segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O PROTO-BLOGAYRO

Estou adorando a biografia "João do Rio" escrita e re-escrita por João Carlos Rodrigues. O autor reviu e ampliou uma primeira versão da obra publicada há muitos anos, e o resultado é um mergulho delicioso no Rio da belle époque. Uma época muito rica tanto politica quanto culturalmente, com figuras como Machado de Assis, Rui Barbosa, o Barão do Rio Branco e mais um monte de outros nomes de rua. João do Rio - pseudônimo de Paulo Barreto, que tinha muitos outros - era o grande cronista da cidade, e ainda escrevia contos "decadentistas", com alguns toques de terror e - numa grande ousadia para aquele tempo - muitos toques de viadagem. Foi um dos inventores do jeito de ser carioca e da narrativa que a Maravilhosa gosta de contar sobre si mesma. João do Rio já era uma celebridade aos vinte e poucos anos. Aos trinta, entrou para a Academia Brasileira de Letras. E morreu pouco antes de fazer 40, em 1921, de enfarte agudo dentro de um táxi. Seu enterro reuniu cerca de 100 mil pessoas, uma barbaridade. Ainda mais se lembrarmos que a cidade era muito menor do que é hoje e que não havia rádio nem TV. O único meio de comunicação de massa era a imprensa, e mesmo assim só para os relativamente poucos que sabiam ler. Estou tão fascinado com o estilo e a personalidade de João do Rio que corri para comprar dois livros seus, as coletâneas "Dentro da Noite" e "A Alma Encantadora das Ruas". E fico imaginando como ele se esbaldaria nos dias de hoje, causando furor nas redes sociais e na blogosfera.

QUEM SAI AOS SEUS

Acho que eu iria surtar de verde e amarelo se um filho meu me dissesse que é evangélico. Reagiria como aqueles pais à moda antiga, que ao saber que o filho é gay ficam se perguntando "onde foi que eu errei?". Diria que é só uma fase e culparia as más companhias. Levaria para viajar, daria drogas, trancaria no quarto para sempre. Jamais faria como a Paula Lavigne, que disse à revista "Serafina": "Qualquer coisa que faz bem aos meus filhos faz bem para mim". Caetano Veloso também contemporizou. Falou que "enxerga o bem que a religião faz" nos filhos e que costuma ir aos templos para vê-los tocar, onde é sempre bem-recebido. Jesus Maria José. Eu provavelmente não me importaria se um filho meu se convertesse ao zoroastrianismo ou virasse devoto do Caboclo Pena Branca, mas a Universal do Reino de Deus é um pouco meio muito. Aquilo não é uma religião: é um grande esquema para arrancar dinheiro dos pobres. Li em algum lugar que os bispos de lá não condenam mais a homossexualidade, talvez sentindo que o vento está mudando de direção. Tomara que seja verdade, mas ainda não é o bastante para me fazer mudar de opinião. Não tenho, de maneira alguma, a tolerância e a compreensão de Paula e Caetano. Só se Tom e Zeca fossem filhos meus.

O MUSEU DA GANÂNCIA BRASILEIRA

Edemar Cid Ferreira finalmente foi despejado de sua monstruosa mansão no Morumbi, depois de quase sete anos sem pagar aluguel. Um processo ainda mais tortuoso é o que selará o destino de sua coleção de arte, avaliada em 30 milhões de dólares. Um juiz sugeriu que alguma empresa - talvez "um banco de renome" - compre a casa com a porteira fechada e a transforme num museu, aberto à visitação pública. Algo como a Frick Collection de Nova York: o deslumbrante palácio de um quaquilionário que aprontou todas para enriquecer, e que hoje serve como centro cultural e cápsula do tempo. O problema é que nenhum banco vai querer se associar a um banqueiro caído em desgraça (aliás, custo a crer que algum dia teve gente que quis se associar a um sujeito chamado Edemar Cid). Ninguém vai dizer, "vamos conhecer o Museu Bradesco"? Não, vão dizer "vamos à casa do Edemar". É pena, porque a coleção tem mesmo obras muito importantes. Agora ela talvez se desfaça, se pulverize, e vamos perder a chance de visitar o Museu da Ganância Brasileira.

domingo, 30 de janeiro de 2011

JUNTO E MISTURADO

Não consigo fazer uma coleta seletiva dos meus sentimentos sobre “Lixo Extraordinário”. Estão todos inextricavelmente enrolados, os bons e os maus. O documentário é uma mistura de “Globo Repórter” com “Porta da Esperança”. Também é uma ação realmente generosa, um infomercial do Vik Muniz e um making of da abertura da novela “Passione”. Os catadores de lixo me pareceram estar sendo ajudados e explorados ao mesmo tempo. As seis pessoas escolhidas como protagonistas no aterro sanitário do Jardim Gramacho têm carisma e muita, muita sorte; o mesmo não aconteceu com as centenas de outras que ficaram por lá. Há um certo clima de auto-congratulamento que percorre o filme inteiro, um tom de “olha só como nós somos legais” que me incomodou um pouco. Isto não quer dizer que não me emocionei com as histórias de Tião, Ísis, Suelem: são todos brasileiros com “B” maiúsculo, os verdadeiros batalhadores que a propaganda de cerveja gostaria de ter. É incrível a disposição e o entusiasmo que eles apresentam naquele que deve ser um dos piores empregos do mundo, apesar de nem ser tão mal pago assim (vivem uma situação algo diferente dos miseráveis de “Ilha das Flores”). Mas, quando vislumbram a possibilidade de fugir para longe dali, se agarram a ela com unhas e dentes. O conto de fadas contado na tela continua na vida real, com a indicação ao Oscar. A torcida é que este momento-Cinderela não seja fugaz e os catadores não repitam a trajetória do garoto de “Pixote”. Por outro lado, sei que é muito fácil criticar Vik Muniz e a equipe de filmagem daqui do conforto da minha poltrona: pelos menos eles foram lá, no lixão. Eu não fui.

sábado, 29 de janeiro de 2011

ESTRELAS NASCEM PRONTAS

Estou gravando comerciais com duas jovens estrelas da Globo. O rapaz já não é mais segredo, mas a moça ainda não posso revelar quem é. Só posso dizer que está sendo fácil trabalhar com os dois. Além de bonitos e talentosos, aceitam direção e são gentis com a equipe. Também possuem uma característica especial que faz toda a diferença: star quality. É algo que se tem ou se não tem. Não adianta estudar na Julliard School ou dormir com o diretor. Para ser estrela é preciso nascer estrela. Claro que a experiência ensina alguns truques, e nem todas as estrelas têm o mesmo tempo de vida. Mas são identificáveis desde muito jovens. Hoje pela manhã gravamos uma cena com uma menina que faz teatro aqui no Rio, mas praticamente uma desconhecida. Tinha feito um bom teste e ainda assim nos surpreendeu a todos. É uma versão brasileira da Julia Roberts, com um sorrisão de 5.000 watts. Quando pusemos dois coadjuvantes ao seu lado, ela instintivamente os ofuscou. Não era de propósito, muito menos por sacanagem. Mas a verdadeira estrela suga todos os olhares para si. Basta jogar o cabelo para o lado que nos esquecemos de quem estiver por perto. Não sei se esta garota fará carreira; há muitos outros fatores em jogo, principalmente a sorte. Mas o mais difícil de tudo ela já tem.

DEUS PROÍBA

A divisão política nos Estados Unidos chegou a um tal ponto de ridículo que nem mesmo o canal Fox aceitou este comercial aí em cima, impedido de veicular no intervalo do Super Bowl. Deus nos livre e guarde disto se repetir no Brasil.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

LIXO NÃO-EXTRAORDINÁRIO

Estava curioso para ver "Inverno na Alma" desde que o filme faturou alguns prêmios no festival de Sundance do ano passado. Nesta semana o drama "indie" foi indicado a 4 Oscars, uma grande façanha para uma obra tão modesta: melhor filme, melhor atriz, melhor ator coadjuvante e melhor roteiro adaptado. Por isto era o primeiro da minha lista, entre as muitas estreias desta sexta. Fui para o cinema pronto para adorar. E sabe quando você passa o filme inteiro no aguardo? "Agora tá chato, mas daqui a pouco vai melhorar... tenho certeza, vai melhorar... mas não é possível...". Não melhora. Neguinho que anda reclamando de "Biutfiul" deveria ver só para saber o que é deprê para valer. O filme do Iñárritu pelo menos tem fotografia, música, montagem e mais um monte de qualidades, mas este aqui só tem atores. Jennifer Lawrence está de fato muito bem como a adolescente de 17 anos que procura o pai fugitivo. Ele foi solto sob fiança, mas deu a casa onde mora a família como garantia. Se não aparecer logo, vão todos para o olho da rua, ou melhor, do mato, já que a história se passa numa inóspita zona rural. Todos os personagens são white trash, lixo branco: os americanos que, mesmo tendo origem europeia, não subiram na vida e acabaram empurrados para as margens da sociedade. Um pecado mortal num país onde se pensa que só é pobre quem não se esforça. O ritmo é estranho, meio seco, e eu ainda custo a acreditar que um filme tão árido tenha caído nas graças da Academia. Existem maneiras mais agradáveis de se sofrer no cinema.

