quarta-feira, 31 de março de 2010

FOLIA NO MATAGAL

Os homofóbicos adoram dizer que a homossexualidade é "contra as leis da natureza". Quando confrontados com os milhares de exemplos de pegação gay no mundo animal, rebatem dizendo que este é só mais um traço inaceitável dos bichos, assim como beber água da privada ou devorar a própria prole. Mas a homossexualidade nos animais - ou melhor, comportamentos homossexuais, no plural - tem uma função importante na preservação de várias espécies. Sim, você leu direito: preservação. Quem souber inglês e tiver interesse pelo assunto deve mergulhar neste longo artigo da revista de domingo do "New York Times", que fala desde os casais lésbicos de albatrozes numa ilha do Pacífico até o "terceiro sexo" dos habitantes da Samoa. Então quer dizer que o mundo é gay? Não, na verdade o mundo é como essas celebridades bandeirosas que não dão o braço a torcer: não aceita rótulos.

(fazia tempo que o Luciano de SJC não mandava sugestões, não?)

MÃES FRANCESAS

Tem gente que acha que ser mãe é padecer no inferno mesmo, sem nada de paraíso. A antropóloga francesa Elisabeth Badinter está causando furor em seu país com o livro "O Conflito - A Mãe e a Mulher". Ela vai na direção contrária das revistas femininas e diz que não, não dá para ter tudo. É impossível se realizar como profissional, mãe, esposa e amante, tudo ao mesmo tempo. E que os filhos são o mais perfeito instrumento que o homem encontrou para dominar a mulher. Claro que mme. Badinter pega pesado, mas sua crítica à hipervalorização dos filhos como o centro do universo me parece válida. Procriar não é para todo mundo, assim como casar: a sociedade devia parar de estabelecer esses dois objetivos para todas as pessoas, simplesmente porque não dá certo. Muita gente está reclamando do livro, que aliás segue um raciocínio tipicamente francês: "cuidar da petizada rouba o tempo precioso em que eu deveria estar estudando filosofia ou cuidando da minha cútis". O mais curioso é que a autora tem três filhos adultos, todos felizes e bem-ajustados.

Por uma coincidência cósmica, no mesmo dia em que soube do livro assisti a um filme francês chamado "O Diário Perdido" (no original, "Mães e Filhas"). É uma produção modestíssima, mas com roteiro enxuto e ótimos atores. Uma moça vai visitar os pais e acaba descobrindo por acaso o diário de sua avó, que abandonou o lar quando os filhos ainda eram pequenos. Esse trauma antigo explica muito porque a mãe (Catherine Deneuve, ainda estonteante) é tão fria, mas também há um grande segredo que só é revelado no final. O engraçado é que as três gerações de mulheres do filme lidam, cada uma à sua maneira, com o conflito entre seus sonhos pessoais e a responsabilidade de ser mãe. Um embate que não deixa de ser interessante para mim, que não tenho filhos e dificilmente terei.

PROCURA-SE UM BARBEIRO

Corto o cabelo há mais de 9 anos com o mesmo cara, um dos profissionais mais badalados de SP. Ou melhor, cortava. Tecnicamente, ele é perfeito: sempre conseguiu me deixar ainda mais belo do que eu já sou, como se isto fosse possível. Mas é uma merda no quesito pontualidade. Em várias ocasiões me deixou mofando e folheando "Caras" do ano passado, apesar de eu sempre chegar na hora marcada. Estressei algumas vezes, pois sempre tenho pressa de voltar para o trabalho - costumo ir ao salão na hora do almoço durante a semana, já que aos sábados o tumulto por lá assume proporções bíblicas. Mas ontem rolou a famosa gota d'água. Cheguei esbaforido mas pontualmente à uma e meia da tarde, um horário que já não era o meu ideal. O cliente da uma havia chegado segundos antes, bem atrasado, e meu barbeiro de 9 anos queria atendê-lo primeiro. Rodei a baiana, criei climão e deixei todo mundo constrangido, inclusive a mim mesmo. Acontece que, se o outro atrasou, não é problema meu: eu cheguei na hora. O tal do profissional badalado fez bico e cortou meu cabelo à velocidade da luz. Saí de lá belíssimo como sempre, mas furioso. E tomei uma decisão drástica: nunca mais ponho os pés naquela joça. Se alguém souber de um bom barbeiro na região dos Jardins, estou aceitando sugestões.

terça-feira, 30 de março de 2010

YO LE DOY BAMBÚ

Pronto, já se passaram 24 horas e nenhum desmentido apareceu - podemos abrir o champagne. Além do mais porque estou encantado com a famosa carta que Ricky Martin postou em seu site. Os termos que ele usa são lindos: "Hoy acepto mi homosexualidad como un regalo que me da la vida. ¡Me siento bendecido de ser quien soy!"

Arrepiei. É tão raro ouvir alguém dizer algo parecido. As pessoas se sentem culpadas, sujas, inadequadas, e aí vem um cara conhecido e diz que não é nada disto, que a homossexualidade na verdade é um presente. Claro que vão falar que para ele é fácil, porque é lindo, rico e famoso. E que se tivesse nascido no Irã, por exemplo, pensaria beeem diferente. Mas não podemos diminuir a importância dessas palavras: Ricky Martin vem de uma cultura machista, católica e repressora, e ainda tem muito a perder.

Aliás, setores da Igreja Católica - aqueles que não querem simplesmente mandar as bibas pra fogueira - costumam dizer que quem nasce gay é porque foi "desafiado" por Deus, e que precisa reprimir essa orientação para ganhar o reino dos céus. Como se o mundo fosse a casa do "BBB" e Deus uma espécie de Pedro Bial, mandando desafios que valem prêmios.

Enfim, tergiverso: estou feliz pelo Ricky e feliz por todos nós, a humanidade. Para comemorar, aí em cima está um dueto pra lá de rebolante dele com Miguel Bosé, num especial para a TV espanhola. A música tem o sugestivo nome de "Bambú", jajaja.

No final do vídeo, um diálogo ainda mais sugestivo entre os dois: "Então quer dizer que você está passando por um momento delicado, uma transição pela qual eu já passei... um DISCO AO VIVO". Quase, hein? O próprio Bosé saiu aos poucos do armário ao longo dos anos e hoje não esconde mais nada de ninguém, mas não foi daquela vez que o Ricky se assumiu. Foi agora, numa decisão pensada, corajosa e amadurecida. Parabéns.

ATUALIZAÇÃO: Parece que a decisão não foi tão amadurecida assim. Segundo alguns sites de fofoca, um paparazzo tentou vender fotos comprometedoras de Ricky Martin a uma revista. A revista avisou o cantor, que preferiu sair sozinho do armário antes que alguém o empurrasse para fora. Ainda assim, continuo achando que Ricky foi digno e corajoso, e que as palavras de sua carta são lindas de morrer.

(gracias, Clebecito)

A VITÓRIA DO MACHO-ALFA

Das 9 versões anteriores do “Big Brother Brasil”, 7 foram vencidas por homens. As duas únicas mulheres campeãs, Cida em 2004 e Mara em 2006, sintomaticamente escapavam do padrão modelo-e-atriz predominante no programa: foram sorteadas, não selecionadas pelo Boninho, e comoveram o público com suas histórias de vida “sofridas" e "batalhadoras” (hoje em dia, ninguém mais entra na casa por esta via: o diretor afirma, com razão, que o objetivo do “BBB” é entreter, e não fazer justiça social). Em todas as outras edições, venceu um rapaz de classe média.

