sábado, 8 de maio de 2010

GERAÇÃO COLORIDA

Simpática e simpatizante a matéria de capa da "Veja" que saiu hoje. A revista mostra como os adolescentes estão saindo do armário cada vez mais cedo, sem maiores traumas. Resisitu bravamente à tentação de entrevistar o "outro lado", com religiosos e terapeutas de araque dizendo que essa garotada vai arder no fogo do inferno. Mas deu várias escorregadas, como pintar um quadro vário matizes mais rosado que a realidade - o André Fischer tem razão, ao dizer em seu blog, que ser teen e gay ainda é um problema seríssimo em quase todo o Brasil. Também é irritante a utilização de termos bobos, como "coloridos," ou incorretíssimos, como "opção pelo homossexualismo". Mas no geral o saldo é ultra positivo, pois pode dar alento a mais jovens e, principalmente, a seus pais, enfrentarem com coragem uma questão que ainda é delicada. E como eu queria ter naquela idade a desfaçatez da turma que posou para as fotos, com rosto, nome e sobrenome.

(A matéria pode ser lida aqui, e a versão online ainda traz uma seção de perguntas e respostas sobre união estável entre homossexuais que não aparece na versão impressa.)

17 comentários:

  1. Bem, fazendo o papel do chato-pessimista, ser gay e jovem hoje em dia é muito tranquilo sim. SE você mora num grande centro E você numa regiao com maior poder aquisitivo.

    Mas enfim, para o leitor médio da Veja o mundo é mesmo até onde os muros do condomínio vao, portanto se os gays transarem em algum lugar bem escondido lá no Espaco Gourmet ou Espaco Zen do condomínio... tá tudo ótimo.

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  2. eu faço parte dessa realidade...
    jovem, que mora num grande centro urbano, frequenta boas escolas/faculdades...e realmente um posicionamento claro e sem rodeios é a melhor opçao...quando resolvi aos 20, sair de um curso de arquitetura numa faculdade moderninha pra encarar uma sala cheia de adolescentes de 17 anos na espm, que é uma faculdade ultra elitizada, tinha certeza que a recepçao ia ser a pior possivel... ledo engano...oq os jovens bem informados de hoje em dia realmente nao toleram...é mentira, eles nao gostam é de serem feitos de idiota...e isso é recorrente nas conversas com meus coleguinhas teenagers...eles admiram quem se aceita e nao tenta engana-los...agora eu realmente nao posso garanir que isso se estenda pra base da piramide, ou pra lugares onde a lady gaga ainda nao chegou...

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  3. Bight YounGAY Things8 de maio de 2010 21:34

    Definitivamente nossa geração (acima dos 30 anos) não vai conquistar absolutamente nenhuma grande evolução já que os maiores muros, obstáculos e quaisquer tipo de preconceito e discriminação são muito maiores dentro de nós mesmos do que comparado a essa turminha que esta chegando ai.

    Enquanto nós estamos tapando o buraco da auto-afirmação constantemente, torrando fortunas em grifes para se enquadrar no "topo", bombando corpos em academias para se sentirem "machos" deixando de ser homens, se afogando em orgias-surubas-e-afins para dissimular uma nitida imaturidade emocional e fritando o cérebro em drogas sintéticas como bálsamo pra tudo isso e muito mais.

    Com certeza eles vão conseguir muito mais de forma mais natural e espontanea.

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  4. nunca é fácil pra ninguém, sendo jovem ou não... minha saída de armário foi gradativa, e mesmo assim ainda não foi completa e eu já tenho mais de 30... ainda falta um longo percurso...

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  5. O fator social realmente foi esquecido na reportagem. Sem querer ser anti-Veja, mas sendo...já era de se esperar...rs

    Achei legal a menção ao Oscar Wilde. Estou num projeto sobre ele na faculdade de direito. :)

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  6. Estranhei a ausência de depoimentos dos heteros dessa tal geração tolerância. Cadê eles? Será que a revista tentou que alguém falasse e ninguém aceitou? Ou a revista os deixou de lado e só quis saber da tolerância experimentada pelos gays (e supostamente proporcionada pelos heteros)?

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  7. de certo a Veja coloca um véu de perfeição no mundo colorido, mas normal, afinal tem que vender presentes pra mães, margarina pra casais heteros e carros pesados pros machoes... acho positivo ter uma capa na veja com uma materia sem "o outro lado" e este véu pode até ser uma nuvem branca que ajuda os indecisos a engolirem a historia toda e dá força para aqueles que sao corajosos... eu de verdade nao vejo uma juventude assim tao open mind mas acho que é bom destacar uma parte para fazer crescer o todo... é como no inicio do processo de "aceitacao dos negros"... e por ai vai! Acho que valeu no balanço geral!