I'LL FOLLOW YOU UNTIL YOU LOVE ME

Vim para o Rio ontem à tarde, acompanhar as filmagens de uma campanha publicitária. Foi meio na surdina: não postei aqui no blog nem avisei à imprensa, só a alguns amigos mais chegados. De nada adiantou. Hoje um paparazzo me descobriu e pronto, lá fui eu para o "Ego". O cara me pegou desprevenido, tanto que me fez descumprir meu 1o. Mandamento para Sair Bem em Foto: "Nunca te Deixarás Fotografar ao Lado do Cauã Reymond". Bom, pelo menos ele não me flagrou de perfil.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

LEITE DE TIGRE

Que tipo de mãe recusa os cartões de aniversário feitos à mão pelas filhinhas pequenas? Pior - exige que elas façam cartões melhores? Claro, uma mãe de origem chinesa. Amy Chua está causando furor nos Estados Unidos com seu livro "O Hino de Guerra da Mãe Tigre". E não era para menos: a mensagem central da obra acerta em cheio numa das maiores ansiedades americanas do momento, a ascensão da China. Culpa da lassidão das mães dos EUA, diz Amy. Ela criou suas filhas num sistema de dar inveja à Coréia do Norte: as meninas não podiam dormir nas casas das amigas, tinham que ser as primeiras de suas classes e também virtuoses no piano e no violino. Tudo isto enquanto escreviam em braille com mão de gancho. OK, esta última parte eu floreei um pouco, mas o debate está comendo solto por lá. Amy está sendo acusada de repetir um sistema que gerou adultos robóticos e incapazes de se relacionar com outras pessoas. Mas as filhas, agora jovens adultas, já saíram em defesa da mamãezinha querida. Duvido que esta discussão sequer começasse no Brasil. Por aqui a relação entre educação e sucesso na vida ainda não fechou sinapse na cabeca de muita gente.

O ESCUDO DA VERGONHA

Ontem li que um supermercado (e não uma cadeia de lojas, como chegou a ser noticiado) no estado americano de Arkansas ocultou a capa da revista "US Weekly" com um ridículo "escudo familiar", para "proteger os jovens clientes". A esta altura todo mundo sabe que a capa em questão mostra Elton John e David Furnish com o bebê recentemente adotado pelo casal. Sinceramente, não achei que o caso rendesse post: um único supermercado, perdido no meiozão dos Estados Unidos... Mas a grita foi grande. Alguns leitores me mandaram o link e a repercussão internet afora foi bem considerável. Isto sim rende assunto: as pessoas ficaram indignadas com a censura absurda a uma inocente cena de família. Ultrajes como este encontram cada vez mais reações negativas por parte do público, e isto é ótimo. Como é que os gays vão conquistar respeito e provar ao mundo que são iguais a todo mundo, se o próprio mundo não quer ver? O mais patético é que o Arkansas PERMITE a adoção por casais do mesmo sexo. Será que a loja barraria duas bibas que entrassem empurrando um carrinho de bebê?

ATUALIZAÇÃO: A rede Harp's, dona do supermercado em questão, já se retratou. Explicou em seu site que o tal do "escudo" foi iniciativa de um único empregado de uma única loja, atendendo a reclamações de alguns compradores - mas que já foi retirado. Prova de que a repercussão foi mesmo negativa e que a empresa prefere agradar às pessoas de bem do que puxar o saco dos reacionários. Pelo jeito, estes estão virando minoria até mesmo no meiozão dos Estados Unidos.

PEGA MAS NÃO CONVENCE

Muita gente reclamou da escalação de Lázaro Ramos como o pegador André de "Insensato Coração". Eu inclusive: na minha crítica para a "Folha" na semana passada, disse que o ator, um dos melhores de sua geração, tinha um enorme desafio pela frente. Não incluí a palavra "negro" no meu texto, mas ainda assim atraí suspeitas de racismo. A blogosfera está cheia de piadinhas de péssimo gosto sobre o assunto, mas eu juro que esta carapuça não me serve. Acho bárbaro que um ator negro tenha sido escolhido para tal papel, mas o que se vê na tela, por enquanto, é uma chance desperdiçada. Sinto que o Lázaro ainda está bem pouco à vontade na pele do designer. Pudera, o personagem também não é lá muito bem escrito: as mulheres simplesmente se atiram nele, antes mesmo que o rapaz consiga abrir a boca. Ou seja, estão mais atraídas pela grana e prestígio do cara do que por seus dotes donjuanescos. Assim não vale. Para mim, o verdadeiro sedutor é aquele que seduz a mulher que não está a fim. O que vai lá e solta um papo, um olhar mais safado, uma raladinha de mão e baubau (isto também vale para o mundo gay, claro, com os devidos sinais trocados). André Gurgel, do jeito que está, simplesmente não cola.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

EGITO, EGITO Ê

Saca só essa foto aí ao lado. Tão ou mais legal do que os manifestantes que estão rasgando o retrato do Mubarak, ditador egípcio há mais de 30 anos, são as dezenas de outros que estão fotografando a cena com seus telefones celulares. Dali a pouco essas fotos vão estar na internet, amplificando o recado da Revolução de Jasmim, na Tunísia, duas semanas atrás: sim, é possível. Basta querer. O Egito é um país muito maior, mais populoso e mais importante, e também tem um aparato policial ainda mais violento. Mas o que está acontecendo por lá lembra não só os recentes acontecimentos em seu vizinho na África do Norte, como também as primeiras passeatas contra o xá do Irã, em 1979. Eram ainda mais espontâneas, e isto numa época sem Twitter nem Facebook. Só mais tarde, depois da queda dos Pahlevi, foi que os aiatolás assumiram o controle e o país descambou para a teocracia fascista. O mesmo periga rolar às margens do Nilo, mas aí as potências ocidentais vão intervir. O Egito é por demais fundamental para cair em mãos fundamentalistas. Os tempos de turbulência podem estar apenas começando, mais uma vez melando - olha o egoistinha aí, gente - meus planos de conhecer as pirâmides ainda este ano. Não faz mal. As tiranias árabes merecem todas escorrer pelo ralo, uma atrás da outra, como um dominó liquefeito. Que mara-mara-mara-maravilha ê.

CONTO DE FODA

Não sou muito fã da Ke$ha. Acho suas músicas legaizinhas até o 2o. minuto, daí para a frente não tenho mais saco. E a imagem de sugismunda que ela adora cultivar me dá engulhos. Mas este vídeo produzido pelo site "Funny or Die" até que está engraçado. Ela não tem vergonha de tirar sarro de si mesma, se é que teve alguma vez. A ação parte daquela famosa cena de "Encantada" em que Amy Adams cantava com ratos e baratas e takes it to the next level, com direito a um fado padrinho. Agora quero ver Susan Boyle fazendo o Humpty Dumpty.

SEM VONTADE DE COMER

Um filme sobre música pode ser um drama histórico. Um filme sobre balé pode ser de suspense ou até mesmo de terror. Mas um filme sobre comida é sempre, invariavelmente, sobre sedução. O protagonista cozinha maravilhosamente bem e seduz quem estiver por perto. Isto vale para todos, desde o comportado "Julie e Julia" até o brasileiro "Estômago", que tinha grande parte da ação se passando dentro de uma cadeia. A sedução em "Dieta Mediterrânea" é mais escancarada: Sofía é uma cozinheira tão boa, mas tão boa, que dois homens incríveis a amam desde criança. E ela, que de boba não tem nada, não abre mão de nenhum dos dois. Essa comédia espanhola chega por aqui com dois anos de atraso, mas podia até ter demorado mais. Não é grande coisa: apesar da beleza dos atores (especialmente Alfonso Bassave) e de algumas paisagens, a trama provoca poucos risos e desafia o senso comum. Dois machos espanhóis que topam dividir uma mesma muchacha? OK, nem tão machos assim, e o filme marca pontos ao mostrar que eles não são inflexíveis. Também gosto da mensagem libertária: se três pessoas são felizes juntas, que o sejam. Ninguém tem nada a ver com isto. Mas estas ligeiras qualidades empalidecem perto de um defeito muito mais grave. "Dieta Meditrrânea" deve ser o primeiro filme culinário que não deixa o espectador com fome ao sair do cinema.

(Minha coluna de hoje na Folha.com fala sobre o fim do "bromance" entre o Diogo e o Mau-Mau do "BBB 11". Boninho ainda não se manifestou.)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O DEDO INDICADOR

Já virou uma tradição. Todo ano, na véspera do anúncio das indicações ao Oscar, eu faço previsões aqui no blog e depois volto para ver quantas acertei. Na verdade, o maior mérito é do Nathaniel Rogers, que mantém o site "The Film Experience" e consegue ser ainda mais obssessivo do que eu. O cara monta vigília o ano inteiro e faz previsões mensais, num sobe-e-desce interminável. Mas não concordamos em tudo: não tenho nenhuma informação de cocheira que ele não tenha, mas nossos gostos e intuições divergem um pouco. Lá vão os meus palpites:

MELHOR FILME

Esta categoria perdeu metade da graça depois que os indicados passaram a ser 10. Ficou meio fácil prever os finalistas. Este ano há um consenso de que são 11 as possibilidades, então só um vai ficar de fora. São eles, em ordem decrescente de probabilidade:

A Rede Social
O Discurso do Rei
A Origem
O Vencedor
Cisne Negro
Toy Story 3
Bravura Indômita
Minhas Mães e Meu Pai
127 Horas
Inverno na Alma
Atração Perigosa

Alguns sites estão falando de "O Escritor Fantasma", de Roman Polanski, mas eu duvido.

