sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O ROLO FINAL

E agora vou dizer o indizível: essa história do fechamento do Belas Artes já encheu o saco. Veja bem, não quero que mais um cinema vire uma loja de departamentos ou um templo evangélico. Ainda acho que filme é para se ver em tela grande, numa sala escura, cercado de estranhos e com pipoca esmagada no chão. Frequento o Bs. As. desde meados dos anos 70 e tenho muitas boas lembranças de lá. Agora, fazer passeata? Tombar o prédio? Gentem, não é a sétima arte que está em perigo - é só um cinema de rua. Que provavelmente reabrirá em outro lugar, já que a marca "Belas Artes" se provou tão conhecida e querida pelos paulistanos. Duvido que agora falte patrocínio.

Mas cinemas abrem e fecham todos os dias, assim como boutiques, restaurantes e postos de gasolina (aliás, no Brasil o número de salas de cinema vem crescendo ano a ano). Além do mais, se tombarem o Belas Artes, isto quer dizer que o prédio não poderá mais ser reformado? Ou apenas que o imóvel terá que abrigar um cinema para todo o sempre? A mim me afetou muito mais o fechamento do cine Vitrine, que em seus últimos anos tinha patrocinador e se chamava DirecTV. O patrocínio miou, o cinema também e eu perdi a sala mais próxima da minha casa (eram só três quadras). Na época ninguém ligou, ninguém reclamou, só eu. Enfim, se o Bs. As. sobreviver onde está, bem que a Prefeitura poderia olhar com carinho para seu entorno e estimular aquele ponto a voltar a ser um pólo de entretenimento, com bares, livrarias, o escambau. Já houve tudo isto por ali e foi tudo fechando aos poucos (ainda não me conformo com o fim do Riviera, uma cervejaria que datava dos anos 40 e tinha decoração vintage). Se nada disso existe mais, é sinal que a cidade não é mais a mesma. E isto, não há decreto-lei que consiga reverter.

(A foto maior deste post é de 2002. Não é de hoje que o Bs. As. vai mal das pernas. E ao invés de reclamar do fechamento, porque é que o público não protesta contra os DVDs piratas que são vendidos bem ali na vizinhança?)

5 comentários:

  1. Muito bem dito, o indizível... Quantos desses que protestam frequentaram o Belas Artes uma vez a cada quinze dias que seja? Talvez aí o cinema não fosse tão mal das pernas, e não precisasse fechar...

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  2. Nos primórdios do Chato no Ar eu fiz a mesma observação: cinemas abrem e fecham. Nego faz abaixo-assinado e o escambau. Mas quantos realmente FREQUENTAVAM o dito cinema? Porque o pobre do proprietário não vive de amor. Também me entristece ver os cinemas de rua do Rio todos quase fechados e essa nossa shoppingceterização que a gente cisma de copiar dos americanos. Mas se o grau de revolta fosse proporcional a interesse real que as pessoas tivessem no cinema, ao menos...

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  3. O mais sensato seria o pronto tombamento.

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