E digo mais: venceu o macho-alfa, aquele que “protagonizou” o programa e dominou as conversas. O exemplo clássico é Diego “Alemão”, o vencedor de 2007. E a exceção que talvez confirme a regra é Jean Willys: não há dúvidas de que ele escapa da definição ortodoxa de macho-alfa, mas também é inegável que se transformou no astro do “BBB” de 2005, ao lado de Grazi Massefera. Como Grazi é mulher e bonita, ganhou o homem, mesmo que gay.

Tudo isto para dizer que a provável vitória de Dourado na final de logo mais à noite se deverá simplesmente ao fato dele ter encarnado o macho-alfa do “BBB” 10. Dourado vai vencer apesar de ser homofóbico, e não por causa disto. O fascínio de um macho-alfa é tão grande que tudo lhe é perdoado: seus fãs correm para amenizar as barbaridades que ele expele, dizendo que “não é bem assim” e que se trata de um sujeito “autêntico”. Até pessoas supostamente esclarecidas, como a novelista Glória Perez, saíram em defesa do mico-leão. É só o exemplo mais recente de que pimenta no cu dos outros não arde, e que ninguém é mais “outro” do que o homossexual.

A homofobia está arraigadíssima em todos os setores da sociedade, inclusive entre os gays (dããã), e ainda vai levar gerações para que seja totalmente extirpada. Se Dourado tivesse falado dos negros metade do que falou da bicharada, já estaria fora da casa respondendo a processos. Mas se um gay reclama de preconceito é porque não tem “senso de humor”. E, como já disse, ao macho-alfa tudo se perdoa, contanto que ele manifeste carisma e liderança.

Sim, a vitória de Dourado será um horror. Isto não quer dizer que os gays estejam condenados ao fogo eterno no Brasil – apenas temos um longuíssimo caminho pela frente. E que não envolve só o reconhecimento da plena cidadania dos homossexuais, mas também o desmantelamento do machismo que regula toda a nossa cultura. Não vai ser mole.

segunda-feira, 29 de março de 2010

ESTOU ME REPRIMINDO

Vou esperar 24 horas antes de espoucar um champagne pela saída do armário do Ricky Martin. Faz menos de um ano que circulou uma notícia parecida e, depois que eu comemorei aqui no blog, ela foi sumariamente desmentida. Hoje o site RickyMartinMusic.com, onde foi publicada a carta-confissão do cantor, passou boa parte da tarde fora do ar. Provavelmente porque os 8 bilhões de habitantes da Terra estavam todos tentando acessá-lo ao mesmo tempo, mas claro que eu pensei em ataque de hackers. O site já voltou, e nenhum desmentido apareceu até agora. Será que Ricky cansou mesmo de fazer linha? Não que alguém ainda tivesse dúvida, além do mais depois dele batizar seus gêmeos de proveta de Matteo e Valentino. De qualquer forma, é um passo importantíssimo, especialmente para um astro latino. Mas o champagne vai ter que esperar até amanhã.

(Ah, outra coisa: me ocorreu que a música brasileira anda tão careta, mas tão careta, que, apesar do excesso de sapatas, no momento não há um cantorzinho sequer sobre cuja cabeça paire a suspeita da boiolice. O Júnior não vale: ele já anunciou que vai parar de cantar depois que se separou da Sandy e seguir a carreira de produtor. Então, quem sobrou? Aqueles emozinhos do Fresno? Tomara que não.)

SINAL FRACO

Todos os telejornais da Globo estão prestando hoje uma merecidíssima homenagem a Armando Nogueira, o implantador do "Jornal Nacional". E todos estão convenientemente omitindo que Armando e Alice-Maria foram subitamente defenestrados do comando do jornalismo da emissora em 1990, por causa da cobertura pouco simpática ao Plano Collor que vinham fazendo. Depois reclamam que o Chávez interfere nos canais de TV da Venezuela...

RISOTERAPIA

Não há nada mais engraçado do que um câncer, não é mesmo? Pelo menos é o que pensa o canal americano Showtime, que vem fazendo séries ainda mais ousadas que as da HBO. Foi o Showtime que lançou programas polêmicos como "Queer as Folk", "Weeds" e "Dexter". Agora eles vêm com "The Big C", uma sitcom sobre uma mulher que descobre que está com um tumor em estágio avançado. Como tive dois casos parecidos na família há bem pouco tempo, não é que eu esteja morrendo de vontade de assistir. Mas o elenco é literalmente de peso: tem Laura Linney, talvez a atriz mais simpática do mundo, e a imensa Gabourey Sidibe, que aqui faz uma bitch bem diferente da coitadinha que interpretou em "Preciosa". O trailer aí em cima até que é engraçadinho e, como todo mundo sabe, o bom humor é importante em qualquer tratamento de saúde.

A IMPERFEIÇÃO AO ALCANCE DE TODOS

Semana passada o físico Marcelo Gleiser foi ao “Programa do Jô”. A entrevista foi um desastre: talvez preocupado em tornar o assunto acessível, Jô fazia perguntas bobas como “o que uma pessoa comum pode fazer para combater o aquecimento global?”. Gleiser respondia tudo de maneira simpática, mas estava lá para promover seu livro “Criação Imperfeita”. Comigo deu certo: comprei e estou adorando. Também estou me borrando de medo, porque não lia nada tão assustador desde “Deus, Um Delírio” do biólogo Richard Dawkins. Com uma linguagem bastante simples e recheada de experiências pessoais, Gleiser desmonta o dogma central da ciência moderna – aquele que diz que há uma única explicação para todo o Universo, uma “força central” misteriosa, seja ela Deus ou a teoria das supercordas. Tudo isto, diz ele, é fruto da influência brutal que o monoteísmo ainda exerce em toda a cultura ocidental. Os primeiros físicos, como Newton ou Kepler, eram homens religiosos que buscavam pela ciência a comprovação de um Criador inteligente e perfeito. Até hoje ouvimos muito pastor por aí dizer que “a natureza é perfeita”. Não é, e as evidências são muitas, das deformidades físicas aos terremotos e furacões. Mas o homem prefere acreditar que é, por causa do medo avassalador que sente da morte e da busca por um mínimo de sentido para sua vida. Gleiser, que se diz agnóstico, não está interessado em provar que Deus não existe, mas sim que a busca da ciência por uma “causa única” é um beco sem saída. Seus argumentos são convincentes. E, por isto mesmo, apavorantes.

domingo, 28 de março de 2010

QUARTETO FANTÁSTICO

A crítica americana caiu de pau. Um amigo que viu num avião me disse que era perda de tempo. Mas como resistir a um filme que tem quatro dos meus atores favoritos? Ainda mais porque estão todos em papéis sob medida. Ewan MacGregor faz um jornalista meio ingênuo e deslumbrado com o mundo. Jeff Bridges liga seu habitual mode de hippie velho. Kevin Spacey faz a maldita e George Clooney, claro, é George Clooney. "Os Homens que Encaravam Cabras" não chega a ter uma trama propriamente dita: é mais um amontoado de gags sobre um projeto do exército americano que pesquisava a paranormalidade, com resultados deploráveis. Mas os atores estão visivelmente se divertindo, e isto contamina a plateia.

sábado, 27 de março de 2010

THIS MEANS WAR

O que seria o grande duelo final do BBB na próxima terça foi antecipado para hoje. Já disse várias vezes aqui no blog e vou repetir: detesto o programa de paixão. Mas detesto ainda mais a ideia de uma vitória do héteroglodita, com a tal da Máfia Dourada se gabando de ter livrado o Brasil da "ditadura gay". Não, não livrou: ela virá, mais cedo ou mais tarde, e aí vocês vão ver o que é um paredão para valer. Também é bom lembrar que, qualquer que seja o resultado de hoje, ele só reflete qual facção gritou mais alto e teve mais saco de votar milhares de vezes pela internet - não qual "tem razão". Dito isto, bora votar: fora Dourado, volte pro anonimato (pela 2a. vez) e vê se dessa vez você fica lá para o todo sempre, amém.

