à Casa Branca sempre foram ínfimas, e ela provavelmente sabia disto o tempo todo. Agora que cometeu hara-kiri político, pode voltar a ser comentarista do canal Fox News, onde pode falar merda à vontade e faturar uns milhõezinhos. O mundo respira aliviado, mas também é uma pena que a Sarahcuda não concorra ano que vem. Obama estaria com a reeleição garantida.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

JOBS CUMPRIDO

O velório virtual de Steve Jobs está acontecendo neste exato momento, em todas as redes sociais. Um tributo apropriado a um homem que ajudou a moldar o mundo em que vivemos. Melhor comentário até agora: "nunca usei um Mac, mas estou triste". É a novíssima aldeia global, todo mundo quer participar de alguma forma. Como eu sou applemaníaco desde criancinha, só tenho a agradecer pela vida do cara. E, mesmo que você prefira PCs, agradeça também: se não fosse por Jobs, a essa altura o Bill Gates seria o imperador da galáxia.

UGLY WOMAN

Be afraid. Be very afraid.

GAROTAS FOIE GRAS

Hoje eu li uma coisa curiosa: pesquisas revelam que, em tempos de crise econômica como a que assola os EUA e a Europa, as mulheres cheinhas fazem mais sucesso. É um retorno atávico àquela que sempre foi o ideal de beleza feminina da humanidade, a Vênus de Willendorf. Em quase todas as culturas, em quase todos os tempos, as gorduchas é que são as mais gostosas. O padrão magérrimo coincide com a ascensão da indústria da moda e só passou a vigorar para valer no Ocidente dos anos 60 para cá. Antes disto, mulher boa era mulher cadeiruda, o que denota a capacidade de parir muitos filhos. E até hoje são elas que a-hazam em muitas culturas tradicionais, da África ao Pacífico. Porque gordura é sinal de status: em lugares onde se passa fome, não existe maior luxo do que a obesidade. Mas nem sempre a vida é fácil para as fofas. Na Mauritânia, que tem a maior parte de seu território no deserto do Saara, muitas famílias escolhem uma das filhas para ser cevada. A palavra é esta mesmo, porque o tratamento equivale à engorda dos gansos que produzem o foie gras: a coitada é enviada aos cuidados de uma senhora, geralmente numa localidade distante, e passará uma temporada ao lado de outras meninas, só comendo e dormindo. Parece maravilhoso, mas não é. Elas se entopem de leite de camelo, manteiga e papas de cereais, ingerindo mais de 16.000 calorias por dia (um adulto precisa de apenas 4 mil). Voltam rechonchudas para casa e logo arranjam marido - a maioria se casa antes mesmo de menstruar. E, para os mauritanenses, não há fetiche erótico mais poderoso do que as estrias... O resultado é que o país tem o maior número de ataques cardíacos per capita do mundo, ganhando até mesmo dos Estados Unidos. Dona Redonda iria se sentir em casa.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A DANÇA DO SIRI

Essa Apple, hein? Sempre surpreendendo. Quando o mundo inteiro esperava que a empresa lançasse o iPhone 5, o que foi que ela fez? Não lançou! Incrível. Mas a entrevista coletiva de hoje – a primeira sem Steve Jobs – apresentou nada menos que OI-TO novas cores para o iPod Nano, além de um software para o iPhone 4 ligeiramente perturbador: uma vozinha feminina que mora lá dentro do aparelho, entende os seus comandos e faz tudo o que você mandar. A novidade se chama Siri, mas se ainda estivéssemos nos anos 60 se chamaria Jeannie é um Gênio. Já estou rindo só de pensar nas mensagens que ela vai mandar errado, nos compromissos desmarcados, nos voos perdidos…

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

LOURA BOA

Para quem entende inglês e se interessa pelo assunto: Gwyneth Paltrow postou em seu site uma discussão interessante sobre homossexualidade e a Bíblia. Sim, Gwyneth Paltrow. A senhora Chris Martin, que deve estar torcendo para que só haja mulher feia no Rio. Há algum tempo que eu penso em Gwyneth como uma loura burra "high maintenance" - mais precisamente, desde que ela cometeu o sacrilégio de derrotar Fernanda Montenegro no Oscar. Visitei o Goop um única vez e achei uma bobajada colossal escrita por uma patricinha de Beverly Hills. Com dicas super úteis do tipo "onde comprar essa bolsa de 7 mil dólares", em plena recessão americana. Mas a verdade é que miss Paltrow é uma moça inteligente (fala um espanhol fluente, com çççotaque madrilenho) e uma pessoa do bem. Só lamento ela não ter resistido à falsa tentação de ser "equilibrada" e publicado um trecho do livro de um padre homofóbico. Achou que seria justo mostrar uma opinião "mais conservadora" em meio as outras, todas simpáticas à nossa causa. Tsk, tsk. Homofóbico não merece espaço. Homofóbico merece se fuder.

