quinta-feira, 6 de maio de 2010

TANGO ASSEXUADO

Apaixonar-se por um argentino é decepcionar-se. Pode perguntar para qualquer pessoa que já tenha namorado um portenho. Esta experiência eu não tenho no meu currículo, mas a Argentina acaba de me causar a segunda decepção musical em menos de um mês. Primeiro foi o Fito Paez, agora o Gotan Project - nada menos que os criadores do tango eletrônico, um dos meus gêneros musicais favoritos. Já disse até que era a melhor trilha sonora para transar. Pois bem, o 3o. disco de estúdio da banda – imaginativamente chamado de “Tango 3.0” – quase consegue tirar todo vestígio de sensualidade do tango, como se isto fosse possível. Os arranjos, que eram revolucionários na estreia “La Revancha del Tango”, agora são predominantemente acústicos. E a levada da maioria das faixas é lenta, quase arrastada. O que salva é que ainda há muita inventividade, como a batucada gerada a partir do barulho de um trem em “Mil Millones” ou o coro de criancinhas em “Rayuela” (“Amarelinha”, e também o nome do romance mais famoso de Julio Cortázar, um dos mais emblemáticos escritores argentinos). “Tango 3.0” é muito bom, sem dúvida. Mas, apesar da capa com letras formadas por mulheres nuas, falta aquele tesão que os rivais do Bajofondo ainda têm. E que é essencial para se bailar una milonga.

3 comentários:

  1. Que pena ler isso. A primeira vez que ouvi falar do Gotan foi há quase 10 anos, bem na época que eu estava me abrindo aos sons eletrônicos mais experimentais.

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  2. achei que o mais recente gotan fosse INSPIRACION/ESPIRACION que acabei de comprar em buenos aires.

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