sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A REDE ANTI-SOCIAL

As tragédias costumam acontecer em série nos Estados Unidos. Um aluno invade a própria escola com uma arma na mão, atira em vários colegas e depois se mata; nas semanas seguintes, casos semelhantes pipocam por todo o país. Agora é uma onda de suicídios que assola os EUA, todos provocados por bullying homofóbico. Só em setembro quatro adolescentes tiraram a própria vida depois de sofrerem um assédio impiedoso, ao vivo e pela internet. A comoção é tamanha que gerou uma reação positiva: o colunista Dan Savage, uma das pessoas que eu quero ser quando crescer, criou o canal It Gets Betters no YouTube. São depoimentos de adultos “sobreviventes” do bullying, com uma mensagem crucial para a garotada que está enfrentando agora essa barra: vai melhorar, não é o fim do mundo, não se mate por besteira. É uma maneira positiva de usar a rede. Infelizmente, ela também vem sendo usada para o mal.

Veja o caso de Tyler Clementi, talvez o mais chocante de todos. Ele tinha 18 anos, já era maiorzinho que as outras vítimas e frequentava a universidade de Ritgers, em Nova Jersey. Seu colega de quarto, com a cumplicidade de uma amiga, teve a brilhante ideia de colocar uma câmera escondida no alojamento, para gravar as escapulidas de Tyler com outros caras. Depois os malvados ainda postavam as imagens online. Foi humilhação demais: Tyler se jogou da ponte George Washington, em Nova York. Num desfecho cruelmente adequado para este drama intensificado pela internet, ele ainda escreveu no Facebook: “Jumping off the gw bridge sorry”. Não foi pelo Twitter, mas mesmo assim ele conseguiu anunciar seu suicídio com menos de 140 caracteres.

Agora é a vez de Dharun Ravi e Molly Wei, os vilões dessa história, serem execrados publicamente. Já existe uma página no Facebook onde os participantes podem desabafar e exigir que a dupla seja processada criminalmente. O curioso é que o próprio site começou como um forum de esculhambação: segundo o filme “A Rede Social”, que estreia hoje nos EUA e no Brasil em novembro, Mark Zuckerberg criou o FB para se vingar de uma namorada. Bastante romanceado, o roteiro conta como um nerd sem amigos usou seu pouco traquejo social para afastar desafetos e ficar quaquilionário em tempo recorde. O filme está recebendo críticas ótimas e já é um dos favoritos para o Oscar do ano que vem. Mesmo que não ganhe, já se tornou emblemático desses tempos em que vivemos. Moral da história: não faça da internet uma arma, a vítima pode ser você. Mas se ganhar bilhões de dólares, aí zuzo bem.

8 comentários:

  1. Na realidade é Tyler Clementi (via Blog do Luciano). Olha só a cara dos desinfelizes... e o Tyler parecia ser gente fina, tinha uma cara boa.

    Nossa, fiquei superinteressado nesse filme citado. Tuido do atual. Luxo, poder, glória, sofisticação, e me add!

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  2. Já corrigi. É o que dá fazer um post às pressas para não perder uma carona na hora do almoço.

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  3. Isto é muito sério. E muito triste. Eu fiquei muito comovido com a história do Tyler Clementi. E devem ter muitos outros na mesma situação.
    **

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  4. http://www.youtube.com/watch?v=_B-hVWQnjjM&feature=youtube_gdata_player

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  5. Enquanto isso no Brasil:

    http://juliosevero.blogspot.com/

    O site mais homofóbico que já vi, incita a violência contra nós e até existe uma campanha para tentar removê-lo do Blogspot.

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  6. Quengvéia e bicha2 de outubro de 2010 20:47

    Pois é, será que era pra ser engraçado?Porque não consigo entender graça nesse tipo de brincadeira? bahhhhhh... Dois idiotas que, literalmente, acabam a vida dos outros. Nessas horas dá vontade de voltar a idade da Arca e lascar pedra nessa vaca oriental e nessa mula de crina crespa!

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