(obrigado ao Wair de Paula do blog Crônicas Gulosas pela dica)

domingo, 2 de outubro de 2011

ELE NASCEU UNPLUGGED

É inacreditável a longevidade do Tony Bennett. Desconfio que, depois do holocausto nuclear que destruirá grande parte do planeta, ele estará cantando seus maiores sucessos para uma plateia de baratas, tão sobreviventes quanto ele. Aliás, "sobrevivência" é uma palavra fraca demais para o vigor que ele exala aos 85 anos, tanto físico quanto artístico e comercial. Tony Bennett é um dos poucos artistas que a geração dos meus pais gostava que conseguiu se conectar com a geração seguinte (a minha). E tudo isto sem alterar o jeito de cantar nem o repertório de "standards". A estratégia foi mais simples: gravar com artistas mais jovens e chamar a atenção do público original da MTV, que começava a entrar na meia idade ali pelo final dos anos 90. Deu super certo, com o álbum "MTV Unplugged" ganhando o Grammy e abrindo uma nova fase de glória para um cara que passou a maior parte da carreira sendo visto como um sub-Frank Sinatra. Tony e Frank têm origens semelhantes, na classe operária formada pelos imigrantes italianos na costa leste dos EUA. Mas enquanto Sinatra foi para o cinema (chegou até a ganhar um Oscar) e se tornou um símbolo de sofisticação, Bennett nunca se livrou da imagem de açougueiro com vozeirão. Deu azar por sua idade: dez anos mais novo que seu ídolo, estourou em plena era dos Beatles e sempre foi desprezado pela garotada. Mas a vida dá voltas, e hoje esses garotos envelhecidos adoram quando ele torna "hip" outra vez os clássicos do cancioneiro americano. O disco "Duets II" assume até no nome que repete uma fórmula consagrada, mas é cheio de surpresinhas. Muito já se falou da ótima performance de Amy Winehouse em "Body and Soul"; ainda mais impactante é descobrir que Lady Gaga tem voz e swing em "The Lady is a Tramp", e poderia ser crooner de orquestra em outros tempos. Os arranjos são atemporais e a lista de convidados segue, evidentemente, as necessidades mercadológicas da gravadora: tem nomes do country, da música latina e até da ópera. Mas gostei especialmente de ouvir "Yesterday I Heard the Rain", versão em inglês para "Esa Tarde Vi Llover" - o carro-chefe de Armanado Manzanero, o Tom Jobim mexicano - que meu xará divide com Alejandro Sanz. Tony Bennett devia ter vindo ao Rock in Rio: este sim é rock'n'roll, na energia e na atitude.

sábado, 1 de outubro de 2011

BLUE EYED PEA

David Guetta já foi transado. Ele tinha uma certa aura cool quando tocava nas boates de Paris ou Ibiza, e lançava coletâneas com nomes refinados como "Fuck Me! I'm Famous". Mas esse francês preferiu sua parte de dinheiro e partiu para conquistar a América. Aliou-se a will.i.am, com quem escreveu e produziu um hit atrás do outro para os Black Eyed Peas. A partir do mega-sucesso "I Gotta Feeling", criou uma sonoridade facilmente reconhecível e levemente irritante, mas que continua a dominar as paradas de lá - vide "Party Rockin'" do LMFAO, o hino do verão americano. Agora ele quer se tornar um superstar por conta própria. O álbum duplo "Nothing but the Beat" é ambicioso e traz uma constelação de convidados do rap e do rhythm'n'blues. O primeiro disco, "Vocal", é farofa eletrônica em estado puro. Um refrão pegajoso atrás do outro, que vão tocar sem parar nas baladas HT de todo o planeta. Ouvidas individualmente, as faixas são divertidas. Como "Where Them Girls At", o primeiro single, que tem participação de Flo Rida e Nicki Minaj. Mas escutar este CD de enfiada é receita para dor de cabeça. Eu me senti numa festa onde já estou exausto mas a pessoa que vai me dar carona ainda não quer ir embora. Esperava mais experimentação no segundo disco, "Electronic", mas o que encontrei ali foi Daft Punk requentado. David Guetta é fun fun fun, mas tem uma hora em que cansa.

TÔ PENSANDO QUE TRAVESTI É BAGUNÇA

Há dois anos que eu ouço falar em "Elvis e Madona", desde que o filme passou no Festival MixBrasil de 2009. O Thiago do Introspective viu na época e adorou. Depois de mais alguns festivais e até prêmios, o filme finalmente estreou em SP na semana passada. Demorou tanto que até parte do elenco (Buza Ferraz e Duse Naccaratti) já morreu. Tampouco está fazendo boa carreira: continua em cartaz em apenas três salas, sempre em horários alternativos. Não que merecesse mais: "Elvis e Madona" é ruim para caralho. O diretor roteirista Marcelo Laffitte parte de um argumento recheado de potencial - o caso de amor entre uma lésbica e um travesti - e consegue desperdiçá-lo em todos os sentidos. O elenco principal se esforça muito, mas muito mesmo, mas não consegue disfarçar o fato de ter sido mal escolhido. Igor Cotrim faz uma drag queen musculosa demais para ser crível, quase um touro de virilidade. Ao mesmo tempo, por causa do roteiro simplório, sua Madona é ridiculamente frágil. Queria só ver se, na vida real, um cafetão conseguiria surrupiar toda a grana acumulada por uma trava de respeito sem levar uma surra ou ser passado na gilete. Simone Spoladore, por sua vez, faz todos os trejeitos que se esperam de uma caminhoneira, mas não logra superar sua graciosidade natural. Além do mais, dá para perceber que Laffitte tem pouca intimidade com o universo semi-marginal que se propõe a retratar. O clima frequentemente descamba para a comédia de TV, só que mais pobrinha e sem ritmo. E o obstáculo criado para o romance entre duas criaturas tão diversas não é a tensão natural que resultaria desta relação, mas um inimigo externo que acaba sendo eliminado por razões também extrínsecas ao par central. Só se salva o ator Sérgio Bezerra, que, por seu tipo físico que lembra o de um tiranossauro em versão humana, compõe um vilão de fato assustador. O resto é um filme bagunçado e pretensioso, travestido de obra transgressora.