quarta-feira, 12 de maio de 2010

TUDO EM FAMÍLIA

Há algo no ar além das cinzas do vulcão da Islândia (parênteses rápido: adoro como a Globo jogou a toalha e nem se atreve mais a dizer "Eyjafjallajökull". Agora ele se chama simplesmente "o vulcão da Islândia"). A autorização pelo STJ, há duas semanas, para que um casal de lésbicas registrasse seus filhos no nome de ambas deixou a homossexualidade mais na moda do que o cabelo do Justin Bieber. Na mesma semana em que a "Veja" deu capa, a Globo exibiu um "Profissão Repórter" mais do que simpatizante - praticamente militante. Durante o programa, foi recorrente os próprios apresentadores dizerem que queriam ajudar mais e mais pessoas. As chamadas apelaram um pouco: dizia-se que iríamos acompanhar o "drama das famílias que convivem com o preconceito". O que se viu na tela foram famílias que em grande parte já superaram os próprios preconceitos internalizados e hoje vivem o "drama" de uma vida normal: corre-corre, namoro, problemas de saúde. Mas quem somos nós, drama queens de carteirinha, para acusar alguém de carregar nas tintas?Então vou exagerar também: acho que o "Profissão Repórter" de ontem foi a melhor coisa que aconteceu para a bicharada brasileira desde que inventaram o carnaval. Me debulhei em lágrimas quando apareceu o almoço de domingo na casa dos Reder, no final. Lá estava uma arquetípica família de classe média, com pai conservador, irmão bofinho e mãe caretona, todos convivendo numa ótima com o filho caçula (um gatinho) e seu namorado (que vai melhorar quando tirar o aparelho dos dentes). Mais uma prova de que os direitos dos homossexuais vão mesmo avançar no Brasil por esta trilha: a cordialidade, as relações familiares, o amor. É o amoooor.

31 comentários:

  1. só corrige que a decisão foi do stj, não do stf.

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  2. Já corrigi. É o que dá postar antes das 8 da manhã.

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  3. Tony, super concordo sobre a importância do Profissão Reporter de ontem. Geral parou no meu MSN pra assistir ao programa. Um amigo disse que achou cafona, eu discordo. Achei importantíssimo.

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  4. Não vi. Capotei de sono. TiVa o programa no Globonews aí para gente!

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  5. Daniel, o programa está inteirinho nos dois vídeos aí em cima.

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  6. Tony,

    Eu também assisti o programa ontem (nao deveria, pois tinha uma prova hoje) e confesso também que achei o máximo. Achei a abordagem do programa direta, clara e bem positiva. Aqui em casa, acho que foi uma mega vitória fazer com que a minha mae visse o programa e percebesse que os dilemas que ela tem sao iguais aos de muitos outros pais. E eu também fui as lágrimas na hora do almoco em família: eu passei exatamente por tudo aquilo que ele passou, e em Agosto o meu namorado chega da Franca e será devidamente apresentado a família. Ver como uma família ultrapassou todos os seus preconceitos e hoje em dia é FELIZ aceitando as diferencas foi algo que me marcou muito. (E gente, um comentário motivado pela fome pré-almoco: O QUE ERA a lasanha daquele cara? Tava com uma cara OTÉMA!).

    E sobre os resultados do programa, avancos dos direitos dos homossexuais, sei lá Tony, acabei o programa meio cético, meio pessimista. Nao existe luta, nao existe mostrar a cara, nao existe correr atras dos direitos aqui no Brasil. Isso acontece para tudo, em qualquer tema ligado a política, eu sei. Mas no nosso caso... me parece que no contentamos com um pouco, que só vai ser extendido mesmo quando uma forca superior (aqui, o presidente) resolver ampliar os direitos. A participacao ativa nesse processo, é simplesmente ignorada.

    Lembro de quando tentamos montar um grupo de estudos GLBT na UFRJ, e toda hora recebíamos emails tipo "Acho válida a idéia, mas nao quero me expor perto de vocês". Frustra, sabe? Quero que a nossa cultura se torna o flexível suficiente para tolerar casais gays e lésbicos de maos dadas na rua, além dos direitos civis. E isso nao vai acontecer meramente por projeto de lei vindo de quem quer que seja.

    Abrazos,
    Fer

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  7. Eu me emocionei, cheguei à conclusão que devemos agradecer a existência da Rede Globo (para o bem ou para o mal, influencia e educa as pessoas) e... fiquei louco pela comida servida na mesa dos Reder. kkkkkkkk

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  8. O programa foi ótimo, só lamento o horário de exibição.

    são ações como essas q aso poucos quebram o preconceito.