ATUALIZAÇÃO: "Atração Perigosa" - o nome babaca que "The Town", de Ben Affleck, recebeu no Brasil - ficou de fora. Polanski? Te conheço?

MELHOR DIRETOR

Quer saber quem seriam os 5 indicados a melhor filme se a antiga regra ainda valesse? Confira os indicados ao Oscar de direção. Os favoritos são, em ordem alfabética:

Darren Aronofsky ("Cisne Negro")
David Fincher ("A Rede Social")
Tom Hooper ("O Discurso do Rei")
David O. Russell ("O Vencedor")
Christopher Nolan ("A Origem")

Aronofsky e Russell são os mais vulneráveis e perigam perder a vaga para os irmãos Coen, de "Bravura Indômita".

ATUALIZAÇÃO: Como assim, Christopher Nolan ficou de fora? "A Origem" não é um filme tão profundo quanto se pretende, mas é um show de direção. Entraram os Coen, OK, mas ignorar Nolan novamente (a outra vez foi por "Batman, o Cavaleiro das Trevas") é uma "whore lack of sluttiness".

MELHOR ATOR

Javier Bardem ("Biutiful")
Jeff Bridges ("Bravura Indômita")
Jesse Eisenberg ("A Rede Social")
Colin Firth ("O Discurso do Rei")
James Franco ("127 Hours")

As chances de Bardem cresceram nos últimos dias, depois que sua cupincha Julia Roberts promoveu uma sessão privé de "Biutiful" para alguns figurões de Hollywood. Mas ainda é o mais frágil da turma: pode perder para Robert Duvall ("Get Low") ou Ryan Gosling ("namorados para Sempre").

ATUALIZAÇÃO: Julia Roberts tem a força. Emplacou o Bardem. E eu também, porque acertei todas.

MELHOR ATRIZ


Annette Bening ("Minhas Mães e Meus Pais")
Nicole Kidman ("Reencontrando a Felicidade")
Jennifer Lawrence ("Inverno na Alma")
Natalie Portman ("Cisne Negro")
Michelle Williams ("Namorados para Sempre")

Só Annette e Natalie podem dormir tranquilas. Todas as outras estão ameaçadas pela adolescente Hailee Steinfeld, que pode emplacar tanto como atriz principal quanto como coadjuvante. Mas eu torcia mesmo era pela Tilda Swinton.

ATUALIZAÇÃO: Todas de novo (bocejo).

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Christian Bale ("O Vencedor")
Andrew Garfield ("A Rede Social")
Jeremy Renner ("Atração Perigosa")
Mark Ruffalo ("Minhas Mães e Meu Pai")
Geoffrey Rush ("O Discurso do Rei")

Ruffalo corre o risco de ser ultrapassado por Matt Damon ("Bravura Indômita") ou pelo desconhecido John Hawkes ("Inverno na Alma").

ATUZALIZAÇÃO: O lindinho do Andrew Garfield ficou de fora. Zuzo bem, ele vai explodir de fama e riqueza quando estrear seu "Homem-Aranha". E Ruffalo acabou entrando, assim como Hawkes.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE


Amy Adams ("O Vencedor")
Helena Bonham-Carter ("O Discurso do Rei")
Mila Kunis ("Cisne Negro")
Melissa Leo ("O Vencedor")
Jacki Weaver ("Animal Kingdom")

Novamente, a estraga-prazeres pode ser Hailee Steinfeld. Mas não me espantaria se a guria de apenas 14 anos saísse de mãos abanando.

ATUALIZAÇÃO: Hailee estragou os prazeres de Mila.


O anúncio oficial será amanhã, dia 25, às 11 e meia da manhã (hora de Brasília). Estarei sentadinho em frente à TV (CNN e E! costumam transmitir ao vivo), anotando quantas indicações acertei. Depois eu volto a este post.



Alguns comentários sobre a lista completa de indicações:

- "Burlesque" não foi indicado a absolutamente nada. Nem na categoria "Melhor Canção", onde era considerado forte concorrente. E assim perdemos a chance de ver Cher bradando o hino "You Haven't Seen the Last of Me", atualmente bombando nas pistas gays, no palco do Kodak Theatre.

- Meu adorado "Eu Sou o Amor" conseguiu ser lembrado para "Melhor Figurino". As roupas são de fato lindas, mas foram mesmo desenhadas pela indicada Antonella Cannarozzi? Os créditos listam Prada e Jill Sander. Ah, e uma boa notícia: o filme estreia por aqui em março!

- O lírico e triste "O Mágico", que eu vi em Paris e está em cartaz no Brasil, foi indicado, mas vai perder o Oscar de longa de animação para "Toy Story 3". Sylvain Chomet só terá chance no ano em que a Pixar não concorrer.

(Confira tambem as atualizações no post sobre filme estrangeiro, mais abaixo)

ALEGRIA DE MORRER

A iminência da morte é um tema que está na moda. Assim como Javier Bardem em "Biutiful", a protagonista de "The Bg C" - que está sendo exibida no Brasil pela HBO - recebe a terrível notícia de que tem um câncer terminal e pouquíssimo tempo de vida. Mas, ao contrário daquele, sua reação é quase de euforia. Afinal, trata-se de uma comédia, e a premissa do programa é atraente: "Já que vou morrer logo mesmo, então vou fazer tudo o que eu tiver vontade". A calma e alegria da personagem nos primeiros episódios beiram o inverossímil. Ela parece ter queimado todos os quatro primeiros dos famosos "estágios" (negação, barganha, raiva e desânimo) e caído direto no último, aceitação, de pára-quedas e com um daiquiri na mão. Cathy Jamison resolve aproveitar ao máximo os meses que lhe restam, com uma atitude mais positiva do que qualquer grupo de apoio seria capaz de dar. Claro que nem tudo são flores: às vezes a ficha cai, junto com a moral da moça. Neste começo de série ela não conta para ninguém que está doente, pois acha que nem amigos nem a família estão preparados para saber - o que não deixa de ser uma forma de tapar o sol com a peneira. Isto faz com que seu comportamento imprevisível seja visto como amalucado, causando ansiedade ao seu redor mas também gargalhadas no espectador. A grande Laura Linney, que lembra uma Meryl Streep da geração seguinte, está plenamente à vontade, ajudada pela também grande (inclusive no tamanho) Gabourey Sidibe. Ouvi dizer que o tom de galhofa do início vai aos poucos ficando mais pesado; era mesmo de se esperar. Mas o fim inevitável não deve chegar tão cedo, já que "The Big C" foi renovado para uma segunda temporada.

(Opa, já tem mais um texto meu sobre o "BBB 11" na Folha.com. E mais uma vez o Boninho elogiou pelo Twitter... Assim vou ficar sem graça quando tiver que falar mal. Deve ser esta a estratégia dele para me neutralizar.)

BELÍSSIMO SOFRIMENTO

Pronto, chegou o primeiro grande filme do ano. "Biutiful" é deprimente e pessimista, mas também é muito, muito bonito. O mexicano Alejandro González Iñárritu comprova mais uma vez que é um dos maiores diretores do mundo. Movimentos de câmera, fotografia, montagem e até mesmo o sound design - a "cama" de efeitos sonoros que envelopa as imagens - são simplesmente primorosos. Tudo isto e mais atores fantásticos, que não deixam Javier Bardem brilhar sozinho. Ele está ótimo como sempre e mais bonito do que nunca, com cabelos compridos a emoldurar sua cara de "touro de Picasso" (como disse Fernanda Montenegro). Mas é coadjuvado por muita gente boa, das crianças que fazem seus filhos à estreante Maricel Álvarez, a esposa bi-polar. O roteiro é que não provoca unanimidade. Pela primeira vez livre das complicadas estruturas de Guillermo Arriága, Iñárritu agora conta uma história linear, mas continua falando de morte e redenção. Tem algo de muito mexicano nessa mistura, apesar da ação se passar toda em Barcelona. A cidade aparece muito diferente de sua imagem glamurosa: esquálida, cinzenta, hostil. O personagem de Bardem é um semi-marginal que descobre que tem poucos meses de vida; tudo o que já vai mal piora ainda mais, e muito. Ele sofre sem parar, mas não o espectador. Porque Iñárritu cria sequências memoráveis: uma perseguição da polícia aos camelôs africanos pelas ramblas, um inferninho sob a luz estroboscópica e uma cena na praia que começa lírica e termina de maneira aterradora. O cinema de Iñárritu é violento e quase cruel, mas sempre deixa um fio de esperança. "Bituiful" é um pouco longo demais e vai dividir as opiniões. Eu estou do lado dos que gostaram - e muito.

domingo, 23 de janeiro de 2011

CLASSE TURÍSTICA

“O Turista” tinha tudo para ser um filminho delicioso, pelo menos no papel: Johnny Depp, Angelina Jolie, locações magníficas na Europa e uma trama rocambolesca adaptada do sucesso francês “Anthony Zimmer”. Aí Angelina quis porque quis chamar Florian Henckel Von Donnersmarck para assumir a direção. O cara assinou o ótimo “A Vida dos Outros”, vencedor do Osacr de filme estrangeiro em 2007. Mas aqui ele se comporta exatamente como o clichê de um diretor intelectualóide a cargo de um filme de ação. Reescreveu o roteiro e retirou dele quase todo o humor; conseguiu não explorar a beleza estonteante de Veneza; e ainda cometeu a sequência de perseguição mais lenta da história do cinema, com os malvados perseguindo a pé as lanchas onde estão os astros. Que também têm sua culpa pelo quase-desastre. Depp está horrendo, com o cabelo sujo e as bochechas inchadas. Lembrei de um travesti que pedia esmolas nos sinais da Av. Paulista; o coitado tinha uma barbinha que emoldurava o rosto siliconado, um pavor. E Angelina peca pelo excesso de glamour. Entra numa delegacia desfilando como se estivesse na abertura de “As Cariocas”, ao som de “bela, bela, bela…” Disse quase-desastre porque há alguns momentos divertidos, ainda bem. Mas nada que justifique o entusiasmo que senti quando vi o trailer pela primeira vez, em agosto do ano passado. Êita filminho de segunda.

