quinta-feira, 20 de maio de 2010

ADULTÉRIO SILENCIOSO

O que seria do cinema francês se não existisse o adultério? Nenhum tema é tão recorrente por lá: casal pacato e aparentemente feliz entra em crise quando um dos cônjuges conhece alguém irresistível e resolve pular a cerca. Um enredo que já gerou clássicos como "A Mulher do Lado" de Truffaut, com a estonteante Fanny Ardant, e o recente "Partir", com a divina Kristin Scott-Thomas. Em "Mademoiselle Chambon" todo mundo é bem normal, sem grande charme ou beleza. Um pedreiro se interessa pela professora de seu filho, mas ninguém tem coragem de avançar o sinal. Longos silêncios, olhares pensativos, música de câmera. O filme ganhou o César de melhor roteiro adaptado, se bem que interessante mesmo é a direção de Stéphane Brizé, com tempos tão longos que beira a monotonia. Mas os personagens não precisam mesmo dizer muito para que se perceba o turbilhão em que vivem. "Mademoiselle Chambon" é bonitinho, mas já está na hora de vermos um filme francês em que o marido enjoasse da amante e voltasse correndo para a mulher.

2 comentários:

  1. #1: O que seria do cinema frances se nao existisse o adulterio e... Gerard Depardieu (onipresente naquele cinema!)

    #2: SUPER lembrei que eu comentei isso com o meu namorado (que os filmes franceses passam a ideia de que todo casal inevitavelmente acaba chifrando o outro) e acabei iniciando uma crise nele "Sera que a minha mae chifrou o meu pai?" que durou SEMANAS. Tadinho... ahahahaha

    ResponderExcluir
  2. Lembrei de "Hiroshima Mon Amour", sempre fiquei na dúvida se no final os amantes iam se esquecer ou esquecer o passado.

    ResponderExcluir