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  9. Tá, mas só pra ser do contra e não deixar passar: quem do "time de frente" da emissora, os que são tidos como "formadores de opinião", é gay assumido? Não vale dizer SerginhoBBB pois ele faz de si mesmo a piada (e parabéns a ele), tampouco Nanini, que diz que basta olhar pra ele pra saber sua orientação sexual, mas falar, não fala. O amor venceu, segundo o programa jornalístico, mas a vênus platinada parece ainda temê-lo.

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  10. Que pena eu sempre perco estas...sniff. Mas voce é um amor, disponibiliza as coisas para a gente,por isto te leio Tony!!

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  11. Tony, também houve um flash mob Lady Gaga em Chueca este sábado, em frente ao hotel Óscar (aquele a sua amiga não gostou), dá uma olhada:
    http://www.youtube.com/watch?v=YOmRKk6Ej8Y

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  12. Tony,
    Obrigado por disponibilizar - achei emocionante. Vou divulgar para os amigos - este programa merece ser assistido por muita gente e deveria ser obrigatório nas reuniões de escolas, agremiações, igrejas, etc. ISSO mostrado no programa é a verdadeira definição de AMOR. O amor, dedicação, e sacrifício das duas mães pelo casal de filhos gêmeos é bastante comovedor e extremamente lindo.
    *

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  13. Olha, eu que fui tão crítico com a matéria da Veja tenho que reconhecer que a Rede Globo - QUEM DIRIA (??!!!!!) - fez um programa magnífico.

    Como não se emocionar com TODAS aquelas pessoas, desde o transexual e - confesso que não consigo entender os trans, mas o depoimento daquela família, pai, mãe serviu para diminuir meu próprio preconceito.

    Como não se emocionar com o casal de lésbicas e rolou até um selinho gay na tela da Globo entre meninas, mas tudo bem. rsrrs

    Como não achar lindo o trabalho daquela mãe que demorou CINCO!!! anos para aceitar o filho.

    Como não se apaixonar pelo casal de meninos - e discordo de você, achei o gatinho com o aparelho nos dentinhos um CHARME TOTAL rsrrs.

    Muito lindo o programa, procurou enfocar casos positivos, mas sem nunca diminuir ou esconder as dificuldades e os receios do mundo real.

    Pra ser perfeito só faltou o beijo dos meninos no fim, mas aí ficaria muito festivo demais. rsrs

    Belo programa e merece prêmio.

    Parabéns à Rede Globo por mostrar uma visão tão bonita e ao mesmo tempo equilibrada dos gays.

    Me emocionou.

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  14. Lindo mesmo, tomara que tenha chegado lá no Brasil profundo, e feito muitos gays adolescentes se aceitarem melhor.

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  15. Foi lindo demais. Todo brasileiro deveria ver a relação da transsexual com sua mãe. Foi lindo. Na verdade, este programa é o que tem de melhor na tv.

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  16. Valeu! Não deu para assistir ontem a noite, e também chorei pela bela história da Júlia, do fofíssimo casal de lésbicas, e me acabei de rir com o folgado do Junior, que agora não perde um almoço na casa do sogrão. O mundo caminha para frente...

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  17. Chorei ! O Caco Barcellos e sua equipe manda muito bem !

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  18. Tony,

    Caca no Youtube, Google, Globo.com que seja o depoimento do último capítulo do Viver a Vida. BEM na linha que você tem defendido nos últimos tempos (direitos gays, família, etc)...

    Abrazos,
    Fer

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  19. Acabei de ver o depoimento e fiquei passado no beurre noir.

    A Globo aderiu, gentem!

    Menos de 24 horas depois do "Profissão Repórter", eles veiculam mais um libelo pró-adoção por casais gays. E no programa de maior audiência da casa, a novela "Viver a Vida".

    Agora é questão de tempo. A adoção já é uma realidade, o casamento gay vem daqui a pouco.

    Assim que eu achar o depoimento em algum lugar, posto aqui. Se alguém achar antes, me manda o link, porfa.

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  20. Hoje qdo acordei minha mãe começou a falar desse programa, não dei muita bola. Mas agora que vi (obrigado por disponibilizá-lo no blog!), realmente MUITO emocionante.

    Preciso ver se minha sogra viu. Ela é uma chinesa supertradicional que hoje em dia me aceita tão bem, depois de uns 6 meses de choque. Todo final de semana tbm almoço com a família do meu namorado, parece com o do vídeo (que moleque ÓTIMO aliás).

    O avô libanês falando dos netos foi lindo. Aliás tudo muito lindo!

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  21. http://especial.viveravida.globo.com/portal-da-superacao/

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  22. Roberto.
    O transexual "verdadeiro" é alguém que psicologicamente não aceita o sexo com o qual ele nasceu. Ele simplesmente se sente uma pessoa de um sexo em um corpo que não é seu. A operação e trabalho de mudança só acontece após um extenso trabalho psicológico visando descobrir se a situação é verdadeira ou é apenas causada por outros fins(o que não tornaria o trabalho de operação possível). Muitos dos travestis que vemos por ai, não podem ser considerados transexuais, pois normalmente tomaram outra forma com outros fins, normalmente comerciais, como meu professor ressaltou...