(Esqueci de dizer que meu 8o. texto sobre o "BBB 11" já está aqui, na Folha.com.)

sábado, 22 de janeiro de 2011

YOLERIIIIITIIIIIIIIII

A "competição de talentos" é uma hipocrisia que foi incorporada ao concurso de Miss América só para fazer parecer que a vencedora não foi escolhida apenas por ser bonita e gostosa. Mas deveria fazer parte de todos os certames parecidos do planeta, porque é a única parte da cerimônia que oferece diversão garantida. Olha só a façanha de Alyse Eady, a miss Arkansas. De um único golpe, ela me fez gostar de três coisas que eu geralmente abomino: ventríloquos, música country e misses (perdão, Celso Dossi). O talento da moça é até maior que sua beleza, ou você acha que é fácil cantar yodel com os dentes fechados? Elyse ficou em segundo lugar no placar geral e levou 25 mil dólares. Em compensação, será a única da edição 2011 a ser lembrada no futuro.

VÉRSION FRANÇAISE

Pela primeira vez na vida, assisti a muitos dos indicados ao César antes mesmo de saírem as indicações. Elas foram anunciadas ontem e eram bastante previsíveis: "Homens e Deuses", um filme belo e triste sobre monges franceses na Argélia, é o grande favorito. Era o escolhido pela França para representá-la nos Oscars, mas foi desclassificado. Uma putaine faute de sacanage, pois eu o vi na Mostra e é de fato excelente (deve estrear no Brasil em fevereiro). O fabuloso Eric Elmosnino deve ser premiado por seu impressionante trabalho em "Gainsbourg" (outro que entra em cartaz tout de suite). E o polêmico "Carlos" continua causando: foi indicado a melhor diretor e ator-revelação, mas não para filme (originalmente era uma minissérie) nem ator. Aliás, a definição de ator-revelação é bem ampla: o teteia do Gregoire Leprince-Ringuet, que num mundo justo e francófono estaria fazendo o papel do Tintin, já foi indicado quatro vezes nesta categoria, a primeira há sete anos. Também é curioso que "O Escritor Fantasma" do Polanski esteja concorrendo a vários prêmios. O filme trata da política britânica e foi rodado em inglês com atores idem. Mas como foi financiado em parte com capital francês, francês é considerado. No mais, resta a divina dúvida: por quem torcer para melhor atriz? A über-deusa Catherine Deneuve, que venceu "apenas" duas vezes em sua longuíssima carreira, ou a deusa in progress Kristin Scott-Thomas, que emplacou a terceira indicação consecutiva numa língua que não é a sua?

(a relação completa dos indicados pode ser baixada em pdf direto do site da Académie des Césars)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

IBERICICES

Sim, tenho dançado em frente ao espelho ao som dos novos hits da Britney e da J.Lo, assim como todos vocês. Mas por causa do pancadão de trabalho que está sendo este mês, venho preferindo umas coisas mais calminhas para escutar. Por acaso ou não, quase todas são de boa cepa ibero-americana. Adelante:

“Guia” é o novo disco do neo-fadista António Zambujo, por quem me encantei há dois anos. Ele canta o fado com voz de barítono e arranjos que modernizam discretamente as tradicionais guitarras portuguesas. E continua a me deixar encafifado: em “Quase um Fado”, por exemplo, confessa que “trago no peito segredos, ocultos desejos”. Para mim essa Coca é Fanta - ou melhor, Sumol.

Mercedes Sosa morreu há mais de um ano e agora sai o registro de sua última turnê, “Deja la Vida Volar”. O repertório é um verdadeiro quien es quien da música latina: tem Astor Piazzola, Fito Páez, Victor Jara, Jorge Drexler e até os nossos Chico Buarque e Milton Nascimento. “La Negra” já estava meio entrevada em 2008, mas no palco era mais viva do que Amy Winehouse. E soa quase sensual na linda “Como la Cigarra”. Valei-nos, Nuestra Señora de Luján!

Gosto do peruano Miki Gonzalez desde 2006, quando comprei em Lima seu fantástico CD “Etno Tronics”. Ele mistura o som afro-peruano (sim, isto existe) com batidas eletrônicas e toques new age, e o resultado é sempre interessante. Agora acrescentou à receita o flamenco e a sevillana: “Landó por Burlerías”, quase todo instrumental, é para ser ouvido a goles de leche de tigre.

(E para quem não tem mais o que fazer: meu novo texto sobre o "BBB 11" para a Folha.com está aqui.)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

NO TAPETÃO

Então é assim? Vamos conquistar o casamento igualitário de mão beijada, sem bate-boca no Congresso nem ameaça de guerra civil? O Supremo Tribunal Federal vota agora em fevereiro um pedido do governador Sérgio Cabral, que quer estender aos funcionáros públicos do Rio de Janeiro que vivem uniões gays estáveis os mesmos benefícios que os héteros em situação semelhante já desfrutam. Isto significa nada menos que ca-sa-men-to - o Brasil é dos poucos países do mundo que equiparam mais de cinco anos de vida em comum ao casório de papel passado. E se vale para os barnabés fluminenses, vale para todo os brasileiros. Tudo indica que o STF será simpático à nossa causa, e o governo Dilma já sinalizou que também é a favor. E assim, graças ao Judiciário, vamos avançar numa luta que, se dependesse do Legislativo, nem começaria. Foi assim com a adoção por casais do mesmo sexo, com a reprodução assistida e agora com o casamento. O Brasil é mesmo um país muito esquisito, onde o telhado da casa é construído antes das paredes, mas melhor isto do que um buraco sem fundo. Não acredito: depois de 20 anos, finalmente vou virar uma mulher honesta!

(Leia aqui e aqui as matérias que o MixBrasil publicou sobre o assunto.)

OS GAROTOS DA CAPA

Olha só a capa da revista "Entertainment Weekly" que sai amanhã nos EUA - dá para ser mais fofa? Tenho vontade de empapelar as paredes do meu quarto com ela, de cobrir o Chris Colfer e o Darren Criss de beijos, de prender os dois com algemas e depois vendar-lhes os olhos... Pronto, passou, mordi minha espátula de borracha, já estou me sentindo melhor. O que importa mesmo é que a bicharada entrou para valer na TV americana, e felizmente por aqui também (as lésbicas nem tanto, lá ou cá). Os religiosos esperneam, os reacionários vociferam, mas a verdade é que o grande público está gostando (e digo isto APESAR da eliminação sumária da Ariadna no "BBB"). "Glee", a série mais desmunhecada de todos os tempos, é sucesso de audiência e de crítica. Por aqui, "Ti Ti Ti" está fazendo um bom trabalho. E "Insensato Coração", pelo menos até agora, vem mostrando os gays como eles são: nem caricatos, nem perfeitinhos demais. Viu a cena de aquendação na academia no capítulo de ontem? Tem aqui, no blog "Muque de Peão". Engraçada e totalmente crível.

FOREIGN AFFAIRS

Como sói acontecer, a lista dos 9 semi-finalistas às 5 indicações para o Oscar de filme estrangeiro traz algumas surpresas. Os países mais frequentes - França, Itália e Alemanha - dessa vez ficaram de fora. O caso deste último é curioso. Toda vez que inscreve um filme sobre o nazismo, a indicação é certa. Temas políticos como o terrorismo ("O Grupo Bader-Meinhof") ou o comunismo ("A Vida dos Outros") também ajudaram os alemães a acumular 6 indicações e 2 vitórias nos últimos 9 anos. Mas é só eles falarem da imigração turca que o Oscar foge espavorido: foi assim como o excelente "Do Outro Lado", em 2006, e agora com "Quando Partimos", o favorito do público na última Mostra de SP (e que eu burramente perdi). Culpa dos velhinhos que, sem ter mais o que fazer, assistem a quase todos os filmes inscritos em sessões promovidas pela Academia. O gosto dessa turma é tão quadrado que o processo de seleção foi alterado nos últimos tempos, devido às inúmeras reclamações. A ausência de "Cidade de Deus" entre os indicados de 2002 foi quase um escândalo: o filme foi compensado com 4 indicações no ano seguinte, e desde então qualquer obra meio parecida é indicada na certa (como "Tsotsi", da África do Sul, ou "Ajami" de Israel).