CONSOMÉ!

E aí, ficou com vontade?

sexta-feira, 26 de março de 2010

SEM GORDURA

"Comédia alemã" é uma contradição em termos, assim como "samba soviético" ou "político honesto". Portanto, que ninguém vá ver "Soul Kitchen" esperando rolar de rir. O filme é bem mais leve e inconsequente que os anteriores do diretor Fatih Akin, "Contra a Parede" e "Do Outro Lado", mas a galhofa não é um gene muito frequente no DNA germânico. Akin nem é ariano puro e sim filho de imigrantes turcos, o que lhe dá uma visão de 360 graus da complicada sociedade alemã. "Soul Kitchen" não fala em conflitos étnicos: a história se passa numa Hamburgo moderna, onde diferentes culturas convivem numa boa. Os problemas são todos de ordem prática, tipo como se livrar de uma dor nas costas ou de um irmão vigarista. O restaurante do título serve uma comida horrível a princípio, com muita fritura e muita maionese. A chegada de um novo chef melhora muito o cardápio e espanta toda a freguesia. O mesmo pode acontecer com o filme, que não oferece a besteirada gordurosa a que o público médio está acostumado e por isto mesmo corre o risco de ser rejeitado. Será uma pena, porque "Soul Kitchen" é um prato raro. Só não é muito engraçado.

POP CABEÇA

Em 2008, as bandas inglesas Hot Chip e Godlfrapp lançaram discos simultâneos. Comprei "Made in the Dark" e "Seventh Tree" no mesmo dia, e passei a associar um ao outro. Este ano a gracinha se repetiu. Acabo de adquirir "One Life Stand" e "Head First", e para mim os dois CDs se complementam como se fosse metades de um álbum duplo. Ambos têm um som moderninho, dançante sem ser baba, letras espertinhas e enormes cabeças nas capas. Claro que os vocais de Allison Goldfrapp nem se comparam aos do whatshisname do Hot Chip, mas cai muito bem misturar as faixas das duas bandas. Nem vou me estender muito sobre "Head First": o Daniel publicou ontem um post com o qual eu concordo, então vai lá conferir que tem até presentinho. Combina perfeitamente com "Take It In", uma das melhores faixas de "One Night Stand", que pode ser baixada de graça e dentro da lei aqui, pelo site "rcrdlbl". Aliás, também concordo com o Daniel que o Goldfrapp está com uma vibe meio "Xanadu", e o Hot Chip não fica atrás. Fikdik para um remake com Allison no papel de Olivia Newton-John e o Hot Chip como a Electric Light Orchestra.

EL FERIADÓN

Nunca pensei que algum dia diria isto, mas hoje até que eu gostaria de ser venezuelano. Hugo Chávez decretou feriado para as próximas segunda, terça e quarta-feiras, para economizar energia elétrica. Juntando com este final de semana e o feriadão da Semana Santa (que lá, como em quase toda a América Latina, inclui também a quinta), os venezuelanos terão 9 dias seguidos de folga. Não que as opções de lazer sejam muitas: os shoppings estão com corredores escuros e ar condicionado desligado, por exemplo. Tomara que a população use este tempo livre para refletir se quer manter o caudilho incompetente no poder. "Desenjo" a todos uma sábia decisão.

quinta-feira, 25 de março de 2010

PÁSSARODEMIA

Trash só é bom quando é sem querer. Porcarias propositais não têm graça. O prazer proporcionado por uma obra ruim é diretamente proporcional à pretensão de seu autor: quanto maior sua ambição, maior o desastre e maiores as gargalhadas. Este é o caso de "Birdemic: Shock and Awe", um filme pretensamente de terror dirigido por James Nguyen, um vendedor de software que nunca havia manejado uma câmera na vida. O cara tentou inscrever seu opus no festival de Sundance. A rejeição não o desanimou: ele conseguiu exibi-lo num dos vários eventos paralelos, e acabou atraindo a atenção de um distribuidor. Agora "Birdemic" está "em turnê" pelos Estados Unidos, passando em sessões à meia-noite e conquistando o almejadíssimo status de cult. Merecidíssimo, aliás: essa homenagem canhestra aos "Pássaros" de Hitchcock tem atores mumificados e efeitos que parecem ter sido feitos com PowerPoint. Uêbaaa, Ed Wood está vivo.

SENTIMENTO DE CULP

Morreu hoje em Los Angeles, aos 79 anos, o ator Robert Culp. Quase ninguém se lembra dele no Brasil, e nem era para menos: o auge da carreira de Culp aconteceu nos anos 60, num seriado ainda em preto-e-branco chamado "Os Destemidos" (aliás, literalmente em preto e branco: foi o 1o. programa da TV americana a mostrar a parceria entre um policial preto e outro branco). Mas para mim Robert Culp significa outra coisa - ele foi um dos primeiros homens por quem senti tesão... Meu pai viajava muito para o exterior, e sempre trazia na bagagem algumas "Playboy" e outras revistas do gênero, que no começo dos anos 70 eram simplesmente proibidas no Brasil. Eu lia escondido, e ele fingia que não sabia. Uma dessas revistas foi a "Oui" de janeiro de 1975, com uma matéria que quase me provocou um enfarte. Eram umas 10 páginas de fotos da "intimidade" de Culp, já quarentão, e sua 4a. mulher, Sheila. Naqueles tempos de liberação sexual, não era exatamente um escândalo um ator famoso posar pelado com a própria esposa. Dela aparecia tudo, dele acho que talvez só a bunda - não lembro direito. Procurei na internet e só encontrei a revista inteira à venda, neca das fotos dando sopa. Se alguém souber onde tem, me avise: mostro aqui no blog um dos primeiros momentos em que eu percebi que apito tocava.

