quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O MACACO ESTÁ CERTO

Eu era pequeno demais para ter visto no cinema o primeiríssimo "Planeta dos Macacos", aquele que tem um dos finais mais surpreendentes de todos os tempos - para a época. Hoje a plateia mataria a charada nos primeiros cinco minutos, de tão blasés que ficamos. Passei a acompanhar a macacada a partir da terceira continuação, "Fuga do Planeta...", considerado por alguns críticos como o melhor filme da série. A doutora Zira me impressionou muito com sua erudição e entrou para o meu vocabulário, porque a irmã de um amigo era a cara dela. Depois ainda vi os episódios 4 e 5, bem ruinzinhos, e voltei a conviver com as máscaras simiescas no "Planeta dos Homens", um programa humorístico que a Globo exibia às segundas-feiras na virada dos anos 70 para os 80. Aí os macacos sumiram, superados por aliens e E.T.s. Voltaram em 2001, num remake fraquíssimo assinado por Tim Burton, que deu a si mesmo a tarefa impossível de superar o final-choque de 1968 - e fracassou gostosamente, claro. Essa overdose primata me deixou sem muita vontade de ver "Planeta dos Macacos: a Origem", mas hoje acabei levando meu sobrinho de 11 anos. Ele adorou, e eu gostei bem mais do que esperava. Esse reboot é quase um thriller psicológico, e só explode em violência no final. A sequência na ponte Golden Gate é de tirar o fôlego, e olha que eu não sou chegado em filme de ação. A crítica da revista "Entertainment Weekly" disse que este é um raro ficção-científica que não simboliza nada, mas não é verdade: a ascensão dos macacos pode ser interpretada como uma metáfora do nosso medo de sermos ultrapassados por outra civilização (a China?), ou como uma virada de mesa nas relações raciais. Também é uma variação do mito de Frankenstein: o homem não pode interferir na criação divina e criar novos tipos de vida, pois sempre será punido. Não importa. Só sei que torcemos todos pelos macacos.

8 comentários:

  1. Entrei no seu blog devido a um post sobre pink martini, minha banda preferida. Parabéns pelo blog. Beijos

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  2. Ou pode significar nosso lado selvagem lutando contra nosso lado civilizado... ou a inteligência corrompendo o animal... só sei que é muito triste. Não sei se quero ver. Minha filha de 12 anos adorou.

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  3. Ou seja, os chineses não compõem a raça humana.

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  4. Adorei o filme também. Andy Serkins quebrando tudo, não?
    Também não acho o filme do Burton tudo isso, mas peguei amor no filme só por causa de Tim Roth (meu #2 na listinha platificada do Ross Geller). Ele simplesmente rouba o filme, mesmo com toneladas de maquiagem na cara. Um puta ator.

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  5. Papai Urso do Interior8 de setembro de 2011 10:23

    Uó! Com tanta coisa mais interessante p/ Hollywood revisitar... Seria uma crise criativa? Louco por um remake de Barbarella com efeitos de ponta ou ainda (e aproveitando essa boa vontade que produtores tem demonstrado com MarvelComics e superheroes de um modo geral) um filme digno para o Relâmpago (ou Flash p/ quem ainda lembra da série televisiva do início dos 90 que trazia o então tesudo John Wesley Shipp).

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  6. eu achei o remake válido; eu sou marcada pela série original; ainda associo charlton heston a esse filme... fui ver meio temerosa já que achei bem ruim a versão de 2001, mas a surpresa me foi grata; ação na dose correta e efeitos especiais usados para o bem.

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  7. "a ascensão dos macacos pode ser interpretada como uma metáfora do nosso medo de sermos ultrapassados por outra civilização (a China?)"

    Ahn??? Nós quem??? Acho que essa sua metáfora aí tá meio furada...

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