Hoje os velhinhos escolhem 6 dos 9 semi-finalistas. Os outros 3 são apontados por uma comissão de experts, numa tentativa de não deixar mais o Oscar ignorar o que há de novo no cinema pelo mundo. Depois todos assistem obrigatoriamente aos 9, para escolher os 5 finalistas. É meio complicado, mas é mais justo. Isto talvez explique a inclusão na lista do violento japonês "Confissões", em que uma professora resolve se vingar dos alunos que ela julga responsáveis pela morte de sua filha. Talvez não chegue até o final: os mais prováveis agora são o espanhol "También la Lluvia", o canadense "Incêndios", o dinamarquês "Em um Mundo Melhor" (que acabou de vencer o Globo de Ouro) e o mexicano "Biutiful", que estreia amanhã no Brasil (também está em cartaz por aqui o finalista da Argélia, "Fora da Lei", bem-feitinho e meio chato). O site "The Film Experience", um dos meus favoritos, traz os trailers de todos os 9 concorrentes numa única página. Quem for obcecado como eu não pode perder.

E mal vou comentar a esperadíssima exclusão do sofrível "Lula, o Filho do Brasil". O filme foi indicado pelo Brasil por duas razões: era a única super-produção do ano e, principalmente, para puxar ainda mais o saco do ex-presidente, como se ele estivesse precisando. "Tropa de Elite 2" sim, teria boas chances, mas o diretor José Padilha, esnobado pelo comitê brasileiro em 2007, dessa vez nem inscreveu seu flme. Azar nosso.

ATUALIZAÇÃO: "Incêndios", "Em um Mundo Melhor" e "Bitufiul" permanecem no páreo. O mediano "Fora-da-Lei" também entrou (a Academia parece que a-do-ra o diretor Rachid Bouchareb, esta é sua 2a. inidcação), assim como o desocnhecido "Dogtooth" da Grécia.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

NO PAREDÃO

Está sendo uma experiência curiosa comentar o "Big Brother Brasil" na Folha.com. Continuo não gostando do programa: acho todas aquelas pessoas muito desinteressantes, com as honrosas exceções da Diana e do Lucival. Também não suporto o excesso de provas e merchans; na edição noturna mal dá para ver como os concorrentes estão se relacionando entre si (não, não vejo o pay-per-view, tenho o resto da minha vida para cuidar). Mas é impressionante a repercussão do "BBB". Muita gente parece não ter outro assunto e as discussões acaloradas na internet desperdiçam uma energia que poderia iluminar o Sudeste. Passei a frequentar o Twitter dicumforça, ganhei um monte de novos seguidores da noite para o dia e estou sendo xingado à larga lá no site da Folha. Na boa: os comentários mais mal-criados que recebo aqui no blog são moças de fino trato comparados com os que me mandam por lá. Ontem no Twitter uma mulher que eu nem conheço resolveu azucrinar o meu dia: primeiro ficou me interpelando se eu era "heterofóbico", depois queria porque queria me colocar para bater boca com o Marcelo Dourado (tah boua?) e ainda criticou a versão brasileira da campanha "It Gets Better" ("o nome deveria ser em português! Muita gente não fala inglês..."). Mas não reclamo não, porque hoje está sendo um dia de glória. Um tal de @Boninho tuitou que tinha adorado meu texto sobre a eliminação da Ariadna. Foi o que bastou - mais seguidores, dezenas de RTs, um sem-número de menções. Durante algumas horas tive chamada na home do UOL e a matéria mais lida na "Ilustrada" online, que até agora foi recomendada por 219 pessoas e tem 42 comentários. Quando o "BBB 11" acabar serei esquecido, como a maioria dos participantes. Mas por enquanto não quero ser expulso da casa.

A REGENTE DE CARTAGO

Nunca tinha ouvido falar em Leila Trabelsi até semana passada. Mas agora que seu marido foi deposto - o ex-ditador da Tunísia, Zine el-Abedine Ben Ali, escorraçado pelo povo - dei umas googladas para saber mais. Mulheres de déspotas costumam ser igualmente malvadas, mas também muito divertidas. O grande paradigma é Imelda Marcos e seu bilhão de pares de sapatos, mas a lista é longa (confira aqui uma mini-galeria preparada pelo site "Daily Beast"). Gosto especialmente quando elas exageram nos modelitos, nos bijus e no cabelón, tudo isto enquanto a população chora de fome ou geme nas masmorras. Mas madame Ben Ali é uma decepção. Tinha um estilo discreto, até bastante comedido para o mundo árabe (quem não se amarra num heavy arabic make-up?). O que ela economizava no visu, gastava em corrupção e roubalheira. Sua família formou uma máfia que controlava quase todos os negócios do país, e dizem as boas línguas que ela fugiu da Tunísia com uma tonelada e meia de barras de ouro surrupiadas ao Banco Central. Não é à toa que mereceu uma biografia demolidora publicada na França, "La Régente de Carthage". Agora a ex-cabeleireira e ex-primeira-dama está no exílio na Arábia Saudita, onde terá que sair à rua coberta dos pés à cabeça por pesadas abbayas negras. Maktoub!.

VALE MUITO

Não é justo julgar uma novela pelo primeiro capítulo. Mas é exatamente isto o que eu faço na "Folha de São Paulo" de hoje, na versão impressa. Assisti à estreia de "Insensato Coração" na segunda e me diverti à pampa. Muita festa, muita coisa repetida de "Vale Tudo" (TCA/CTA) e duas cenas antológicas. A primeira: Deborah Secco despejando calmante no champagne de Daniela Sarahyba. Ótima ideia! Agora vou andar sempre com um "vial" de Rivotril moído no bolso, pronto para qualquer emergência. A segunda foi aquele sequestro canhestro, dentro do avião mais fake de todos os tempos. O capítulo de ontem já não foi tão bom, mas novela é igual montanha-russa. Pelo menos nessa trama os personagens têm nomes comuns, e não esquisitices tipo Brígida ou Melina.

(Minha crítica pode ser lida aqui - sorry, dessa vez é só para assinantes da "Folha" ou do UOL.)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

UM LUGAR QUE PRENDE O VISITANTE

Domingo passado, durante os intervalos do Globo de Ouro, o canal TNT exibiu várias vezes um comercial que promovia o turismo no Chile. Seria lindo se não fosse irônico: justo na semana em que milhares de turistas estão praticamente sequestrados no sul do país, muitos deles brasileiros. Dormindo no chão, comendo mal e com o dinheiro evaporando. O povo da região de Puerto Natales bloqueou estradas e aeroportos em protesto contra o fim do subsídio estatal ao gás usado para aquecer as casas. Uma tática meio imbecil, não? O turismo é a maior fonte de renda da Patagônia chilena. Os manifestantes parecem se esquecer que, mais cedo ou mais tarde, os reféns conseguirão voltar para seus países. E irão falar mal do Chile e recomendar aos amigos que passem as férias em outro lugar. Um desastre de relações públicas, que poderia gerar até um novo slogan: "Chile - Você vai se amarrar." ¡La raja!

CADA VEZ MELHOR

Hoje cedo, antes de chegar no trabalho, passei numa produtora aqui em São Paulo e gravei meu depoimento para uma versão brasileira da campanha "It Gets Better". Fui o primeiro de 28 pessoas programadas; a filmagem deve rolar até a noite. Claro que nem todo mundo vai ser tão desembaraçado como eu, pois não posso ver uma câmera que desembesto a falar falar falar falar. Tive que ser expulso a vassouradas, senão estava lá até agora. O vídeo fica pronto daqui a alguns dias, e claro que eu vou postá-lo aqui no blog. Essa iniciativa do André Matarazzo, da Grïngo Propaganda, merece todos os aplausos e uma ampla divulgação. Só espero que não me cortem da edição final.

(E já tem texto novo meu sobre o "BBB 11" na Folha.com. #Ficaaaaa!)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

PARTITURA FURADA

Existem os blockbusters desmiolados, e existem os chamados filmes de arte. Também existem os filmes de arte desmiolados: aspirantes a blockbuster disfarçados de produto refinado, que deixam o espectador médio se sentindo culto e sensível. Um exemplo clássico desta estirpe é "O Carteiro e o Poeta", uma bobagem sentimentalóide que teve seu apelo multiplicado por 10 pelo fato do ator principal ter morrido logo após as filmagens. E o novo integrante deste clube é "O Concerto", em cartaz no Brasil desde o Natal, depois de ter feito um sucesso enorme na França e sido indicado a uma penca de Césars. O diretor Radu Miheilanu tem a mão pesada e descamba para a pieguice com uma desfaçatez admirável. O patético "Trem da Vida", uma comédia absurda onde judeus a caminho de um campo de concentração tentam se passar por alemães, é de sua lavra. Aqui ele parte de um roteiro tão furado e fora de época como aquelas antigas fitas de telex. Um maestro russo cai em desgraça nos tempos do comunismo e vira faxineiro do teatro Bolshoi, e assim continua até hoje - quase 20 anos depois do fim da União Soviética. Um belo dia ele intercepta um fax... fala sério, um fax?? A trama até que poderia se passar em 1989, mas não. É num universo paralelo onde se desenrola esse folhetim, em que as notícias não chegam pela internet e se consegue tirar um passaporte falso com visto e tudo no saguão do aeroporto, logo antes do voo e bem nas barbas da polícia. Não importa: o público adora, se emociona e ainda acha que entende de música clássica só porque está ouvindo Tchaikowsky. Também gosto desse compositor russo, mas sua música é digestiva, facinha e meio cafona, né não? Aliás, também é perfeita para a trilha deste filme.

(E por falar em cafona: meu 4o. texto sobre o "BBB 11" para a Folha.com está aqui.)