O QUE EU ACHO QUE ACONTECEU

A menina estava cansada, com fome e com saudades da mãe. Veio enchendo o saco no carro, choramingando e brigando com os meio-irmãos menores. O pai não aguentava mais a algazarra das crianças. A madrasta deu uns tabefes na garota – afinal, não era sua filha, era a lembrança permanente da existência da primeira mulher. Não adiantou: o choro redobrou de intensidade, o nervosismo dos adultos também. Os tapas foram se tornando mais violentos. Quando chegaram ao prédo onde moravam, a menina sangrava pela testa e berrava de dor. No apartamento, as tentativas de calar-lhe a boca foram ficando mais extremas. A madrasta apertou-lhe o pescoço. O pai, que tinha um histórico de violência, empurrou-a no chão com toda a força. A menina desmaiou. Apavorados, os adultos perceberam que tinham ido longe demais. Melhor simular um acidente. Na correria, o pai cortou a tela de proteção de janela, sem prestar atenção ao sangue que respingava aqui e ali. Jogou a própria filha do sexto andar, achando que ela já estava morta. Não estava.

As férias estavam maravilhosas. Praia, sol, bons restaurantes. O casal queria aproveitar ao máximo, mas como arrumar alguém para cuidar das crianças num país estranho? O pequeninho nem dava trabalho, dormia logo e só acordava no dia seguinte. Mas a maiorzinha chorava, reclamava a ausência dos pais, era até capaz de sair do quarto por conta própria. “Tudo bem”, disse a mãe, que era enfermeira. “Vamos fazer como das outras vezes”. Uma injeçãozinha rápida: a garota nem sentiu nada e apagou em poucos minutos. O casal saiu, se divertiu, teve uma ótima noite. Quando voltaram ao hotel, a menina estava estranha. Imóvel, pálida, com os lábios frios. Não respirava mais. Os pais entraram em pânico: seriam acusados de matar a própria filha, só para poderem jantar fora. Resolveram sumir com o corpo.

O casal já não vivia bem há muitos anos. O marido, ciumentíssimo, acusava a mulher de mil traições imaginárias. Ela pensava em se separar, mas se preocupava com o próprio futuro e o do filho, a quem era muito ligada. Não deu tempo: naquela noite, a discussão esquentou, o homem pegou uma arma e acabou atirando na esposa. Nisto chegou o filho, que só deveria voltar para casa bem mais tarde. Horrorizado com a cena, partiu para cima do pai, tomou-lhe o revólver e acabou matando-o. A família da mãe, repleta de advogados de renome, decidiu proteger o rapaz e conseguiu que ele sequer fosse indiciado. O crime continua sem solução: a casa não tinha sinais de arrombamento, nada foi roubado. A opinião pública tinha certeza de que o garoto matara pai e mãe, e a imprensa fez um carnaval. Mas o caso acabou sendo esquecido, e o principal suspeito vive hoje em liberdade.

quarta-feira, 24 de março de 2010

PREFIRO VER TINTA SECAR

Já me pronunciei sobre o assunto, mas volta e meia alguém me conclama aqui pelo blog a convocar uma campanha contra o Dourado do BBB. Eu até tentei assistir o programa para entender de quem se tratava, mas não consegui. No mesmo horário, o DryPaint Channel estava exibindo uma cor de tinta que eu ainda não tinha visto secar, verde-musgo, então troquei de canal.

Ainda mais chato do que o Big Bosta é o circo que se arma em torno dele. Não aguento mais ver "manchetes" na internet do tipo "Brothers estão dormindo". Isto lá é notícia? Também me irrita essa mania de chamar os participantes de "brothers" ou "sisters". No Brasil nem se desconfia que há um livro chamado "1984". Aliás, curioso como o Big Brother está em vias de se tornar um fenômeno tipicamente brasileiro, um programa-jabuticaba. No resto do mundo ele nem mais é exibido ou, nos poucos lugares onde ainda é, tem uma fração da repercussão que gera aqui. Apesar da audiência decrescente a cada ano, o BBB ainda atrai muitos anunciantes e é um assunto inescapável. Infelizmente.

É verdade que esta edição de 2010 está muito bem feita, com cara de jogo mesmo. Se bem que a Globo e o Boninho manipulam o público à vontade... Também é certo que eu acho o Dourado um nojo, mas até entendo o sucesso que ele faz. O cara é inegavelmente carismático, tem ângulos bonitos e fala o que muita gente pensa. Além do mais, o grosso da audiência do programa (e também dos votantes) é formado por mulheres. Mulher vota em gay quando ele parece "inofensivo", como era Jean Willys. Dicésar não é. Periga o paredão final ser entre ele e o mico-leão, e juro que não sei prever o final (até que, para quem odeia o BBB, eu estou bem-informado, não?).

Enfim, o que eu quero mesmo dizer é que não acho que uma eventual vitória do mico seja uma derrota fragorosa para a causa gay no Brasil. Vai ser um retrato de uma certa mentalidade atrasada, que a gente está cansado de saber que ainda é a dominante. Mas daí até eu pegar em armas e chamar as pessoas de bem para se juntarem à luta, me dá uma priguiiiiiça... Sou mais o DryPaint Channel.

SR. JUIZ, PARE AGORA

Anteontem reafirmei meu desprezo pelas tatuagens. Ontem confessei que não sou fã da música nem do visual da Maria Gadú. Gostei das pequenas polêmicas provocadas. Então, só para continuar sendo do contra, hoje vou declarar que acredito na inocência do casal Nardoni. NOT: as provas são tão contundentes que só falta a perícia dizer que há indícios de que o sangue na camisa do pai é de uma menina cujo nome começa com I. Já tenho até uma teoria na cabeça. Alexandre e Anna Carolina perderam o controle da surra que deram em Isabella. Acharam que ela já estaria morta ou, pior ainda, que seus ferimentos levariam ao indiciamento do casal por maus tratos. Por isto resolveram encenar um acidente. Mesmo convencido da culpa do casal, fiquei chocado com a vaia que o advogado de defesa levou hoje ao chegar ao tribunal. Nossa mentalidade é tão atrasada que não entendemos que até os piores monstros têm direito a se defender, e que o papel de um advogado é juntar tudo o que possa beneficiar seu cliente. Ainda falta muito tempo para que a democracia vigore para valer no Brasil.

terça-feira, 23 de março de 2010

SHIMBALAIECA

Não gosto da Maria Gadú. Isto faz de mim uma pessoa ruim? Porque fico me perguntando o quanto de preconceito existe nisto. Confesso, a contragosto, que o jeito de machona dela me incomoda um pouco. Mas não deve ser só isto, porque conheço lésbicas tão masculinas que eu até me sinto atraído por elas. Pela Gadú, nem por decreto-lei. Também não curto muito a Ana Carolina, e por uma razão parecida: ambas têm um jeito meio derramado-sapatão de cantar que me soa insuportável. Por outro lado, adoro de paixão a Angela Ro-Ro, praticamente uma caminhoneira, mas excelente compositora, boa cantora e uma das melhores show-women de todos os tempos. Portanto, acho que, no frigir dos ovos, é mesmo a música da Maria Gadú que não me toca o coração. Mas isto acaba me dando a permissão para liberar a homofobia que ainda resiste em mim.