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  23. Soou falso pra mim tipo apoio de útima hora pra tentar cooptar sabe deus o que... talvez o voto dos gays para os tucanos.

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  24. Sabe qdo eu discordo de vc? Qdo vc ao relatar uma reportagem que endereça um assunto da atualidade jornalísticamente vc diz que foi praticamente militante. Querendo dizer que militante é uma qualidade. Essa reportagem, assim como a de Veja, indicam para onde a sociedade está indo faz algum tempo. Militância é coisa do passado _ mesmo o termo remete a um tempo que as transformações socias somente eram possíveis com as tradicionais passeatas. Não que elas não existam e sejam benvindas _ flash mobs podem ser passeatas tb...hehehe_ mas hj em dia articulação é tudo. A articulação política e social no tecido da sociedade é que torna possível q pessoas diferentes possam conviver bem. Pq elas tem objetivos comuns como cidadãos e seres humanos. De resto, feito vc tb me emocionei em alguns momentos com a reportagem...hehehehehe

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  25. Obrigadíssimo Tony! Não teria assistido se não fosse pelo seu blog. Acho que podemos considerar histórico esse programa, até pela delicadeza como abordou o tema... Só me incomoda um pouco que a aceitação tenha que passar pelo amor entre os pares, fica meio moralista: "com amor pode, mas só sexo é pouca vergonha..." Do mesmo jeito que me incomoda a aceitação pelo consumo, o tal do pink money... Mas ainda assim é melhor que nada... começo a acreditar que realmente estamos dando passos mais consistentes. Apesar da louca do Vaticano...

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  26. Discordo que militância seja coisa do passado. A questão é que no Brasil não há militância de verdade - há disputa por espaço na organização das Paradas LGBT, que não passam de eventos de entretenimento, e não de pressão política. Militância desse tipo é coisa do passado, mas não dá para generalizar. Quando falo que faço pesquisa ACADÊMICA na área sou mal visto, pois as pessoas se acostumaram com o tom festivo do "movimento LGBT"...

    De qualquer forma, acho que o ponto central é: onde estão as universidades nesse momento? Onde está a pesquisa acadêmica, especialmente no âmbito do Direito, sobre o tema? Sem querer fazer algum tipo de propaganda, fico feliz por estar numa faculdade de Direito onde a questão homoafetiva/LGBT é debatida. Todavia, o alunado em geral ainda é excessivamente conservador. E essas pessoas serão os futuros Juízes que decidirão sobre temas relevantes como o posto aqui...

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  27. o filme 'far from heaven' já dava uma dica: é fácil se esconder sendo homosexual, mas sendo negro ou mulher fica impossível, o preconceito vem logo como um tapa na cara... talvez por isso o negócio tenha demorando tanto a acontecer para a gente, mas já é uma realidade, tá aí!e a sociedade careta vai ter q conviver e engolir ainda que muitos não gostem(assim como é com as mulheres e negros). agora o que me preocupa mesmo é que o meio gay tomou para si como estilo de vida a promiscuidade e as drogas, que existem desde que o mundo é mundo e foram sempre super usados pelos heteros mas de forma escondida e velada... é engraçado quando se mostra um casal gay tranquilinho e vem alguém dizer q isso é mentiroso e utópico...ou seja enquanto essa equação tiver essa soma sexo+drogas=gay pra mim essa luta vai sempre dar erro.

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  28. Tive um relacionamento de mais cinco anos e meio e fomos muito felizes. Terminamos porque cada um de nós tomou rumos diferentes - incluindo profissionais - e, sob certa forma uma inesperada notícia, feito ventania, nos deixou sem rumo. Sinto falta da vida que tínhamos, da cumplicidade, lealdade, companheirismo, afeto e amor. Mas sinto também muita falta, mas muita mesmo, da convivência com a sua família - ele também conheceu a minha e, assim como eu, se dava super bem com os meus. Passados quase três anos do "rompimento" entre ambos - e somos amigos até hoje -, doeu-me este ano quando meu sobrinho me perguntou: "Tio, cadê o tio Ed? Tô com saudades dele." Acho que eu também estou.

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  29. João, eu quis dizer q aquela militância antiga. Impossível de qualquer forma não ter uma impressão negativa de militância de tnao impregnada q ela ficou de uma imagem ultrapassada. Por outro lado tem tb a pegada festiva que vc observou... Nada disso ajuda... Mas de qualquer forma o meu ponto era sobre articulação. Acho q a sociedade tem q se articular, juntar forças sobre assuntos que são importantes para a socidedade como um todo e a partir daí exercer seu poder de influência. Estamos na erea da colaboração. Adorei o comentário do anônimo sobre Far from Heaven.

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