quarta-feira, 12 de maio de 2010

O ELEFANTE COR-DE-ROSA

Tá rolando o maior bafafá no meio artístico americano. Tudo culpa de um artigo publicado na versão online da revista "Newsweek", assinado por Ramin Setoodeh - que costuma escrever sobre assuntos gays e é tido e havido como do time também. Na já infame matéria (que pode ser lida aqui, em inglês), Setoodeh começa narrando seu desconforto ao ver o musical "Promises, Promises" na Broadway. Seguindo ele, havia um "elefante cor-de-rosa" no palco: o fato do personagem principal, que é hétero, ser interpretado por Sean Hayes, que acabou de sair do armário. Segundo ele, é praticamente impossível um ator assumidamente gay ser convincente fazendo um breeder. E seguiu dando exemplos, atacando inclusive a série "Glee". Não demorou muito para a atriz Kirstin Chenoweth - que tanto está em cartaz com "Promises..." como também já participou de "Glee" - escrever uma réplica basicamente mandando Setoodeh tomar no cu. Seguiu-se uma exigência de desculpas públicas pelo criador do programa, Ryan Murphy, logo secundado pelo presidente GLAAD, que defende os direitos bibais nos EUA. Meu coração está com eles, lógico, ainda mais porque a linha de raciocínio de Setoodeh soa antiquada e reacionária. Uma pessoa de bem pode perfeitamente interpretar um assassino, e assim por diante. Mas não deixo de reconhecer que o autor tem um pingo de razão: dá para imaginar o que seria da carreira de um George Clooney, por exemplo, se ele resolvesse soltar a franga?

6 comentários:

  1. Tony, acho legal mencionar o detalhe de que a Chenoweth é religiosa (igreja Batista, se não me engano) e ao mesmo tempo megafriendly. Um exemplo de que crente não precisa ser Cleycianne :)

    Eu amo a Cheno porque ela é a Glinda do Original Broadwat Cast de Wicked (o GRANDE motivo de eu assitir Glee foi a participação dela) e ela escrevendo essas coisas me dá um orgulho, eu amo essa mulher haha.

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  2. Tony,
    Eu tenho pensado no artigo desde que o li e consigo entender claramente o ponto do autor. Existem atores que são veados demais e não conseguem esconder isso nem fazendo papel de estátua - e Sean Hayes é um deles, queira ou não. George Clooney poderia muito bem continuar fazendo papel de hétero se se assumisse gay pelo simples fato de que já provou ser competente para isso.
    **

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  3. Não passa de alguém que não conhece a história do cinema e seus galãs enrustidos.

    Fácil adivinhar o já dito.

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  4. Peraí, Tony. Vai até o final da história e coloca tb o link da resposta do Setoodeh para a Chenoweth (http://www.newsweek.com/id/237758), supercoerente e bem humorada. To com ele quando chama atenção para o caráter "mocinhos X bandidos" que essas polêmicas assumem e se provam infantis. Sean Hayes pegador? Tá, me engana que eu gosto. Remember Guy Pearce pegando Kim Basinger em LA Confidential... fake, fake, fake.

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  5. A resposta de Setoodeh está aqui:

    http://www.newsweek.com/id/237758

    Ele também tem aparecido em programas de TV, tentando se explicar e dizendo ter sido mal interpretado.

    Ou seja: está tentando remendar um texto que, na minha opinião, estava mesmo mal escrito e dava margem a interpretações como as que têm sido feitas.

    Ele tem um "point", mas agora, covardemente, diz que só queria "iniciar um diálogo".

    Mas não soube estabelecer este "point" claramente no primeiro artigo. Não, não é um homófobo: é só um cara que escreve mal.

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  6. se fosse assim, metade da Globo já estaria na rua...

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