domingo, 17 de abril de 2011

O QUE A GENTE NÃO FAZ POR UM COCK

Saímos do hotel uma hora antes do espetáculo. Chovia muito na Cidade do México. Algumas ruas estavam alagadas, outras cobertas de granizo. Desnecessário dizer que o trânsito já normalmente caótico conseguiu ficar ainda pior. Depois de muito zig-zag, chegamos ao teatro em cima da hora marcada. Que obviamente foi desrespeitada: o início da peça foi atrasado em meia hora, para dar tempo aos muitos retardatários. E quando finalmente começou, puf - acabou a luz. O que falta agora? Um terremoto? Não estava acreditando. Parecia que não estava mesmo no meu destino ver Diego Luna em pessoa. Mas estava. A luz voltou em cinco minutos e "Cock" finalmente deslanchou. Meu, que peça. Que privilégio ter visto. Sempre gostei do Diego, apesar de, como quase todo mundo, preferir seu amigão Gael García Bernal. Agora acho que mudei de ideia. O chavo não só é bom ator, como tem uma enorme disponibilidade artística. Não tem o menor prurido de beijar outro homem no palco, de lhe apalpar as partes, de fazer uma cena de sexo totalmente nu. E tudo isto com a mesma cara de garotinho que tinha há 10 anos, quando explodiu para o mundo em "Y Tu Mamá También". O melhor é que todo o resto está à altura de seu talento, a começar pelos demais atores. O texto, do inglês Mike Bartlett, é atualérrimo: um rapaz comunica a seu namorado de 7 anos que está pela primeira vez apaixonado por uma mulher, e quer que os dois se conheçam para poder se decidir. O cenário, não consigo descrever. Imagine um palco italiano colocado de comprido no meio de um teatro de arena, com as pontas inclinadas. Tudo se mexe, buracos se abrem, mesas viram cadeiras, uma piração. Uma das melhores peças que já vi na puta da minha vida, e o melhor texto de teatro desde "Um Deus Selvagem". Agora quero ver "Cock" montada no Brasil, porque meu espanhol não foi suficiente para entender muitas das piadas.

8 comentários:

  1. Que privilégio ter assistido a esta peça com o Diego Luna! Estou roendo as unhas...
    Muque de Peão

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  2. Fiquei looouco pra ver! alias, os dois têm uma carreira e um criterio arriscado invejaveis...

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  3. Isso sim um ator de verdade...que convence. Nao é como os galanzinhos da Globo que morrem de medo de beijar outro ator na boca. É só olhar a impressionante cena de sexo entre Javier Bardem e Jordi Mollá em " Segunda Piel " . Os dois héteros " de toda la vida" como se dice por estas terras, e nunca foram questionados em sua sexualidade por esse papel. Que por sinal, caliente e convencem !

    Saludos
    Desde Tenerife.

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  4. Papai Urso do Interior17 de abril de 2011 16:52

    Que título delícia, mas porque ficou em inglês lá, seria isso puritanismo católico de mexicano ou exigências de produtor?! Com um título desses qualquer um que assiste vira cocksucker, os héteros (bi-enrustidos de acordo com Relatório Kinsey e tb o roqueiro-múmia Sergei) devem subir pelas paredes, rsrsrs...

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  5. www.inacreditavelnews.blogspot.com17 de abril de 2011 19:40

    ai q inveja!!! (hehehhe, inveja branca).

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  6. Tony,

    Desculpa mudar de assunto, mas você já ouviu falar de Rudolf Brazda. Eu já começava a acreditar que Bent tinha muito de ficção...

    Abraço

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  7. Quem disse que o Barden e o Jordi são héteros puramente? Só porque são casdos com mulheres ou tem filhos?? Ora, me poupe minha inteligência.. tem homem que consegue passar a vida toda escondendo suas fodas com outros homens, eles simplismente sabem fazer bem feito em ambientes fechados não dando margem para a mídia de fofoca...rsrs. E acho ridículo isto de que ator gay não consegue convencer em papel de hétero e de que hétero consegue convencer em papel de gay.

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