PAGANDO PARA APARECER

O "product placement" em filmes e novelas - que aqui no Brasil teimamos em chamar de merchandising, na verdade algo muito mais amplo - é a popular faca de dois legumes. Quando funciona bem, é o melhor dos mundos. Faz a história andar para a frente, passa direitinho a mensagem do patrocinador e ainda deixa elenco e equipe faturarem uma nota preta. Já quando dá errado, emperra a narrativa, prejudica as vendas do cliente e ainda assim deixa elenco e equipe faturarem uma nota preta. Aqui no Brasil geralmente caímos na segunda categoria, como os ultra-falsos "brahmeiros" dos anos 70 em "Lula, o Filho do Brasil". Mas há honrosas exceções. Por exemplo, achei bem feitinha a maneira como Totó conheceu Juliana no penúltimo capítulo de "Passione", através de uma troca de cartões de crédito. Lá nos EUA, que inventaram essa praga, os exageros também são frequentes. Dá só uma espiada neste vídeo super didático aí em cima, que conta a história do merchan na telona através dos tempos. Começou na época do cinema mudo! E não vai acabar nunca, é claro.

O PASSARINHO TAGARELA

Descobri uma ferramenta nova e muito divertida. É o tal do Twitter, já ouviu falar? Quer dizer, há anos que eu tenho conta lá. Tenho até mais seguidores no passarinho azul do que aqui no blog, o que prova que a maioria das pessoas não tem saco para texto com mais de 140 caracteres. Mas nunca fui de tuitar muito – tanto que uma vez uma leitora frustrada avisou que estava me des-seguindo. Este silêncio acabou semana passada. Depois de participar do “live blogging” da Folha.com na estreia do "BBB 11" (que não foi pelo Twitter), tomei gosto pela coisa e passei a comentar ao vivo as edições seguintes do programa, assim como os momentos finais de “Passione”, alguns comerciais e toda e qualquer besteira que me passasse pela cabeça. Ontem eu ia tirar o dia de folga, mas um amigo me atiçou e lá fui eu tuitar os Globos de Ouro. Na verdade, queria pavonear mais uma vez meu excepcional conhecimento de Hollywood e arredores, e passei a prever quem ia ganhar o quê, segundos antes do anúncio do resultado. Errei uns três ou quatro, porque eu sou foda, né? Mas também estava fácil. Não houve nenhuma grande surpresa, nem nenhum discurso espantoso. O mais chocante foi mesmo o mestre-de-cermônias Ricky Gervais, que parecia estar em campanha para não ser chamado nunca mais. O cara abriu o espetáculo insinuando que Tom Cruise e John Travolta são gays e terminou agradecendo a Deus por tê-lo feito ateu. Valeu, Ricky, adorei, pena que agora seu visto para os EUA será revogado. Você e eu nunca sabemos quando manter a boca fechada.

(Algumas pessoas estão perguntando qual é meu Twitter, então lá vai: é TonyGoes. Bom aproveito.)

domingo, 16 de janeiro de 2011

IF U SEEK AMY

Não há mais nada o que dizer sobre o show de Amy Winehouse. A esta altura todo mundo já sabe que ela esquece as letras de seus maiores sucessos, bebe sem parar um líquido misterioso, coça o nariz bandeirosamente, sai de cena e deixa os backing cantando. Também é notório que se trata de um espetáculo intimista, totalmente inadequado para ser visto de pé, ao ar livre, no meio de trocentas mil pessoas. Porque Amy não é Madonna. Tem uma voz incrível e um visual inconfundível, mas não é uma showwoman. O palco não é seu habitat natural. Ela não se solta, não interage muito com a plateia e parece não estar se divertindo (em alguns momentos tive a impressão de que chorava). Sim, estava trincada de padê. E sabia que estava trincada, tanto que se mexia pouco, por medo de escorregar e dar vexame. Não deu, mas tampouco deu tudo de si. A voz estava fraca, titubeante. As músicas foram sendo cantadas meio a esmo, num clima de improviso, com longas pausas entre uma e outra. Essa mulher teve seu auge há três anos e agora está tentando ressurgir. Pode ser que consiga, mas ainda não chegou no ponto. Valeu por tê-la visto ao vivo, mais uma para eu incluir no meu currículo. E valeu principalmente pelo show de Janelle Monáe - esta sim uma profissional. Mas o público que lotou a Arena Anhembi não parecia desapontado. Amy Winehouse entregou o mínimo; quem procurou achou. Agora podemos ir embora? Será que a van já chegou?

JANELLE PARA O FUTURO

Fomos num grupo enorme para o Summer Soul Festival, numa van emprestada pela produtora de uma das integrantes do grupo. A mordomia terminou assim que entramos na Arena Anhembi: nossos ingressos eram para a plateia normal, de onde só se consegue ver alguma coisa com clareza pelo telão. Mayer Hawthorne estava terminando seu set e até conseguindo levantar o razoável público já presente. O cara canta bem e etc., mas a mim não emplogou. Baixei algumas de sas músicas e achei OK, nada de sensacional, mas tá valendo. Aí rolou meia hora de intervalo e às 21:45 - pontualmente na hora marcada - começou o show de Janelle Monáe. Eu já sabia o que nos aguardava, mas muitos dos meus amigos não. E a garota simplesmente arrasou. Tem carisma, tem gingado, tem uma voz inacreditavelmente enorme. Abriu com uma sequência de funks de tirar o fôlego, sem pausas para os aplausos (minha favorita "Locked Inside" entre eles). Em seguida ganhou o público com uma versão arrepiante do "Smile" de Charlie Chaplin, acompanhada apenas por uma guitarra elétrica. Sua banda é ótima e seus backing vocals/bailarinos também. Ela não tem refrões pegajosos e faz um som bastante sofisticado. Mesmo sem nunca tê-la ouvido antes, a plateia bateu palmas e cantou junto - sinal de que a moça é do ramo. E tudo isto sem a menor apelação. As letras de Janelle Monáe não falam que sua buceta está molhadinha, por favor venha me comer. Ela é a rara cantora negra pop que não abusa da sensualidade nem se veste de piranha. Admito que nem tudo funcionou: pintar um quadro em cena é meio bobo. Mas pelo menos ela arrisca, tem ideias, quer inovar. Janelle Monáe será uma grande estrela nos próximos anos e quem teve a sorte de estar ontem no Anhembi viu que ela já nasce pronta. Foi a grande atração da noite, e com certeza um dos melhores shows desse 2011 que mal começou.

(A Marta Matui mal a conhecia e adorou. Tanto que fez um post apaixonado em seu blog, com direito ao clip de "Smile". Vai lá que vale a pena.)

sábado, 15 de janeiro de 2011

BEN ALI, MERCI, ÇA SUFFIT

E finalmente um país do Oriente Médio botou seu ditador para correr. Não foi no Irã, nem no Egito, nem em nenhum dos usual suspects: foi na Tunísia, uma ilha de relativa paz e prosperidade na região mais conturbada do mundo. O mais legal é que foi o povo mesmo, sem nenhuma grande liderança militar ou islâmica, que expulsou o cleptocrata Ben Ali e sua família. A primeira-dama era especialmente odiada: Leila Trabelsi era uma cabeleireira de terceira categoria antes de se casar com o "presidente vitalício", e trouxe toda a parentada para mamar nas tetas do estado. Esse arremedo de Maria Antonieta gostava de ostentar riqueza num país onde, apesar dos indicadores sociais estarem subindo, a maioria da população sofre com o desemprego e o alto custo de vida. Apesar de alguns mortos, a mini-revolução teve até uma certa elegância. Adorei um dos refrões cantados pela garotada em Túnis: "Ben Ali, merci, ça suffit" (Ben Ali, obrigado, já chega). Agora todos os tiranos da vizinhança estão com o cu na mão - já pensou se a moda pega?

(Mudando de assunto: já está no ar desde ontem meu terceiro texto sobre o "BBB 11" para a Folha.com)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A ERA DE SERPENTÁRIO

Volta e meia um astrólogo querendo aparecer decreta que o Zodíaco mudou de lugar e que há um ou mais novos signos regendo os nossos destinos. Já tinha ouvido falar do tal de Serpentário há muitos anos, quando alguém propôs que ele e o signo de Baleia fossem incorporados aos horóscopos. Fala sério - Baleia? Quem que vai admitir que nasceu sob o cetáceo? Não pegou, claro, assim como não vai pegar dessa vez. Simplesmente porque ninguém quer abrir do mão de seu signo original. Eu, por exemplo, sou Libra escarrado e vou continuar sendo mesmo que descubra que fui adotado e na minha verdadeira cetidão diz que eu nasci em fevereiro de 63 (talvez por isto eu pareça tão jovem para minha idade). O novo alinhamento cósmico me rebaixa para Virgem, um signo aliás que eu adoro - é o meu ascendente. Mas Virgem, a essa altura do campeonato? Fala sério. E olha como soaria feia a mais famosa canção do "Hair": "This is the dawning of the age of Ophiucus..."

O ROLO FINAL

E agora vou dizer o indizível: essa história do fechamento do Belas Artes já encheu o saco. Veja bem, não quero que mais um cinema vire uma loja de departamentos ou um templo evangélico. Ainda acho que filme é para se ver em tela grande, numa sala escura, cercado de estranhos e com pipoca esmagada no chão. Frequento o Bs. As. desde meados dos anos 70 e tenho muitas boas lembranças de lá. Agora, fazer passeata? Tombar o prédio? Gentem, não é a sétima arte que está em perigo - é só um cinema de rua. Que provavelmente reabrirá em outro lugar, já que a marca "Belas Artes" se provou tão conhecida e querida pelos paulistanos. Duvido que agora falte patrocínio.