MUITCHAS GRACINHAS

O que é mais engraçado do que um brasileiro mandando ver no portunhol, soltando clássicos como "un cuepo de Cueca-Cuela"? Um argentino achando que fala português, como mostra esse comercial acima.

segunda-feira, 22 de março de 2010

UM PAÍS DOENTE

Tem algo muito pouco saudável nos Estados Unidos, e não é só a obsessão por ovos com bacon. Fiquei chocado pela reforma do sistema de saúde ter passado sem um único mísero voto republicano. E muitos votaram contra não por ideologia, mas por puro espírito de porco - mais ou menos como o PT se fartou de fazer durante o governo FHC. A reforma a nível nacional proposta por Obama é parecidíssima com a que o ex-governador Mitt Romney aprovou em seu estado de Massachussets. Justo o Romney, que é hoje o oposicionista mais cotado para concorrer à Presidência. O bundão do John McCain já avisou que ningém de seu partido vai cooperar, numas de querer que o circo pegue fogo. Que imbecis: eles podem até recuperar o controle do Congresso nas eleições do final do ano, mas a longo prazo o público vai se voltar contra eles. É um absurdo que não tem tamanho os EUA não oferecerem a seus cidadãos um acesso universal à saúde, o único país desenvolvido que nega esse direito básico. E o fato de uma parcela considerável da população achar que é "tirania" oferecer esse direito é sintoma de doença gravíssima. Curável, tomara.

A MULHER PICHADA

Se eu já acho feio tatuagem em homem, em mulher então é o cão chupando manga. Essa tal de Michelle “Bombshell” McGee, a amante do marido da Sandra Bullock, me causa engulhos. Não entendo o que leva uma pessoa a sujar a própria pele. Você rabiscaria com hidrográfica a sua camisa mais cara? Então, porque fazer isto com o corpo? Mas tem louco para tudo, e essa mulher-tatu faz bastante sucesso. Ela confessou que também é muito requisitada para realizar fantasias de “pedal pumping”, um fetiche comum nos estados mais conservadores dos EUA. Que nada mais é do que um pé feminino, geralmente de salto alto e unhas bem-feitas, pisando no acelerador de um carro. E aí, ficou excitado?

MEXIMBICA

Ontem toquei pela 3a. vez no Café com Vodka, e foi uma experiência curiosa. Sabia que meu set não seria uma unanimidade: resolvi tocar só pop em espanhol, coisa com que o povo que frequenta o Sonique não está acostumado. Mas como eu ia entrar cedo e a casa ainda não estaria cheia, então não tinha essa obrigação de levantar a galera. Mesmo assim, levantei um pouco - os amigos fiéis que foram me ver e mais meia dúzia de gatos pingados. Meu filhinho Duda Hering ficou nervoso e tentou me arrancar da cabine do DJ, mas eu resisti bravamente e toquei quase tudo o que tinha planejado. O grande sucesso foi um remix oriental de "Ojos Así" da Shakira, uma boa desculpa para uns passinhos de dança do ventre. E também a música com que encerrei, que traía a proposta original de "MéxicoPeru": nada menos que "Telefone" com Ximbica e Nany People'. Foi o suficiente para eu ficar com "Tô vendo a C.E.T." martelando na cabeça pelo resto da noite.

domingo, 21 de março de 2010

LADIES WITH AN ATTITUDE

Devo estar sendo um bom menino, porque este ano o Natal vai cair mais cedo e meu presente já está caminho. É o CD “Glee – The Power of Madonna”, na verdade um EP porque só tem 7 faixas. São as canções de Sua Madgestade incluídas num episódio especial da série. O disco só sai no final de abril, mas já está em pré-venda na Amazon. Mal posso esperar para ouvir aquela que será a versão definitiva de “Vogue”, cantada por ninguém menos que a treinadora Sue Sylvester.

sábado, 20 de março de 2010

HOMENS LOUCOS

Esta noite estreia na HBO a 3a. temporada da premiadíssima série "Mad Men". Tinha visto uns episódios aqui e ali, mas precisei ver quase todos dessa leva para fazer a crítica que saiu hoje na "Folha de São Paulo" (como sempre, assinantes do UOL podem lê-la aqui). Grande parte da ação se passa numa agência de propaganda, no começo dos anos 60: para mim, que sou publicitário, é irresistível assistir aos primórdios da minha profissão, ou pelo menos como ela assumiu as características que mantém até hoje. Mas a série tem muitos outros atrativos, que vão de um estudo sociológico das grandes mudanças então em curso ao gostosérrimo Jon Hamm. Além de tanta fumaça (os personagens fumam um cigarro atrás do outro) que até os olhos do espectador ficam vermelhos.

CONSOLO REPUBLICANO

A direita americana é acusada, e com razão, de ser a culpada por grande parte dos males que afligem o mundo: guerra, fome, miséria, o canal Fox News. Levou uma sova nas duas últimas eleições, perdendo primeiro o Congresso e logo em seguida a Casa Branca. "Um Sonho Possível" foi feito para levantar a auto-estima dessa turma. Sandra Bullock faz uma perua quaquilionária que gasta alguns minutos de seu tempo e poucos dólares de sua imensa conta bancária para ajudar um garoto negro, e se sente a própria Madre Teresa de Calcutá. "Sou republicana, sou evangélica, ando armada e detesto impostos, imigrantes e homossexuais, mas vejam como eu sou boa! Vocês também são". Não, não são, se fossem estariam apoiando o Obama e a reforma da saúde. Mas esta é a mensagem do filme, que tem ritmo de sitcom. Fez um sucesso colossal nos EUA, levou uma indicação ao Oscar totalmente não merecida e deixa a plateia de bem com a vida - apesar do racismo disfarçado, ou talvez por isto mesmo. Quase todos os brancos que aparecem na tela são generosos, firmes, solidários, e quase todos os negros são marginais, drogados, violentos. Sandrão tira de letra com seu afiadíssimo timing de comédia, mas nem de longe pode ser considerada a melhor atriz do ano. Na verdade, levou uma medalha por serviços prestados e por ser uma autêntica Miss Simpatia. "Um Sonho Possível" também é simpático, mas ao estilo Sarah Palin: por baixo do sorriso cativante, está uma ideologia retrógrada e burra.

sexta-feira, 19 de março de 2010

SEU BEIJO NA MINHA LISTA

Tô escolhendo as músicas para meu set tropicaliente no Café com Vodka deste domingo, e as sugestões não param de chegar via Facebook ou por aqui mesmo. Quero retribuir com uma sugestão que não tem nada de latina e que na verdade veio do Too-Tsie, leitor assíduo e blogueiro relapso. Caiu na rede o novo disco da dupla The Bird and the Bee. Tem o nome pomposo de "Interpreting the Masters, vol. 1: a Tribute to Hall & Oates", o que faz supor que outros tributos virão. A série já começou bem: quem era vivo nos anos 80 certamente se lembra dessa dupla de brancos da Philadelphia que fazia um pop com pretensões de soul absolutamente delicioso, Darryl Hall & John Oates. Todo mundo dizia que eles eram "casos", uma suspeita que o bigodão do Oates e o mullet loiro do Hall só aumentavam. Para quem não está ligando o nome às pessoas, são deles clássicos como "Maneater" ("oh oh here she comes..."), "I Can't Go for That" e a minha favorita, "Kiss on My List". As versões do Bird and the Bee são bem mais suaves que as originais e o disco todo pode ser baixado aqui (tem que se registrar antes, mas é grátis e depois ninguém fica mandando e-mail dizendo que você ganhou uma fortuna na Nigéria). Mas que fique bem claro que essa dica de download ilegal não é minha, é do Too-Tsie.