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  8. De verdade, acho que a nova geração tem muito mais sorte do que talento por ter encontrado uma sociedade onde vem crescendo - a conta gotas - a idéia de que MANIFESTAR preconceito com orientação sexual é old fashion e sinal de estagnação mental. Ainda leva bastante tempo para o "divergente" ser visto apenas como o que de fato é: uma variação. Mas falar já é cafona, graças a Deus...
    Falando nisso, Bright YouGAY fez o BRIGHTLESS COMMENT EVER, já que todas as tais características citadas como prerrogativas da nossa geração ( mais de 30 ) estão presentíssimas no segmento HT dos 16 aos 40. Proporcionamente igual, numericamente então nem se fala... a menos que ele realmente ache que a TW compreende e ilustra a totalidade do universo gay...

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  9. para mim, a matéria não abordou o principal fato gerador de toda essa abertura: a internet.
    quando eu tinha 15 (tenho 32), não tinha onde buscar informações, trocar ideias - morava em uma cidade do interior do RS. Hoje, mesmo alguém que viva na minha cidade tem a internet para trocar informações, buscar semelhantes e até mesmo namorados. Acho que isso facilita muito toda essa abertura que felizmente a geração que é uns 10 ou 15 mais jovem que a minha está experimentando. Eu entro no embalo e aproveito para também ir fazendo, aos poucos, meu outing.

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  10. VOLTEI A MORO NO INTERIOR E ESTOU ASSUSTADO COM A ACEITAÇAO, NAO SE POR CAUSA DA TV, AS PESSOAS ESTAO MUITO MAIS ABERTAS, CLARO QUE MUITA GENTE DEVE FALAR MAL PELAS COSTAS, MAS ATE AI É NORMAL, FALA-SE MAL DE TODO MUNDO MESMO. CLARO QUE O FATOR SOCIAL AJUDA, TENHO POSIÇAO SOCIAL, MAS SINTO QUE QUE A ABERTURA É MUITO MAIOR. ABRAÇO

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  11. Eu concordo com o comentário do Leandro, a internet faz toda a diferença para esses jovens. E uma das coisas que contribuiu para minha saída do armário, pelo menos para minha família, foi justamente a leitura dos blogayros(incluindo você Tony), tardiamente aos 25 anos. Estou com 28 e caminhando para ser realmente feliz.

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  12. Pensei inicialmente que a Veja estava viajando muito na maionese. Mas conversando com um amigo que é professor em escola pública, ele me confirmou que a tolerância é assustadora. A criançada por volta dos seus 15 anos aceita muito mais do que os adultos. Logicamente, tal fato acontece em grandes centros urbanos, mas já é algum passo.

    Tive a mesma impressão que a maioria teve ao ler, que a Veja pintou tudo com um grande otimismo. Mas pense bem: vocês costumam ter contato com galerinha de 15, 16 anos? Pelo que ando percebendo, alguma coisa está mudando sim e para melhor.

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  13. Pois deixa dar o meu testemunho do lado de cá do Atlântico, eu fui aquela geração que teve a primeira internet (cara, carissima que se pagava o impulso telefonico além da assinatura mensal), tinha posição social, não estava nem aí para os que os outros pudessem falar e não fazia alarde daquilo que era porque achava q era natural e ninguem tinha nada a ver com isso, mas quando fui para a cama com um homem, foi um choque e contei a alguns colegas q andavam preocupados comigo. A aceitação foi muito boa e quando alguns deles se casaram convidaram-me a mim e ao meu respectivo, dizendo que tinha tanto direito a levar alguem como os outros ( a parte divertida foi ver os meus antigos colegas a tirarem satisfações com ele e a perguntarem quais os planos q ele tinha para mim lol)

    Mas também tive a sorte de ter muitos amigos e pessoas gays (muitos conhecidos na internet) que me ouviram e deram um ombro e com quem pude falar, e que sabiam o que estava a passar e que me ajudaram a crescer sem traumas e depressões.


    Mas isso não impediu que também me envolve-se de forma discreta mas presente no activismo gay, fiz parte de várias direcções da principal associação GLBT portuguesa (continua a ser a minha sigla), a primeira livre de conotações politico-partidárias, que abriu e muito as portas, começou comk forusn e discussões na internet, reuniões, festas, um festival de cinema que agora faz parte do roteiro nacional, e depois fomos pedir uma alteração de um artigo na constituição que na altura ninguem percebeu o porquê, mas que levou às uniões de factos, que levou a leis anti-discriminação e que levou ao casamento de pessoas do mesmo sexo este ano.