Mas cinemas abrem e fecham todos os dias, assim como boutiques, restaurantes e postos de gasolina (aliás, no Brasil o número de salas de cinema vem crescendo ano a ano). Além do mais, se tombarem o Belas Artes, isto quer dizer que o prédio não poderá mais ser reformado? Ou apenas que o imóvel terá que abrigar um cinema para todo o sempre? A mim me afetou muito mais o fechamento do cine Vitrine, que em seus últimos anos tinha patrocinador e se chamava DirecTV. O patrocínio miou, o cinema também e eu perdi a sala mais próxima da minha casa (eram só três quadras). Na época ninguém ligou, ninguém reclamou, só eu. Enfim, se o Bs. As. sobreviver onde está, bem que a Prefeitura poderia olhar com carinho para seu entorno e estimular aquele ponto a voltar a ser um pólo de entretenimento, com bares, livrarias, o escambau. Já houve tudo isto por ali e foi tudo fechando aos poucos (ainda não me conformo com o fim do Riviera, uma cervejaria que datava dos anos 40 e tinha decoração vintage). Se nada disso existe mais, é sinal que a cidade não é mais a mesma. E isto, não há decreto-lei que consiga reverter.

(A foto maior deste post é de 2002. Não é de hoje que o Bs. As. vai mal das pernas. E ao invés de reclamar do fechamento, porque é que o público não protesta contra os DVDs piratas que são vendidos bem ali na vizinhança?)

EU NASCI ASSIM

...eu cresci assim, vou ser sempre assim, Gabrieeela. "Born This Way" é o nome do novo disco da Lady Gaga, mas também é um site super divertido que entrou no ar há pouco tempo. A ideia de Paul V., seu criador, é mostrar que ninguém "escolhe" ser homossexual. Desde bem cedo, muitos gays e lésbicas já dão sinais de que nasceram com os sinais invertidos. Muitos, mas nem todos: Paul não quer reforçar os estereótipos, pois também tem biba que não dá pinta nem quando criança, nem quando adulta. De qualquer maneira, é engraçado ver as fotos de infância enviadas pelos internautas. Algumas são meiguinhas, outras constrangedoras - e nenhuma deixa a menorrr dúvida.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

TSUNAMI NA SERRA

Até aque choveu pouco no réveillon. Juro que fiquei esperando uma tragédia na virada do ano, não por ser espírito de porco - mas porque nessa época sempre chove para caralho, e não me parecia que os eternos problemas estruturais tivessem sido resolvidos. Fico muito irritado quando ouço na TV que "choveu mais em um dia do que tudo que estava sendo esperado para o mês de janeiro..." Janeiro de quando, 1941? Há anos que as chuvas são torrenciais no verão do sudeste brasileiro. Culpa do El Niño, da La Niña, do aquecimento global, sei lá. Só não aguento mais ver as pessoas reagindo como se o dilúvio fosse uma enorme surpresa. Este post meu do ano passado continua valendo.

Dito isto, o que está acontecendo na região serrana do Rio de Janeiro é mesmo de fazer cair o queixo. As imagens são chocantes demais e é impossível acusar alguém de não estar preparado para tal cataclisma. Dessa vez a tragédia é democrática: estão morrendo pobres, ricos, cachorrinhos. Tenho um irmão e alguns amigos que moram em Petrópolis. Graças a Deus estão todos bem, apesar da pousada de uma conhecida ter sido levada pela enxurrada. Estou tão impressionado que vou fazer algo que nunca fiz antes aqui no blog. Lá vai:

Para ajudar os desabrigados da Região Serrana:
Cruz Vermelha - Banco Real - agência: 0201 - conta corrente: 1793928-5

No Rio, as doações de roupas, mantimentos e tudo mais podem ser entregues na Praça da Cruz Vermelha, 10 - Centro.
Ou então no Viva Rio: Rua do Russel, 76 - Glória,
e no Palacio da Cidade - rua São Clemente, Botafogo - a/c de Heloisa Aguiar

Doação de Sangue: Hemorio - Rua Frei Caneca, 8 - das 7hs às 18hs.


Vamos ajudar, gente. Nem tudo nessa vida é "BBB".

CABELO E PONTAS

Mas por que raios "Enrolados" não se chama simplesmente "Rapunzel"? A Disney jura de pés juntos que é porque se trata de uma nova história, vagamente inspirada na versão dos irmãos Grimm. De fato, a original era bem sombria: a heroína engravidava antes de se casar, o príncipe caía da torre em cima de uns espinheiros e ficava cego, e tudo meio que a troco de nada. Rapunzel era mantida prisioneira por uma velha (uma bruxa, segundo algumas variantes) por pura maldade, só porque o pai da moça ousou roubar uns rabanetes para aplacar os desejos de sua esposa grávida. Os lendários cabelos eram apenas longos, mais nada: não admira que, em sua encarnação americana, eles ganharam superpoderes. Não têm pontas duplas, não ressecam, não sofrem de frizz... Até aí, normal, os contos de fada sempre são amaciados quando viram desenhos animados. Nos dias de hoje, ninguém aguentaria ver Chapeuzinho Vermelho ser devorada de verdade pelo lobo, ou a Sereiazinha virar espuma no final da história. O curioso é que, no meio da produção de seu novo longa, a Disney mudou-lhe o título: saiu o nome de mulher, capaz de afugentar os meninos (e o fato é que ano passado "A Princesa e o Sapo" rendeu bem menos que o esperado), entrou "Enrolados", que alça o mocinho (não mais um príncipe e sim um ladrão) ao nível de co-protagonista. No fundo nada disso tem grande importância, porque o filme é realmente muito bom. Tem humor, música e aventura na medida certa; um ingrediente não sufoca o outro. Em vários momentos, pensei estar assistindo a uma versão não-irônica de "Shrek": o reino mostrado é quase idêntico ao de Muito, Muito Distante, e a princesa é uma freak sem precisar ser um ogro como a Fiona. E o 3D é muito bem usado, principalmente na revoada de balõezinhos que aparece no poster aí em cima. Sem querer quebrar o encanto, não quero nem pensar no enorme incêndio florestal que esses balões provocaram ao cair...

BANG BANG, MY BABY SHOT ME DOWN

A candidatura de Sarah Palin à presidência dos EUA foi atingida na cabeça e está na UTI. Tem chances de sobreviver, mas dificilmente será a mesma de antes. Este é o saldo positivo da horrível tragédia acontecida sábado passado em Tucson, no Arizona, quando um maluco disparou uma pistola automática no meio de uma espécie de comício, matou 9 pessoas e feriu outras tantas. Inclusive a deputada democrata Gabrielle Giffrods, que, apesar da gravidade de seus ferimentos,vem reagindo muito bem. Palin e outros políticos de extrema-direita estão tentando dar nó em pingo d'água para convencer os eleitores de que a retórica inflamada e belicista que usam para demonizar seus adversários não tem xongas a ver com essa violência toda, mas felizmente não estão conseguindo. Muito improvável que a Sarahcuda seja levada a sério daqui para a frente, e isto é ótimo. Por outro lado, as pesquisas indicam que ela seria a candidata republicana mais facilmente derrotada por Obama. Mas prefiro que ela nem concorra: a perspectiva de ter essa idiota no comando da nação mais poderosa do mundo me dá calafrios.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

BARÃO DA GAMBOA IS THE NEW BLACK

Que mané The Week que nada. A boate gay mais esplendorosa do Rio de Janeiro abre as portas semana que vem, e bem ali na vizinhança: é a Barão da Gamboa. Dá para perceber pelas fotos que o novo antro é uma versão revista e melhorada da casa do André Almada, com a vantagem de ser frequentada por ainda mais artistas e socialites. Só tem um probleminha. A BG (pra os íntimos) não existe. Será um dos points do núcleo gay de "Insensato Coração" (eu não disse que eles iriam formar uma boate?). Mais uma vez, estou ardendo de curiosidade para ver se vai ser uma representação realista ou uma palhaçada total, tipo o punk da Glória Perez feito pelo Eri Johnson. E se for boa mesma, vou requisitar meu cartão VIP.

E o Plantão do "Big Brother Brasil 11" informa: já estão no ar um novo texto meu sobre o programa de estreia, assim como o podcast "BláBláBlá" onde a Monica Gurgel (da Folha.com) e eu conversamos com a ex-BBB Tessália. A íntegra do "live blogging" de ontem também pode ser conferida aqui. Ah, e descobri que não precisa ser assinante do UOL para ler a versão online da "Folha". Então ninguém tem mais desculpa.

MEU BIG BROTHER

Depois de quase um ano no GNT, meu irmão Zico está de volta à direção de programação da MTV Brasil. E já chegou causando: hoje saiu n'"ACapa" uma entrevista dele sobre a homossexualidade na tela de seu canal. Ziquinho é um pioneiro, pois foi sob sua batuta que aconteceu o primeiro beijo gay da televisão brasileira. Lembra? No programa "Fica Comigo", em 2001, apresentado pela Fernanda Lima. Sim, há quase dez anos, e até hoje estamos cobrando da Globo uma bicoca em suas novelas (parece que era culpa da dona Lily; agora que ela se foi, quem sabe?). Desnecessário dizer que eu tenho um puta orgulho do meu irmão. Além de ser o cara que mais entende de TV de sua geração, ele tem a cabeça e o coração nos lugares certos. Ah, e para quem está curioso: é hétero. Sou mais velho que o Zico, mas que grande irmão que ele é, hein?