COMENDO A GRANDE MAÇÃ

Finalmente a resposta para aquele problema que assola milhares de brasileiros que visitam Nova York: onde ir, o que comer, o que pensar? A chef Carla Pernambuco, dona dos restaurantes Carlota no Rio e em São Paulo, lançou o blog Carlota NY, recheado de dicas gastronômicas que vão muito além das simples listinhas. Ela analisa, por exemplo, a recente obsessão dos americanos com o nosso açaí, que eles teimam em chamar de “acai” – já tem até Absolut sabor acai, já provou? Como a Carla não mora em Nova York, muitos dos posts são escritos pela minha amiga de maternidade Jacqueline Cantore, uma autoridade em luxo, calma e volúpia. E elas prometem para breve os guias de Los Angeles e Miami, tudo em português e com muita figura.

(agora, elas podiam tirar as Torres Gêmeas do logo, não?)

quinta-feira, 18 de março de 2010

UM AMOR ASSIM DELICADO

"Ugly Betty" está chegando ao fim, e é bem feito. Os produtores deveriam focado apenas na parte cômica, mas não: no intuito de transplantar para a TV americana o climão das telenovelas, criaram mil tramas dramáticas e desinteressantes que acabaram por afundar o programa. Mas eles merecem uma medalha por terem levado ao ar o primeiro beijo gay adolescente do horário nobre. Foi no episódio exibido ontem nos EUA, em que o pintosinho do Justin - que, desde a 1a. temporada, jamais escondeu que apito tocava - finalmente deu sua primeira bitoca num colega de classe. A cena é delicada, bem construída e não tem exatamente um final feliz, como muitos primeiros beijos da vida real. Fikdik para a diretoria héteroglodita (obrigado, Daniel) da Globo, que invariavelmente veta os beijos homossexuais em suas novelas e acirra a homofobia naquela BBBosta.

(Curiosamente, o ator de 15 anos que faz o Justin se chama Mark Indelicato. Mas de indelicada ele só tem a coragem.)

A MALDIÇÃO DO OSCAR

Quer destruir seu casamento? Ganhe um Oscar de melhor atriz. Menos de uma semana depois de anunciado o divórcio de Kate Winslet, a vencedora do ano passado, ficamos sabendo que a vencedora deste ano, Sandra Bullock, colocou o maridão para fora de casa. As duas entram assim para uma lista ilustre, que nos últimos anos também recebeu Hillary Swank, Reese Whiterspoon, Julia Roberts, Helen Hunt, Charlize Theron e Halle Berry. Todas receberam a maior honraria que Hollywood pode dar a uma mulher, e todas terminaram seus casamentos felizes pouco tempo depois. A razão é meio óbvia, e não se limita ao mundo do cinema. Tem muito homem que não suporta que a esposa seja mais rica, mais famosa ou mais bem sucedida. E a "vingança", quase sempre, é pular a cerca e catar uma mais jovem. Próximo casal na mira: Matthew Broderick e Sarah Jessica Parker. Enquanto a carreira dele anda meio em banho-maria, ela tem mais um sucesso dobrando a esquina, a continuação de "Sex and the City". Se quiser continuar casada, SJP tem que rezar para não ser indicada a nenhum prêmio.

quarta-feira, 17 de março de 2010

SUPREMA REVELAÇÃO

Todos os segredos de "Lost" são explicados neste vídeo com alguns dos atores da série. Ou vai dizer que você ainda não entendeu?

(Na verdade, estes são promos do Cake, um canal a cabo australiano que exibe "Lost". Mas saber disso faz sumir a graça toda, né? Pronto, sumiu.)

PROPAGANDA HONESTA

E se os cartazes de cinema falassem a verdade, nada mais que a verdade? Seriam como esses aí abaixo, e muitos outros que estão neste site aqui.PREVISÍVEL - Do cara que sabe gastar 280 milhões de dólares.MAIS UMA BOMBA? - Por esta eu não esperava.ELES TRANSAM - Quem foi o idiota que deu um título enganador e chato para este filme?SIMBOLISMO TRANSPARENTE - Não é exatamente sobre alienígenas... Como "Avatar", mas menos mágico. Peter Jackson não tem muito a ver com este filme, mas você nunca ouviu falar de Neill Blomkamp.
DONA BRANCA SALVA O DIA - Baseado numa incrível história real, que infelizmente não é sobre um gigante.

(Dudu Braga, vamos ao cinema qualquer dia desses?)

OPERAÇÃO TAPA-BURACO

Não é fácil conseguir toda semana uma celebridade para tocar no Café com Vodka. Não é sempre que a Luciana Gimenez está disponível. Nessas horas, meu filhinho Duda Hering apela para os amigos, e desta vez, mais uma vez, sobrou para mim. Mas agora resolvi fazer um set diferente, sem Madonna nem Lady Gaga. Como tenho escutado muita música latina, neste próximo domingo, dia 21 de março, só vou tocar sucessos dos nossos vizinhos. Vai ter Miranda, Los Amigos Invisibles, Paulina Rubio, Luis Miguel, Ricky Martin e até mesmo as versões en español de pérolas como "Xanadu" e "Dancing Queen". Vai se chamar "México Peru", sacou? Sacou? Sacou? Pena que será naquele horarinho ingrato das 7 às 8 da noite, quando o Sonique ainda está meia-bomba, e duvido que esse som caliente deixe o povo muito animado. Jódanse: o set é meu, eu faço o que eu quiser, jajaja. Para ir entrando no clima, baixe aqui um remix estrondoso de "Hips Don't Lie" da Shakira. Mira en Barranquilla se baila así.

(Tenho pego muito no pé do Lula, mas ele não tem nada a ver com meu set no Café com Vodka, ainda bem. Porém, como resistir a esta foto?)

SOY LATINOAMERICANO

Tenho andado bem pouco militante, não? Faz tempo que não faço posts sobre os direitos gays nem denuncio algum homófobo de plantão. É que a viagem para a Venezuela me deixou meio longe desses assuntos e mais ligado nos problemas da América Latina, olha só que pretensão. Comprei em Caracas um livro do jornalista Andres Oppenheimer muito interessante, "Los Estados Desunidos de América". É uma compilação das melhores colunas que ele escreveu nos últimos 4 anos para o jornal "Miami Herald". Oppenheimer é argentino mas vive nos EUA há muito tempo, e escreve de maneira bem simples e lúcida. Suas opiniões são bastante equilibradas, o que faz com que a direita o chame de subversivo e a esquerda de lacaio do imperialismo ianque. Seus textos podem ser lidos na internet, em inglês ou espanhol, e de vez em quando também saem na "Folha de São Paulo". É meu novo guru, além do mais porque também tem humor - adoro quando ele chama o Hugo Chávez de narcisista-leninista.

terça-feira, 16 de março de 2010

ADIÓS, VENEZUELA

Até que enfim, terminou. Foi uma longa semana, e nos últimos dias eu já estava com a incômoda sensação de morar em Caracas. Já reconhecia os caminhos, já diminuía as expectativas, estava quase me acostumando com a desordem natural das coisas. Mas tem horas que não dá. Hoje, por exemplo, último dia de filmagem: o circo armado, mais de 50 pessoas mobilizadas, cenário pronto, atores maquiados, tudo pronto para rodar e... a luz é cortada. Voltou em menos de uma hora, mas foi o suficiente para se instalar o terror dos prazos descumpridos em nossos coraçõezinhos profissionais. No começo da noite, mais um desastre, e dessa vez o Chávez não tinha a menor culpa. Deixamos o estúdio rumo a uma locação por volta das 7 da noite. Uma equipe com luzes e câmeras saiu duas horas antes, para tudo estar pronto quando chegássemos. E não é que chegamos antes que os caras? Nunca filmei na Bahia, mas aposto que nem lá o povo é tão folgado.

