quarta-feira, 15 de junho de 2011

FH-UMA-C


Como é bom um político que não pretende se candidatar a mais nada, não? O cara pode finalmente dizer o que pensa, e ainda fazer alguma diferença. É o que está acontecendo com Fernando Henrique Cardoso: o ex-presidente poderia tranquilamente ser eleito senador ou governador de SP, mas preferiu seguir um caminho longe das urnas que só o dignifica (e que contrasta violentamente com a carreira pós-Planalto de um Sarney, por exemplo). Nos últimos anos FHC começou a entrar no debate sobre a descriminalização de algumas drogas, e este envolvimento está lindamente retratado no documentário "Quebrando o Tabu". Ele aparece conversando com ex-viciados, policiais e diversos líderes, das favelas cariocas às coffee shops de Amsterdam. Experiências como as de Portugal e da Suíça são comparadas, e entremeadas de depoimentos de políticos (todos ex- alguma coisa) como Bill Clinton e Jimmy Carter. O ponto de partida é claro: a "guerra às drogas" detonada pelos EUA nos anos 70 e logo difundida mundo afora simplesmente não deu certo. O consumo só aumentou e a violência atingiu níveis nunca vistos. Mas a conclusão é um work in progress. O próprio FHC exprime um fumacê de dúvidas, e o filme termina sem um proposta sólida. Aliás, termina um pouco tarde: os vinte minutos finais são meio redundantes, com as mesmas personalidades reiterando o que já haviam dito antes. Dá para perceber que o jovem diretor Fernando Gorstein Andrade (meio-irmão de Luciano Huck) quis aproveitar ao máximo as muitas horas de material que filmou. Mas com apenas uma hora de duração "Quebrando o Tabu" ficaria ainda mais contundente, e poderia até ser exibido como um episódio do "Globo Repórter" - aliás, na TV o filme teria uma repercussão infinitamente maior do que no pequeno circuito de salas onde está em cartaz. Apesar do final meio em aberto, o objetivo básico é alcançado. O debate sobre drogas precisa sair da esfera meramente criminalística e ser encarado de frente, sem preconceitos. Vamos apertar agora, nem que seja para acender mais tarde.

9 comentários:

  1. Louco pra assistir esse doc., mas completamente sem tempo já que só esta (ou estava) em cartaz em uma sala e em horários esdrúxulos. Essa hipocrisia em relação às drogas tem que acabar o quanto antes. Século 21, minha gente.

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  2. Papai Urso do Interior15 de junho de 2011 15:51

    Adoro FHC e não esperaria menos de alguem que tornou o Brasil confiável p/ investimentos externos e derrubou o dragão inflação, mesmo não partilhando de mesma opinião sobre este assunto específico, acho espetacular ele colocar seu ponto de vista sem receios, sem querer ser o queridinho de ninguem. Hombridade no grau 100.

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  3. HOla Toni !

    Aqui na España, ninguém te prende por caminhar na rua fumando um baseado, sentadinho em uma praça, en un café, nas famosas Ramblas que existem em toda España, na praia. É tratado como un problema de saúde pública ! o tráfico é combatido ! mas a Policia Nacional e a Guardia civil nao perdem tempo com "tonterías". Como muito te multam y nada mais ! Te digo mais, no Hospital onde trabalho,os médicos da Clinica del Dolor e da Unidad de Cuidados Paliativos,recomendam para Dores Crónicas independente do que sea a causa.Trabalho como Enfermeiro no Serviço de Urgencias e alí recebemos pacientes que usam Metadona como substituto para a Heroína. Quando o paciente se interna o primeiro que se coloca em seu tratamento é a sua dose diária de Metadona. Devidamente precrista por um médico.Aqui ninguém faz cara de escandalizado pq um paciente chega visivelmente alterado por uso e mistura de drogas psicoactivas. Ao mesmo tempo, nunca vi ninguém armado, nem toda essa criminalidade gerada pelo narcotráfico. Creio que a melhor saída para a sociedade brasileira é acabar com a Hipocrisia de sempre ! Encarar os problemas de frente !!! Portugal é um Referente importante !

    Saludos desde Tenerife

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  4. FHC agora fala, mas quando estava no poder nada fez sobre esse assunto...

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  5. FHC não é eleito nem pra síndico, eis pois que não pretende se candidatar. Se precisar só falar pra esquecerem o que ele escreveu !?

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  6. Não era função dele, isso cabe ao legislativo (legislar: criar leis), a ele caberia veto se a questão tivesse sido proposta e votada nas duas casas. Se ele faz agora é porque agora ele PODE, não tem amarras que o prendam a esse ou aquele grupelho.

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  7. Aos anônimos acima: o próprio FHC fala disto no filme. Diz que é cobrado justamente assim, "pô,quando você era presidente, não fez nada..."

    E ele responde com humildade que não fez nada porque não conhecia direito o assunto. Que sua opinião na época era diferente: ele ainda acreditava na tal "guerra às drogas". E que só os idiotas não mudam de opinião...

    Podem me chamar de tucano (que só é insulto na cabeça de alguns petistas), não me importo. Mas FHC rules!

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  8. Papai Urso do Interior19 de junho de 2011 14:36

    Pois eu sou tucano desde sempre, novas gerações não sabem o duro que era conseguir linha telefonica fixa nem sabem o porque de hoje estarem confortavelmente linkados c/ mundo em seus celulares de ponta. Pelo cérebro de ameba dos "cumpanhêros" ninguem jamais saberia das delícias proporcionadas pelas privatizações certas, foram elas que pavimentaram telecomunicações, substituíram carroças por carros de verdade, etc etc etc Lula só deitou numa cama gostosinha e tratou de não atrapalhar o que já vinha dando certo, só isso, porque serviço pesado mesmo já tinha sido feito (aniquilar inflação e trazer investimentos). Acho balela dizer que todos de direita são sempre conservadores e retrógrados, olha FHC aí pra calar a boca de quem pensa assim. Se ele não agradou a todos, paciencia, mas a "cumpanhêrada" também não inventou a roda nem será citada em livros de historia por ter o presidente que planificou a economia e botou o trem Brasil nos trilhos do século 21. Isso é de FHC e ninguem tasca, uôôôba!

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