    E isso só foi possivel à minha geração, porque houve gerações anteriores à minha que lutaram pelos seus direitos que sofreram preconceitos e violência, que foram presos, humilhados em público, a quem chamavam nomes na rua, na escoala e no trabalho, que eram despedidos com justa causa, que eram expulsos de casa, espancados pelos pais, metidos em clinicas a levarem choques electricos ( como aconteceu ao meu tio-avô), expulsos e exilados do país, assim que quando vi o que tinha agradeci a essas pessoas e fiz para que a proxima geração tivesse mais do que o que tinha

    e sinceramente agora nos meus 35 espero que a nova geração aproveite o que deixamos ( sentimos sempre que depois de nós teriam de vir outros e novos) e vá ainda mais longe na integração.

    Ahh e sim tive e tenho as minhas discotecas, as minhas noites,as minhas surubas, as minhas festas de circuito, mas também tenho o jantar de homenagem da elevação a arcebispo do padre confessor da minha tia-avó, que diz: "bem e se quiseres podes trazer o teu namorado ao jantar já que vem a familia toda, a tua prima trás a mulher e as filhas dela" e eu levei :)

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  14. Como eu digo, preconceito se vence em etapas e sempre da um passo a cada geração.
    Imagina como vai ser o mundo dos filhos dessa garotada que aceita numa boa?

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  15. Quem diria que a Veja - a direita que baba - daria uma capa dessas?

    rsrrsrs

    Totalmente chocado.

    Mas não com o que a matéria mostra ou procura mostrar.

    Tenho contato (embora não seja mais teen faz tempo rsrrsr) com alguns garotos dessa idade e sim, entre os garotos novos e novíssimos ninguém mais quer pagar de atrasado sendo um troglodita de neandertal. rsrrs

    Ser gay hoje - para essa meninada - é chique e radical é quase moda.

    Imagino que na classe média alta e na altíssima (rsrrsr) o preconceito seja diminuto, os tormentos desses garotos que saem do armário é quase zero.

    E a reportagem que acabei de dar uma lida é BEMMMMM cor de rosa bebê, hein? rsrrs

    Dizer que nos colégios o ambiente não é mais ameaçador ou algo do tipo é uma generalização medonha.

    Reparem que - como sempre nesta revista - o caráter desmobilizador de dizer que a nova geração por não sofrer perseguições (claro que não sofrem, vivem - como alguém disse acima - em seus condomínios de luxo e gaiolas douradas da zona sul) não se interessa pela militância de direitos gays.

    Enfim, na Veja se faz o resultado e depois se busca elementos que comprovem o lado que a revista quer defender e mostrar.

    Mas, neste caso, o lado da verdade é minúsculo, por mais que seja legal para todo Gay se ver representado por jovens tão belos e decididos e felizes.

    Mas - já dizia o seriado sinistro - "A verdade está lá fora". rsrsrs

    Porém, se algum trolzinho que costuma ler essa revista neocon se sentir envergonhado e parar de perseguir meninos gays por ai, já vai valer a pena.

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  16. Tony, a verdade pra mim é que a Veja só detectou algo q vem vindo ( chamam de tendência por aí...hehehe) faz tempo. Se a Veja botou na capa é pq a curva de tendência para fato já está ascendente. O gueto vem acabando, e de fato existe mais para uma geração anterior q se acostumou a viver dentro dele e encontra identidade e validação nele. Tudo certo. Para esta outra geração "gay" não define mais, e tampouco querem fazer parte de um grupo. Para a geração anterior esse grupo fechado apontava tb a possibilidade de um estilo de vida mais alternativo. Esse estilo entrou no mainstream para essa nova garotada. De fato não deve ser assim em todo o Brasil, e com certeza o nível cultural e econômico influenciam. Mas a capa de Veja evidencia que esta mudança já está por aí. Conversando com a garotada que conheço dessa geração ouço a mesma coisa. Eles não estão nem aí para quem é gay. E os gays não estão nem aí para o mundinho gay. Não falam em rejeição. Falam em trânsito. Em poder entrar e sair de qualquer lugar sem necessáriamente serem definidos por esse ou aquele estilo de vida. Talvez um certo engajamento fique faltando a primeira vista. Mas se olharmos mais de perto vemos que o que falta é militância. Pelo menos militância como foi conhecida até hj. Tornar a sociedade um ambiente mais sustentável e tolerante é parte da ideologia deles. Então não existe uma militância por um segmento específico. Existe um início pelo menos de uma consciência mais ampla do que a sociedade deve respeitar e oferecer pro indivíduo. Essa geração fez a anterior envelhecer décadas em apenas 10 anos. :-)

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