Saio da Venezuela com meu bode do mesmo tamanho, quiçá um pouco maior. Juro que me esforcei para que ele fosse embora, e num aspecto fui bem-sucedido: estou encantado com as pessoas. Todo mundo é simpático, todo mundo é gentil, todo mundo tem cara e jeito de brasileiro. Mas tenho a impressão que a Venezuela é um Brasil que não deu certo. Corríamos o risco de ter ido pelo mesmo caminho, talvez, se tivéssemos encontrado tanto petróleo tão cedo. A economia venezuelana não se diversificou, a elite predatória se refestelou em Miami e a maior parte da população ficou na miséria. Deu no que deu: um proto-ditador que incita o ódio diariamente, joga ricos contra pobres, usa seu carisma para se eternizar no poder e vem a cada dia provando que é um desastre como governante. Muita gente já percebeu isto, e o chavismo caminha célere para uma derrota nas eleições parlamentares do segundo semestre. Como que o caudilho vai reagir? Com violência? Talvez. Mas mesmo que ele se vá, os problemas da Venezuela vão continuar por muito tempo. E, pelo jeito, o meu bode também.

segunda-feira, 15 de março de 2010

NUNCA ANTES NESTE PLANETA

Então quer dizer que o Lula pensa em ser o próximo secretário-geral da ONU? Hmm, faz sentido. Porque só esta ambição justifica o apoio incondicional que o Brasil vem dando a todo tipo de ditadura, não só às de esquerda. Estes países todos têm votos no plenário e o nosso presidente, como é de seu feitio, já estaria em campanha antes da hora. Mas não vai ser fácil, e não apenas pelo singelo fato de Lula mal e mal ser monoglota. O mandato de Ban Ki-Moon vence em 31 de dezembro de 2011, mas existem duas regrinhas não-escritas que podem melar este sonho de glória. Regra 1: os secretários-gerais das nações Unidas costumam cumprir dois mandatos, e o coreano ainda está no primeiro. Regra 2: a região que teria o "direito" de ocupar o cargo seria a Ásia. Se por acaso Ban Ki-Moon quiser largar o osso (improvável), os asiáticos vão pressionar para manter a cadeira. Mas para quem já achou que tinha cacife até para eleger o novo papa, o que são regras não-escritas? Lula está acostumado a quebrá-las, e não iria lê-las nem se estivessem gravadas na pedra com letras de ouro.

JOEY, DO YOU LIKE MOVIES ABOUT GLADIATORS?

Apertem os cintos, o piloto morreu. Faleceu ontem em Los Angeles o ator Peter Graves, que fez quase toda sua carreira em seriados de TV como "Missão Impossível". Mas para mim ele sempre será lembrado como o comandante pedófilo de "Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu", simplesmente o filme mais engraçado de todos os tempos. Sim, mais engraçado do que qualquer coisa jamais feita por Charlie Chaplin, os irmãos Marx, Woody Allen ou Renato Aragão. Não, isto não está em debate.

A MALVINA VENEZUELANA

Era uma vez uma república sul-americana recém-independente. Este jovem país possuía um território remoto e praticamente despovoado que lhe foi tomado sem mais nem menos pela grande potência do século 19, a Inglaterra. Desde então esta pendenga se arrasta e volta e meia ameaça descambar em conflito armado. Não, não estou falando das ilhas Malvinas: o território em questão é a chamada Guayana Esequiba, equivalente a dois terços da área da Guiana (ex-inglesa). Ele aparece como "Zona de Reclamación" nos mapas venezuelanos e é um espinho no orgulho nacional. Também é uma questão ainda mais cabeluda que as Malvinas, pois se, a Venezuela conseguir o que quer, a Guiana praticamente desaparece. Chávez de vez em quando volta sua retórica para este lado, mas nunca passou às vias de fato. De qualquer modo, é bom o Brasil ficar esperto: a Guayana Esequiba tem uma longa fronteira com Roraima. Não duvido nada que algum dia Huguinho saia bradando que nosso estado mais setentrional "sempre" pertenceu aos venezuelanos.

domingo, 14 de março de 2010

A ILHA B

Meu único dia livre em Caracas, e tudo o que eu queria era assistir "Alice no País das Maravilhas", que já estreou aqui. Não que eu esteja doido para ver o novo filme do Tim Burton - já sei que não vou gostar, pelas mudanças que ele fez na história - mas "Alice" só entra em cartaz no Brasil no final de abril, então era minha chance de fazer uma dancinha boba e cantar "já vi, tralala, vocês não viram". Mas o destino não quis assim. O chofer da produtora foi às 11 da manhã para a bilheteria (filmagem tem essas mordomias) e voltou de mãos abanando. Lotação esgotada na sala 3D. Como me recusei a ver em 2D pobrinho, meu prêmio de consolação acabou sendo "A Ilha do Medo", de meu idolatrado Martin Scorsese - que aqui se chama "La Isla Siniestra", mwahahaha. Não dá para negar: é um momento menor na obra do grande mestre, um filme B muitíssimo bem feito, um B maiúsculo, mas B. O elenco tem um ator melhor que o outro e, como era de se esperar, fotografia, edição, música, figurinos, tudo funciona às mil maravilhas. Mas o roteiro faz aquela linha que me irrita um pouco, um mistério envolvido num segredo enrolado num enigma. O personagem do Leonardo Di Caprio acorda de um sonho direto numa alucinação, o que desliga meu interesse da mesma maneira que as últimas temporadas de "Lost". Ele faz um policial que investiga um desaparecimento numa prisão para loucos criminosos, e, apesar das pistas falsas, qualquer pessoa que já foi mais de 10 vezes ao cinema vai adivinhar o final antes da metade do filme. "A Ilha do Medo" diverte, mas não vai ganhar prêmios nem se tornar um clássico. Porque até o prazer que proporciona não passa de B.

VOCÊS QUEREM BACALHAU?

É difícil comentar uma notícia dessas sem parecer misógino ou politicamente incorreto, mas vou tentar. Uma empresa alemã lançou "Vulva", um perfume com aroma de xoxota. A rigor não é um perfume, mas uma essência: o interessado pode levar o vidrinho no bolso e, quando bater aquela fissura de chafurdar no jardim das delícias, é só aspergir umas gotinhas no pulso e respirar fundo. Também pode ser usado para substituir o molho de anchovas numa Caesar Salad e... OK, chega, eu prometi que ia me comportar.

sábado, 13 de março de 2010

TE DOU UNS DADOS?