A CULPA É SEMPRE DOS MARICAS

Dá para imaginar o carnaval que está sendo a cobertura do assassinato de Carlos Castro pela imprensa portuguesa. O jornalista era uma celebridade em seu país, e Renato Seabra, seu "suposto" assassino (maldita responsabilidade jurídica), uma das estrelas do equivalente luso do "BBB". Algo como se o Marcelo Dourado matasse o J... OK, esse não vale, não é assumido, mas já deu para entender. Também era de se esperar a reação de muitas pessoas a este crime bárbaro: Carlos Castro teria feito por merecer. Afinal, era uma bicha velha indigna de ser amada, e o pobre modelo-e-ator, que é hétero de carteirinha, nada mais fez do que reagir ao ser tragado pela teia de vício e depravação lançada pelo cacura. Coisa parecida teria acontecido no Brasil; basta conferir alguns dos comentários no post que fiz anteontem sobre o caso. Por isto acho digno reproduzir aqui um texto assinado por Bruno Vieira Amaral, que escreve no blog "A Douta Ignorância". Ele mo foi enviado pelo Daniel Francisco, meu mais fiel leitor em Portugal e amigo pessoal do falecido. Vale a pena conferir:

TÃO SIMPLES

O que seria de nós sem os comentários esclarecidos nos sites da imprensa? O homicídio…não, homicídio tem uma carga demasiado negativa, o acto de justiça que se abateu sobre Carlos Castro é de uma transparência cristalina. A “vítima” era uma bichona, um velho nojento, praticamente um pedófilo, que se aproveitou da inocência depilada de um rapazinho (tão bonito que ele é, e gosta de mulheres, tinha resmas delas), uma ingénua criatura de Cantanhede (em Cantanhede não há paneleiros, ora essa), um anjinho de Deus que vendeu a alma ao Diabo em forma de um sexagenário gordo e feio. O porco seduziu a pobre criança cujo único pecado era ter um sonho e lá foi ela atrás do sonho agarrada às calças do maricas. Estava mesmo a pedi-las. Estão todos a pedi-las. Andam para aí a meter-se com rapazinhos exemplares que até praticam desporto e sorriem aos concidadãos e estão à espera do quê? E nem se sabe se não foi a “vítima” a provocar a situação ou até mesmo a pedir para que o jovem lhe fizesse aquelas coisas, porque homens daqueles são uns pervertidos. Quem nos garante que a “vítima” não tentou coagir o rapazinho, que não tentou obrigá-lo a fazer coisas que este não queria e que o rapazinho, ferido no seu orgulho heterossexual, apenas se defendeu, espancando o verdadeiro agressor durante uma hora, enfiando-lhe um saca-rolhas no olho e cortando-lhe os tomates? Seria muito diferente se em vez de um paneleiro velho, estivéssemos a falar de um septuagenário heterossexual que andasse com uma “dançarina” brasileira (puta, claro está, porque estas são muito sabidas e querem é subir na vida porque lá na terra delas passam fome). Já se sabe que estas atrevidas só andam atrás deles pelo dinheiro e que eles aproveitam (quem é que, podendo, não aproveitaria?) para ferrar o dente em carne fresca, e fazem eles muito bem, provando a macheza do garanhão lusitano que nem no leito de morte perde a tusa. É tudo tão simples: a culpa é sempre dos maricas e das putas.

- Bruno Vieira Amaral

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

LIVE BLOGGING BRASIL

Temço: hoje começa o “BBB 11”, que eu irei assistir com um olho na TV e outro no teclado. Vou participar de um “live blogging” na Folha.com ao lado de Nina Lemos, Samia Mazzucco, Vitor Moreno e Carol Nogueira. Nunca fiz isto antes, então a probabilidade de dar merda é grande (aliás, lá não pode falar palavrão). Quem quiser me ver dando vexame deve clicar aqui, a partir das 22:15 - ou melhor, depois de “Passione”, já que na Globo não existe horário, só o “depois” dos programas. Pelo menos poderei acrescentar um "ex-BBB" ao meu nome depois que esta edição acabar.

CRIME OU INFRAÇÃO?

Este comercial de Havaianas já está no ar há algum tempo. Quando vi pela primeira vez, pensei na hora: homofóbico! Mas aí me deu uma preguiça master de me envolver em outra polêmica à la Doritos, com alguns querendo pegar em armas e outros achando que não tem nada demais, e não postei nada aqui no blog. Foi então que um amigo me cobrou e de repente percebi uma coisa. Adivinha qual é a agência de Havaianas? A Almap/BBDO, a mesma de Doritos. Uma das mais premiadas do Brasil, cheia de gente talentosa (tenho amigos lá) - mas que ainda acha que a homossexualidade é um crime. Ou infração, hahaha.

ANDREJ PARA VOCÊS

Te cuida, Lea T: você não é mais o único menino com cara de menina a enfeitar as passarelas por aí. O sérvio Andrej Pejic é até mais versátil, pois às vezes desfila a coleção masculina, outras a feminina. Tem só 19 anos e se mudou ainda pequeno com a família para a Austrália, mas agora vive na Europa, onde caiu nas graças da "Vogue" francesa. Também está nas novas campanhas de Marc Jacobs e Jean-Paul Gaultier, e parece se divertir quando causa confusão. Perguntado sobre suas preferências na cama, Andrej se sai com o clássico "não aceito rótulos", que é o jeito consagrado de confirmar que sim, adoro uma jeba. Nem precisava: seu jeitinho delicado de falar não deixa a menor dúvida, nem na cabeça de sua avó. "A senhora tem um neto ou uma neta?", perguntaram. E ela, sábia: "Os dois".

(Para uma galeria de fotos estonteantes de Andrej Pejic, clique aqui.)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

PAS DE BOURRÉE

"Cisne Negro" só estreia no Brasil daqui a um mês, e eu estou resistindo bravamente a baixar o filme da internet (NOT). Enquanto isto, vou me consolando com a graça e a feminilidade de Jim Carrey, que incorporou a Mila Kunis neste quadro exibido no "SNL" de sábado passado nos EUA.

OUR HOME

A Marta Matui e eu somos amigos há quase 20 anos, e uma das melhores coisas desse namoro a seco é o fato de discordarmos muito. Em meados de 2009, eu me encantei com o filme japonês "A Partida", que havia ganho o Oscar de melhor estrangeiro naquele ano. Um filme sobre a morte que mais do que me tocou, me abalroou: chorei com tanta força que as lágrimas saltavam na horizontal dos meus olhos. Aí a Marta foi ver e, apesar de ter ascendência nipônica, não ficou nem aí. "Que mulher de pedra", pensei eu. Neste final de semana aconteceu o contrário: fomos ver (separados) o novo do Clint Eastwood, "Além da Vida", outro filme sobre a morte - e tivemos reações opostas. Ela se emocionou, se derreteu toda, e neste exato momento deve estar de tocaia na frente da casa do Clint para lhe propor casamento. Já eu comecei gostando muito - as cenas iniciais, que reproduzem o tsunami na Tailândia, são mesmo de arrepiar - mas achei que o roteiro acabou se perdendo sem chegar a lugar algum, muito menos ao que se passa depois que batemos as botas. É curioso que o diretor, que jamais havia incorporado qualquer elemento fantástico ou sobrenatural à sua extensa filmografia, agora se interesse por este tema. Ou melhor, é compreensível: Clint Eastwood está com 80 anos. Pelo menos não abandonou seu estilo lacônico, tão direto ao ponto que geralmente resolve tudo num único take. Mas esse "Nosso Lar" americano não é um grande filme, nem está cotado para um Oscarzinho sequer (não que eu ache que o Oscar seja sinônimo de qualidade, mas a Academia está sempre atrás de pretextos para premiar Clint). De qualquer forma, continuo sem saber o que se passa além da vida. Só espero continuar discordando da Marta do lado de lá.

AS BOLAS DA VEZ

É no mínimo sintomática a reação de Odília Pereirinha, mãe do modelo português Renato Seabra – o “suspeito” de ter castrado e matado o jornalista Carlos Castro (atóron esses eufemismos jurídicos que a mídia é obrigada a usar enquanto o réu não for julgado e condenado). Claro que devemos respeitar a dor de uma mãe que vê seu filho ser preso e acusado de um crime bárbaro, mas qual foi a linha de defesa escolhida por dona Odília? Ela não disse “meu filho não é um maluco”, nem “meu filho não é um selvagem”. Disse apenas que “meu filho não era o amante de Carlos Castro. Desde o começo, ele nunca escondeu sua sexualidade, ele é heterossexual”. Claro, rapazes héteros de 20 costumam viajar com senhores 45 anos mais velhos, é só um rito de passagem – para a viadagem, hehehe. O transtornado Renato obviamente é alguém em luta com seus próprios desejos, pois a polícia de Nova York diz que ele admitiu ter assassinado Carlos “para livrá-lo de seus demônios homossexuais” (o jornalista teve as bolas arrancadas com um saca-rolhas, não sabemos se ainda vivo). Vivemos num mundo absurdo onde muita gente ainda prefere ser chamada de assassina do que de gay, e temo que a defesa vá seguir o mesmo raciocínio da mãe do modelo-e-ator. Melhor seria tratá-lo logo como um doente mental: Renato cortou os pulsos pouco antes de ser preso. Isso é que é michele com defeito.