quarta-feira, 5 de maio de 2010

DEPOIS QUE ACABOU

Não sei onde que eu estava com a cabeça quando achei que assitir “A Estrada” seria uma boa distração depois de um longo dia de trabalho. O livro em que o filme é baseado, de Cormac McCarthy (também autor de “Onde os Fracos não Têm Vez”), é tido por alguns como uma obra-prima. Eu já sabia que se tratava de uma fábula pós-apocalíptica, gênero que já rendeu coisas boas como “Ensaio sobre a Cegueira” ou “Filhos da Esperança”. A estrutura é quase idêntica: depois de uma catástrofe misteriosa, a humanidade agora está cega/estéril/quase toda morta. Muitos dos sobreviventes regridem a um estado de quase barbárie, e a violência come solta. No final, depois de muitas atribulações, vislumbra-se uma possibilidade de redenção. A diferença é que em “A Estrada” esse futuro pós-tudo é ainda pior do que de costume. Tão ruim que chega a ser inverossímil: se todos os animais morreram e as plantas seguem pelo mesmo caminho, como é que os protagonistas – pai e filho sem nome e sem lar – conseguem se manter não apenas vivos, mas relativamente limpos e saudáveis? OK, estão sempre fugindo de ladrões e canibais, mas o filme dá a entender que esta situação já dura anos. Talvez seja a saída que os produtores encontraram para não deixar a história mais desesperadora do que já é. A paisagem está sempre cinzenta, o tempo sempre frio, e a pouca comida que se encontra costuma ser salada de frutas em lata. Voltei a não gostar do Viggo Mortensen: ele tem uma certa solenidade que me desagrada, e aqui parece um Jesus Cristo sem santidade. O final semi-feliz soa forçado, e os personagens têm tão pouca empatia que eu quase torci para eles serem logos capturados e comidos. Se “A Estrada” não funciona como diversão, pelo menos podia dar margem a alguma reflexão. Mas que o ser humano é malvado, todo mundo já sabe faz tempo.

3 comentários:

  1. Achei o filme sensacional, daqueles que levam dias para ser digeridos...acho que vc estava muito de saco cheio qdo o viu, né não? Esse filme deve ser visto num dia sem muitas atribulações...bjs, Caio.

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  2. cara, eu nao desgostei tanto assim. achei que o filme tems eu mérito.

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  3. Nossa, eu ainda estou pensando nesse filme. Gostei, mas concordo que ele é muitas vezes incomodo de assistir. O que é aquela cena na casa?! Meu Deus, que medo.

    Alias, quanto sera que a Coca Cola pagou pra fazer aquele comercial dentro do filme?! Mais descarado impossivel!

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