Fui fuçar o Orkut de Carlos Eduardo Nunes, o "suspeito" de ter matado o Glauco e seu filho Raoni. Adoro esses eufemismos legais: não há a menor dúvida de que foi ele mesmo quem matou, há várias testemunhas, mas enquanto o camarada não for julgado e condenado é só "suspeito". Enfim, eu estava curioso de ver os mais de 600 scraps ameaçadores que o cara recebeu. É engraçado como as redes sociais servem para as pessoas despejarem suas frustrações, para o bem ou para o mal. Gente que provavelmente não faria mal a uma mosca vai lá descarregar toda a sua raiva. Mas um scrap me chamou mais a atenção do que todos os outros: justamente o mais antigo, com data de 11 de novembro do ano passado e assinado pelo próprio Carlos Eduardo. São seus dados bancários. Agora, que tipo de gente põe esses dados no Orkut, praticamente à vista de todos? Elementar: um traficante. E se for isto mesmo, parece que o rapaz cometeu a burrada no. 1 de todo dealer, que é se viciar no produto que vende. Não, não sei de nada nem estou acusando ninguém. Só deduzindo.

MOLHO DE FORMIGA

No almoço de hoje eu provei o kumachi, um molho típico da Venezuela. É escuro, picante e bem grosso, e foi muito bem com meu bife à milanesa. A receita vem dos índios da Amazônia venezuelana: a base é o caldo da mandioca amarga ("yare"), à qual se acrescentam diversos tipos de pimenta, especiarias e... bundas de formiga. Mais especificamente, de bachaco culón, uma prima bolivariana da nossa saúva. Dizem os experts que as formigas só entram como colorante e que sua influência no sabor da salsa é mínima. Existem variantes como o catara aí da foto, que faz questão de estampar no rótulo o ingrediente principal. Então, alguma encomenda?

VÍDEO-ARTE

Sorry, Lady Gaga e OK Go, mas o melhor clip deste ano até agora é "70 Million", da banda franco-americana Hold Your Horses. Pelo menos é o único que faz com que eu me sinta uma pessoa culta e viajada.

SHORT ATTENTION SPAN

Sábado é dia de vídeeeoooo! Culpa do meu adorado site "Daily Beast", que neste dia compila os melhores virais da semana. E, para ninguém ter o trabalho de ir até lá, os melhores dos melhores eu ponho aqui no blog. Este aí em cima me faz rir toda vez: um verdadeiro festival de filmes de 5 segundos, feitos por um bando de amigos. Sim, 5 segundos. Se para mim, que sou publicitário, já é dificílimo fazer comerciais com 30, imagine com 5, que é o tempo de um pack-shot. Então, não faça como eu, que morro de preguiça de ver vídeos nos blogs dos outros, e dá um play aí. 5 segundos passam depressa.

BASTARDO INGROLOLOLO

Christoph Waltz, que ganhou o Oscar de ator coadjuvante domingo passado, era desconhecido nos EUA até aparecer em "Bastardos Inglórios", mas sua carreira na Áustria já vinha de décadas. O clip acima mostra um de seus primeiros trabalhos, ainda nos anos 70. Se quiser cortar a enrolação do começo, pule até a marca de 1:12. Iêiêiêiêiê. Hahahahaha.

sexta-feira, 12 de março de 2010

PRISON FOR BITCHES

O novo clip da Lady Gaga foi postado ontem à noite no YouTube e já tem mais de 2 milhões de visualizações. Impressionante como ela consegue superar o próprio excesso. São mais de 9 minutos, para uma música que não chega a 5. Beyoncé canta durante uns 16 segundos, mas isto não a impediu de aparecer durante toda a segunda metade dessa féerie. E por quê diabos Gaga foi parar atrás das grades? Por ter enlouquecido a humanidade nos últimos meses com tanto roma-roma? Pouco importa, contanto que as oportunidades de merchandising sejam muitas. Gosto especialmente dela não ter se amedrontado de, mais uma vez, expor os gambitos ao lado da Bionça, que lhe dá de 10 no quesito gostosura. Não bastou a sova de cabo de vassoura que a magricela da Germanotta levou no clip de "Video Phone"? Bom, preparem os ouvidos, porque "Telephone" vai dominar o planeta até junho. E o vídeo até que tem boas piadas: minha favorita é "I told you she didn't have a dick".

(Tá contente agora, Dudu Braga?)

LLUEVE EN CARACAS

Depois de cinco meses de uma seca quase total, neste momento chove torrencialmente aqui na capital da Venezuela. Quero só ver que desculpa o Chávez vai dar agora para justificar o apagón.

GUANÁBANA SONORA

Uma das poucas coisas tipicamente venezuelanas que eu gostava era a guanábana, uma fruta deliciosa que eles usam aqui para tudo. Não é mais, porque eu descobri que ela não é típica da Venezuela: trata-se da nossa prosaica graviola, tão comum no Norte e Nordeste, e que eu, desacostumado rapaz do Sudeste, não soube identificar logo de cara. Então só sobra a música como qualidade indiscutível da República Bolivariana. Esta continua boa: já comprei alguns disquinhos aqui em Caracas, inclusive o novo da melhor dupla lounge da América Latina, o Masseratti 2 lts. Eles fazem um som relaxante e bem-humorado, cheio de diálogos em várias línguas, mas com um sabor nitidamente venezuelano. Quem for novidadeiro como eu deve visitar o site dos muchachos e baixar, inteiramente grátis e dentro da lei, a faixa "Levántate", uma das melhores do disco "Colores de Ideas 7". Nada como música boa para abafar os discursos do Chávez.

GERALDÃO VIVE

Escrever é minha profissão e meu hobby, mas quando acontece uma coisa como a morte do cartunista Glauco e seu filho durante um assalto, simplesmente não sei o que escrever. Não sei selecionar: é um turbilhão de coisas que me vem à cabeça. Horror, espanto, revolta, vontade de ir embora do Brasil para sempre, apoio à pena de morte para esses assassinos, de preferência da maneira mais dolorosa possível. E pensar que muitas das tirnhas recentes do Glauco eram centradas no Faquinha, um trombadinha indefeso frente à violência da cidade grande… Pelo menos o Geraldão não vai morrer nunca. É um dos personagens brasileiros mais geniais de todos os tempos, a caricatura de uma geração preguiçosa e hedonista da qual eu também faço parte.

quinta-feira, 11 de março de 2010

A ALEMANHA DO CARIBE

Pulei da cama às 3 e meia da manhã. Às 4 nosso microônibus saiu do hotel, por ruas surpreendentemente movimentadas para aquela hora. A estrada também estava cheia e a pista em sentido contrário tinha até um engarrafamento, por causa de um caminhão tombado. Chegamos a Colonia Tovar às 6, bem a tempo de ver o sol nascer. O lugar é estranhíssimo: montanhas que chegam aos 2.200 m de altitude, a poucos quilômetros do mar. Não cheguei a entrar na cidade, que foi fundada no século 19 por alemães da região de Baden, e tem mais arquitetura típica que a nossa Blumenau (da qual, alias, é cidade-irmã). Por tudo isto, Colonia Tovar é conhecida como a “Alemanha do Caribe”, e é um pólo turístico em plena expansão. A apenas 2 horas de Caracas, chega-se a um clima semi-alpino, com picos espetaculares e um céu azul com para-gliders deslizando – na verdade, a pontinha norte da Cordilheira dos Andes, que começa aqui e vai até a Terra do Fogo. Mais um lugar que eu nunca pensei em conhecer (aliás, nem sabia que existia). Obrigado, Senhor, por mais um dia.